Legião Urbana e Paralamas Juntos

Por Marcelo Costa

Setembro de 1988: duas das três maiores bandas do rock nacional (que havia virado febre entre os ouvintes – jovens e adultos – quatro anos antes) ganham um especial na poderosa Rede Globo, que ainda não entendia muito bem o que estava acontecendo, mas queria pegar uma carona na moda do momento. O resultado foi o especial “Legião Urbana e Paralamas Juntos”, que mais de vinte anos depois chega às lojas em edição caprichada (CD+DVD).

Porém, antes de qualquer coisa, é preciso entender o cenário da época, com seus atenuantes e agravantes. Animados pelo sucesso do Plano Cruzado I, o povão foi às lojas e gastou tudo o que podia, e um pouco mais. O RPM bateu 2 milhões de cópias vendidas. O segundo álbum da Legião, “Dois” (na cola dos estourados – na Inglaterra – Smiths), vendeu 600 mil cópias de cara, e o Paralamas também alcançou boas vendagens do álbum “Selvagem?”, que enfim dava sinais de abandono ao culto ao Police presente nos dois primeiros discos.  Mas ai veio o Cruzado II, a Inflação e o cenário encolheu, mas nem tanto.

Um espectador desavisado, que não conhece o Brasil do século passado, não vai entender bulhufas de “Legião Urbana e Paralamas Juntos”. Ou terá pequenas impressões que vão desde perceber como a Rede Globo nunca soube filmar shows (a experiência adquirida em filmagens de futebol deveria ser trocada com os ingleses, experts em registros de shows ao vivo), muito menos editar. O especial começa com Renato Russo encapotado e com cachecol. Na seqüência, corte para um Herbert Vianna de camiseta e completamente suado em claro sinal de fim de show. Nota 0 para a edição.

Essas duas primeiras músicas (“Será” e “Meu Erro”) forçam uma comparação, e é incrível com Os Paralamas colocam a Legião no bolso no quesito instrumental. João Barone é um monstro, e massacra seu kit com vontade. A melodia do baixo de Bi Ribeiro é assombrosa e Herbert mostra qualidades na guitarra enquanto a Legião, ainda com Negrete no baixo e ancorada por um inspirado Renato Russo, é uma banda punk de instrumental desprezível tocando na maior emissora de TV do país clássicos do quilate de “Será” (um Buzzcocks alegrinho), “Tédio (Com um T Bem Grande Pra Você)”, “Que Pais É Este” (dois punk rocks energéticos), “Tempo Perdido” e “Eu Sei“ (Smiths, Smiths, Smiths).

Por uma série de conjecturas, a Legião era bem maior que os Paralamas na época, mesmo o segundo soando muito mais banda que o primeiro. E todo crédito tem que ser dado a Renato Russo, que soa infantil e deslocado nas entrevistas, mas se transforma em um poderoso frontman no palco. Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Rocha são apenas coadjuvantes em um palco cuja luz é jogada sobre Renato Russo, sua voz cativante e suas letras (a força de “Tempo Perdido” ao vivo arrepia a alma).

Na platéia, dezenas de globais (como Malu Mader e Silvia Buarque) cantam a plenos pulmões canções que seriam hinos de sua geração. A atriz Claudia Abreu, que ainda nem tinha 18 anos, representa a ala jovem no setor das entrevistas, mas são dos coroas as melhores impressões, como Tony Ramos que diz: “É uma manifestação dessa época. Eu mesmo, que não tenho esse pique, fui descobrindo nas letras e nas manifestações deles coisas ótimas”. Bussunda sarreia: “Eu não consigo entender as letras, mas gostaria muito de ter ido ao show da Legião Urbana em Brasília. Rock’n’roll é isso: é garra, é força, é luta!”.

Um dos comentários mais lúcidos é assinado pelo novelista Carlos Lombardi, que define Legião e Paralamas como “grupos urbanos. Eles são a cara do Brasil de hoje. Eles tem uma coisa muito moderna, sem ser simplificada. As músicas são simples, mas esse simples não é o contrário de sofisticado. Eles são muito modernos e muito interessantes”. No fim, Gabeira espeta e define: “Eu queria ver as letras do Legião no som do Paralamas”. Renato e Herbert também dão seus depoimentos, nenhum deles acrescentando nada a história de suas bandas.

No quesito repertório, mais um ponto para os Paralamas, que brincam com “Depois Que o Ilê Passar”, enfiam “De Frente Para o Crime” dentro de “Alagados” e optam por um lado b, a bonita “Dois Elefantes”, ao invés da dezena de hits óbvios jogados na gaveta. Sem contar “O Beco”, um arraso. Já a Legião brilha mesmo quando dá às mãos para o Paralamas, seja no dueto voz (Renato Russo, sensacional) e guitarra (Herbert e uma Gibson Les Paul) para a canção “Nada Por Mim” ou na arrasadora versão de “Ainda É Cedo”, com as duas bandas juntas no palco, citação de “Jumpin’ Jack Flash”, dos Stones, e intervenção guitarreira de Herbert.

Os extras são para fãs: sete playbacks no Globo de Ouro (quatro do Paralamas e três da Legião) e o clipe tosquissimo de “Que Pais É Este?” feito exclusivamente para o Fantástico. Muita coisa bacana ficou de fora como as duas bandas juntas tocando “The Song Remais The Same“, do Led Zeppelin, “Purple Haze”, de Jimi Hendrix e “Get Back“, dos Beatles (todas tocadas em trechos na introdução, mas que poderiam ter surgido na integra nos extras) ou Herbert e Renato escolhendo qual música ficaria melhor no dueto voz e guitarra (o vozeirão de Renato cantando na intro de “Ska“ no começo do especial é de arrepiar).

Como retrato de uma época, “Legião Urbana e Paralamas Juntos” é exemplar – e deixa saudades. O Globo Repórter com o RPM (incluso no box “RPM 25 Anos”) já não está mais só na missão de lembrar como foram os anos 80 para o rock brasileiro, e a evolução destes 20 anos (em termos de produção de palco, repertório e perda de inocência) é impressionante, o que de forma alguma deslegitima aquelas velhas (e clássicas) canções, todas tão presas ao inconsciente coletivo nacional que até fazem parecer que sempre estiveram ali. Agora é esperar que a Globo Marcas coloque nas lojas o segundo encontro deste projeto que reuniu Titãs e Barão Vermelho. A memória e a história agradecem.

“Legião Urbana e Paralamas Juntos”, CD + DVD (EMI)
Preço em média: R$ 34,90

38 thoughts on “Legião Urbana e Paralamas Juntos

  1. Antes tarde do que nunca! Realmente, a falta de visão das gravadoras brasileiras é irritante! E quando é lançado um produto histórico como esse show, ainda vem incompleto pois essas canções que aparecem em trechos (ska, get back) poderiam vir completas. Mais uma vez, excelente seu comentário! Um abraço!

  2. Lembro que no dia em que esse programa foi ao ar (acho que foi num sábado à tarde) eu tinha um jogo “importante” num campeonato de futebol que eu participava. O meu time, muito ruim, por sinal, jogava quase sempre com o número mínimo de jogadores e a ausência de qualquer um poderia representar uma derrota por “W.O”. Na época, eu tinha 19 anos e fiquei com receio de meus amigos não aceitarem o fato de eu não ir para o jogo por causa de um show na TV. Inventei que estava passando mal e fiquei em casa cheio de remorso e medo de me arrepender. O time conseguiu jogar e, como sempre, perdeu. Mesmo assim, eu não me arrependi.

  3. Realmente é uma pena a Globo não ter colocado na edição o cover “The Song Remains The Same”, só essa valeria os R$34,90 ou mais. Outra coisa, acho a Legião a maior banda de Rock do Brasil em todos os tempos e Renato Russo um dos de nossos maiores letristas e vocalistas. Assim como também admiro, e muito, os Smiths. Agora ficar dizendo que a Legião não passava de plágio dos ingleses é forçar a barra. O que houve, creio, porém não sou crítico musical, foi uma apropriação de experiências natural em qualquer atividade humana. É inegável que os próprios Smiths sofreram muita influência do Joy Division e depois influenciou o Radiohead, para ficarmos apenas com as mais notórias.

  4. Só mais uma coisa. Realmente os Paralamas foram mais “conjunto”, um verdadeiro “power trio”. No entanto a força da Legião sempre esteve na força das letras e interpretaçoes de Russo, na facilidade como se expressava passando sintetizando mensagens simples, porém nunca simplórias, à juventude de seu tempo. Muitas de suas músicas não foram apenas hits, mas sim hinos para toda uma geração (eu tenho 34 anos e sei bem disso). No mais Dado e Bonfá eram excelentes coadjuvantes.

  5. As letras do Renato Russo sempre foram bastante cafonas, cheia de clichês e mesmo idéias de auto-ajuda. Era o protótipo do poeta ultra-romântico sem a menor auto-censura, liricamente falando. Mas deu certo. Primeiro, porque sempre conseguiu carregar de muita pessoalidade as interpretacoes, de modo que soava particular, e segundo porque era um melodista muito bom. De modo que dizia aquelas coisas todas que a gente tem vergonha de dizer e que soavam muito mais bonitas e muito mais profundas quando ele cantava. Talvez se ele tivesse um tiquinho de auto-censura, Legião teria sido uma banda horrível, com letras pretensiosas. Liricamente, as letras da Legiao não tem nada a ver com Smiths. Morrissey sempre foi muito mais auto-consciente e irônico, bem mais inteligente. O talento de Renato era justamente o oposto: o de ser completamente sincero. Em suma: Keats and Yeats estavam do lado de Renato; Wilde, de Moz (isso sendo grosseiro: keats e yeats sao muito mais ironicos e auto-conscientes do que ambos os rockeiros). Mas, musicalmente, Tempo Perdido soa bastante como Smiths, mas me parece a unica que soa tao Smiths assim, por causa do timbre dos instrumentos. Mas depois Legiao ainda fez o Descobrimento do Brasil, que naum tem nada de Smiths e soa muito foda.

  6. É no “Descobrimento do Brasil” que a banda amadurece a busca pela musicalidade que já havia rendido grandes canções em “V”. Há canções ótimas no “Quatro Estações”, por exemplo, mas a produção é um lixo, tanto que de toda discografia da banda esse é o disco que envelheceu pior em termos musicais. Mas “Descobrimento do Brasil” é excelente, e “Tempestade” é…foda. Muito foda.

  7. Nada mais clichê que dizer que o som da Legião Urbana é fraquinho. Assim como nada mais absurdo que dizer que os Paralamas são músicos fodões – mesmo que comparados à franzinice da Legião. Dentro de suas limitações, até que as bandas foram muitíssimo bem. Deixaram grandes letras e excelentes melodias para as futuras gerações.

    Todos os discos da Legião são muito parecidos. Quase todos muito bons. Porém não vejo amadurecimento algum (musical ou lírico) de um para outro. Apenas deveriam ter acabado no “Decobrimento”.

    Os Paralamas têm discos mais irregulares, sempre com excelentes músicas sendo ofuscadas por um conjunto não muito animador. Nenhum disco deles merece a alcunha de “clássico”. Ao contrário da Legião, que tem 4 discos, entre aspas, definitivos: os 4 primeiros. Em outras palavras, as melhores músicas dos Paralamas cabem numa coletânea simples. As da Legião, não.

    Só para encerrar: os Paralamas chuparam muito mais o Police do que a Legião chupou os Smiths. Desnecessário dizer que, em ambos os casos, os brazucas levam grande desvantagem.

    De qualquer forma, bem legal esse lançamento.

  8. A verdade (assim como o absurdo) pode ser um clichê, o que não a impede de ser verdade.

    Os discos da Legião até o quatro são musicalmente vergonhosos, como a maioria das coisas feitas nos anos 80 no rock nacional. Para quem estava lá, viu os shows, vivenciou o mesmo momento de abertura social, política e musical, existe a memória afetiva – que fala mais do que qualidade, pois tem a ver com emoção, com coisas que fazem parte da história pessoal de cada um.

    É por isso que muito gente acha o feijãozinho da mãe a melhor comida do mundo (ignorando a alta gastronomia). Mas, desnecessário dizer, cada um sabe o estômago que tem, né mesmo.

    Ps. Os Paralamas chuparam o Police nos dois primeiros discos, e dali partiram para novos horizontes. A Legião pulou de U2 (no primeiro disco) para Smiths (no segundo e no quarto).

  9. Acho que deveria ser obrigatorio toda vez que se falasse do Legiao 2 escrever Smiths mesmo que hoje em dia seja facil identificar pois quase todo copnhece Smiths mas na epoca nao era e quem ouvia achava aquilo a maior novidade do mundo e era mesmo so nao era original.

  10. A verdade é que o Renato sabia como escrever muito bem suas musicas, elas tinham um vocabulario incrivel, onde cada palavra se casava com a outra perfeitamente, mesmo sendo cliches e xulas elas funcionavam.

    O que me irritava no RR era sua dançinha imitando Ian Curtis e Morrissey.

    Concordo que o Paralamas evoluiu melhor, eles começaram imitando o Police e depois encontraram identidade propria, ja o LU não vi tanta evolução assim, mas pelo menos no Descobrimento do Brasil as guitarras ja soavam diferentes.

  11. Caros,
    A crítica do José Flávio na Folha foi fraca, deselegante, desnecessária e acima de tudo, injusta.

    Não cabe comparação entre as duas bandas, pois uma era puro Rock’n Roll enquanto a outra migrava do Rock inglês para uma mistura de ritmos (rock, reggae, ska, entre outros).
    Uma tocava ao vivo com sua formação original, enquanto a outra ia de metais e teclado (aliás, porque nunca reconheceram publicamente o João Fera como o quarto Paralamas ??).

    Chamar o Dado Villa-Lobos de grosseiro foi uma coisa totalmente deselegante. A própria crítica musical o elegia (nos anos 80) como o melhor guitarrista daquela fase de nossa música.

    Isso para eu não me alongar mais.

  12. Renan, eu também tinha esse show em fita cassete! 🙂

    Zavie, valeu pelo toque. A linha de pensamento do Zé Flávio é muuuuito parecida com a minha, mas concordo que ele pegou pesado demais com a Legião. Temos que falar dos defeitos (ou clichês), mas é impossível negar a importância da banda.

    VicitorB, é exatamente em Descobrimento que o Dado começa a assumir (ainda timidamente) à frente da banda, e saem resultados ótimos.

    Fabre, não sei em que lugar você leu que alguém elegia o Dado como melhor guitarrista daquela fase. Tenho todas as revistas Bizz, algumas Ilustradas, Som Três e Roll perdidas em casa, e em nenhuma delas o Dado apontado como melhor guitarrista daquele período, cargo que era do Edgard Scandurra, do Ira!, que na única vez que perdeu uma votação de melhor guitarrista foi para o John, hoje no Pato Fu, na época no Sexo Explícito. Dado é reconhecidamente limitado.

    Isso tudo não desqualifica de forma alguma a Legião. A Legião foi o que foi exatamente pq o Renato encontrou três caras (dois na verdade) que topavam ficar em segundo plano. E ele conseguia fazer muito bem o papel de compositor, líder e guru na banda como se fosse o John e o Paul ao mesmo tempo. No final da banda, com Renato abalado com a doença, o Dado assumiu a parte instrumental do grupo e eles cresceram muito. Mas repito: os discos da Legião até o quatro são musicalmente vergonhosos. Existem muitas grandes canções ali, mas o instrumental…

    Abraço

  13. Caro MAC,

    Desculpe-me, talvez tenha havido um mal entendido na minha frase sobre o Dado Villa-Lobos. Primeiramente eu não escrevi que li em algum lugar. Eu ouvia a “maldita” (Fluminense FM) do Rio !!!
    Acontece que nos anos 80 a imprensa paulista afirmava mesmo que o Edgard (meu xará) era o melhor guitarrista, o que eu concordo, mas a imprensa carioca afirmava que era o Dado. Simples como isto.
    Não estou aqui para criar nenhuma discórdia, não é meu intuito, até porque eu sou paulista e considero o Ira! a melhor banda de rock’n roll da história deste país.
    Grande abraço !!!

  14. Bem lembrado. O Dado perdeu uma eleiçãozinha da Bizz pro John. Ponto para o Dado. É preciso talento para isso. Sexo Explícito era daquelas merdas, que, de tão tão merdas, bóiam… O Pato Fu é mais consistente: afunda um pouco.

    O Brasil nunca teve um grande guitarrista. Herbert e Scandurra tem seus momentos, criaram ótimos fraseados e tal, mas isso até o Dado e o Belotto fizeram.

    No caso do Ira, faltou um vocalista decente para ajudar. O Nasi pode, no máximo, cochichar (e bem baixo, de preferência). Cantar, jamais. Até o Edgard é mais vocalista.

    Guitarristas brasileiros? Mozart Mello, Taffo, Kiko Loureiro, Fabio Golfetti, Andreas, Tomati, Pepeu, Almir Sater (se tivesse se dedicado à guitarra)… Quem mais?

    Pela relevância da obra e gosto pessoal, fico com o Andreas.

    Num segundo escalão, entram Herbert e Scandurra – este último, apesar de toda a chatice do Ira. O Digão poderia entrar também.

    Eu nem iria escrever este post, mas me irrito profundamente toda vez que ouço ou leio alguém elogiando o Ira. Que banda chata do cacete!

  15. Para ser o melhor guitarrista não basta ser técnica somente (taffo) mas também criar, pegada, etc(townshend p.ex) senão a lista de melhores guitarrista só teria Jimmy Pages, ou Hendrix, não que não sejam… Agora, fabrizzio, vc colocar o digão é de doer. Pq ele é indigente em guitarra! A votação de melhores guitarristas se referia a caras que tinham relevancia quanto ao momento musical vigente na época. Não adianta ser o melhor no barzinho da esquina, não é?
    Abraços!

  16. Ué, Bilyjunior… você mesmo falou em pegada, criar… Digão tem boa pegada e criou coisas legais, principalmente nos dois primeiros dos Raimundos. E ele tem técnica, sim… tosca, mas técnica. E quando ele começou a chupar o Dimebag, melhorou muito.

    Ei, Aniella, esse posto já é de um cara chamado Leno. Mas me contento com o segundo lugar.

    P.S. Não que isso tenha alguma importância, mas no primeiro parágrafo do post anterior, troquei as bolas. Em vez de Dado, quis citar o Scandurra. Acho que o post do Fabre dizendo que o Dado foi eleito o melhor do Brasil mexeu com minhas sinapses. Espero que essa rádio carioca tenha falido.

  17. Não sei se por desconhecimento ou apenas pelo velho preconceito bairrista, o caro fabrizzio resolve maldizer “essa rádio carioca”. Pois a Fluminense FM, ou “A Maldita”, cumpádi, foi uma das [senão a mais] importante rádio rock da década perdida. E, sim, isso é muito.

    Assim como o Circo Voador, a FLU abriu espaço pra várias das bandas q vieram a estourar nacionalmente, boas ou não, fica a critério de cada um [blitz, paralamas, legião, barão, etc] e todas devem as calças a Flu FM por isso. Fora todo o serviço prestado aos bons sons, a programação variadíssima, anárquica, tocando do punk ao reggae, do kreator ao midnight oil, do led zepellin ao celso blues boy.

    Sem jabá e com ótima audiência. Ou seja, RESPECT!

    No início dos 90, mesmo já em decadência, a Flu abria seu dial pras bandas nacionais ‘under’ da época [algumas clássicas hoje, na minha singela opinião, como Second Come e PELVs – este ainda lançando CDzaços] e respirava sem a ajuda de aparelhos os ares ‘indie’ [alternativo, underground, college ou sei lá como chamavam na época] com ótimos programas como os saudosos College Radio [do Lariú] e o bizarro Hell Radio [cláááássico!]. Fora o metal extremo q rolava à meia-noite [pra quem curtia o gênero como eu, claro] pra geral dormir de cabeça feita.

    Agradeço “A Maldita” por ter me iniciado em jesus and marychain, pixies, black flag, slayer, the clash, ramones, talking heads, cure, siouxie, smiths, ministry, primus e.. hoodoo gurus [pô, qualé, me amarro! hahaha], entre tantos e tantos e tantos outros.

    Igualmente agradeço poder ter visto [ainda moleque] a Zico jogar e ganhar título brasileiro no Maraca pelo ‘Maior do Mundo’. Por isso, respeito com a dupla FLA x FLU [esse FLU é a FM, óbvio].

    Sei que não tem nada a ver meter o Mengão na história, mas de tanto falar em Flu me veio o Fla. E domingo tem final, 80 mil – e + um – no Maraca. hehe

    Mac, concordo em ‘gênero, número e degrau’ sobre o q tu falou de Legião e Paralamas. E, pô, o Gabeira deu uma bela duma “viajada” [http://wwwtantofaztantofez.blogspot.com/] no comentário dele – e, é verdade, se saiu até que muito bem. hehe

    Pra mim, nem Legião [Renato + 2] e nem Paralamas [ótimos, inventivos, ok, pero…]; fico com o ULTRAJE. Como eu era pré-aborrecente nos meio dos 80, me identifiquei mais com a palhaçada deles. Mas não é q agora eu já balzaco me pego [re]ouvindo Roger e cia e achando tudo aquilo buenísimo ainda!!!

    Na boa, “Nós Vamos Invadir Sua Praia” é o melhor cd de rock nacional longe! Andou ganhando enquetes por aí, né, era batata mesmo. Eu gosto deles como amo o “Coisa de Louco 2” do Graforréia e o “Kingzobullshit” do De Falla, ou seja, de uma maneira mezzo lúdica, mezzo reverencial.

    PS – e mais: “Chiclete” do Ultraje é a mais indispensável das músicas dispensáveis já escritas no BRock. Tu escuta o Roger mandar “bu-bu-bundão..” e logo o Little Quail já tá na mente. Seguindo a mesma linha de pensamento, não à toa q o Autoramas seja a melhor banda de rock do país hoje.

    abraço!

  18. Bairrismo nenhum, caro Marcus. Ignorância mesmo. Qualquer rádio com esse apelido já tem minha simpatia.

    Quanto ao Ultraje, quase concordo. O melhor disco de rock nacional é O Blesq Blom. “Cabeça” em segundo. “Praia” em terceiro.

  19. Marcus, se tivéssemos umas três rádios com a Maldita hoje, talvez este cenário de mesmice fosse diferente, viu. Grande comentário, meu caro. E não sei se “Nós Vamos Invadir Sua Praia” é o melhor, mas tá ali nas cabeças.

  20. Grande Mac.

    É verdade. Umas três ou quatro rádios como a Maldita espalhadas por aí poderiam dar uma animada no cenário… ou não [caetaneando… hehe]. Sei lá. Os tempos são outros.. vai saber o q essa molecada de hoje quer.

    Só vendo, digo, ouvindo pra saber. hehe

    Sou meio cético porq sou da geração fita basf, escutava LPs/CDs de cabo a rabo. Não creio q seja melhor nem pior hoje a maneira como se consome música, só me sinto deslocado com tanta fartura de novidades q já chegam aos seus ouvidos estragadas. Pra mim, às vezes me sinto numa grande chepa musical.

    O bom é q sempre tem um Wilco vindo aí pra no salvar. =)

    Cara, e ainda sobre o “Vamos Invadir..”, o q me assombra no clássico do Ultraje é a coleção de hits daquele disco. Tu escuta e pensa q é coletânea ‘lo mejor de’. Tá nas cabeças mermo, com cerveja!

    Falando em cabeças, realmente eu tinha me esquecido dos Titãs, Fabrizzio. E concordo q o “Cabeça” tá ali na briga também, assim como o Ira!, o Engenheiros… hehe [pô, falei sério…]. É q o meu alzheimer seletivo cisma em limar os Titãs quando penso em rock dos 80. Um pouco de culpa deles também q não lançam nada q preste há tantos anos. Daí tu esquece até q os caras existem.

    abraço!

  21. Olha aí como é importante a discussão democrática. Começamos pelo Dado e já estamos falando da importância de uma rádio livre, como era “A Maldita”.

    Grande abraço a todos e boa semana !!!

  22. Prefiro imensamente mais Legião Urbana que Paralamas, mas não consigo mais ouví-la por saber todas as letras de cor e ter enjoado já, haha. Bom, excelente lançamento esse, de qualquer forma. Será que algum dia sai disco de inéditas da Legião? Como dizia o Renato, tem que ter mais coisa pra lançar nessas “caixas da vida”.

  23. Dois estilos diferentes o Paralam,as no começo da carreira era reggae de branco,Police,a Legiao vinha do punk,3 acordes.NA época aLegiao com 3 discos lançados tinha muitos hits q ficaram de fora ‘Qase sem qerer”,”Indios”,Eduardo e Monica,Faroeste Caboclo,Geração coca-cola.LEGIAO PRA MIM E PRA MILHARES D JOVENS BRASILEIROS É SIM SR AMELHOR BANDA DO BRASIL!!

  24. Quem conhece bem Smiths não tem duvida alguma que o Legião possui muuuita influência deles. Sem falar no The Cure. o primeiro discos, em especial “Soldados” chega a copiar descaradamente a primeira fase da banda.

    Mas instrumentalmente a Legião sempre foi muito pobre. A vantagem é que o Renato escrevia muito bem e tinha um vozeirão. Mas a partir do disco 4 suas letras foram ficando meio que de auto ajuda e a partir do “descobrimento” diretas e até simplistas demais, sendo que as melhores letras dessa fase eram em muitas vezes um mosaico de citações de obras famosas.

    Já fui muito fã de Legião na adolescência. Hoje ainda gosto, mas não ouço muito. Alia faz mais de 10 anos que não ouço certos discos, como os ultimos. O descobrimento tenho em CD lacrado. Acho que só ouvi em vinil. O V idem. Mas esse ultimo preciso ouvir novamente.

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