Os tempos modernos de Bob Dylan

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Quando se fala em rock sempre vem à mente a imagem de algum moleque desajustado tocando sua guitarra num volume ensurdecedor. Mas será que é isso mesmo? Ok, vamos aprofundar. Sempre venderam o rock como algo juvenil, desajustado, fora da sociedade. Isso tudo, claro, até a indústria cultural ver potenciais de ganhar grana com o negócio, transformando músicos em celebridades e todo o cenário em um grande circo. Não é um fato recente: Raul Seixas refletia em seu disco mais clássico, de 1975: “Mamãe já ouve Beatles, Papai já deslumbrou, com meu cabelo grande eu fiquei contra o que eu já sou” (”A Verdade Sobre a Nostalgia”). O interessante é lembrar que os Beatles cantavam desde “Dr. Robert” até “She’s Leaving Home”.

A questão toda, na verdade, é que mais do que ser uma música juvenil, de suor e transpiração, o rock envelheceu desde que Elvis chacoalhou seus quadris pela primeira vez, e por mais que Mick Jagger continue cantando “Satisfaction” após 40 anos, quem vai ousar dizer que o velhinho não é rock’n'roll? E os velhotes pilhados do Gang of Four, que fizeram um show absurdamente barulhento e sensacional semanas atrás em São Paulo (e também em Floripa e Belo Horizonte), não são roqueiros?

A temática é muito mais abrangente do que esta coluna permite vislumbrar, mas ao ouvir “Working Man’s Blues #2″, a sensação de que o homem que a canta viveu tudo que o rock lhe permitiu ser vivido (e mais) joga pelo ralo qualquer idéia do contrário. A questão não é sobre este homem ter mudado a história da música pop mundial (e ele mudou), e sim ele estar ainda radiografando o mundo com tanta lucidez e inteligência. Como escreveu Ana Maria Bahiana certa vez: “Nirvana foi uma faísca, enquanto o R.E.M. é uma fogueira, e eu, particularmente, estou mais interessada no desafio da sobrevivência e da longevidade do que na saída fácil da vida breve e fulminante”.

Do alto de seus 65 anos, Bob Dylan lança um disco que não é para a molecada dançar na balada urrando as letras (para isso existe o - ótimo - single do Killers) muito menos para ser ouvido enquanto se passa manteiga no pão no café da manhã. Dylan precisa de mais atenção. “Modern Times” é um disco de temática quase antagônica, falando sobre sexo e morte. E também sobre amor. E também sobre um mundo que está se desintegrando na frente dos nossos olhos. Ou será tudo a mesma coisa? É um disco para se ouvir em um bar acompanhado de luzes que se misturam com a fumaça de cigarro num balé melancólico. Seu autor ousa relembrar que mesmo tendo vivido mais de seis décadas de vida, o mundo continua um lugar imperfeito, solitário e vazio. Mas o próprio, em entrevista ao jornal USA Today, atesta que não há nada de nostálgico no álbum. Nostalgia, quem diria, é objeto de culto muito mais juvenil.

E não que é não existam rocks em “Modern Times”. A faixa que abre o disco, “Thunder On The Mountain”, é um rock clássico, com direito a guitarra solando e um interlocutor que gostaria de saber onde encontrar Alicia Keys (e não é para ouvi-la cantar). A mesma levada pode ser ouvida na suave “Someday Baby” e na soturna “The Levee’s Gonna Break”, com Dylan cantando de forma direta nesta última: “Se continuar chovendo, o dique vai quebrar: algumas pessoas estão dormindo, mas outras estão bem acordadas”. Ainda nas aceleradas, o bluezaço “Rollin’ and Thumblin” (com jeitão Robert Johnson de ser) acelera em direção ao rockabilly. Das dez canções do disco, é apenas nestas quatro que se ouvirá algum frescor (ahñ) juvenil que, talvez, lhe faça ter vontade de balançar o corpo ou, no máximo, marcar a melodia com os pés. Nas outras seis canções, jazz, folk e blues fazem a cama para que Dylan exercite sua visão do mundo.

De sotaque jazz, “Spirit on the Water” fala de pesadelos. “Eu estou suando sangue”, diz a letra. “When the Deal Goes Down”, cujo clipe traz a musa do momento Scarlett Johansson, é uma balada folk que não revela em sua levada a temática pesada da letra que procura um sentido em estar vivo, e diz a certa altura: “Nós vivemos e nós morremos, e não sabemos porquê”. O clima se acalma na suavidade de “Beyond the Horizon”, que imagina: “Além do horizonte é fácil amar”. Lembra o Rei Roberto em sua fase pós-Jovem Guarda dizendo que “Além do horizonte existe um lugar bonito e tranqüilo pra gente se amar”. O clima volta a pesar na arrastada “Nettie Moore” e fica ainda mais sombrio em “Ain’t Talkin’”, faixa que encerra o disco com Dylan contando “que não há nenhum altar nessa estrada longa e solitária”.

Dentre todas estas, a que merece maior atenção é a já citada “Working Man’s Blues #2″, canção que atualiza para os tempos modernos um velho country de Merle Haggard. Enquanto o original versava sobre como o trabalho comprara o espaço da diversão (na letra, após uma semana de batente e muito cansaço, o cara planeja sair para beber uma cerveja quando o pagamento chegar), “Working Man’s Blues #2″ avança criticando não só esse capitalismo que vendeu um sonho e acabou, no fim, comprando a alma de todos, mas também suas conseqüências, entre elas a mais visível: a divisão do povo em ricos e pobres. “Working Man’s Blues #2″ consegue ser ainda, do alto de seus seis minutos, uma belíssima canção de amor.

Dylan já não tem a necessidade de escrever que tinha quando era jovem. Segundo ele, na entrevista ao USA Today, chega uma hora em que é muito mais difícil encontrar uma finalidade para se fazer algo diferente. No entanto, ele sabe que talvez seja complicado para o ouvinte compreender não só a temática do disco, mas as canções como canções mesmo: “Cada canção significa o que você disser que significa. Ela te golpeia onde você pode sentir, e sentindo ela terá um significado para você. É um tipo de música que tem a finalidade de mexer com a pessoa, e para fazer isso ela tem que ter mexido comigo mesmo primeiramente”, explica.

É muito complexo dizer o que as pessoas precisam de verdade, seja música, filmes ou mesmo aparelhos domésticos. Se eu fosse moleque hoje em dia, provavelmente eu precisasse de Clash e Sex Pistols - ou quem sabe, Nirvana - mais do que Strokes, Killers ou Be Your Own Pet. Mais do que todos eles, na verdade, eu precisaria de Aldous Huxley, Lygia Telles e Shakespeare, mas essa é uma outra questão. O que realmente preocupa é limitar o que uma pessoa precisa, tenha ela 14, 36 ou 65 anos. Novamente recorro a Ana Maria Bahiana:

“Eu, por mim, recomendo a qualquer um - de 16, 21, 30, 45, 55 anos - que, ao menos uma vez por semana, escute algo que jamais pensaria escutar. E, certamente, algo que fuja dos padrões daquilo que as gravadoras determinaram ser “apropriado” para sua faixa etária - um ouvinte de 16 anos tem tanto a se beneficiar com uma audição de A Nod Is as Good as a Wink, dos Faces, quanto um de 55 do disco do Kula Shaker. É um santo remédio, o equivalente a uma corrida no calçadão, uma hora de malhação, uma partida de basquete: o suficiente para manter os ouvidos flexíveis, o cérebro desentupido, o coração palpitante e prevenir a instalação - muitas vezes precoce - do reumatismo estupidificante do classic rock”.

Pense nisso. E ouça “Modern Times” com bastante atenção. Ele está falando deste tempo sombrio que estamos, todos, vivendo. Ele não precisa de você, afinal, ele é Bob Dylan. Mas talvez você precise dele mais do que qualquer outra coisa, e ainda não descobriu.

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Ps1: O antológico texto da Ana Maria Bahiana citado nesta coluna se chama “Belas Canções Sob o Céu da Califórnia”, datado de dezembro de 1996, e republicado (com autorização da autora) na seção matérias antológicas do S&Y. Outra frase marcante: “Gosto de não ter de ouvir música porque tenho que ouvir música, mas ouvir música porque sem ela não consigo conceber a própria vida, porque a música é a própria vida, em código”. Leia a integra do texto aqui.

Ps2: Vazou na segunda-feira “Sam’s Town”, aguardado e badalado segundo álbum do Killers. Gosto deles. Na verdade, mais do que lembrar os ‘romantics’ dos anos 80, pra mim eles são mesmo o Bon Jovi que deu certo. Não estou de sacanagem não. “Sam’s Town” vai nessa linha de rockão de arena, só que ao invés de ser farofa como o Bon Jovi, o Killers mostra que tem talento pra coisa. Embora tenha ouvido o disco de forma desatenta, saltaram - além do ótimo single “When You Were Young” - “Read My Mind”, “For Reasons Unknown” e “Bones”. E tem algo de Queen no disco também…

Ps3: “Elvis está muerto, pero Jesus ressuscitou”

Ps4: Um cara que sabe das coisas: “Não consigo separar o artista do cidadão. Desde o momento que se pega um jornal para ler até o momento que você deixa de ir a uma micareta do Chiclete Com Banana para ir ver o MQN em algum buraco, são escolhas políticas”, diz Fred 04 na Revista Bizz (com John Lennon na capa) deste mês.

Ps5: “Dylan’s art is forever a-changin’”, by Edna Gundersen, do USA Today. Confira a integra da reportagem.

Ps6: Isto aqui é bem sério, visto que o Sesc é um dos projetos mais legais do país, e não só em música. Leia com atenção e participe. É só um e-mail:

O Senado Federal votará, nos próximos dias, o projeto de lei que institui o chamado SUPERSIMPLES. Trata-se de uma medida que altera os encargos tributários das pequenas e médias empresas, com aspectos muito positivos. Mas um dos artigos coloca em risco a existência do SESC, ao suspender a contribuição que garante a atuação da entidade. Se aprovado, o SESC será seriamente prejudicado e não poderá manter o mesmo nível de benefícios que hoje oferece à população. Você pode evitar que isso aconteça: clique aqui para garantir os serviços prestados pelo SESC.

Ps7: TOP 100 Internacional 2006 - Marcelo Costa

01 - Return To Cookie Mountain, Tv On The Radio 06/07
02 - Modern Times, Bob Dylan NACIONAL
03 - The Great Western, James Dean Bradfield 25/07
04 - We Shall Overcome/The Seeger Sessions, Bruce Springsteen NACIONAL
05 - Living With War, Neil Young NACIONAL
06 - Broken Boy Soldier, Raconteurs NACIONAL
07 - Subtitulo, Josh Rouse 21/03
08 - Powder Burns, Twilight Singers 16/05
09 - Gulag Orkestar, Beirut 09/05
10 - Fast Man / Raider Man, Frank Black 19/06 *

11 - Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not, Arctic Monkeys NACIONAL
12 - At War With The Mystics, Flaming Lips NACIONAL
13 - Ringleader of The Tormentors, Morrissey 04/04 *
14 - Nineteeneighties, Grant Lee Phillips 27/06
15 - The Greatest, Cat Power 24/01
16 - Civillian, Boy Kill Boy 16/05
17 - Destroyers Rubies, Destroyer 21/02
18 - Puzzles Like You, Mojave 3 06/06
19 - Waterloo to Anywhere, Dirty Pretty Things 11/05
20 - Everything All The Time , Band Of Horses 21/03

21 - The Drift, Scott Walker 06/06
22 - Eyes Open, Snow Patrol NACIONAL
23 - Riot City Blues, Primal Scream NACIONAL
24 - Hundred Miles Off, The Walkmen 23/05
25 - Sorry I Made You Cry, The Czars 13/02
26 - Inside in/Inside Out, The Kooks 21/02
27 - Rather Ripped, Sonic Youth NACIONAL
28 - Élan Vital , Pretty Girls Make Graves 11/04
29 - With Love And Squalor, We Are Scientists 10/01
30 - Ballad of the Broken Seas, Isobel Campbell and Mark Lanegan 07/03

31 - Peregrine, The Appleseed Cast 21/03
32 - 3121, Prince NACIONAL
33 - My Secret is My Silence, Roddy Woomble 29/08
34 - The Avalanche, Sufjan Stevens 24/06
35 - Peeping Tom, Peeping Tom 30/05
36 - The Loon, Tapes ‘n Tapes 04/04
37 - Tired Of Hanging Around, The Zutons 17/04
38 - Under a Billion Suns, Mudhoney 07/03
39 - Film School, Film School 24/01
40 - Dying To Say This To You, The Sounds 21/03

41 - Under The Iron Sea, Keane NACIONAL
42 - Meds, Placebo NACIONAL
43 - Victory for the Comic Muse, Divine Comedy 18/06
44 - Keys To the World, Richard Ashcroft NACIONAL
45 - St. Elsewhere, Gnarls Barkley NACIONAL
46 - Making Dens, Mystery Jets 07/03
47 - You in Reverse, Build To Spill 11/04
48 - Love And Other Planets , Adem 04/05
49 - Garden Ruin, Calexico 11/04
50 - Fear Is On Our Side, I Love You But I’ve Chosen Darkness 07/03

51 - Let’s Get Out of This Country, Camera Obscura 05/06
52 - Carnavas, Silversun Pickups 25/07
53 - Hind Hind Legs, The Lovely Feathers 18/04
54 - We Are The Pipettes, The Pipettes 17/06
55 - Be Your Own Pet, Be Your Own Pet 13/03
56 - Bring it Back, Mates of State 21/03
57 - The Obliterati, Mission Of Burma 23/05
58 - Pearl Jam, Pearl Jam NACIONAL
59 - Mr. Beast , Mogwai 06/03
60 - Wow Twist, DAT Politics 18/04

61 - From A Compound Eye , Robert Pollard 24/01
62 - Ships, Danielson 09/05
63 - Comfort of Strangers, Beth Orton 07/02
64 - Wolfmother, Wolfmother NACIONAL
65 - Simpatico, Charlatans 02/05
66 - My Dark Places, The Television Personalities 21/03
67 - A City by the Light Divided, Thursday 02/05
68 - Below The Branches, Kelley Stoltz 07/02
69 - The Gun Album, Minus 5 07/02
70 - Black Holes And Revelations, Muse NACIONAL

71 - The Life Pursuit, Belle & Sebastian NACIONAL
72 - Enemies Like This, Radio 4 NACIONAL
73 - The Garden, Zero 7 06/06
74 - The Million Colour Revolution, The Pinker Tones 07/02
75 - Empire, Kasabian 19/09
76 - Death By Sexy, Eagles of Death Metal 11/04
77 - Fictions, Jane Birkin 27/03
78 - A Blessing And A Curse, Drive By Truckers 18/04
79 - Bitter Tea, The Fiery Furnaces 18/04
80 - The Black Magic Show, Elefant NACIONAL

81 - First Impressions Of Heart, Strokes NACIONAL
82 - Show Your Bones, Yeah Yeah Yeahs NACIONAL
83 - Under the Covers Vol. 1, Matthew Sweet & Susanna Hoffs 18/04
84 - Monsieur Gainsbourg Revisited, Varios NACIONAL
85 - Declare A New State, The Submarines 20/06
86 - The Corner Of Miles And Gil, Shack 27/06
87 - The Eraser, Thom Yorke 19/07
88 - Flat-Pack Philosophy, Buzzcooks NACIONAL
89 - Born Again in the U.S.A., Loose Fur 21/03
90 - How We Operate, Gomez 02/05

91 - The Brave and the Bold, Tortoise & Bonnie Price Billy 24/01
92 - You See Colours, The Delays 06/03 (UK)
93 - Love Travels at Illegal Speeds, Graham Coxon 14/03
94 - Fab Four Suture, Stereolab 07/03
95 - Back to the Web, Elf Power 25/04
96 - In Colour, The Concretes 04/04
97 - Bande a Part , Nouvelle Vague 27/06
98 - Keep Breathing, The Durutti Column 07/03
99 - Just Like the Fambly Cat, Grandaddy 09/05
100 - The Stars Look Different From Down Here, Cosmic Rough Riders 23/05

*Frank Black (10º) e Morrissey (13º) vão ganhar edição nacional, o primeiro pela Deckdisc e o segundo pela Trama

Texto publicado na(o) Quinta-feira, Setembro 28th, 2006 e arquivado na seção Revolution. Você pode acompanhar os comentários postados aqui através do FEED RSS 2.0.


11 Responses to “Os tempos modernos de Bob Dylan”

  1. Ivan

    daí Marcelo. pois eu preciso de Bob Dylan, com certeza. Ainda não ouvi o novo, mas vou procurar ouvir logo. E tenho uma dica pra você de algo que ouvi essa semana e gostei muito. É o novo EP do Monodia, uma banda lá de POA (que não tem nada a ver com rock gaúcho, é bom dizer). É muito bom. Acho que você vai gostar também. Tem o EP na íntegra na Trama

    http://www.tramavirtual.com.br/monodia

    dá uma sacada e depois me diz o que achou. nos vemos no Tim daqui, nê? abs

  2. bruno

    não tem nenhum disco brasileiro entre os seus 100? poooo…

  3. Fábio

    Eu ouvi algumas vezes o Modern Times e certamente a próxima audição será diferente, depois destas referências lidas aqui.

    Vou para o texto da Bahiana agora.

    Abraço.

  4. Henrique (RS)

    Marcelo! Sou um grande admirador dos teus textos e pela paixão pela arte que vc cultiva. Já baixei vários dos discos q vc indicou e não me arrependo de nenhum! Parabéns pelo belíssimo trabalho… um abraço!

  5. Adriana

    Hehehe. Seu post scriptum está me saindo maior do que a encomenda. =P
    Vou procurar ouvir esse tal de Bob.
    E olha lá o Richard em 44º!
    Bjs, moço.
    Dri

  6. Igor

    O novo do Dylan tá ótimo, ponto. Esse povo complica demais as coisas… Ah, e meus gostos não são muito diferentes dos seus (isso assusta, cara O_o) tendo em vista que meu top 10 tá todo no seu top 20…

  7. Adriano Mello

    Salve…
    Andei escutando alternadamente alguma coisa do “Modern Times” e gostei…como sou fã do cara é meio suspeito…agora quanto ao disco do Killers que ja escutei…ta muito bom, rock pra diversão :) Abraços

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