Entrevista: Maglore (2012)

por João Paulo Barreto

A Maglore surgiu no cenário musical baiano em 2009, com o EP “Cores do Vento”. Fenômeno de popularidade na internet, a banda trouxe uma sonoridade cativante que equilibrava um pop rock de letras sinceras, como a rancorosa “Lápis de Carvão”, sem deixar de lado uma baianidade palpável em músicas como a praiana “Pai Mundo” e a singela “Despedida”.

Formada por Teago Oliveira, 26 anos, vocal, guitarra e principal compositor; Léo Brandão, 27, teclado e guitarra; Nery Leal, 24, baixo; e Igor Andrade, 24, bateria, a banda lançou em 2011 o CD “Veroz”, álbum que reúne as cinco faixas do EP e soma um total de 13 canções, todas disponíveis para download no http://www.maglore.com.br/.

Vencedora do Desafio das Bandas de 2009 e terceiro lugar no FUN Music de São Paulo, também em 2009, a Maglore se prepara para alçar voos maiores em uma temporada no sudeste. “A cidade de São Paulo possui um poder de difusão muito grande. Quando algo é feito lá, você sabe que a repercussão é bem mais expressiva”, diz Léo Brandão,

É como diz a letra de “Pai Mundo”, uma de suas melhores músicas: “Toda arte ao não ousar-te vê se menos”. É para mostrar essa arte que eles partem nesse novo desafio. Afinal, em apenas três anos de banda, ousadia foi o que mais se viu na carreira desses jovens. Confira o papo.

O som da Maglore não costuma seguir uma fórmula ou um rótulo muito fácil. No entanto, a influência baiana é algo bem perceptível no som de vocês. Em “Tão além”, do CD “Veroz”, vocês cantam sobre um certo “apartheid musical” que quem mora aqui em Salvador conhece muito bem, afinal, vivemos na terra do axé e o espaço para outros estilos são bem reduzidos. A Maglore visa subverter isso?
Teago – Eu acho que a palavra não seria nem subversão, porque o momento em que nós vivemos já é por si só tão subversivo que ele já está incorporado a essa ideia de subverter pacificamente o cenário musical. A música brasileira está se transformando de uma forma muito natural, muito orgânica. Quando escrevi “Tão Além”, estava escrevendo um pouco sobre isso. Era, na verdade, minha primeira experiência enxergando como é o mercado. Como funciona esse apartheid musical da indústria do axé, o mainstream, a decadência desse modelo de mercado e o surgimento de outro, mais democrático em todos os seus segmentos. Na letra, há um momento em que eu canto “esse apartheid musical, a gente dobra e finge que nunca existiu”. Esse trecho diz isso justamente porque a gente não tem o que contestar, a gente não tem que brigar. Não precisamos ir contra esse mercado. O mercado do axé, do sertanejo, são apenas exemplos que souberam se manter de forma eficaz, onde cada vez mais novas bandas sucedem as antigas e isso gera essa continuidade. A ideia não é competir, mas fazer também. Mostrar que você também pode ter acesso ao público. As pessoas podem ouvir seu som de forma natural, sem nenhuma mídia paga ou algo forçado, mas, sim, de forma extremamente orgânica.

E essa influência da música baiana reflete no som de vocês. Sobre “Pai Mundo”, por exemplo, o Adriano Melo Costa foi muito feliz em comparar com Dorival Caymmi, afinal é um pouco difícil não se imaginar em uma rede, na beira da praia, ao ouvir a música. Bem o jeito que o Caymmi adorava compor. Houve essa influência do Caymmi, mesmo?
Teago – Não sei se propriamente do Caymmi, porque, nessa época, quando escrevi, eu escutava muito João Gilberto e Gerônimo (famoso compositor baiano). Inclusive, no show, a gente cola “Pai Mundo” com “É d´Oxum” (uma das músicas que melhor representa o ambiente baiano), canção do próprio Gerônimo. A influência de “Pai Mundo”, posso dizer que veio bem mais dele. No entanto (risos), você não pode falar de Gerônimo sem falar de Caymmi, que é a matriz de tudo.

Léo – Pois é. Caymmi já vinha fazendo esse tipo de som desde a década de 1950, então a música baiana sempre teve influência dele.
Teago – Exato. Seria uma influência, então, derivada, já que a direta é do Gerônimo.

Outro ponto em relação a suas letras é que vocês não falam de separação ou de término de relações somente de forma rancorosa ou somente de forma romantizada. Há uma mescla desses dois elementos. Em “Lápis de Carvão”, há bastante rancor. Ela representa uma despedida dolorosa. Já em “Enquanto Sós” e “O Mel e o Fel”, há essa despedida, mas sem rancor, sem mágoas. Você costuma colocar a sua vida nisso ou é somente uma história que resolveu criar?
Teago – No caso do “Veroz”, nosso primeiro disco, cinco dessas canções são do EP “Cores do Vento” (lançado em 2009). Três músicas dele foram escritas para uma pessoa. E, sim, há algo autobiográfico nele. Algo que aconteceu em minha vida e resolvi escrever sobre e, claro, a pessoa sabe que se trata de nós. É alguém que ninguém sabe quem é, mas foi algo bem pessoal. De certa forma, em uma poesia, na forma de escrever e na forma de se expressar, às vezes você acaba refletindo a vida de várias pessoas que, como você, estão passando por aquele momento. Várias pessoas entendem aquela música porque passaram por um momento semelhante ou, simplesmente, porque têm a sensibilidade de enxergar que aquilo pode acontecer com qualquer individuo. Depois, em outras músicas, decidi não colocar tanto minha vida pessoal, preferi escrever sobre inspirações filosóficas, crises existenciais e outras coisas rolam na vida de qualquer um. Mas, resumindo, “Lápis de Carvão” e “Enquanto Sós” acabaram refletindo minha vida pessoal totalmente.

E acabaram por se tornar respostas bem elegantes.
Teago – Sim. É aquela coisa do “não precisa chutar o pau da barraca se você ainda está dentro dela” (risos).

(risos) Pois é. E você citou o “Cores do Vento” e lembrei que a capa dele tem uma imagem que remete ao René Magritte (pintor belga surrealista). O mesmo pode-se dizer dos pés na capa do “Veroz”. É uma influência proposital?
Teago – Sim. Isso é algo que vem do Igor Alessandro Andrade, nosso designer. Na época da escolha da capa do disco, a gente estava brigando muito (risos), porque toda a banda queria que a arte fosse algo que dissesse alguma coisa. Como resultado final acabou ficando algo que não diz nada. E o mais doido é que acabou dizendo alguma coisa, também (mais risos). Aquele terno sem a cabeça é uma referência clássica ao pintor. E eu já curtia muito o trabalho do Magritte. Acabou ficando uma coisa bacana com o nome “Cores do Vento” e aquelas penas voando. Algo bem conceitual. Já o “Veroz” traz uma ideia de acordo com a fase que a gente estava vivendo. Uma vontade de se jogar, sabe? Aquelas pernas pra cima remetem a isso. Foi essa a ideia. A gente estava com uma ideia que remetesse a fotos vintage. Aquelas colagem setentistas. E o encarte acabou ficando com essa atmosfera.

O Jorge Solovera (guitarrista e produtor chileno radicado na Bahia), que produziu o CD, possui uma formação com violão clássico e é assumidamente um fã de Jazz. Essa influência refletiu de alguma forma na banda?
Teago – Não. A influência jazzística dele eu creio que não entrou tanto na Maglore. Solovera é um cara que a gente já conhece faz muito tempo. Para mim, ele é, de fato, um dos melhores guitarristas do mundo. Digo isso porque conheço a obra ele. Poucas pessoas conhecem a obra do Solovera. Ele tem trabalhos lançados em espanhol (um CD triplo), outro CD em inglês, além de trabalhos feitos no Brasil. Ele é um dos grandes artistas que conheci em minha vida. E produziu nosso disco, mas a influência do jazz que é tão marcante na sua carreira entrou de forma muito sutil no som da Malgore. Por exemplo, em “Pai Mundo” há uma cadência influenciada por ele na pré produção. Em algumas coisas há esse traço dele, mas não totalmente.

Léo – Não é uma coisa direta, sabe? É algo bem mais subjetivo. Claro que esse foi nosso primeiro contato. Nosso primeiro disco. É uma experiência bem mais crua, mais sentimental de se fazer. Algo feito muito com a garra de se querer gravar um disco. E ter o Solovera como produtor, um guitarrista com essa competência, agregou muito.

Vocês se apresentam agora em março em Salvador com uma temporada de despedida antes da ida para São Paulo no intuito de divulgar a banda. Expectativas?
Léo – Nossa principal ambição é aquela que todo artista almeja: viver de música. Hoje a gente não vive, sobrevive dela. Indo para o sudeste, nossa pretensão é alcançar um público maior que possa proporcionar isso para a gente. É fazer o que nós fizemos aqui em Salvador e nas nossas breves visitas ao Rio e a São Paulo, também. Conquistar o público. É o que queremos tentar.

Teago – Acho que a gente está indo também pela vibe de sair de Salvador, de irmos todos juntos, para morarmos juntos e de saber que lá iremos pegar a estrada em uma união. Viver como uma banda. Como uma unidade. Essa experiência é que vai ser mais interessante: a de fazer acontecer de uma forma isolada, sem o apoio que temos aqui. Em Salvador, nós conseguimos criar, do nada, uma estrutura mínima de suporte e, agora, queremos fazer isso em outros lugares. Se der na telha de irmos de São Paulo para o Rio, a gente se muda e vai. É essa experiência que queremos. Hoje, São Paulo é o lugar ideal para podermos trocar figurinha cultural, sabe? É uma cidade que respira e que consome muita cultura e que não vive um período de autoafirmação. A cultura lá não é impregnada apenas em uma coisa. É uma cidade diversa. Possui espaço para tudo e a forma como você troca informação e experiência é como outro mundo, outro nível. Salvador, pra mim, é uma coisa mais singular. É até perigoso falar qual lugar você prefere. Não é que eu prefira Salvador. É que essa cidade me convence culturalmente. Aqui, os elementos da música baiana ainda não foram descobertos pelo Brasil inteiro, mas quando isso acontecer, vai fazer vingar um monte de gente que está aqui e nunca pôde fazer algo lá fora. Salvador é um celeiro musical. Aqui se cria muita coisa, mas desenvolve-se muito pouco. Já em São Paulo, esse desenvolvimento é mais pleno.

Léo – A cidade de São Paulo possui um poder de difusão muito grande. Quando algo é feito lá, você sabe que a repercussão é bem mais expressiva.

Teago – Agora, tem um detalhe: São Paulo, apesar de abraçar muitos projetos, possui algo perigoso que é a possibilidade de você ser tragado caso não trabalhe certo. Você cai facilmente no esquecimento e é tragado. Mas, a ambição da Maglore é outra. Nós não estamos naquela piração do “vai ou não vai dar certo”. Não é isso. Dessa fase nós já passamos. Hoje nós buscamos uma inovação. Novos ares. A ideia é aquela que já falei: viver de música, curtir esse momento, produzir e deixar o tempo passar. Dessa forma saberemos quem vai fazer o quê. É o tempo quem vai escrever a história de cada banda, de cada artista. A preocupação de se vai estourar ou não é inexistente pra mim. A prioridade para mim é viver e fazer.

Em Salvador, vocês conseguiram uma proeza na divulgação da Maglore através da internet que foi um verdadeiro fenômeno de popularidade. Houve outros exemplos, como a Ronei Jorge e os Ladrões de Bicicleta, em 2005, mas não de forma tão intensa, afinal em cinco anos, ferramentas como o Facebook evoluíram muito nesse âmbito. E vocês souberam aproveitar muito bem isso. Como se deu essa estratégia?
Léo – Foi algo que foi acontecendo. Um típico trabalho de formiguinha na internet (risos). Nas redes sociais, twitter, fomos divulgando e pedindo aos amigos para multiplicar.

Teago – Eu já acho que não foi tanto assim. Quando a galera ouviu a banda e gostou, lá no começo, houve aquela divulgação on line como qualquer outra banda em Salvador. A gente estava no mesmo nível de divulgação de qualquer conjunto daqui. O que aconteceu foi que nós começamos a tocar muito, a banda fechou a formação de hoje com a entrada de Léo e percebemos que, na internet, nós éramos bons. Usávamos o My Space, o Orkut, e a divulgação acabou sendo essa. Aí eu pensei: “Bom, estão dizendo na internet que nós somos bons. Então, vamos aproveitar e divulgar isso” (risos).

Léo – Houve algumas figuras que fomos encontrando no meio do caminho que contribuíram muito para esse destaque que tivemos. O FCaveira (também conhecido como Flávio Carvalho, bastante ativo no twitter na divulgação de bandas) , no Rio de Janeiro, por exemplo. Alguns fãs começaram a ajudar e divulgar mesmo o trabalho da gente de forma espontânea na internet.

Teago – A virada na nossa carreira foi quando o som vazou de Salvador para o Rio, que foi um dos primeiros lugares fora daqui que as músicas chegaram. Lá, como o Léo falou, contamos com a ajuda do FCaveira. A partir daí, tudo tomou outra proporção. Produtoras de fora tomaram conhecimento da gente. Quando percebemos, a coisa começou a descambar para Belo Horizonte. Notamos isso em Minas quando fomos tocar lá pelo Coletivo Pegada. Houve um boca a boca forte do pessoal de lá que já havia ouvido a gente pela internet.

Foi uma reunião de fatores positivos que ajudaram muito a banda, então?
Teago – Exato. Nós surgimos em um momento onde o mercado musical estava mais aberto e democrático. Ironicamente, isso gera um pouco mais de dificuldade quando a banda começa a crescer. Definitivamente, o que ajudou a gente foi o fato de termos viajado bastante. Fizemos circuitos nas principais cidades do interior da Bahia. Fizemos uma turnê pelo nordeste na qual saímos de Salvador indo até Natal, no Rio Grande do Norte. Além, claro, de Rio, Sampa, Vale do Parnaíba, interior de Minas, enfim, em um intervalo de 12 meses, entre dezembro de 2010 e o final do ano passado, nós passamos por boa parte do Brasil. Quase cem shows.

Com essa experiência, a interação no palco acaba sendo certeira.
Teago – Pois é. O legal de ter uma banda é esse lance de aprendermos juntos. Nós recebemos a mesma informação e cada um vai assimilando. Então, com o tempo, nós fomos construindo uma identidade estética e sonora. Além disso, construímos um ideal de vida e artístico que ainda está em processo de transformação. Para nós, ser uma banda é isso. É você viver e aprender ali com seu camarada o que você tem que fazer para se sentir melhor naquilo que você faz.

Como está o processo de lançamento do CD “Veroz” no sudeste?
Teago – Ainda não tivemos distribuição do CD por lá. O que aconteceu foi que assinamos com a Melody Box, uma produtora do Rio, que criou o nosso site. Mas é mais um contrato de parceria, um lance bem aberto. Agora, distribuição no sudeste nós ainda não temos. Mas, claro, já fizemos show de lançamento por lá naquele esquema bem independente de levar os CDs para os shows, vender por lá mesmo e contar com a divulgação nas redes sociais de quem compra. É um trabalho gradativo. Degrau por degrau.

E, pelo jeito, é assim que vale a pena.
Teago – É a forma como eu gosto de fazer, sabe? Para mim não ia ter graça chegar com a parada toda pronta, com gente te dizendo como se vestir, como falar, como tocar, uns vinte mil no bolso por mês para você ser uma pessoa que você não é. Não! (Enfático). Para mim, em qualquer trabalho que você faça, é preciso ser você mesmo. Nós temos experiências de amigos e bandas que já passaram por coisas que não dá. Nós sabemos como é pesado o mundo da música, o mundo do negócio musical. Mas a gente vai aprendendo aos poucos, mas de outra forma não rola. Preferimos aprender naturalmente nem que a gente morra pobre (risos). Mas eu acho que a gente não vai morrer pobre, não. Acho que a gente vai ganhar algum trocado aí pelo meio do caminho (risos).

E influências? Para uma banda que está despontando agora, é inevitável não perguntar sobre outros sons que influenciam a Maglore. Vocês já falaram de Gerônimo, João Gilberto, mas eu vi que no show também rola Beatles. O que mais toca no som de vocês?
Teago – Ah, claro. Beatles é influência de todo mundo. Nós já tocamos “Get Back”, “Drive my Car’. Até da carreira solo dos caras nós já tocamos… “Stand by Me”, que o John gravou. “Gimm Love”, do George, “I Got My Mind Set on You”, dele também. Daqui da Brasil, a gente costuma cantar “Drão”, do Gil, em uma mescla com “Baby”, música do Caetano que os Mutantes gravaram. Caetano, recentemente, apareceu em um show da gente, algo que enlouqueceu a galera presente e nos deixou muito felizes.

Léo – A gente acabou de gravar uma faixa para o Musicoteca, em uma coletânea que eles estão fazendo em homenagem aos quinze anos dos Los Hermanos (projeto que reúne artistas como Wado, Velhas Virgens, Banda Gentileza, entre outros).

Teago – Los Hermanos reinventou a roda do rock brasileiro. Depois deles, depois do “Bloco do Eu Sozinho”, houve um insight na música brasileira. Hoje eu não consigo não ver Los Hermanos em nada que é feito no pop rock nacional. Tudo o que é feito hoje nesse cenário tem alguma coisa deles. Eles influenciaram mesmo. Claro que tem a galera do contra, que torce o nariz dizendo que isso ou aquilo é Los Hermanos, como se fosse um defeito. Para mim, as pessoas têm que se preocupar é com o artista e não com as influências dele. Acho que as pessoas precisam esperar o tempo passar um pouco. Um artista ser julgado por ser parecido com outro é algo precipitado. Nós já fomos julgados por sermos parecidos com eles. Chegamos a ouvir frases do tipo “Ah, mas vocês copiam Los Hermanos”. Pelo amor de Deus! A gente não copia Los Hermanos. Assim como não copiamos Beatles, mas é inevitável que você coloque alguma coisa lá porque você cresceu ouvindo aquilo, então você reproduz alguns pontos. Se eu passasse a minha vida ouvindo Iron Maiden, talvez eu tocasse alguma coisa que tivesse a ver com eles. Mas o processo de criação é outro. Quem entende disso sabe que você não vai pegar um pedaço de uma canção dos Beatles, um pedaço de uma canção dos Los Hermanos, costurar e fazer uma letra por cima. Isso não é fazer música. Isso é fazer cover. Não é produzir. O trabalho de um artista é o tempo que define. Deixa passar uns quatro ou cinco anos e vai ver o trabalho do cara. O fazer é o mais importante. E a galera fica louca quando surge uma nova banda talvez por medo de acontecer de novo um frenesi. Mas já rolou. Los Hermanos já fizeram a parada e foi muito bem feita. Nós fomos muito bem servidos. É uma banda da qual eu gosto muito. Não foi a banda que mais escutei em minha vida, mas foi uma que teve um papel decisivo. Assim como o Nirvana, o Pearl Jam. Tem sempre alguém que fala que no nosso som tem algo de Pearl Jam. Não sei. Talvez seja aquele grave (risos).

O grave de sua voz, realmente, tem algo que lembra a de Eddie Vedder.
Teago – Não sei. Acho que foram as circunstancias da gravação desse CD. Naquele momento, eu estava imerso na carreira solo do Eddie Vedder e na trilha do “Into the Wild” (filme dirigido por Sean Penn com canções do líder do Pearl Jam) e as coisas foram fluindo (risos). Uma vez eu estava lendo uma entrevista do Paulinho Moska, na qual o repórter perguntou sobre as influências do disco que ele estava fazendo. E ele respondeu que estava ouvindo muito Chris Cornell. Então fui ouvir o disco e fiquei surpreso ao ver como o som do Cornell estava presente naquele trabalho do Moska e eu não estava percebendo isso. Para mim, isso que é bacana. Essa soma.

E, pra fechar, como tá o próximo disco?
Léo – Nós estamos na vibe de lançá-lo esse ano ainda.

Teago – Sim. Estamos com esperança de que ele saia esse ano. Nós queremos passar por um processo de gravação mais natural, sabe? Menos computador e mais instrumento. Mais musicalidade na coisa. A gente não está mais nessa onda de produção convencional, aquela coisa radiofônica, aquela compressão na voz, sabe? Aquele som de bateria igual ao de todas as bandas. Nada contra, mas nós já tivemos isso no primeiro CD, esse processo de mixagem radiofônica, mas a gente quer fazer uma coisa diferente em relação a isso no segundo. Afinal, nós estamos aprendendo a produzir o disco da gente, algo que é muito importante. Você tem um produtor, mas saber como o processo funciona é muito importante. Então, hoje, nós estamos correndo atrás de uma verba, batalhando para fazer isso acontecer e trazer esse novo disco ainda em 2012.

João Paulo Barreto é apaixonado por música e cinema. Escreve no Coisa de Cinema e no Película Virtual

Leia também:
– Maglore: música pop com melodias doces e letras para decorar, por Adriano Costa (aqui)

5 thoughts on “Entrevista: Maglore (2012)

  1. Excelente entrevista. Acho que capturou muito bem o momento da banda. Parabéns pela abordagem. Só um detalhe, na segunda pergunta, abaixo do Demodê, o nome do trabalho da banda, Veroz é confundido com Voraz.

    Abraço,

    Rodrigo

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *