Max B.O. comenta o álbum “O.M.M.M.” (2019) faixa a faixa

introdução por Marcelo Costa

Aos 40 anos, 20 deles dedicados a carreira profissional, Max B.O. lança “O.M.M.M.” (2019) – abreviação para “O Mundo é um Moinho” –, seu primeiro trabalho de inéditas após inúmeras parcerias e das mixtapes “FumaSom Vol. 1” (2013), “Antes que o Mundo se Acabe “ (2012) e o álbum “Ensaio, O Disco” (2010). Em “O.M.M.M.”, Max B.O. faz uma ode à camaradagem e reúne uma série de participações especiais, beatmakers e músicos. A produção e direção musical foi de Iky Castilho.

Dentre os convidados estão Curumin, Rael, Lucio Maia, Zé Nigro, Donatinho e Dada Yute, entre outros. “Juntei pessoas que acredito, gosto e admiro. Alguns conheço há pouco tempo, outros são parceiros de longa data… Só gente de talento. O resultado é um disco que dá ao rap brasileiro a oportunidade de ouvir músicos tocando de verdade em uma gravação. Sem influências, nem referências externas, criamos uma obra orgânica, verdadeira e completa”, explica.

“O.M.M.M.” fala sobre a vida, o jogo, a gira e suas diversas formas de lidar com ela. A capa, criada pelo artista Rodrigo Mitsuru, é uma arte com forte influência do trabalho de Robert Crumb, que Max B.O. lê desde a adolescência. O desenho é inspirado na rua onde o MC cresceu e seus pais ainda moram, na Zona Norte de São Paulo. “Vale dizer que tudo foi marcado pelo poder da escrita, com ênfase no uso do lápis, seja pra escrever ou desenhar”, ressalta.

Abaixo, Max B.O. comenta “O.M.M.M.” faixa a faixa:

01) “Içar Velas” – part. Dada Yute
“Içar Velas” é a música que abre o disco e os caminhos. É a dedicação ao novo dia, o ato de botar a embarcação para navegar. Tem a participação do Dada Yute, que deu uma energia vital pro som.

02) “Duas Vezes”
“Duas Vezes” é um som sobre oportunidades, não dar vacilo, sobre como as coisas pra nós são mais difíceis e sobre os monstros que a sociedade fabrica. Um beat que o Curumin tinha na MPC, daí o HippyNotic montou e eu botei letra.

03) “23 HRS”
Uma historia da Boca do Lixo, dos anos 70, um som de época. A história de uma pessoa que trabalha numa porta de hotel decadente. Para dar a letra o que ela merecia, chamei Cabes pro beat, Eduardo Bid na guitarra, Marco Stoppa no Trompete e Léo Santiago no Trombone.

04) “Trancoso” – part Rael
“Trancoso” é a música dos dias incríveis, aqueles que você quer esquecer da vida e ficar perto de quem se gosta. Rael, que é um amigo de longa data nesse corre, me deu a honra de ter sua participação em mais um trabalho juntos – Max e Rael já fizeram as músicas “Você” para DJ QAP e sua MPC Envenenada e “Tem Que Ter Swing” com Pentágono. A gente queria um som diferenciado e trouxemos Donatinho nos teclados, Robinho Tavares no baixo, Lúcio Maia (Nação Zumbi) na guitarra e Salazar no sax, num solo lindíssimo.

05) “Filhos” – part. Zion
“Filhos” é um som sobre o que fazemos por nossos filhos e a importância deles terem pais e mães presentes. Ou, quando não puder ter um, que tenha outro, mas que sempre tenha alguém e que seja sempre a fortaleza de nossas crias. Essa Iky me ajudou na letra, tem Robinho Tavares no baixo, Zé Nigro no Rodhes e umas gracinhas com Zion, meu filho mais novo.

06) “Agradecer’
“Agradecer foi aquela música que vem depois que você acha que já terminou o disco e o destino pede mais. Tava quase tudo finalizado, pensamos: vamo fazer mais uma!!! Saiu essa track foda com participação do Froid, uma pessoa muito foda e um artista incrível. Foi a única que fizemos fora do estúdio Navegante, foi feita no estúdio Lua Nova com Fred Bonduce.

07) “No Estúdio” – part. Donatinho
“No Estúdio” é um som que remete ao período de criação, que a gente fica dentro do estúdio a maior parte do tempo, vai pra casa só dormir, quando vai… Queria fazer uma voz diferente, com efeitos, gravei uma guia e, ouvindo com Ik, chegamos a conclusão que devíamos convidar um amigo que sabia muito melhor fazer o que estávamos buscando, foi quando convidamos o maravilhoso Donatinho.

08) “Capital do Capital”
Esse é um som que falo sobre estar ligeiro, as ruas estão cada vez mais tensas, tudo tem funcionado como se estivéssemos em guerra. Seja nas redes sociais, nas opiniões das pessoas, no jeito que se enxerga e não se respeita o direito dos outros. Uma guerra sem final, safe now!!! Essa tem o instrumental do W.C. e Lúcio Maia na guitarra.

09) “Cama Fria”
“Cama Fria” é um som que conta a história de pessoas sofridas, desacreditadas, que não cansam de lutar, de buscar. Falo sobre o que se aprende nas ruas e sobre o resultado de nossas escolhas. O beat é do Bryan Velasco, de Los Angeles.

10) “Inferno de Antes”
É uma musica muito importante para o disco. O beat é do GoriBeatzz e tem um baixo de Felipe Mendonça. É uma musica pessoal, fala sobre superação, sobre você “perder o telhado e ganhar as estrelas”. Você tem a sua chave, que pode trazer o adverso para qualquer situação.

11) “Cada Minuto”
Mais uma com beat do W.C., uma música que fala sobre a importância da vida, sobre sua força interior e o valor de cada minuto. Colocamos músicos tocando. Tem Zé Nigro, Robinho Tavares, Donatinho e Nevermind.

12) “Respeite a Técnica”
“Respeite a Técnica” é uma síntese da vida de MC, de qualquer MC e ao mesmo tempo uma síntese muito pessoal também. Rimas de batalha de MC’s, falando de rimadores, altos e baixos, caras que copiam as idéias de outros, a roda da cultura e da arte. É sobre se manter verdadeiro, o que também requer uma técnica.

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