Robert Pollard fala de “Alien Lanes”: “Custou US$ 10 para fazer. E vale um milhão”

A Matador Records anunciou uma reedição especial em vinil festejando 25 anos do álbum “Alien Lanes”, do Guided By Voices, então oitavo disco da banda liderada por Robert Pollard, lançado originalmente em 1995. Inspirada na caixa de bateria colorida que aparece na arte do álbum, essa nova edição tem a prensagem em vinil colorido azul, verde e vermelho.

Uma edição limitada com chaveiro/abridor de garrafas do Guided By Voices, com base no design original de 1995, estará disponível no pacote com o LP do 25º aniversário de Alien Lanes exclusivamente na webstore da Matador, enquanto durarem os estoques. Com apenas 2.500 cópias, a pré-venda para a edição exclusiva está disponível na loja Matador AQUI.

A Matador também lançou uma versão atualizada do raro documentário de 1996 do Guided by Voices, “Watch Me Jumpstart”, dirigido por Banks Tarver, que pode ser assistido no final do post.

Originalmente lançado em 4 de abril de 1995, “Alien Lanes” foi o primeiro álbum do Guided by Voices lançado na Matador Records. Com 28 faixas em 41 minutos, o álbum alteraria fundamentalmente o conceito de como seria um disco de rock and roll. Rompendo os limites do rock clássico (“Game of Pricks”, “Closer You Are”), o power pop (“My Valuable Hunting Knife”, “Motor Away”), punk (“Pimple Zoo”, “My Son Cool”) , experimentalismo psicodélico (“ Ex-Supermodel“, ”Alright“) e baladas (“King And Caroline“, ”Blimps Go 90“, ”Chicken Blows“), “Alien Lanes” mergulha entre gêneros e sentimentos com eficiência e notável intelectualização da poesia abstrata do compositor e vocalista Bob Pollard.

No Brasil, “Alien Lanes” ganhou edição pela gravadora Trama em 2000 junto a outros dois badalados discos da banda, “Under the Bushes Under the Stars” (o nono, de 1996), e “Mag Earwhig!” (o décimo primeiro, de 1997). A Trama ainda lançaria no país “Universal Truths and Cycles” (o décimo quarto, de 2002) enquanto “Isolation Drills” (o décimo terceiro, de 2001) sairia pela SUM Records (os dois selos, Trama e SUM, não existem mais). E são esses os únicos cinco discos do Guided By Voices lançados no Brasil – de lá (2002) pra cá, o Guided By Voices já lançou mais 17 discos! Em entrevista recente ao Scream & Yell, o baixista Mike Watt revelou o desejo de trabalhar com Bob Pollard: “Ele é incrível“. No Brasil, a banda ainda foi tema de um tributo lançado em 2010.

Em uma declaração rara, Bob Pollard escreveu um pequeno ensaio refletindo sobre a criação e o legado desse álbum.

“Nós éramos destemidos no momento em que gravamos ‘Alien Lanes’. É por isso que ele acena a uma energia e confiança insana. Ainda estávamos aproveitando a crítica positiva em ‘Bee Thousand’ e provavelmente teríamos sucumbido à pressão de um sucessor a altura do anterior. Em vez disso, em nossa visão megalomaníaca, tínhamos dominado a 4-track faixas e começamos a gravar música após música com títulos como “Cuddling Bozo’s Octopus”, “My Valuable Hunting Knife”, “Pimple Zoo” e “After the Quake (Let’s Bake a Cake)”.

A porta estava aberta para lançarmos o máximo de ideias esquisitas que éramos capazes, e fizemos. Nós até pensamos que estávamos começando a parecer mais descolados e decidimos que a contracapa fosse uma fotografia nossa no porão, parecendo meio pseudo-intelectual de uma forma relaxada, de cabelos longos, allstars e uma caixa de Tide ao fundo.

Nossa amiga Kim achou o álbum muito bombástico. Muito frenético e difícil de digerir. Eu concordei. Estávamos orgulhosos de lançar nosso primeiro álbum na Matador e ele pareceu se encaixar ali. Nos custou US$ 10 para fazer. E vale um milhão. Pessoalmente, acho que é melhor que o ‘B-1000’ (mas não muito). São dois temas diferentes para os fãs do GBV discutir e debater.

Que Deus abençoe 1995 e os selos com o coração aberto como a Matador (e Scat antes dela) por permitir que bandas como nós, com os recursos limitado, arranquem as restrições e as noções pré-concebidas da arte voltados para a indústria que prefeririam muito que nós destruíssemos o cassetes de Alien Lanes, em prol do interesse da manufatura do som e do que é mais consumível nessa indústria. É melhor sair da fazenda do que continuar vasculhando a merda das vacas.”

Robert Pollard, 2020

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