Três discos independentes nacionais

por Leonardo Vinhas

“Negative Mantras”, Negative Mantras (Bigorna Discos)
Julito Cavalcante e Fabio “Véio” Gagliotti começaram a experimentar com dub, batidas eletrônicas e outras coisas “enfumaçadas” em 2009, quando ainda faziam parte do hoje finado The Vain. Em 2014, junto com o ex-Cabana Café Taian Cavalca, entraram em estúdio e gravaram onze composições, das quais retiraram cinco para integrar o EP que leva o nome da banda, The Negative Mantras. Masterizado em Berlim pelo brasileiro Matschulat, é uma estreia promissora, soando muito bem em momentos mais hipnóticos e intimistas (“Gayo Seco”, “Éris”, “Pineal”), nem tanto quando exageram na dosagem dos elementos (“Claridão” e “Maçã Dourada”, na qual um cuidado maior com os vocais já resolveria muita coisa).

Download gratuito: https://soundcloud.com/negativemantras
Nota: 5,5

“Júlio Rizzo & Pata de Elefante”, Júlio Rizzo & Pata de Elefante (Independente)
O último álbum da Pata de Elefante é um lançamento póstumo: a banda gaúcha encerrou suas atividades em 2013. Embora gravado em 2012, “Julio Rizzo e Pata de Elefante” só foi lançado neste ano, e o nome do trombonista à frente indica a importância que o novo integrante tinha no então sexteto. A Pata sempre conseguiu trabalhar o formato canção em faixas instrumentais – mesmo sem letra, as faixas tinham refrões, e não era nada incomum o ouvinte se pegar… “cantando junto”. Essa habilidade não foi perdida, mas o uso do trombone na condução das melodias alterou a dinâmica e a sonoridade da banda. Certas faixas, como “Gypsy Jack” e “Xeque-Mate”, soam mais semelhantes ao material dos três discos anteriores, mesmo com o instrumento de sopro. Por outro lado, é difícil imaginar a “antiga” Pata antigo executando um ska como “O Afiador de Facas”. Mudanças à parte, permanece a diversidade de climas e flerte com gêneros dentro do estilo único de rock que a Pata criou, e o álbum fica como um insuspeitamente belo réquiem para esta que foi uma das melhores bandas de rock do Brasil.

Preço: R$ 27
Nota: 8,5

“Rasura”, ruido/mm (Sinewave Discos)
A essa altura, chamar o ruído/mm (pronuncia-se “ruído por milímetro”) de “post-rock” só pode ser por desconhecimento (do estilo e da banda) ou preguiça. Embora os próprios integrantes não tenham problemas com o rótulo, não há como negar que o som dos curitibanos não se ampara em nenhuma das fórmulas que parecem engessar o gênero – especialmente o vicioso “começo dedilhado-crescendo-explosão-silêncio”. “Experimental” também é inapropriado, já que são composições cientes de como devem soar e de onde querem chegar. “Rasura”, quarto álbum, trabalha estruturas variadas sem se permitir digressões, resultando no disco mais “assimilável” da banda até o momento. Embora as sementes para essa aproximação de alguma coisa levemente semelhante ao formato canção já estivessem no anterior, “Introdução à Cortina do Sótão” (2011), aqui ela domina todo o álbum, em especial em “Inconstantina” e “Cromaqui”, dois grandes momentos de um disco que não tem nenhum ponto baixo.

Download gratuito: http://sinewave.com.br/2014/09/ruidomm-rasura-2014/
Nota: 9,5

– Leonardo Vinhas (@leovinhas) assina a seção Conexão Latina (aqui) no Scream & Yell.

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