Entrevista: Rancore

entrevista por Marcos Paulino

Nos dois primeiros meses de 2017, Teco Martins (vocal), Candinho Uba (guitarra), Caggegi (baixo) e Ale Iafelice (bateria) voltaram a se reunir para uma série de shows com o Rancore, banda de rock paulistana formada em 2001 e interrompida em 2014 para surpresa dos fãs. Na época, Candinho decidiu se mudar para a Alemanha e os outros integrantes acharam que, sem ele, não havia sentido continuar (o trio remanescente fundou, então, o Sala Especial).

Ou seja, os 13 anos juntos também pesaram na decisão. “Cada um individualmente foi percebendo em si a vontade de fazer e conhecer coisas diferentes na área musical ou em outras”, ele conta em entrevista ao Mundo Plug, parceiro do Scream & Yell. Além da miniturnê de janeiro e fevereiro, o quarteto anunciou que lançará em agosto, pela gravadora Hearts Bleed Blue (HBB), o DVD “Ao Vivo”, gravado em 2014 no Carioca Club, em São Paulo.

O material do DVD, inédito, conta com 17 músicas e extras de bastidores, e reúne canções dos três álbuns do Rancore: “Yoga, Stress e Cafeína” (2006), “Liberta” (2008) e “Seiva” (2011). Alexandre Capilé, vocalista do Sugar Kane e do Water Rats, participa na faixa “Quarto Escuro”. Tanta novidade trouxe a desconfiança de uma volta definitiva da banda, o que, no entanto, pelo menos neste ano, não deve acontecer. Teco, no entanto, despista: “Talvez”. Confira o papo.

Por que a banda resolveu parar em 2014
Foi um fluxo natural que culminou nisso. Já estávamos há 13 anos focados no Rancore todos os dias, e cada um individualmente foi percebendo em si a vontade de fazer e conhecer coisas diferentes na área musical ou em outras. Quando o Candinho decidiu ir morar em outro país, preferimos estacionar por ali, em vez de procurar um substituto para ele, afinal, para mim, Ale e Cageggi, não faria sentido continuar o Rancore sem o Candinho. Então nós três fundamos o Sala Espacial, um projeto bem diferente do Rancore.

E como surgiu a oportunidade de se reunir em 2017?
Apesar de termos parado de tocar juntos momentaneamente, a amizade permaneceu intacta, e mesmo morando em países diferentes, nos comunicamos quase que diariamente. Fui viajar com o Candinho pra África em 2016 e lá conversamos sobre a possibilidade de um tour do Rancore.

O DVD “Ao Vivo”, que vocês vão lançar em agosto, foi gravado em 2014. Por que decidiram colocar esse material no mercado agora?
Só agora ficou pronto, deu muito trabalho pra editar.

Como foi a experiência de fazer o primeiro registro ao vivo?
Quando chamamos a equipe de filmagem, não tínhamos certeza de que aquilo viraria um DVD, e nem anunciamos para o público que estava sendo feito um DVD ali. Chamamos a equipe e deixamos a possibilidade em aberto, de após o show vermos o material e decidirmos se valeria a pena fazer esse DVD ou não, até pra não soar artificial. Aquilo é um show do Rancore tão especial e intenso quanto qualquer outro.

Muitos fãs estão entendendo o lançamento desse DVD como a prévia de um retorno da banda. Estão certos?
Talvez.

Novas bandas de punk rock e hardcore vêm conseguindo algum destaque. O momento é propício para o gênero?
Sério? Dessa eu não sabia. Pra ser sincero, ouvi tanto esse gênero musical por um período tão longo, que faz um tempo que não consigo ouvir mais isso, então estou bem por fora da cena. Acredito que qualquer momento seja propício para todos os gêneros musicais.

Independentemente de um retorno definitivo, novos shows devem acontecer neste ano?
Provavelmente este ano não. O Candinho continua na Alemanha, o Caggegi está indo pra Itália e eu estou indo pro Himalaia, todos sem data pra voltar. Portanto, é bem difícil que este ano role.

Apesar de tanto tempo em que a banda ficou parada, o público do Rancore vem se renovando?
Foi impressionante notar nesse tour que o público cresceu. Somou o povo das antigas com uma galera que nunca tinha visto um show do Rancore. Um grande presente da vida pra nós!

Se a banda realmente voltar, o que vocês ainda não fizeram, mas gostariam de fazer?
Um disco novo já seria uma enorme realização, torço muito pra que isso aconteça!

Marcos Paulino é editor do caderno Plug (www.mundoplug.com), da Gazeta de Limeira. A foto que abre o texto é de Rodrigo Gianesi / Divulgação

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