Entrevista: Markinhos Moura, do hit “Meu Mel” a shows na Ásia

entrevista por André Aram

Quem viveu a década de 80 certamente se recorda da canção “Meu Mel”, um dos maiores hits nas rádios em 1987. A canção – uma versão de “Music”, de F. R. David, da banda francesa Les Variations – tornou o cearense Markinhos Moura famoso nacionalmente, com participações em todos os programas de TV da época (e nas caravanas de Chacrinha, Bolinha e Raul Gil): “Fiz Chacrinha, Globo de Ouro, Xuxa… todos os programas de TV”, relembra o artista.

Com a carreira iniciada no teatro, ainda no Ceará, e com apadrinhamento de Wando, já no Rio de Janeiro, Markinhos Moura lançou diversos compactos pela gravadora Continental, que também os álbuns “Diretrizes” (1984) e “Markinhos Moura” (1987), este já no embalo do sucesso do compacto “Meu Mel”, que deslanchou porque a equipe “teve a ideia de mandar fitas k7 com ‘Meu Mel’ para várias rádios, e trabalhamos muito durante um ano”, relembra.

Após trocar a Continental pela Polygram, Markinhos passou a lutar contra a síndrome do pânico, problemas financeiros e outras questões pessoais. Sua carreira foi renascer na Ásia, com um período em Miami. Na conversa abaixo, o cantor/ator fala sobre sua admiração por Elis Regina e Ney Matogrosso, o difícil início no Rio de Janeiro, a infância humilde no Ceará, shows no exterior e a consagração com o seu maior sucesso. Confira.

Você começou a sua carreira como ator em Fortaleza. Como era fazer teatro em plena ditadura?
Eu fiz a peça “O Reino da Liminúria” (na TV Ceará), que era totalmente política, e eu não sabia. Eu fazia o papel da repressão (risos). Me lembro que numa cena eu entrava dentro de um saco amarrado e tinha que vir rolando pelo palco, e isso quando tinha palco, porque certa vez fizemos a peça numa comunidade chamada na época de Favela da Muriçoca, e fizemos toda a peça a base de lamparina. Me lembro com muita alegria e orgulho, porque tive contato com essas pessoas, todas mais velhas do que eu, todas muito aculturadas, algumas radicais, mas meu fascínio era o palco. Na minha casa não se discutia isso (cultura / política). Não tinha esse nível de discussão e entendimento sobre política, ditadura e sexualidade. Eu morava com a minha avó, foram as pessoas do teatro que começaram a me moldar, a me ensinar.

Então você não entendia as músicas daquela época em que havia aquele duplo sentido por causa da ditadura…
Eu tive um grande mentor que era escritor e artista plástico. Ele já faleceu. Ele é homônimo do Eurico Bivar, chamava-se Antonio Eurico Bivar, e ele foi o meu tutor durante muito tempo. Ele me explicava o que vinha por trás das letras e das músicas que eu achava melodicamente lindas, mas não entendia o significado. Ele dizia “essa letra quer dizer isso aqui, essa frase aqui…”, geralmente músicas do Chico Buarque. Ele foi abrindo a minha mente e horizontes. Ele amava Elis (Regina) e eu já amava a Elis e depois fui descobrindo outras pessoas que foram me influenciando muito. Quando descobri Secos e Molhados fiquei enlouquecido. E eu só podia falar isso quando estava com os meus amigos de teatro, porque só eles entendiam aquela ousadia, aquela arte, e eu dizia que queria ser assim, uma mistura de Elis com Ney Matogrosso, como se fosse possível, né. Não era. Comecei a ficar muito fã dele, roubei uns trocados de um tio meu e comprei um LP do Secos e Molhados e depois fui comprando escondido e escutando escondido os k7 do Ney, já como artista solo.

Sua família era muito humilde?
Eu nasci numa família pobre, que antes de eu nascer tinha posses, mas quando nasci já estava pobre. Não era uma pobreza que passasse fome, mas uma pobreza que não me dava condições de ter uma bicicleta. Eu nunca tive brinquedos. As coisas que eu ganhava eram dos outros, ou que minha mãe e avó me dava, que eram coisas bem simples. Minha avó foi minha grande mentora. Até hoje não sei andar de bicicleta, porque quando pude comprar eu não tinha tempo. Eu tinha uns 7 tios(a), algumas morreram, meus tios eram muito machões, muito viris, mas eu tive muito carinho da parte feminina da família. Minha avó, minha mãe e minhas tias me tratavam com muito amor e às vezes severidade. Apanhei também porque mereci, de chinelo havaiana que doía pra caralho, e eu já chorava antes de apanhar, era o ator vindo com força total (risos).

Deve ter sido uma infância muito rígida e difícil…
O meu avô, mesmo separado de minha avó, era o senhor de tudo, só se sentava na mesa pra comer quando ele comia. A sugestão de alguma coisa dele era uma ordem. Ele era muito severo, mas adorava jogo, e foi por causa do jogo que a família perdeu o que tinha antes, mas ele me amava, lógico, eu era o primeiro neto. Uma vez ele trancou uma das minhas tias na despensa, porque ela apenas conversou com um rapaz que tinha o cabelo um pouco crespo, então pra ele, o rapaz era negro. Então, (ele tinha) toda essa severidade, esse conceito medieval, (mas) quando faleceu nós descobrimos que ele tinha uma outra família, paralela…

Aos 17 anos você já estava morando no Rio, foi difícil esse início na Cidade Maravilhosa?
Fui para o Rio em 1979 pela segunda vez, e como o casamento dos meus pais chegou a um ponto que não tinha mais como segurar, eu já tinha um certo entendimento disso. Dois meses após essa mudança, as brigas começaram, a violência começou, e eu resolvi que aquilo tinha que acabar. Conversei com a minha mãe, e disse pra ela que era hora dela ir embora (voltar para o Ceará) porque ela não tinha mais que ter a desculpa de ficar com um homem que ela não gostava mais e sofrendo violência, então que ela fosse embora, e eu iria ficar. Nessa época, morávamos no bairro do Encantado (RJ), e eu fiquei porque meu pai tinha prometido que ia pagar um curso de teatro pra mim, que era um curso do Jaime Barcelos, muito conhecido na época, só que ele não fez nada disso. Pra mim, foi um rompimento terrível porque pela primeira vez eu estaria me afastando da minha mãe, a pessoa que eu mais amava e amo, e do meu irmão também. Foi um corte brutal, eu chorei todos os dias durante quase um ano ouvindo os poucos LPs que eu pude trazer. Eu os escutava todos os dias e chorava porque meu pai trabalhava e eu ficava em casa sozinho. Então, comecei a pôr em prática tudo que eu aprendi quando criança, comecei a cozinhar, costurar… porque só havia nós dois em casa e alguém tinha que fazer alguma coisa. Ele continuava naquela vida de alcoolismo, que é uma coisa bem recorrente na minha família desde que nasci. Pra me recompor foi muito difícil, até porque eu não sabia se voltaria a vê-la, coisa que aconteceu sete anos depois.

Como você se tornou cantor no Rio de Janeiro?
Nesse meio tempo, eu estava com uma amiga de infância, que é cantora até hoje, a Tetê Cavalcanti, que mora no Rio de Janeiro. Ela tinha ido antes de mim, tentar a carreira e estava com a mãe dela. Eu a convidei para ficar na minha casa, já que eu estava só com o meu pai, e ele a conhecia. Nós éramos muito unidos, e acho que aquilo incomodava muito ele, o enciumava muito, e certa vez ele chegou muito alcoolizado, e nós tivemos uma discussão muito grande. Ele disse coisas inclusive sobre a minha sexualidade, jogou coisas na cara, foi ali que eu senti as pedras em cima de mim, o lance do nordestino falar cuspindo pedra, e ele insinuou que a minha amiga deixasse a minha casa. No calor da discussão, eu disse pra ele que quando ele voltasse do trabalho no dia seguinte, não estaríamos mais lá. Foi quando nós três saímos, sem horizonte, sem lugar nenhum pra ir. As poucas coisas que eu tinha em sacolas de mercado, LPs. A minha mãe só soube disso muito tempo depois, porque a comunicação não era fácil na época, era orelhão de ficha ou telefonema pago, interurbano, e isso era caríssimo, e eu não tinha um tostão. Dali fomos conhecendo pessoas, essa minha amiga conhecia algumas que moravam em Copacabana, que nos deixaram ficar por alguns dias. A gente ficou nessa de pular de casa em casa durante um bom tempo, até que eu reencontrei um grande amigo na época, que é humorista, Paulo Diógenes, que faz humor até hoje. Ele morava no Rio com a mãe, e ele trabalhava com uma ex vedete/atriz, e ela fazia teatro amador nas escolas. Nós nos conhecemos, e essas pessoas foram a minha família, ela me convidou pra participar do grupo dela e montamos um grupo de teatro, e fazíamos peças infantis nas escolas, peças simples, e passei a morar na casa dela. Morei por alguns anos. Um dia, resolvemos dar um passeio em Duque de Caxias (RJ), e passamos em uma lanchonete que na parte de cima tinha música ao vivo a noite, chamava-se “Bonequinha”, olha o nome (risos). Fiz uma aposta com ela de brincadeira, disse que se entrasse ali e desse uma canja, eu arranjaria um emprego no lugar do cantor do lugar, mas foi uma brincadeira. Mas eu realmente fui convidado a ficar. Por ser um menino entrando na maioridade, pós adolescente, com uma voz andrógina, mas parecida com a da Elis, embora vozes não sejam iguais, mas eu sempre me espelhei muito nela. Ela estava muito impregnada em mim, ia fazer um ano que ela tinha falecido, acho que foi em 1983.

Você chegou a gravar um compacto que vendeu mais de 100 mil cópias…
Gravei meu primeiro compacto (duplo, com as canções “Segredos” e “Gente Humilde” no lado A e “Edredon de Seda” e “Samba Com Pressa (Viver É Voar)” no lado B), que foi feito graças à intervenção do meu padrinho artístico, o Wando, de quem eu me tornei bastante próximo, que eu conheci através do meu empresário na época. Eu não vendi 100 mil cópias não, porque a Copacabana (gravadora) ainda não confiava muito em mim. A gravação que existe no programa Fantástico, quando eu canto “Fascinação”, é uma gravação que eu fiz na sala da casa do Wando, com ele tocando em um dia qualquer que eu estava lá. Ele gravou em k7 e ela foi utilizada na chamada do Fantástico.

Lembro que a música “Meu Mel” fez tanto sucesso que você ia em todos os programas de TV da época…
Não era uma música popular, era bem nos moldes da MPB mais antiga, que era o que eu gostava. São Paulo tinha muitos programas de televisão e aqui comecei a ter um público, a ficar conhecido. Então, eu fazia vários programas de TV, mesmo sem ter alcançado o sucesso popular, por isso que eu acho que eu estou tão na mente das pessoas, e no imaginário delas, porque eu fiz muita televisão. Eu sou uma criação da televisão, eu sou um instrumento que a televisão usou muito, isso foi muito bom pra mim.

E como surgiu a música “Meu Mel”?
Em 1987, eu já tinha lançado cinco ou seis discos, incluindo compactos. Mas pra estourar essa música nós a trabalhamos durante um ano. Por contrato, este seria meu último disco pela Copacabana (gravadora), e se não acontecesse nada, eu estaria sem gravadora. Eu já tinha gravado lá um LP que eu gosto muito, mas não gosto da capa. Apesar de ter sido ideia minha, mas a acho horrorosa, é uma que eu pareço um paquito. Chama-se “Diretrizes” (1984). Meu produtor chamou os músicos do Roupa Nova para fazer os arranjos e eles tocaram também nesse disco, que eu adoro, canto samba, rock, enfim. Após muitas tentativas do meu produtor para gravar “Meu Mel”, eu resolvi pôr a voz, mas a permissão não chegou a tempo de ser incluída nesse disco, pois ela era uma regravação de uma música chamada “Music”. O LP “Diretrizes” não aconteceu, e nós começamos a ficar desesperados. Então veio a liberação da música, e a equipe (empresário/produtor) teve a ideia de mandar fitas k7 com “Meu Mel” para várias rádios, e trabalhamos muito durante um ano. A música começou a ser pedida nas rádios, a ser aceita pelo público e eu comecei a fazer televisão divulgando-a e foi quando chegamos ao sucesso. Fiz Chacrinha, Globo de Ouro, Xuxa… todos os programas de TV. (Ela saiu como compacto em 1987 e abre o disco “Markinhos Moura”, do mesmo ano).

Você tinha um estilo ousado para época, era uma inspiração no Ney Matogrosso?
A minha forma de me apresentar, a minha aparência era, digamos assim, influenciado pelos dois (Elis e Ney), mas como eu não podia ser os dois, então ela era estudada. Eu tinha aulas de expressão corporal para não ficar tão evidente, porque se eu fosse dançar como o Ney não ia dar certo. Então, eu tinha que ser uma opção dentro desse universo andrógino. Os anos 80 foram muito andrógenos, você vê isso pela capa dos discos, do Menudo, por exemplo. Todo mundo sensualizando nas capas: Simone, Joana, Ney já tinha aparecido nu… enfim mais na frente eu faço isso. Eu não podia ser tão ousado.

E como você lidava com o assédio dos fãs na época?
Todas as vezes que um fã vinha até mim no camarim ou mesmo nos programas de TV, e começava a chorar, sem acreditar que estava ao meu lado, eu sempre mostrava pra elas “pegue em mim, me dê um abraço, eu sou um ser humano como você”. Isso era pra dizer “eu não sou perfeito”, e sou cheio de defeitos. Eu ficava muito constrangido quando uma garota começava a chorar, a passar mal… meu Deus, quem eu sou! Eu não conseguia entender essa reação, então eu fazia questão de mostrar pra elas que eu era de carne e osso.

Você fez muitas caravanas ? Shows em locais inusitados?
Fiz com o Chacrinha e Bolinha. Eram clubes enormes. Às vezes fazíamos um ou dois shows numa noite, e aí como começou a ser implantado aquela coisa maldita do playback, que eu odeio. Então, ficou mais fácil. Eu lembro que, naquela época, eu fiz muitos shows com a Furacão 2000, que também contratava artistas para fazer shows para eles. O Chacrinha gostava muito de mim, do artista Markinhos. Eu não tive acesso como pessoa a ele ou a casa dele, mas eu sentia que ele gostava muito do que eu causava. Com o Bolinha, nós viajávamos mesmo, era eu, Sula Miranda e outros artistas. Era um ônibus muito confortável para a época. Ele nos tratava muito bem. Nós íamos muito ao Paraguai, íamos ao interior. Também fazíamos shows no Carandiru. Eu acho que fiz alguns com o Raul Gil, mas fiz vários shows de final de ano no Carandiru. Eram vários artistas também que faziam. Tenho ótimas recordações dessa época.

Alguma história curiosa que tenha ocorrido durante um show?
Teve uma vez que eu fui fazer um show em São Paulo, acho que era de rádio ou gravadora. No carro estava eu, Gretchen, Ovelha, um monte de gente de várias gravadoras. Era muita, muita gente (público). Foi uma coisa terrível. Na hora da saída, as pessoas não limitavam o carinho delas. As mulheres sempre foram carinhosas, mas os homens, imagina né: camiseta decotada, loiro e maquiado. Não era primazia minha, porque todo artista sempre se maquiou e a minha saída foi muito turbulenta. Me colocaram junto de um camburão com a polícia em volta. Me lembro que entrei na parte da frente, a Gretchen já estava lá, e pra eu caber lá, eu fiquei nos pés dela. Eu estava apavorado, era o início de muita coisa se abrindo pra mim (sucesso). Eu não me esqueço que a Gretchen, maravilhosamente, já era uma estrela popular na época, os homens do Brasil inteiro querendo ela e eu aos pés dela, e ela me disse “não se preocupa não querido, olha eles todos me querendo, mas olha quem está aqui, é você que está aqui comigo”, foi algo assim que ela me disse.

Você teve contato com grandes artistas da música, Wando, Cauby Peixoto etc. Alguma história curiosa ou frustrante envolvendo algum artista?
Houve uma época no Rio de Janeiro que todos nós nos encontrávamos, logo após a gravadora Copacabana, eu fui pra Polygram, que depois virou Universal. O Cauby eu já conhecia. O Ney (Matogrosso) já conhecia. O Cazuza era mais jovem. Todo mundo se encontrava no Baixo Leblon, no Baixo Gávea, em algum momento, em alguma festa, todos nós estávamos juntos. Eu apenas tenho uma foto com o Cazuza, apesar de sermos da mesma gravadora na época. O Wando era uma pessoa maravilhosa, tive bastante contato com ele e com a família dele. O Milton (Nascimento), todas as vezes que eu me encontrava com ele nos programas de televisão, eu não tinha coragem de chegar perto, porque pra mim, ele é e sempre foi um mito, mas não tenho histórias assim frustrantes, não tenho.

Na década de 90, você ressurge fazendo shows no exterior, como foi isso?
Quando acabou meu contrato com a Polygram (após dois discos, “Sabor de Mim” e “Anjo Azul”), passei um ano tratando de uma síndrome do pânico. Não se sabia o que era (na época). Eu estava em Sorocaba, fazendo um tratamento espiritual com um médium muito famoso na época, que me ajudou muito e uma das pessoas que trabalhava comigo (que depois até trabalhou com o Lobão através de mim), entrou em contato comigo lá em Sorocaba. Ele me perguntou se eu gostaria de ir pra China. Eu achei aquilo uma loucura, e ele disse “preciso da sua resposta hoje”. Eu estava super confuso com medicamentos, tratamentos, fragilizado, com contas a pagar, sem dinheiro nenhum. Eu estava no abismo mesmo, financeiro. A carreira indo por água abaixo. Pensei: “meu Deus, se você está me mandando para o outro lado do mundo, é porque eu tenho que ir”. Eu não estava 100% curado de algo que eu nem sabia o que era. Aceitei, fui para Hong Kong, onde passei três meses lá. Voltei para o Brasil e a mesma empresa me levou para o Japão, onde fiquei um ano, seis meses e depois mais seis, e foram as experiências mais maravilhosas da minha vida. Acho que fui me curando totalmente. Depois do Japão, eu recebi uma proposta para fazer um festival de jazz que iria acontecer em Miami e fui, claro, eu queria trabalhar porque eu não via naquele momento espaço na música para mim no Brasil.

E como foi nos Estados Unidos?
A proposta me pareceu muito oportuna. Eu queria muito sair, respirar outros ares. Eu não tinha trabalho no Brasil, nenhum. Eu tinha acabado de sair de cena, ou seja, me tiraram de cena né, e pra que ficar no Brasil? Então, fui pra outros lugares, sabendo sempre que eu não ia construir uma carreira fora do Brasil. Eu ia trabalhar com um público completamente diferente, num lugar diferente, mas para ganhar dinheiro, para pagar as minhas dívidas que eu tinha no Brasil, para sustentar/ajudar a minha mãe, para me sustentar e tudo mais. Então aceitei ir pra Miami, só que foi um fiasco total. Eu cantei apenas uma vez em um hotel em relação a esse Festival e depois a pessoa sumiu, e eu tinha data pra ficar em Miami. Lá eu encontrei, quase na minha partida, um grande músico chamado Ary Piassarollo, e ele me ofereceu um churrasco na casa dele de despedida. Ele tinha um grupo que era dos filhos dele, chamado Alma, e passamos uma tarde muito agradável, dei uma canja, e no final ele disse que eu não ia embora, que eu poderia ficar na casa dele e seria o convidado do grupo Alma. E foi assim que eu fiquei em Miami. Foi maravilhoso, fizemos muitos shows. E um jornalista e fã meu conhecia o Emilio Estefan (marido da cantora Gloria Estefan), e levou uma fita k7 minha cantando em espanhol, mas não deu em nada. Senti um pouco de preconceito. Sou brasileiro, quem comandava Miami, pelo menos na época, e eu amo o som cubano, latino de Miami, eram os cubanos. Ele não ia dar a chance pra mim, pra um brasileiro que estava chegando lá, no cenário musical (risos). Achei um bairrismo total, mas tudo bem, mas era a minha chance. Vivi uns três anos em Miami e quando vi que eu não ia chegar mais a lugar nenhum, veio uma proposta para trabalhar em um transatlântico e foi quando eu voltei para o Brasil e passei três meses fazendo a costa brasileira e Montevidéu, Argentina etc. Tinha um show meu e paralelo a shows de outros ritmos como bossa nova, axé etc.

Você segue cantando e está em cartaz com uma peça teatral, correto?
Isso (“Angel”, peça de Vítor Oliveira e Carlos Fernando Barros sobre os bastidores de um cabaré decadente que se mantém graças ao favoritismo de uma senadora que usa o espaço para lavar dinheiro). Quero continuar cantando, mas cada vez mais quero o ator mais em cena, mais presente. Estou aberto a projetos, porque as pessoas ainda têm muito o que aprender sobre mim, muito, tanto que quando elas vão me ver no teatro, elas ficam muito surpresas. Daqui a alguns dias, eu vou estar lançando um CD novo em todas as plataformas.

– André Aram é jornalista e redator. Tem passagens pela África, America do Norte/Sul e por vários países da Europa. Colabora com o Euro Dicas e outros sites e portais. É também consultor de viagens para destinos na África e Europa e apoia projetos de conservação da vida selvagem na África do Sul.

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