Entrevista: Ultramen (2016)

por Marcos Paulino

Formada em 1991, na Faculdade de Biologia da UFRGS, em Porto Alegre, a banda Ultramen surgiu como um trio, que tinha Zé Darcy nos vocais e bateria, Pedro Porto no baixo e Júlio Porto na guitarra. A ideia era misturar rap com ritmos mais pesados. O vocalista Tonho Crocco entrou logo após, atendendo a um anúncio de rádio. Depois, juntaram-se ao grupo Malásia e Marcito na percussão.

Os gaúchos lançaram então duas demos com boa receptividade de público e crítica, que aprovaram o caldeirão que passou a incluir também black music, samba-rock e reggae. O primeiro disco, “Ultramen”, veio em 1998. A ele, seguiram-se “Olelê”, em 2000, “O Incrível Caso da Música que Encolheu e Outras Histórias”, em 2002, e “Capa Preta”, em 2005. Durante esse período, em 2004, o grupo participou também da compilação “Acústico MTV Bandas Gaúchas”.

Em 2008, antes de encerrar as atividades, a banda registrou o show de despedida no bar Opinião, na capital gaúcha. Oito anos depois, o Ultramen retoma as atividades para comemorar 25 anos de carreira com o lançamento do DVD + CD ao vivo gravado na época. O material, intitulado “Máquina do Tempo”, será lançado pela gravadora paulista Hearts Bleed Blue. O DVD conta com 25 faixas, seis a mais que o CD. Sobre o momento da banda, Tonho conversou com o Plug, parceiro do Scream & Yell.

Por que vocês decidiram que era o momento de retomar a banda?
A vida pessoal e musical dos integrantes tomou um rumo tão distinto nesses oito anos que foi muito difícil reunir a banda novamente. Já vínhamos fazendo alguns shows, ensaios e compondo a partir de 2013, mas agora é oficial a retomada, pois vamos lançar o primeiro CD e DVD ao vivo da gente.

É apenas um reencontro esporádico, como em 2013, ou se trata de uma volta definitiva, tipo “que seja eterno enquanto dure”?
Acho que a banda não precisa mais parar ou acabar. Os trabalhos paralelos podem andar em sincronia e a agenda, adaptada. A banda e as canções que criamos desde 1991 já transcenderam, pertencemos às pessoas. Enquanto houver esse ciclo de amor, não existe motivo pra acabar.

A ideia de lançar um material gravado quando a banda terminou foi pra voltar ao ponto onde vocês pararam?
Nossa ideia não era acabar com a banda, e sim parar por tempo indeterminado. Também não tínhamos um registro da banda ao vivo no palco, sem ser acústico. E os shows sempre foram um lado forte nosso.

Em relação aos integrantes, alguma novidade?
Chico Paixão é o guitarrista agora e Marcito saiu da banda.

Vocês estão trabalhando na produção de material inédito?
Sim. Inclusive a inédita “Robot Baby”, que está no CD e DVD, vem de uma safra de composições novas que estamos criando desde 2013.

A banda vai sair em turnê pra apresentar o show do novo DVD?
Com certeza!

Porto Alegre continua a ser um celeiro de bandas criativas de rock?
Criativas de rock, de groove, de samba, eletrônica, instrumental… O bom de Porto Alegre é que aqui existe a possibilidade de mesclar gêneros sem preconceitos, leis chatas de conduta musical ou aprisionamento por guetos culturais. E, se não quiser, também pode ficar de boa com sua turminha ou segmento. O barato daqui foi sempre o além, e a gente segue essa cartilha com orgulho: misturar música, misturar cores, misturar pessoas.

Marcos Paulino é editor do caderno Plug (www.mundoplug.com), da Gazeta de Limeira.

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