Três CDs: Herbert, Gary Clark Jr. e ZZ Top

por Leonardo Vinhas

“Victoria”, Herbert Vianna (AMZ Mídia)
Podia ter sido um discão. Afinal, a última vez que Herbert Vianna entrou em um estúdio para, acompanhado apenas do produtor (na época, Carlos Savalla), registrar um trabalho solo, o resultado foi “Santorini Blues”, um belíssimo disco. Esse “Victoria” traz a companhia do hábil Chico Neves nos consoles e até em alguns instrumentos, mas o resultado é excessivo: com o dobro de faixas do disco de 1996, Herbert parece ter se empolgado com a ideia de registrar suas composições que haviam sido gravadas por outros artistas (majoritariamente cantoras) e pecou em algumas execuções, ora apressando a melodia (é um pecado o que acontece em “Junto ao Mar”), ora entrando numa vibe “Emmerson Nogueira de si próprio” (“Um Amor, Um Lugar”, “Nada por Mim”). Além disso, o formato aguenta bem dez canções, mas vinte… Mas há momentos ótimos, entre eles “Só Pra te Mostrar” e “Derretendo Satélites”. E livre da interpretação histriônica de Ivete Sangalo, “Se Eu não te Amasse Tanto Assim” soa belíssima.

Nota: 5,5
Preço: R$ 30 (lançamento nacional)

“Blak and Blu”, Gary Clark Jr. (Warner)
Gary Clark Jr. abriu os shows brasileiros de Eric Clapton em 2011 e vem para o Lollapalooza 2013. Se isso não serve de estímulo para sua curiosidade, veja o vídeo no fim dessa página. Vai lá, eu espero. Viu – e, principalmente, ouviu? Então… Quando envereda por esse caminho de blues estupidamente pesado ‘pero sin perder la ternura’, o moço leva a guitarra a caminhos inauditos e ainda entrega ótimas canções. O problema é que às vezes ele transita por um lugar seboso entre Lenny Kravitz e trilha sonora de cala de rádio de motel, e aí o disco perde o pique. Mas são poucas as faixas assim, e logo você está com “Bright Lights”, “When My Train Pulls In”, “Travis County” e outras soando em alto e viciante volume.

Nota: 7,5
Preço: R$ 50 em média (importado)

“La Futura”, ZZ Top (Universal)
Na eterna discussão se bandas boas são as que mudam ou as que fazem sempre a mesma coisa, o ZZ Top oferece uma resposta menos binária: não faz diferença, desde que a música seja bem feita. O rock calcado no boogie e no blues dos anos 1970 foi transformado num pop cervejeiro meio sintetizado nos 1980, ficou mais blueseiro nos 1990 e aparece encorpado e com molejo nesta nova década. Mas tudo que marca a banda continua. A verdade é que os “véinho barbudo” preservam aquela postura safada e roqueiraça até quando fazem um “semi-cover” do rapper DJ DMD (“I Gotsa Get Paid”), e Billy Gibbons continua mostrando que não é o número de acordes que importa, e sim como você os toca. Em meio a ótimas canções, “Chartreuse” promete entrar para o rol de clássicos do trio. Coisa fina.

Nota: 9
Preço: R$ 30 (lançamento nacional)

– Leonardo Vinhas (@leovinhas) assina a seção Conexão Latina (aqui) no Scream & Yell.

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