Boteco: Cinco cervejas da Lagunitas

por Marcelo Costa

Abrindo uma série de cinco cervejas da californiana Lagunitas Brewing (trazidas na mala após o tour na cervejaria) com a Lagur, uma Summer Lager sazonal lançada oficialmente em março de 2019 para os meses quentes do hemisfério norte cujo destaque maior vai para o uso do lúpulo Loral. De coloração dourada cristalina com creme branco de ótima formação e média alta retenção, a Lagunitas Lagur apresenta um perfil bastante aromático com sugestão caprichada de notas florais, sutil herbal, leve cítrico além da tradicional presença de cereais no estilo. Na boca, o paladar segue caprichado com floral no primeiro toque seguido de leve aceno herbal seguido de doçura e cereais. O amargor é baixo, mas bastante eficiente, 30 IBUs perceptíveis. Já a textura é leve caminhando para o cremoso. Dai pra frente, uma Hoppy Lager bastante eficiente que cumpre com louvor o que promete entregar: sabor e refrescancia. No final, leve herbal. No retrogosto, refrescancia, herbalzinho e floral. Delicinha.

A segunda Lagunitas é a DayTime, uma Session IPA que combina os lúpulos Horizon, Summit, Columbus, Tomahawk, Zeus, Simcoe e Centennial numa base de malte Barley e trigo. De coloração amarelo palha com creme branco de boa formação e média alta retenção, a Lagunitas DayTime apresenta um aroma com discretas notas cítricas (um pouco de manga, abacaxi e de laranja) tomando todo o espaço. Na boca, porém, o brilho do aroma não se converte em notas frutadas abundantes, mas em leveza. Há um frutadinho que não se converte numa fruta no primeiro toque seguida de efervescência, um toquezinho herbal e um levezinho cítrico no final (remetendo a limão). O amargor (31 IBUs) é quase imperceptível. Já a textura é leve (e muito mais leve do que a Lagur). Dai pra frente surge um conjunto de Session IPA pouco intenso, bastante efervescente e pouco lupulado. No final, leve (bem leve mesmo) limãozinho. No retrogosto, refrescancia.

A terceira Lagunitas é a 12th of Never Ale, uma American Pale Ale que combina lúpulos novos com alguns Old School clássicos (a cervejaria não revela quais). De coloração dourada com creme branco de boa formação e média retenção, a Lagunitas 12th of Never Ale apresenta um aroma confortável, com notas florais suaves sobrevoando uma base de cereais e trigo e ainda destacando levemente frutado cítrico (toranja e laranja) e herbal (grama). Na boca, a pegada cítrica chega antes no primeiro toque e é seguida por uma combinação de notas florais e herbais bastante suaves e refrescantes. O amargor é médio, 45 IBUs que não incomodam, mas equilibram o conjunto. Já a textura é levemente suave, com discreta picância (e sugestão de balinha de hortelã). Dai pra frente, uma APA interessante e refrescante, que finaliza de maneira suave, com um toquezinho herbal. No retrogosto, refrescancia, herbal e floral.

A penúltima cerveja da Lagunitas dessa série é a Sumpin’ Easy Ale, uma American Pale Ale com lupulagem caprichada de Ekuanot. De coloração amarela mais para o palha do que o dourado e creme branco de ótima formação e média alta retenção, a Lagunitas Sumpin’ Easy Ale apresenta um aroma com notas frutadas cítricas remetendo a abacaxi, que se destaque, e também traz leve pêssego e limão. A doçura do malte também marca presença trazendo cereais e feno. Há, ainda, sutil presença de resina. Na boca, frutado cítrico remetendo a abacaxi no primeiro toque seguido de frutado suave e amargor equilibrado, 50 IBUs que mais parecem 25. A textura é levemente picante caminhando para o cremoso e, dai pra frente, surge uma APA justinha, com herbal marcando presença no trecho final, bastante frutado cítrico e muita refrescancia. No final, abacaxi e limão. No retrogosto, refrescancia, herbal, leve limão.

Fechando a linha de cervejas desta série (vem uma água na sequencia!) com a Lagunitas Little Sumpin’ Hazy, a New England IPA da casa (e olha que os californianos caçoam do estilo). Na receita, trigo e cevada maltada, dry-hopping com os lúpulos Cashmere, Citra e Mosaic além de Centennial e Chinook fazendo a cama. De coloração amarelo palha levemente turva (os caras falam “juicy” no site oficial, mas está muito longe disso) e creme branco de boa formação e permanência, a Lagunitas Little Sumpin’ Hazy apresenta um aroma sensacional com notas frutadas abundantes (predomínio de laranja, mas também abacaxi, lichia e manga), um leve herbal e percepção típica de levedura do estilo coçando o nariz. Na boca, frutado cítrico intenso e delicioso no primeiro toque (manga até sobressai a laranja) seguido de mais frutado, presença sutil de herbal, um toque de anis (que parece marcar presença em várias Lagunitas) e amargor baixo e delicioso, 30 IBUs convidativos. A textura é picante, levemente frisante, e vai se tornando cremosa. Dai pra frente, uma NEIPA bem interessante made in Califórnia, que finaliza cítrica (mais laranja que manga) e traz, no retrogosto, laranja, manga e frescor.

Balanço
Abrindo com a Lagunitas Lagur, uma Summer Lager que não me impressionou na sequencia de cervejas que bebi em Petaluma, mas que aqui em casa, isolada, só ela, me soou uma delicinha bastante honesta. Já a Lagunitas DayTime continua uma Session IPA sem corpo, leve demais, efervescente demais. Já a Lagunitas 12th of Never Ale é uma APA bastante honesta, adjetivo que pode ser estendido a Lagunitas Sumpin’ Easy. Minha favorita da série, a Lagunitas Little Sumpin’ Hazy é uma New England IPA made in California, e que surpreende bastante. Quero mais até!

Lagunitas Lagur
– Produto: Hop Lager
– Nacionalidade: Califórnia, EUA
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 3,28/5

Lagunitas DayTime
– Produto: Session IPA
– Nacionalidade: Califórnia, EUA
– Graduação alcoólica: 4%
– Nota: 2,93/5

Lagunitas 12th of Never Ale
– Produto: American Pale Ale
– Nacionalidade: Califórnia, EUA
– Graduação alcoólica: 5.5%
– Nota: 3,31/5

Lagunitas Sumpin’ Easy
– Produto: American Pale Ale
– Nacionalidade: Califórnia, EUA
– Graduação alcoólica: 5.7%
– Nota: 3,25/5

Lagunitas Little Sumpin’ Hazy
– Produto: New England IPA
– Nacionalidade: Califórnia, EUA
– Graduação alcoólica: 7.2%
– Nota: 3,67/5

Leia também
– Top 2001 Cervejas, por Marcelo Costa (aqui)
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