Entrevista: Jorge Calil

por Marcos Paulino

“Enquanto o disco não estoura, estou fazendo um bico de babá”, brinca o paulistano Jorge Calil, de 34 anos, que dá esta entrevista segurando no colo seu afilhado. Ele nunca trabalhou de verdade como babá, mas começou a ralar cedo, aos 16 anos, batendo cartão em um banco e em uma agência de publicidade. Até que, há 10 anos, decidiu seguir o sonho de viver de música. Passou um tempo em Los Angeles e de lá voltou com a certeza de que era isso mesmo o queria para sua vida.

Foram vários anos se apresentando na noite de São Paulo, enquanto acumulava suas próprias composições. Chegou então o momento em que Jorge achou que era hora de registrar esse trabalho em disco. O resultado é o CD que leva seu nome, recém-lançado, no qual, no vocal, guitarra e violão, mostra seu pop suingado. Sua missão, agora, é emplacar junto ao grande público. Sobre este momento de sua carreira, Jorge conversou com o PLUG, parceiro do Scream & Yell:

Você se profissionalizou na música durante o tempo que morou em Los Angeles. Quando decidiu que queria viver disso?
Desde cedo, sempre tive um contato forte com a música. Sempre gostei de cantar, participei de bandas do colégio. Tinha uns contatos de uns amigos músicos que estavam em Los Angeles e resolvi ir pra lá. Foi um período de seis meses culturalmente muito interessante. Pude tocar em vários locais, inclusive no The Cat Club. Quando voltei, fui tocar na noite paulistana e passei por algumas bandas, até que resolvi fazer este disco.

Em bares se canta muito cover, de diversos gêneros. Como você definiu que o pop com uma pegada suingue seria a linha-mestra das suas composições?
Gosto de escutar muita coisa, de MPB à música clássica, eletrônica, pop. E a soul music é uma influência muito forte pra mim. Mas nada foi muito premeditado no sentido do direcionamento artístico do disco. Ele foi feito em três meses, de uma forma muito livre.

Por que você demorou tanto pra lançar um disco?
Comecei profissionalmente na música aos 24 anos, e acho que as coisas aconteceram naturalmente. Não tinha aquela urgência de fazer um disco. Há uns quatro anos que vinha tendo vontade de gravar este CD, mas ficava indo de um projeto pra outro e não tinha tempo. Até o momento em que consegui parar, entrar em contato com o produtor Rodrigo Castanho e começar a trabalhar no álbum.

Hoje é mais comum que artistas que estejam se lançando tentem ganhar público na internet e depois partam para uma plataforma física, como um CD. Por que você decidiu, mesmo sem aparecer muito virtualmente, investir num disco?
O mercado hoje está muito mais acessível do que antigamente, e tenho uma estrutura que permite fazer um bom disco. Muitos profissionais extremamente talentosos que trabalhavam em gravadoras acabaram saindo em função da crise, e hoje oferecem seus serviços. Isso fa-cilitou pra que eu lançasse o disco simultaneamente com o trabalho na internet e em outras mídias.

Como você está se planejando pra chegar ao grande público, por meio de rádios e TVs?
A primeira música de trabalho já está tocando nas rádios de São Paulo e Rio de Janeiro. Vamos entrar com o segundo single nesses mercados e tentar também no resto do Brasil. Os convites para programas de TV também estão aparecendo. É um processo natural de as pessoas irem conhecendo seu trabalho e disponibilizarem espaço. Como o disco foi lançado recentemente, as portas estão começando a se abrir.

Na sua agenda, estão marcados vários pocket shows. É uma estratégia para você ir se acostumando a mostrar seu trabalho ao vivo?
Não tenho essa preocupação de ir de uma estrutura minimalista pra uma maior. Conto com uma banda de músicos extremamente competentes, e é evidente que o show vai melhorando ao longo do tempo. Quero mostrar meu trabalho pro maior número de pessoas possível, e os shows que eventualmente vierem serão feitos, independentemente do tamanho. Não quero só fazer um disco e voltar pra casa. O mais legal de tudo é o contato com o público.

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Marcos Paulino é jornalista e editor do caderno Plug, do jornal Gazeta de Limeira

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