Entrevista: Barcelona

por Danilo Corci

Depois do furacão do grunge, no início da década de 1990, Seattle parece ter ficado um pouco escondida no cenário musical. Nada mais natural, afinal de contas, Seattle, apesar de ser uma cidade grande, não é a das mais atrativas dos Estados Unidos. Apesar disso, ainda há bastante vida musical na cidade, ainda que com uma guinada radical no estilo. Nada de grunge, mas uma pegada à Snow Patrol.

Este é o caso do Barcelona, banda formada por Brian Fennel, vocais e teclados, Chris Bristol, guitarras e também vocais e Rhett Stonelake, na bateria. Queridinhos do circuito universitário local, o Barcelona lançou, em 2007, “Absolutes”, de maneira independente. O sucesso foi tão grande que, em 2009, voltaram ao estúdio para regravar o disco, mas desta vez com o lançamento da Motown.

Com um estilo que flerta com o Snow Patrol dos últimos álbuns, mas principalmente com o Muse, o Barcelona é uma aposta para quem gosta de um jeito rock independente, mas com detalhes salpicados que poderiam fazer parte de uma grande de qualquer emissora de rádio. Canções como “Falling out of Trees” e “Please Don’t Go” mostram como o rock pode conviver com a sensibilidade sem soar extremamente piegas.

Para saber um pouco mais sobre a banda, conversamos com Brian Fennel, o mentor do Barcelona, via e-mail. O resultado você lê abaixo.

Para quem não conhece o Barcelona, como você faria uma apresentação simples?

Brian Fennel: Acho que como pop rock melódico com piano. Gostaríamos de nos encaixar no máximo possível de palavras para falar de nós mesmos.

Como a banda começou?
Éramos amigos de faculdade. Em 2005, eu lance meu disco solo e Chris e Rhett vieram me ajudar na turnê. Em seguida, essa “jam” acabou virando a banda.

O público universitário parece ser o grupo mais importante de fãs de vocês. Confere?
O público universitário é muito importante pra gente por conta da idade e do lugar deles no mundo. Temos uma grande demografia em termos de quem ouve nossa música. Mas, de fato, adoramos tocar para os universitários.

Vocês são de Seattle, o templo do grunge. Essa herança é um fardo que vocês tem de carregar, uma vez que o som de vocês caminha para outro lado?

Não é um fardo para gente, de maneira alguma! Acima de qualquer coisa, Seattle ainda continua sendo um lugar para a nova música, inclusive a nossa. Mas de início, parecia bizarro pra gente ter de conviver com bandas da cidade como Nirvana, Soundgarden e até o Death Cab for Cutie. Daí percebemos que éramos parte disso, do que faz Seattle ser tão diversificada em termos musicais. Temos orgulhos disso.

E o nome Barcelona? Vocês são confundidos com o I’m from Barcelona?
Eu diria que temos mais problemas na internet com pessoas achando que somos o time do Barcelona. Quanto mais crescemos como banda, menos problemas de confusão com outras, como o I’m from Barcelona, nós temos, o que é ótimo. Adoraria ter uma história bacana pra contar sobre o nome, mas não tenho. Escolhemos o nome na noite do nosso primeiro show por motivos desinteressantes e acabou ficando.

Algumas pessoas comparam vocês ao Coldplay, mas acredito que o Barcelona esteja mais próximo do Snow Patrol e do Keane. Estou certo?
Todas são bandas que adoramos e respeitamos. É difícil comparar nós mesmos e nossa música a outros, mas, sim, em geral nos comparam ao Coldplay, The Fray e Keane. Nada mal, levando em conta o sucesso deles. Mas estamos longe de copiar o que eles fazem.

Vocês lançaram “Absolutes” de maneira independente e depois veio uma major. Qual foi a grande mudança?
Houveram grandes mudanças entre ser independente e estar com a Universal Motown Records, como o alcance do disco, por exemplo. Também acrescentamos quatro músicas a mais e pudemos trabalhar com Michael H. Brauer, que ganhou o Grammy duas vezes e trabalhou com o Coldplay e John Mayer, mixando o álbum. Mas, de todo o modo, eles nos permitiram agir e operar como uma banda independente. Felizmente agora sabemos a diferença entre ser indie e ser de uma major e aprendemos muito com os dois processos.

Essa mudança caiu mal para os fãs da primeira leva? Afinal, faz diferença estar numa major na era dos downloads?
Não creio que tenhamos tido problemas com fãs por nossa mudanças. Críticos sempre acham alguma coisa para espinafrar e se agarrar e acredito que não somos exceção. Estar numa major nos ajuda na divulgação, quer queiramos ou não. E estar nessa era de downloads, onde você pode criar, gravar e mandar a música para milhões de pessoas em questão de horas é muito excitante. E uma major ajuda nisso.

Vocês estão na Motown. É uma honra, não?

É uma puta honra ter nosso disco independente relançado pela Motown. Eles tem uma história longa e foda. Mas nosso contrato foi para este disco. Agora vamos avaliar, eles vão avaliar. Estamos sempre abertos a novas oportunidades pro futuro.

Há muita tristeza por trás das músicas do Barcelona. A tristeza é uma escolha para vocês?
ão chamaria de “tristeza”, necessariamente. Acho que nossa música pode soar “dark” ou “triste” algumas vezes, mas as razões disso vem de nossas vidas. Há tantas emoções e sentimentos que não podem ser nomeadas nessa vida, e a música é só uma maneira de aliviar sua mente e coração disso. É o que tentamos fazer.

“Falling out of trees” é uma canção poderosa. Como ela foi criada?
Eu escrevi essa canção quando estava terminando a faculdade em Seattle. Trabalhava até tarde no laboratório de informática e me senti tão só e tão sem sentido sobre o que estava fazendo na faculdade. Sentei e escrevi a canção. Há uma sensação de frio e falta de proteção no começo, mas depois explode num final poderoso.

“Please don´t go” parece uma canção de vocês, apesar de ser uma balada. É crucial ter uma em um disco?
Adoro escrever baladas. Se pudesse, escreveria o disco todo de baladas, mas provavelmente seria um fracasso de vendas. Acredito que cada disco do Barcelona terá uma ou duas delas. É uma parte importante de nosso som.

E como o Barcelona está agora? Turnês?
Estamos compondo o novo disco. Só temos um disco gravado, então isso é excitante demais. E agora estamos indo pro South by Southwest.

Turnês fora dos EUA? Brasil?
Estamos doidos para excursionar. Acredito que isso deva acontecer no próximo ano, com o disco novo.

http://www.myspace.com/barcelona

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Danilo Corci é jornalista e editor dos sites Speculum e Mojo Books

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