Boteco: de Porto Alegre, cinco Tupiniquins

por Marcelo Costa

Abrindo mais uma sequencia de cervejas da Cervejaria Tupiniquim, de Porto Alegre, com a Elipse, uma Black IPA com centeio e os lúpulos El Dorado e Citra. Na taça, uma cerveja de cor marrom bastante escura, quase preta, exibe um creme bege escuro de boa formação e média alta permanência. No nariz, uma boa percepção de notas cítricas derivadas da lupulagem em meio a um oceano de notas derivadas da torra do malte, remetendo a café, com chocolate amargo suave na retaguarda. Na boca, textura picante. No primeiro toque, café e notas cítricas intensas surpreendem chegando praticamente juntos, e caminhando de mãos dadas por um perfil que ainda oferece sutileza herbal, amargor potente (60 IBUs que recebem apoio da torra e marcam a garganta) e um final entre café e cítrico, interessante. No retrogosto, café, cítrico, herbal e amargor. Interessante.

A segunda da série é a Thor, a segunda parceria da casa com o cervejeiro Leonardo Botto (a primeira foi a Tupiniquim Saaz), que desta vez escolheu o estilo Doppelbock (que ele já produzia de forma caseira). Na taça, uma cerveja de coloração âmbar escuro exibe um creme bege de baixa formação e permanência. No nariz, doçura de caramelo levemente tostado mais frutas secas e escuras sugerindo uva passa, calda de ameixa e toffee. Na boca, a textura é levemente metálica e picante. O primeiro toque reforça o caráter frutado adiantado pelo aroma com muita ameixa e uva passa seguida de doçura caramelada, toffee e leve percepção dos 9.5% de álcool, um mérito. Dai pra frente, um conjunto bastante agradável, com doçura caramelada e frutas secas em destaque. O final é melado e levemente alcoólico. No retrogosto, ameixa e toffee. Boa.

A terceira novidade da casa gaúcha Tupiniquim é a Mandala, uma Russian Imperial Stout com aveia em flocos e trigo, o que deixa o conjunto mais macio e viscoso. De coloração marrom bastante escura praticamente preta com creme bege de excelente formação e longa retenção para o estilo, a Tupiniquim Mandala exibe um aroma com as notas tradicionais do estilo RIS tendendo mais a chocolate amargo do que ao café normalmente derivado da torra – ainda que ele esteja presente de forma sutil. Na boca, textura sedosa e picante (dos 12% de álcool, que são absolutamente imperceptíveis). O primeiro toque oferece chocolate meio amargo, melado com um tiquinho de álcool. Dai pra frente, mais chocolate amargo com um pouco de presença de torra (café), frutas escuras, baunilha e leve sugestão de fumaça. O final, por sua vez, traz mais amargor de torra do que doçura achocolata, que retorna no retrogosto, aconchegante. Uma baita cerveja.

A quarta é a Tupiniquim Manjar Negro, outra Russian Imperial Stout com base semelhante a da Tupiniquim Mandala (cevada, trigo, aveia em flocos e açúcar), e acréscimo de… coco. De coloração marrom bastante escura praticamente preta com creme bege de excelente formação e longa retenção para o estilo (replicando a Mandala), a Tupiniquim Manjar Negro exibe um aroma levemente discreto para o estilo com chocolate, café moderado e coco perceptíveis. Na boca, a textura é sedosa e levemente picante (12% de álcool absolutamente imperceptíveis). Se o coco é discreto no aroma, no primeiro toque ele se destaca elevando o conjunto aos céus seguido de doçura de chocolate e café, este sim bastante discreto. Não há amargor, mas sim calor dos 12% de álcool, que aquecem que é uma beleza. Dai pra frente uma cerveja absolutamente incrível que remete, levemente, a chocolate Prestigio. No final, bastante doçura e coco. No retrogosto, mais coco, açúcar queimado e leve calor.

Fechando a sequencia com mais uma Russian Imperial Stout (os caras pegaram gosto pelo estilo) e, desta vez, eles acrescentaram (além de cevada, trigo, aveia em flocos e açúcar) nozes Pecan e utilizaram os maltes belgas Abbey e Special B “para evidenciar os sabores das nozes”, segundo contou o cervejeiro da casa, Fernando Jaeger, ao site All Beers. O resultado é uma cerveja de coloração marrom bastante escura praticamente preta com creme bege de média formação e rápida dispersão (ao contrário das duas anteriores). No nariz, o aroma mais macio das três RIS com Pecan em segundo plano ao lado dos 12% de álcool, que já se fazem presente, ainda que de forma delicada. Na boca, a textura é macia, sedosa. O primeiro toque é doce, mas não enjoativo. O álcool vem na sequencia, ainda de forma suave, e permanece assim até o final, doce com Pecan. No retrogosto, calor suave alcoólico e Pecan. Muito boa!

Balanço
Abrindo uma sequencia de Tupiniquim com a Elipse, uma interessante Black IPA com uma tonelada de lúpulo cítrico mais centeio. Às vezes parece que café e cítrico não combinam, com a carbonatação alta provocando o bebedor, mas soa uma receita muito interessante e que vale experimentar e voltar, porque há algo aqui. Já a Thor, é uma ótima Doppelbock, caramelada e frutada, honrando o estilo. A terceira da Tupiniquim é uma belíssima Russian Imperial Stout com aveia e trigo, o que deixa o conjunto mais macio, mais sedoso, mais viscoso, uma delicia que consegue esconder 12% de álcool de maneira brilhante. A Tupiniquim Manjar Negro melhora ainda mais a Mandala ofertando chocolate Prestigio liquido. Delicia! Já a Pecan aposta na doçura das noz num conjunto caramelado e nem um pouco enjoativo. Incrível!

Tupiniquim Black IPA
– Produto: Black IPA
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 7%
– Nota: 3,46/5

Tupiniquim Thor
– Produto: Doppelbock
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 9.5%
– Nota: 3,35/5

Tupiniquim Mandala
– Produto: Russian Imperial Stout
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 12%
– Nota: 4/5

Tupiniquim Manjar Negro
– Produto: Russian Imperial Stout
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 12%
– Nota: 4,02/5

Tupiniquim Pecan
– Produto: Russian Imperial Stout
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 12%
– Nota: 4,01/5

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– Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne.

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