Três perguntas: Carlos Messias (Editora Prosaica)

por Marcelo Costa

Jornalista, tradutor e roteirista que prestou seus serviços a veículos como Revista da MTV, VIP, Autoesporte, Billboard Brasil, Folha de São Paulo, Veja, Trip Editora e Scream & Yell, entre tantos outros, Carlos Messias é o responsável pela tradução de “The Sick Bag Song“, de Nick Cave, terceiro lançamento da Editora Terreno Estranho, esforço conjunto de  Fabio MassariMarcelo Viegas e Nilson Paes, que já havia colocado nas livrarias brasileiras “Jrnls 80’s”, de Lee Ranaldo, e “Barítono”, de Rodrigo Carneiro.

Lançado originalmente em 2015, “The Sick Bag Song” nasceu durante a turnê de Nick Cave ao lado da The Bad Seeds na América do Norte em 2014. Começou como anotações rabiscadas em saquinhos de enjoo disponíveis em aviões durante a viagem que ele e banda fizeram por 22 cidades e transformou-se, no decorrer da jornada, em um poema épico inquieto e abrangente, buscando as raízes da inspiração, do amor e do sentido da vida. “É uma espécie de diário de turnê surrealista, extremamente pessoal e revelador”, conta Carlos Messias.

No embalo da tradução do livro, Carlos Messias anuncia que seu primeiro livro, “Consolação”, está a caminho e deve sair em janeiro de 2019. Para tanto, Messias criou a Editora Prosaica, “um selo literário nesse espírito ‘do it yourself’, do punk, voltado para a prosa livre”, explica, e revela que pretende publicar outros autores na esteira de seu lançamento. Na rápida conversa abaixo, ele conta sobre as curiosidades do processo de tradução (“Nem todo mundo sabe, mas Nick Cave é um erudito em vários campos pouco usuais”) e fala mais sobre a Prosaica.

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Como foi traduzir “The Sick Bag Song”, de Nick Cave? Quais as curiosidades do processo?
Foi intenso – risos. Entre o anúncio do show dele em São Paulo, as negociações dos direitos e os prazos para edição, finalização e impressão, tive coisa de um mês para traduzir o livro inteiro. Isso até que foi bom porque consegui, de fato, mergulhar na obra, o que até me levou a sonhar com as histórias mais surrealistas narradas por ele. Nem todo mundo sabe, mas o Nick Cave é um erudito em vários campos pouco usuais como botânica, ornitologia (o estudo dos pássaros), mitologias grega e chinesa além de todo tipo de religião, o que me fez esbarrar em várias palavras específicas que exigiram pesquisa aprofundada. Em outros momentos – a maioria, eu diria – senti como se estivesse “recebendo” as palavras dele, como que entrando em transe pela narrativa, e a tradução fluiu naturalmente.

Você já havia lido o livro antes de ser convidado para traduzi-lo? O que você achou do livro?
Não. Já tinha lido os outros dois livros dele, “And the Ass the Angel” (1989), um típico primeiro livro, difícil, cheio de excessos e altamente referente (especialmente ao Faulkner), e “A Morte de Bunny Munro” (2009), um romance frenético e sensacional que inclusive saiu no Brasil pela Record. Mas “The Sick Bag Song”, curiosamente, eu tinha deixado passar. Achei o livro incrível, é uma espécie de diário de turnê surrealista, extremamente pessoal e revelador que toca muito profundamente em questões como desejos, sonhos e a criação artística, ao mesmo tempo em que é extremamente despretensioso. Tem uma história recorrente no livro que me tocou bastante. Ele sempre volta a um caso que o traumatizou na infância, o de um menino que caiu de uma ponte, bateu a cabeça no pilar e morreu sozinho. Pouco depois do livro ter sido lançado lá fora, em 2015, um dos filhos do Nick Cave morreu de maneira quase igual (cuidado com o que você teme).

Paralelamente ao trabalho com a Editora Terreno Estranho, você criou a Editora Prosaica. O que vem por aí?
Eu sempre pirei em selos independentes de rock como Matador, SST, Drag City, Fat Possum, Ipeac, Touch and Go e, principalmente, a Sub Pop pela força de identidade da marca, pela ironia e pela despretensão. No ano passado, terminei de escrever o meu livro, um romance chamado “Consolação”, e senti uma falta de espaço no mercado editorial para uma linguagem mais pop e ao mesmo tempo experimental. Então tive a ideia de criar um selo literário nesse espírito “do it yourself”, do punk, voltado para a prosa livre. Depois de lançar o meu livro, a ideia é publicar pela Prosaica outros autores desconhecidos que sigam essa mesma proposta. “Consolação” deve sair em janeiro.

Acompanhe a Editora Prosaica no Facebok: https://www.facebook.com/editoraprosaica/

– Marcelo Costa (@screamyell) edita o Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne.

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