The Get Up Kids em Belo Horizonte

Texto e fotos por Bruno Lisboa

22 anos. Esse foi o tempo de espera que os fãs brasileiros do The Get Up Kids tiveram que esperar pela primeira turnê no país. E tamanha espera valeu muito a pena. Formada em 1995 em Kansas City, no Missouri, a banda liderada por Matt Pryor acompanhado por Jim Suptic e pelos irmãos Rob Pope/ Ryan Pope faz parte da segunda geração emo, tendo bandas como Braid e The Promise Ring como “espíritos irmãos”.

Dono de uma discografia curta, mas influente, o The Get Up Kids lançou cinco álbuns no decorrer de pouco mais de duas décadas, entre idas e vindas (eles tiveram um hiato entre 2005 e 2008). Os dois primeiros, “Four Minute Mile” (1997) e “Something To Write Home About” (1999), são verdadeiros clássicos. A partir de “On a Wire” (2002) o grupo optaria por seguir caminhos mais ousados, tirando dos holofotes a sonoridade emo e apostando no indie rock.

Antes de chegar a Belo Horizonte, a primeira turnê sul-americana do The Get Up Kids passou por Santiago, Buenos Aires, São Paulo e Porto Alegre, sempre com shows elogiados. E na capital mineira, na noite do dia 05 de setembro (terça-feira), não foi diferente com a banda perpassando com empolgação por todas as fases de sua carreira – além dos três álbuns citados completam a discografia “Guilt Show” (2004) e “There Are Rules” (2011).

O público que lotou a casa de shows A Autêntica teve de manter ansiedade e expectativa em stand by, pois abrindo a noite, antes dos norte-americanos, a promissora banda local Rallye baseou seu curto set list em seus três EPs, “Please Drive Faster” (2014), “Azimute” (2015) e o mais recente “Out And About” (2017). Conquistando a atenção dos presentes com uma performance enérgica e direta, o grupo deixou o palco e o público devidamente aquecidos para a grande atração da noite.

Ao adentrar ao palco às 22h20, antes mesmo de tocar a primeira canção da noite, o guitarrista Jim Suptic foi ao microfone para dedicar a derradeira apresentação em solo brasileiro da banda para Mateus Pagalidis, jovem produtor de Cabo Frio, no Rio de Janeiro, que desapareceu logo após ao show do The Get Up Kids em São Paulo e, tristemente, foi encontrado morto dias depois.

Na sequência, “Holiday” e “I’m Loner Dottie, a Rebel”, ambas do álbum de 99, mais “Stay Gold, Ponyboy” e “Lowercase West Thomas”, ambas de “Four Minute Mile”, dariam o tom do que seria a noite. Com enorme devoção, o público presente participou de forma ativa da apresentação cantando cada um dos versos, participando das inúmeras rodas de mosh e stage dives e pedindo canções.

Dos momentos de respiro do set vieram demandas do público que foram prontamente atendidas, como “Campfire Kansas” (do disco “On Wire”) e “I’ll Catch You” (canção que encerra o álbum “Something to Write Home About”). Ao final, as covers de “Close To Me” (The Cure) e “Beer for Breakfast” (The Replacements) mais o hino “Ten Minutes” encerraram os trabalhos de uma noite memorável e que deve permanecer viva na memória do público mineiro por um bom tempo.

– Bruno Lisboa (@brunorplisboa) é redator/colunista do Pigner e do O Poder do Resumão. Escreve para o Scream & Yell desde 2014.

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