Auto-entrevista: Musa Híbrida

Formada na cidade de Pelotas (RS) por Camila Cuqui (voz, baixo, bandolim e guitarra), Alércio (voz, baixo, guitarra e programações de luz) e Vini Albernaz (synths, beats e programações eletrônicas), a Musa Híbrida produz um som orgânico e eletrônico, utilizando elementos vindos do bandolim, contrabaixo e uma guitarra azul piscina combinada com beats, samples, sintetizadores e ambiências.

A banda já possui três trabalhos lançados – “Musa Híbrida” (2012), “Verde Fosco Roxo Cinza” (2014) e “Respirei o Poema Cuspi” (2016) – e lança agora seu quarto registro, “Piscinas Vazias Iluminadas em Pé”, com apoio da Natura Musical e dos selos Escápula Records e PWR Records, e muitos convidados: LaBaq, Maurício Pereira, Aíla, Angélica Freitas, Bel, Gali, Juliana Perdigão, Laura Bastos, Obinrin Trio e Juliana Strassacapa.

Segundo o jornalista Renan Guerra, em resenha no Scream & Yell, “esse novo disco se torna cativamente por sua forma tortuosa de fazer pop. Pede atenção para as descobertas, de cada verso e cada delicada batida, porém a viagem vale a pena”. Na divertida auto-entrevista abaixo, eles refletem a fusão de cancioneiro/cantor*romântico com guitarrista do barulho, escolhem entre bumbo ou caixa e Prestígio ou Talento, entre outros coisas.

A Musa Híbrida faz show de lançamento do novo disco no Teatro Centro da Terra (Rua Piracuama, 19, em São Paulo), dia 27/09, às 20h! Gratuito!  Mais informações!

Vini para Cuqui:
Cuqui, por que tanto acorde diminuto? É um gosto pessoal? Tem alguma relação com as letras, de “entortar as coisas e tal”? Fica um pouco difícil de pensar os samples e manter um flow :/ mas acho massa, gosto muito!
Acho que fui contaminada por seamar, quando eu e o Alércio lá em 2012 fizemos essa distorção narrativa musical, que depois teve mil roteiros, que em algum deles apareceu pela primeira vez a ideia da cataclisma, pesquisando em arte, tateando métodos. Acho que eu tenho um apego pela nota estranha, às vezes eu quero empilhá-las, mas acho que vem também do desconhecimento do estudo matemático da música: eu só coloco uma nota depois da outra.

Gosto quando tu canta colada no microfone e quando tu grita. Isso não é uma pergunta, só faz mais pfv <3
Gritar é top!!!!!!!!!!!!!! Aumenta um pouquinho minha voz nos gravezão, Vini, plssssss. Eu gosto de cantar baixinho e gritar, da dinâmica entre isso: só preciso aprender a usar os microfone direito.Iisso quando os microfones funcionam direito (:

Alércio pra Cuqui:
Camila, você prefere Prestígio ou Talento?
Prestígio com certeza. Mais barato, mais quantidade. Talento é chique, mas é pequeno. Bombom mesmo é o aplauso de um público atento. Dom nem existe, talento é prática, prestígio é luxo, chocolate amargo com coco.

Enquanto uns ficam, outros namoram, você empina moto mas usa cinto, eu sinto luz, farol, farolete, caminho grande é caminhão, where is the line with you?
A linha é a minha gata preta. Entre a realidade e o desenho, se discute que a linha não existe, mas ela tá sempre lá. A fita é a irmã mais velha dela. Agora elas duas tão numa casa junto com dois doggo, Tatiana e Germanicos. Se uso o cinto é pra voltar pra Rafa inteira porque o espírito santo é ela, deusa. O caminho percorrido é a linha que o pneu do carro fez no chão daqui até lá e até aqui de volta. Pra onde eu volto exatamente. A tortour, tudo que ela traz de maravilhoso e todo o perrengue, o desconforto, a maluquice que a gente passa pra ir a cada lugar entregar nosso som, nosso show, nossa música, que eu componho quietinha no meu quarto, e depois canto com as caixa bem potentes e às vezes vocês cantam comigo e isso é emocionante demais.

Alércio para Vini:
Vini, bumbo ou caixa?
Bumbo, sempre!

Na faixa “Não Sei” (música 10 do novo disco) rola uma baguncinha entre vários grooves de samples de peças de batera distintos, mais ou menos por aí, não? Qual foi o gatilho pra fazer esse arranjo e como foi construir essa máquina maluca de girar som?
Não sei bem. Meio que imaginava uma bateria frenética ali e a ideia inicial era gravar alguma coisa do tipo. Depois com o decorrer do disco surgiu a ideia de recortar e colar grooves prontos. Tem muita coisa que baixei da internet e montei de qualquer jeito, recortando pedaços e montando diferentes células, timbrando de formas diferentes. Acho que o gatilho vem da canção mesmo que tinha bem essa pira – desmontar palavras, ligar o verso no outro e parará.

Cuqui para Vini:
O que a sua experiência em ter construído um avião quando era pequeno e batido as costas perigosamente tem a ver com a forma que você produz/constrói/edita nossa música?
Acho que construir aquele avião de forma tão irresponsável me fez fazer as coisas de qualquer jeito sem medir muito as consequências. Talvez tão irresponsável quanto pegar coisa da internet, recortar/colar e colocar nos sons, podendo talvez desatar e gerar tanta dor de cabeça quando aquela inesquecível dos nas costas.

Eu sei que tu não é de reclamar, mas qual é a pior coisa que poderia acontecer no show da musa?
Esquecer o pedal e me dar conta na terceira música. Por isso não uso mais pedal…

Vini para Alércio:
Apj, como tu pensa a fusão de cancioneiro/cantor*romântico com guitarrista do barulho?
Não penso. Agora que tu levantou essa lebre vou ter que pensar sobre. Acho que diria uma feliz fusão. Quando a gente se funde com seres distintos a gente pega as melhores características de cada lado. E as piores também, claro. Fazer essa balança na hora do show talvez seja o desafio. Ligar todos pedal ao mesmo tempo fazer um monte de barulho aproximar o corpo da guitarra do alto-falante do cubo e gerar aquele monte de ruído noise feedback emboloramento sonoro e às vezes ter medo de incomodar o coleguinha e a tchurminha que tá vendo o show com tanta zoeira. Não foi por mal galera. Mas às vezes é. Então às vezes eu seguro a mão na guita pra dar uma suavidade lado romântico aflorado. Às vezes esqueço meu ascendente em câncer e tacole pau sem medo de ser feliz, meu sol em sagitário com full força total.

Tu varia teu estilo com muita naturalidade, tanto de se vestir como cabelo/barba, guitarra e arranjos.. ou seja, tu é uma pessoa cíclica. O que move teus ciclos?
O movimento aleatório e inconstante das constelações e dos planetas, de uma vida inteira.

Cuqui para Alércio:
Eu sou você, você sou eu? Sagitarianes dirigem a vida de quem maneira? O que o seu ascendente em câncer altera no seu modo de dirigir?
Sim, eu sou você, você sou eu, eu sou feliz você não sei, você é feliz e eu sou ninguém no indiemainstrem. Tu sabe, Cuqui, talvez até melhor do que eu, porque tu mesmo se deu conta dessa relação durante alguma viagem na estrada extensa. Logo tu, sagitarius a força total, tu sabes. É em algum momento muito rápido, muito veloz, full power e um segundo depois bem na lenta, bem de boa, curtindo estar atrás de qualquer caminhão que possa ter uma placa divertida, um adesivo daora e por aí vai. Diminuo a velocidade, mas não perco a piada. O meu ascendente em câncer latente tristeza me faz evitar parar em alguns paradouros que de antemão já suponho decadentes, mesmo que o resto do carro no momento não concorde. Sagitário luta pra evitar essa tristeza, câncer faz às vezes do autoritarismo? Só madame br00na poderia nos salvar nessa resposta.

O que é uma cotinha?
Eu queria um xis, tu, amiga dos salgados, queria uma co… mas na padoca tava faltando, quer dizer, tem mas tá faltando, tinha, não tem mais, mas só duas quadrinhas e aparentemente tem outra confeitaria que promete ter esse salgado misterioso que é tão delicioso em São Paulo, mas ainda mais saboroso pelo nordeste do nosso bragil.

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