Ke$ha ou mau gosto não se discute

por Sérgio Martins

“Escovo meus dentes com uma garrafa de Jack”, diz a cantora americana Ke$ha, de 22 anos, em “Tik Tok”, single que a elevou ao topo da parada de discos americana. Jack, bem entendido, é o uísque Jack Daniel’s. A moça deve ter um hálito deleitável. Sua música é igualmente doce: embalada por um pancadão eletrônico (uma espécie de rap sem molejo), Ke$ha canta sobre noitadas, homens e bebedeiras. O clip de “Tik Tok” não é sutil na sua tradução visual da letra: Ke$ha acorda, toda amarfanhada, dentro de uma banheira, esfrega-se com um sujeito de bigodão asqueroso, é algemada por um policial, passa a madrugada pulando em uma casa noturna – e, no fim triunfal da jornada, capota mais uma vez dentro da banheira.

As demais canções de “Animal”, disco que já vendeu 152.000 cópias nos Estados Unidos na primeira semana de lançamento, não são diferentes: relatos de baladas, com muito álcool e sexo. A escandalosa Amy Winehouse – que, ao contrário de Ke$ha, sabe cantar – pelo menos mostra uma certa ironia quando exalta seu jeito intoxicado de ser em “Rehab”. Ex-backing vocal de Britney Spears, Ke$ha não saberia ser irônica. Sua música é tão vulgar quanto o cifrão que ela pôs no meio do nome. Democrática, relativista, a cultura moderna diluiu as categorias tradicionais do gosto. E no entanto ainda há casos como o de “Tik Tok”, do qual se pode dizer de forma inequívoca: que negócio de mau gosto.

Em alguns casos, o mau gosto restringe-se ao campo mais ou menos inócuo do estilo. Tome-se, como ilustração, essa frase de “O Símbolo Perdido”, best-seller de Dan Brown: “Seu massivo órgão sexual trazia os símbolos tatuados de seu destino”. Risível de tão ruim – mas não chega a ofender a dignidade de ninguém. O mesmo vale para a tocante cafonice da escocesa Susan Boyle, cujo disco “I Dreamed a Dream” foi desbancado do topo das paradas por “Animal”. Mas Ke$ha ultrapassa a barreira da baixaria pela maneira aviltante como representa sua personagem – o pop, afinal, é não só música, mas “atitude”.

Em entrevistas, a cantora atribui a suas canções um certo espírito de revanche feminista: “As pessoas se chocam com as minhas letras, mas não reclamariam se elas fossem do Van Halen ou do Guns N’ Roses. Estava na hora de os homens provarem um pouco de seu próprio remédio”, declarou ao jornal inglês The Guardian. O argumento poderia valer para a Madonna dos bons tempos – a mulher sexy mas dominadora, que faz o que quer dos homens que a desejam. Mas a personagem de “Tik Tok” não é uma dominatrix – é, nos termos do funk carioca (outro estilo bem plantado no terreno da baixaria), uma cachorra. Essa figura despontou na música graças ao chamado gangsta rap do fim dos anos 80 – um gênero que glamourizava o crime e o machismo.

Também machistas, mas menos agressivas, as comédias estudantis americanas param bem perto da fronteira da baixaria (e até da pornografia). O gênero eclodiu com o sucesso do primeiro “Porky’s”, em 1982, e desde então nunca parou de dar dinheiro. Essa sexualidade adolescente, vulgar e incontrolável, que se vê, por exemplo, em “American Pie” estendeu-se a personagens adultos em “Quem Vai Ficar com Mary? “, dos irmãos Farrelly, e, mais recentemente, “O Virgem de 40 Anos”, de Judd Apatow. São filmes marcados por uma escatologia meio infantil, com piadas nojentas envolvendo vômito, urina e outras secreções – mas também são românticos, ternos quase, se comparados a “Porky’s”.

Os filmes de terror B como “Madrugada dos Mortos” costumavam ocupar a mesma zona cinzenta do mau gosto inegável, mas divertido. Sua sangueira podia até revoltar estômagos mais sensíveis, mas não aviltava o senso moral do espectador. A palavra inglesa “trash” – literalmente, lixo – designa bem esse tipo de produção. Recentemente, porém, um novo gênero de terror rompeu a fronteira que separa o trash da baixaria e da pura apelação: trata-se do “torture porn” (pornô de tortura). O apelo de séries cinematográficas como “Jogos Mortais” e “O Albergue” não é o terror, mas o sofrimento, infligido com métodos elaborados a belas jovens (o público desses filmes é majoritariamente masculino).

Sangue, sujeira, secreções – esses materiais baixos não rompem, por si mesmos, os limites do bom gosto. Há cenas escatológicas em clássicos literários de Rabelais ou Cervantes, e certas telas de Caravaggio têm mais sangue do que um filme de zumbi de George Romero. Uma certa cultura da provocação e do escândalo, de outro lado, valoriza excessivamente o material mais repulsivo, como os bichos embalsamados que o artista inglês Damien Hirst vende por dezenas de milhões de dólares. Mau gosto?

O ricaço incauto que comprou um tubarão morto dirá que não, que Hirst está ironizando os cânones da grande arte etc. Esse clima de vale-tudo na arte contemporânea, em que ironia e impostura se confundem, sugere um mundo no qual a distinção entre bom e mau gosto perdeu o sentido. Outra linha crítica relativista, mais ligada à esquerda, tende a interpretar o gosto como um mero mecanismo de dominação – o bom gosto seria estabelecido pelos ricos como um meio simbólico de se distinguirem da ralé (o sociólogo francês Pierre Bourdieu sustentou um argumento dessa ordem em “A Distinção”, livro de 1979).

Os limites entre o belo e o feio, o vulgar e o refinado, o sutil e o grosseiro de fato são sempre imprecisos. Estão sujeitos aos caprichos de cada época – ou, no caso da moda, de cada temporada: a estampa de oncinha, que já foi o nadir do mau gosto, hoje está reabilitada (com parcimônia, claro: a calça de Ke$ha na foto que ilustra este texto ainda é lamentável). Mas será bobagem insistir na desgastada máxima segundo a qual “gosto não se discute” – até porque as mesas de bar seriam bem menos animadas sem essas discussões.

“O gosto não possui um sistema e não possui provas. Mas existe uma espécie de lógica do gosto”, dizia a escritora e crítica americana Susan Sontag em um ensaio dos anos 60. O gosto, afirma ainda a ensaísta, não se limita aos julgamentos artísticos: há gosto na emoção, na moral, e até a inteligência seria uma espécie de “gosto pelas ideias”. Relativismos à parte, ainda existem algumas linhas claras para separar ironia de porcaria, luxo de lixo. Não são necessariamente elitistas aqueles que criticam o artista por ultrapassar as fronteiras do impróprio, da baixaria, da vulgaridade. Pelo contrário: sustentar a importância do gosto pode ser um exercício de liberdade do homem comum contra aqueles que têm cifrões na conta ou no nome.

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Sérgio Martins é jornalista e apresentador do Veja Música

27 thoughts on “Ke$ha ou mau gosto não se discute

  1. A cultura de massa vive de reciclar estes lixos. Ainda mais a voltada aos adolescentes, imaturos o bastante para acharem tais coisas “iradas” e “rebeldes”. Um ridículo culto à estupidez. Essa Kesha só pode ser piada. Vi essas dias ela na EMETEVÊ, “superdescolada”, carinha de malvada da balada, taaaaaanta atitude… Na falta de talento, apela-se ao vale-tudo da polêmica fácil e do choque inútil, vulgar e carente de reflexão.

  2. Meio puritano demais esse texto, não acha amigo?
    O gosto das pessoas muda muito com o tempo, e é necessario aceitar o trabalho artistico do jeito que os artistas querem fazê-lo.
    Por exemplo, nos anos 50, os shows do Elvis eram considerados inapropriados pras adolescentes porque os mais puritanos não gostavam da musica e do modo como ele dançava. E naquela época o rock era tachado como sub-musica(!). Agora imagina se o Elvis decidisse deixar de fazer musica daquele jeito por causa dessas opiniões!
    Quando o rap começou a fazer sucesso nos EUA, o que mais tinha era critico falando mal daquela “musica de festas”. O Beastie Boys sofreu muito com isso no inicio da carreira. Porém hoje tem muito critico (me, too) que considera eles uma das melhores bandas da história.
    O que era mau gosto ontem se tornou genial hoje! E o que é mau gosto hoje pode se tornar genial amanhã. Acho que a gente não deve ficar se importando tanto com isso! É só se ligar, se você acha aquilo bom, escute, veja, se não acha não tente ficar procurando tanto defeito nas naquilo.

  3. “A cultura de massa vive de reciclar estes lixos. Ainda mais a voltada aos adolescentes, imaturos o bastante para acharem tais coisas “iradas” e rebeldes”

    Elvis, Chuck Berry, Jerry Lewis, The Supremes, Jackson 5, Beatles, Rolling Stones, Beastie Boys, Run DMC. Todos esses ocuparam o mesmo espaço que a Kesha ocupa hoje todos foram achados como bandinhas “de meia-tijela”. Porque desmerecer tanto o trabalho de um artista? Ela simplesmente pode não estar madura o suficiente!

  4. Nego colocou Ke$ha no mesmo balaio que “Elvis, Chuck Berry, Jerry Lewis, The Supremes, Jackson 5, Beatles, Rolling Stones, Beastie Boys”….

    Não dá nem para considerar o comentário 🙂

  5. Bah véio, que papo é esse de “O gosto das pessoas muda muito com o tempo, e é necessario aceitar o trabalho artístico do jeito que os artistas querem fazê-lo”. Ninguém precisa aceitar nada de ninguém. Quem aceita tudo é idiota. Se tu gosta de uma porcaria dessas, problema teu, não vem empurrar pra mim isso não. No mais, a questão não é ser puritano. É constatar que trata-se de uma “artista” destituída de talento, tanto lírica quanto musicalmente, embalada num conceito pseudo rebelde de shopping. É ótimo provocar o conservadorismo. Melhor ainda é fazer isso com foco, sagacidade e inteligência. Do contrário, é pura rebeldia adolescente, vazia, um moleque mimado querendo provocar os pais e professores porque aprendeu uns palavrões. Desculpa, velho, mas acho que já fiquei velho pra essas coisas, pra ver algo de útil nesse tipo de transgressão “bebo pra caralho e dou o rabo na boate cheirando cocaína adoidado”. Música e idéias, que é bom, nada à vista.

  6. Pois é Murilo. O cara teve a coragem. Como se todo mundo que, de algum modo causou polêmica, pertencesse ao tipo Kesha e por aí vai. Os Beastie Boys até são um bom paralelo, com aquela postura do início da carreira e tals. O único porém é que os caras vaziam/fazem boas músicas (boas pra caralho) e superaram e muito a imagem inicial de “moleques machistas endiabrados bêbados pega no meu pau”. Isso só é legal quando vc tem catorze anos e nenhuma noção na cabeça. Os próprios Beasties admitem isso, tipo “como a gente era idiota e falava merda”. Faz um favor FLP, não rebaixa os beasties, não… Comparar gente que tem um check your head na manga com a kesha é foda.

  7. Ke$ha, Dan Brown, Paulo Coelho, Cine, Restart, Rick Bonadio… não há limites para o mau gosto, e é chato compravar que o que é ruim vai continuar arrebatando adeptos.

  8. É tudo uma porcaria, e não me venham falando de puritanismo e o escambal. Nem fodendo. O que essa mina faz aí é música péssima, ruim pra cacete. O chato é que sempre aparece uns dois argumentando, bem rasamente, que tal música é “a expressão mais arguta dos novos valores da sociedade pós-contemporânea” e essas troças sociológicas funrrecas.

  9. o radiohead foi achincalhado por um crítico da bizz em seu primeiro álbum, e a história mostrou algo completamente distinto. entretanto, eu usaria a máxima do barão de itararé para esta pobre criatura: de onde menos se espera, daí é que não sai coisa alguma. ou alguma variação, sei lá.

  10. Como assim Jay Vaquer com colhões?! Quem falou isso não tem o mínimo conhecimento sobre o trabalho do cara, e não existe coisa pior do que crítica vazia. Gosto se discute sim, mas com responsabilidade. Se é pra falar qualquer coisa, melhor ficar calado!

  11. Antes de mais nada, achei esse comentário sensacional: “Então essa Ke$ha é tipo uma versão com colhões do jay vaquer? “……Pode até não ser a verdade, mas é engraçado.

    Até entendi o significado do comentário do FLP, mas não concordo. Lester Bangs já dizia que a música com o passar dos anos torna-se uma era plagiando outra que já passou.
    Coisas são recicladas e embaladas diferentemente, para se tornarem acessíveis ou mais deglutíveis. O problema maior é a maneira que se faz isso e o quanto de essência que se perde no processo, afinal de contas a rapidez e sede com que se busca músicas é assombrosa. Mas manter a produção alta para satisfazer uma demanda que não aprecia e sim fagocita canções é absurdo.
    Acho que esse fenômeno Ke$ha tem muito desse fato. Uma regurgitação de atitudes que já se viu antes, mas com um pouco menos de tato ou talento. Um dia talvez a menina faça um disco memorável (não apostaria meu dinheiro nisso, mas……), do mesmo jeito que atualmente a fase Dress You Up de Madonna era cafona visualmente na época e hoje depois de décadas de influência no mundo pop, aquela fase se dissecou em um tempo onde Madonna alcançou às massas, criou uma tendência e meninas do mundo inteiro se vestiam como ela. (e com isso não comparo as duas artistas, é apenas um exemplo da época)
    Mas se a idéia de Ke$ha é isso, então ela poderia ao menos ter um pouco mais de tato na hora de escolher como passar a mensagem. Ser transgressor de maneira inteligente é uma arte (Planet Hemp, Sex Pistols, Ramones apenas para citar alguns mais conhecidos), e mesmo não gostando da música dela, não entendo a mensagem. Acho tão vazia quanto uma piñata mal feita ou ovo de Páscoa barato. Bonito até por fora, mas oco por dentro.
    Também não vejo mal se o texto soar puritano, afinal de contas um dos significados da palavra é íntegro. E manter-se fiel as coisas que são boas e íntegras, descartando músicas que parecem terem vindo de um retículo-rúmen pop não é uma coisa ruim………

  12. Achei um pouco puritano o texto também. É um bom argumento, um ponto de vista nada incoerente, mas partiu para alguns extremos que não entendi muito bem qual era o proposto.
    Vale lembrar que moramos na terra do Funk, achei a conclusão meio cuspir na janela do vizinho, sendo que a sua esta um pouco suja tambem. Filosofia de mãe a parte.

  13. Como se comparar uma pintura de Caravaggio e Tik Tok fosse algo totalmente concebível. Industria cultural, Sérgio, todo mundo sustenta, tem gente que produz. Você produz, e não entrarei no mérito do lugar onde você produz. O argumento da esquerda de ‘gosto ser elitização’ soa, e em muitos casos é, idiota. Mas o argumento ‘anti-qualquer coisa’ que tende a concordar com donas de casa de Higienópolis são piores.

    Essa história de ‘ai meu deus essa sociedade contemporanea, que horror’ já é por si só elitista e míope.

  14. Incrível nosso ‘amigo’ FLP comparar as músicas (e letras) de Beatles, Elvis, etc com Kesha. HAHAAHHAHA…. É o mesmo que dizer que daqui uns anos vai ser genial escutar ‘Bonde do tigrão’ – Uau… dizer aos nossos filhos: ‘foi uma revolução artística na nossa época… ¬¬
    Artista é diferente de produto comercializável…. esse tipo de coisa, é apenas para vender… não tem nada de arte, sequer música!

  15. Até porque, como é que a Kesha vai ser compreendida ao longo do tempo?? se o que ela faz não tem nada de novo, é só uma mistura mal feita do lado mais fuleiro da dance music… Pra que um artista possa ser revalorizado no decorrer do tempo é preciso que ele mínimamente traga algo novo, diferente. O que essa mina faz é mais do mesmo, só que muito pior do que outros da mesma praia.

  16. É muito indigesto ler os comentários. Os caras viajam na “maionese”. Misturar kesha com carne de porco e lagosta é duvidoso. Imagine achar kesha cool daqui a dez anos. Ouvir pagode no teatro e ser in.
    FLP: Algumas exceções não servem de regra. Porque Oscar Wilde éum gênio e era viado, nem todo viado é gênio. Porque B Boys sofreram preconceito e hoje é refêrência, nem todos os rappers tem a qualidade dos garotos. Pouco se salva. E kesha vai sobreviver, sim, à necessidade fugaz do consumidor. Se vai vingar por muito tempo é improvável dizer. Parece que não, pois não traz nada de novo.

  17. Ke$ha ou mau gosto não se discute, sim podemos discutir. Não conheço essa arti$ta mas deve ser lixo, não me interessa, tenho meu “estoque de gostos” que permite essa constatação subjetiva. De qualquer maneira o texto parece um pouco moralista sim, pelo menos na minha opinião que também podemos discutir. Há também aqueles que gostam de discutir por discutir só para ganhar a discussão, que também é divertido, é um exercício de persuasão.

  18. “Incrível nosso ‘amigo’ FLP comparar as músicas (e letras) de Beatles, Elvis, etc com Kesha. ”

    Well be-bop-a-lula she’s my baby,
    Be-bop-a-lula I don’t mean maybe.
    Be-bop-a-lula she’s my baby
    Be-bop-a-lula I don’t mean maybe
    Be-bop-a-lula she’s my baby love,
    My baby love, my baby love.

    Well she’s the girlie with tight blue jeans.
    She’s the chickie with most everything.
    She’s the girlie that shakes that thing
    She aint got a diamond ring,

    Essa é uma letra de uma musica do Gene Vinvent, mas que também já foi gravada pelo Elvis, Jerry Lewis, Beatles, Queen, Stray Cats etc. E assim como Tik Tok é uma musica bem bobinha, porém isso não fez nem Elvis nem Beatles nem ninguém artistas ruins! E apesar de ser boba, ainda é considerada um clássico do rock!
    Não entendo porque as pessoas tem que ter tanta repulsa assim ao trabalho de alguem! Se a Ke$ha for artificial, ela logo vai desaparecer, como já desapareceram muitas. Não é necessario esse ódio todo no coração contra a garota. Deixa a criança escovar os dentes com uísque.

  19. Ou também: “Gosto não se discute, só se lamenta”.

    E vamo parar com essa bobagem de comparar Kesha com Beatles, Rolling Stones e etc. Ela é horrível, simplesmente. Chega num ponto em que enche o saco essa coisa de que tudo deve ser discutido, colocado no seu contexto ou qualquer coisa. Para casos como esse em questão, não se deve perder tempo. É uma porcaria, descartemos e passemos pra uma coisa melhor. Senão daqui a pouco vai ter gente defendendo Cine e Restart.

    E como disseram lá em cima, essa “rebeldia” de bêbada dela é ridícula. Ela não assusta nem a minha avó.

  20. Pessoal, o texto do Sérgio Martins lavou minha alma. Quando vi essa Ke$ha na televisão, fiquei pensando, só para comparar, no tanto que falam mal da Lady Gaga. Esta, ao menos, é uma boa compositora (várias de suas músicas são bonitas, independentemente do hype), não ofende a inteligência alheia com seus comentários e não caiu de para-quedas no meio musical. Não há nada que redima a Srta. Ke$ha. Nada. Se, daqui a uns dez anos, ela quiser ser uma artista respeitada, vai se arrepender demais dessa canalhice toda que ela chama de música. E não pensem que sou um puritano (como tem gente que gosta de ofender os outros por serem mais recatados do que a maioria supõe ser…). Só acho que tudo tem limite. E outra: a comparação que o Sérgio fez com o funk é interessante, posto que as “cachorras”, malgrado representarem um dos tipos mais baixos de auto-submissão feminina, ao menos não pensam, como essa animal da Ke$ha disse, estarem dando aos homens um pouco do seu próprio remédio. Deize Tigrona é um exemplo de funkeira que, mesmo eu não gostando do ritmo, tem o meu respeito, pois não se rebaixa e tem algum conteúdo. Talvez por isso ela não tenha alcançado o mesmo sucesso de Tati Quebra-Barraco, que, em uma versão (bem) encorpada, antecipou a estupidez de Ke$ha em alguns anos.

  21. Também achei que algumas passagens do texto podem ter soado puritanas, mas talvez tenham sido necessárias pra expressar o ponto de vista dele.

    O que é inegável na moça é sua notável cafonice, suas atitudes artificiais e sua falta de talento. Como se pra fazer o ‘pop de sucesso’ precisasse de uma fórmula em que talento fosse uma variável sem peso algum. O que importa é o trabalho de marketing.

    E, como alguns mencionaram, é foda saber que isso aí é o objeto de consumo da grande maioria. “Essa cultura de massa é um saco de gato”, já diria Tom Zé.

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