Pearl Jam: Brasil Tour 2011

Pearl Jam ao vivo no Morumbi, São Paulo, 03/11/11
por Leonardo Vinhas

Quando uma banda tem 20 anos de carreira, ela costuma dispensar apresentações. Por isso não falemos sobre o Pearl Jam que você conhece e gosta, ou conhece e despreza, ou acha que conhece. Falemos do que acontece quando eles sobem no palco.

A ideia de que cada show é uma experiência única, um espetáculo que é tão intenso quanto efêmero, e que não deve ser desperdiçado, é levada à risca pelo Pearl Jam desde o começo de sua carreira. Nunca repetem o setlist, nunca usam os mesmos expedientes para promover a integração com o público. Ranhetas podem se queixar da predisposição que Eddie Vedder tem de se comunicar em frases no idioma local em cada país que vai, sempre com um sotaque entre João Paulo II e Dom Lázaro (personagem de Lima Duarte costumeiramente lembrado por seus problemas de dicção). Mas aí é o tipo de gente que reclama até de barulho de bombinha numa festa de São João. O simples fato de se querer fazer entender pelo público ultrapassa a mera demagogia de palco.

Essa singularidade de cada show é o que motivou alguns fãs a freqüentar todas as apresentações da banda em território brasileiro. Fãs menos dispostos ou menos abonados têm que se contentar em escolher uma noite e esperar pela escolha de repertório com o qual a banda decidirá se divertir naquela noite – e depois, se torturar porque perdeu “aquela” canção, mas também comemorar porque pode presenciar “aquela outra” em todo o seu vigor. Qual outra banda vai te proporcionar isso?

Dito isso, já dá para afirmar que o Pearl Jam fez na quinta-feira, 03 de novembro de 2011, o que eles costumam fazer: um puta show. Havia pessoas querendo reproduzir a experiência que haviam tido nos shows de 2005 (uma tentativa fadada ao fracasso desde o princípio, pelos fatores já citados) e marinheiros de primeira viagem. Fossem quem fossem, ninguém estava preparado para um show que seria aberto com “Release”, faixa de encerramento de “Ten”, aquele disco que, em 1991, fez um monte de gente ter certeza de que gostava mesmo é de rock’n’roll. Uma faixa lenta e climática, para subverter a expectativa de começar de forma barulhenta e acelerada, e que já ajudava a evidenciar, pela expressão de felicidade ou de espanto, quem era fã, quem era “admirador sazonal” (isto é, quem vai esperando os hits) e quem fazia parte desse infame novo público para quem o show é uma balada cara, na qual a música é menos importante que as fotos, tuítes e chavecos.

Não que barulho e velocidade não viessem na sequência. “Corduroy”, “Why Go” (outra de “Ten”) e “Animal” se enfileiraram, uma mais intensa que a outra, sendo que na última foi possível ver um alucinado fazer um mosh numa caixa de brita na lateral da pista. Uma reação extrema, como as lágrimas observadas aqui e ali (notadamente em “Unthought Known” e “Black”), um casal se deitando para olhar o céu de mãos dadas em “Just Breathe”, o sorriso beatífico de um fã que era a cara do Stone Gossard ao escutar versos de “WMA” enxertados no final de “Daughter”…

Possivelmente essa é a razão pela qual o Pearl Jam soma vinte anos de existência, conseguindo sobreviver a altos e baixos comerciais (a banda praticamente sumiu das rádios nos anos 00): sua música, como poucas hoje em dia, estabelece uma relação emocional direta com seu público, que por sua vez está mais interessado no conjunto da obra do que em hits em particular.

Os discos do Pearl Jam nunca funcionaram bem como mera trilha sonora para atividades corriqueiras. Mesmo seus discos com mais vocação de estádio – “Ten” (1991), “Yield” (2000) e o excepcional “Backspacer”, de 2009 – não são “apenas” bons apanhados de temas de apelo radiofônico, mas sim obras que funcionam melhor quando apreciadas na íntegra, e que tendem, todas elas, a ser valorizadas a cada nova audição. E o fato de tratar cada disco com essa extrema dedicação é o que faz com que um lado B como “Down” (presente na compilação “Lost Dogs”) seja bem-recebido pelo público.

Evidentemente, os hits também foram celebrados, e quem ficou parado enquanto rolava “Alive”, “Do The Evolution” e “Even Flow”? A própria banda estava lá, com sua entrega costumeira, a precisão instrumental (melhora a cada ano), o carisma do diminuto Eddie Vedder acompanhado dos trejeitos de guitar hero de Mike McCready e do pique quase adolescente do baixista Jeff Ament. Enfim, tudo o que você precisa para vivenciar uma noite que vai te fazer acreditar que a música – e até a vida em si – valem a pena.

Claro que quem só foi nesse dia saiu de lá pensando que “puxa, eles podiam ter tocado X ou Y”. Não foi nessa noite que os fãs puderam ouvir “Not For You”, “Jeremy”, “Hail, Hail” ou a cover de “Baba O’Riley”, do Who, todas executadas na noite seguinte em São Paulo. Mas isso é parte do espetáculo: o que não foi vivido naquela noite é o que te impulsiona para a próxima. É um pouco do melhor da vida, dando combustível para você sair em busca de mais vida. Como acontece em todo show do Pearl Jam.

Pearl Jam ao vivo no Morumbi, São Paulo, 04/11/2011
por Eduardo Martinez

Em dado momento do show do Pearl Jam na sexta-feira (04/11), em São Paulo, Eddie Vedder anuncia “I Gonna See My Friend”, música em que o vocalista berra a ponto de explodir. No meio da execução, em um verso de vocal intenso, Vedder desce uma oitava, cantando em tom grave. Os mais exigentes pensam de imediato: “Ele não é mais o mesmo”. No entanto, como que respondendo as dúvidas, o último refrão vem arrasador, com a voz dilacerando os ouvidos mais sensíveis. Pronto, as coisas estavam no lugar novamente, como de costume na carreira do Pearl Jam. Quando parece que tudo vai ruir, a banda surpreende e as coisas se encaminham mais uma vez.

Voltando no tempo, nos anos 90, quando o grunge se tornou um nicho de mercado, o Pearl Jam recusou “tomar o lugar” do Nirvana, após a morte de Kurt Cobain, entrando em reclusão comercial (nada de clipes e ações de marketing mirabolantes). Comprou briga com a empresa de distribuição de ingressos Ticketmaster, com quem não trabalhou de 1994 a 1998, dificultando significativamente as turnês. Quando percebeu a pirataria e o interesse dos fãs por bootlegs, o Pearl Jam teve a inusitada atitude de lançar 72 discos ao vivo entre 2000 e 2001.

Após o fundamental “Ten” (1991), “Vs.” (1993), que consolidou a sonoridade do grupo, “Vitalogy” (1994), “No Code” (1996) e “Yield” (1998), a banda entrou naquele período ingrato em que vê a necessidade de soar diferente, de “amadurecer”. Dessa fase vieram “Binaural” (2000) e “Riot Act” (2002), felizmente mais sombrios do que caretas. Em 2006, no entanto, quando era aguardado mais um álbum reflexivo, o Pearl Jam aparece com um disco homônimo, barulhento, vigoroso e remetendo ao início da carreira. O que se confirmou, e com ainda mais força, em 2009, com o ótimo “Backspacer”.

Cortando de volta ao show de São Paulo, antes da citada “Gonna See My Friend“, já haviam sido executadas sete músicas. O começo arrasa quarteirão foi com “Go”, que só havia sido tocada duas vezes na turnê atual, seguida de “Do The Evolution”, “Severed Hand”, “Hail Hail” e “Got Some”. Quando o show parecia um trem descarrilhado, surge uma bela pausa para respirar com “Elderly Woman Behind The Counter In A Small Town” e “Given To Fly”.

O show continua então com uma sequência que gradativamente vai trazendo o peso de volta: uma bela versão de “Wishlist”, com direito a um coro do público arrepiante no final, “Among The Waves”, “Setting Forth”, da carreira solo de Vedder, “Not For You” e, enfim, “Even Flow”. Com os ânimos exaltados, mais uma vez a banda dá meia volta e saca a balada “Unthought Known”, seguida das pedradas “The Fixer” e “Once”, e o fim do set normal foi com “Black”, que merece um capítulo a parte nessa história toda.

“Black” é a balada mais emblemática da carreira do Pearl Jam. Tocada, ainda hoje em dia, até pela banda do seu vizinho que tem como maior mérito se apresentar em festa de aniversário de amigos. É a música que aquela amiga, que não se importa muito, acha bonita (além de “Last Kiss”) e por isso diz que ama Pearl Jam, compra camiseta e tudo. “Se não tocarem nem vai fazer falta”, diz o fã orgulhoso de conhecer todos os b-sides possíveis da banda. No entanto, quando a execução de “Black” ia chegando ao fim, faltava camisa xadrez de flanela para enxugar as lágrimas dos grunge boys que cantarolavam o “tchururu” final como se não houvesse amanhã.

O Pearl Jam é uma banda que, mesmo com todo esforço em não se expor demasiadamente, alcançou um status curioso. Ao mesmo tempo em que é respeitada e idolatrada pelos órfãos do grunge, pode ser alinhada a bandas clássicas do rock mundial e ainda contar com grande apelo popular, a ponto de levar ao Estádio do Morumbi grande número de fãs de ocasião, que aguardaram a noite toda por “Black”, “Last Kiss” e se frustraram por não ouvir “Soldier Of Love”.

No primeiro bis, “Just Breath” e “Inside Job” introduzem calmamente a sequência encabeçada por “State Of Love And Trust”, a nova “Olé”, “Why Go” e “Jeremy”, que foi comemorada como um gol em final de campeonato, já que não havia sido tocada no show da noite anterior. O segundo bis começa, para a alegria de muitos, com a famigerada “Last Kiss”, em seguida uma versão longa e bonita de “Better Man”. “Spin The Black Circle” surge para colocar fogo no show novamente abrindo caminho para a clássica e sempre eficiente “Alive”, um cover tradicional do The Who, “Baba O’Riley” e o final redentor com “Yellow Ledbetter”, com os refletores do estádio acessos e o público em clima de celebração em família.

O Pearl Jam é uma daquelas bandas que gostam de desafiar a audiência. Quando pensam que o grupo vai dando sinais de fraqueza, lá está ele novamente surpreendendo. Que banda hoje em dia em cinco shows (a passagem pelo Brasil) toca 67 músicas diferentes? O tesão em tocar é nítido e talvez seja o ponto fundamental que garante a longevidade e o respeito que o grupo tem em diferentes nichos.

Kurt Cobain, contemporâneo de Eddie Vedder, viu na fama um monstro assustador e fez “Smells Like Teen Spirit”, o que só piorou as coisas. Vedder também sentia um desconforto e, ao invés de escrever sobre isso, escolheu a reclusão comercial, que de certa forma também não surtiu efeito. Não há como julgar essas escolhas como certas ou erradas. O que resta é que, felizmente, Eddie Vedder não seguiu o mesmo caminho do líder do Nirvana e pôde chegar aos 20 anos de Pearl Jam e continuar nos oferecendo momentos especiais… como este segundo show no Morumbi.

Pearl Jam ao vivo na Apoteose, Rio de Janeiro, 06/11/2011
por Carlos Eduardo Lima

Atenção, amigos: esse é um texto não tão jornalístico sobre o show do Pearl Jam na Praça da Apoteose. Aliás, nem é só sobre o show, talvez eu coloque pra fora alguns sentimentos que estão pedindo por expressão desde que vi o documentário “PJ-20”, sobre os vinte anos de carreira da banda. Sendo assim, você que não é fã de Vedder e cia, por favor, filtre as informações jornalísticas (elas estão aqui em algum lugar), dê o desconto porque esse é um texto de uma pessoa comum, que vai a shows e não está preocupada em ser pragmática. Aviso dado, vamos lá.

Eu devo ter ouvido Pearl Jam pela primeira vez no início de 1992, um pouco atrasado em relação ao lançamento do primeiro disco deles, “Ten”, em 1991. Foi uma audição, digamos, involuntária, uma vez que eu tinha uma namorada que morava na Tijuca, bairro da Zona Norte do Rio. Costumávamos namorar num playground e havia alguém naquele prédio que gostava de Nirvana, Alice In Chains e Pearl Jam. O som se propagava pelo playground, a ponto de eu me dar conta de que estava um pouco por fora. Havia lido na Bizz algumas resenhas de discos dessas bandas, todas elogiosas, mas eu experimentava um momento de descoberta de clássicos. Ouvia muito Van Morrison, soul music, Marvin Gaye, essas coisas. O tal vizinho me chamou atenção para o som que era feito em Seattle e eu fui investigar.

Na filial das Lojas Americanas dali da Tijuca mesmo, comprei “Nevermind” e “Ten”, de uma tacada e fui ouví-los com atenção. Eu não havia passado por aquela “adolescência metaleira” que todo mundo experimenta, aquela fase em que se ouve Anthrax, Pantera, Slayer, enfim, tampouco era fã de alguma banda como Black Sabbath. Lembrem que Ozzy ainda não havia se transformado num palhação pela MTV, portanto, não havia essa afinidade que todos parecem ter hoje em dia com a vida do cara. Metal pra mim era uma lembrança distante da oitava série, quando me arrisquei a ouvir Iron Maiden, sem muito sucesso. Desse jeito, Nirvana e Pearl Jam eram pesadinhos para mim, assim como o disco preto do Metallica, que dava as caras na mesma época.

Eu gostei mais de “Ten” que de “Nevermind”. Demorei alguns anos pra entender totalmente e apreciar qualquer coisa que tenha um DNA punk e o segundo disco do Nirvana é um disco punk acima de qualquer outra coisa. O “Ten” já era algo mais voltado para uma linhagem clássica do rock setentista, algo que era muito norte-americano e tradicional, sei lá, como se um monte de bandas se juntassem e saísse o disco como resultado desse mix de coisas. De Aerosmith e Crazy Horse, passando por MC5 e Doors e chegando na Inglaterra de Stones e companhia. Estava tudo ali, de alguma forma.

Canções como “Alive”, “Jeremy”, “Black” e “Why Go” vieram logo para grudar na mente e a audição de Van Morrison e soul music foi devidamente arquivada. Peguei os outros dois discos do Nirvana (“Bleach” e a coletânea “Incesticide)”, além de “Facelift” do Alice In Chains, a trilha de “Singles – Vida de Solteiro”, filme de Cameron Crowe sobre casais em Seattle na época do nascimento do grunge e explorei nomes da cena como Soundgarden, Mudhoney e Screaming Trees, cujo disco “Sweet Oblivion”, era lançado por aqui na esteira da onda flaneleira. Devidamente informado, sintonizado na MTV e atento ao que era escrito sobre essas bandas, fiz assim minha adesão ao som que estava “na onda” em pleno 1992.

O tempo passou, Cobain estourou seus miolos, a década de 90 se foi, mas nunca perdi o Pearl Jam de vista. Tive momentos de saber letras de discos inteiros, como o “Vitalogy” (1994) ou o “No Code” (1996) e achar muito legal a batalha que a banda comprou contra a Ticketmaster, reclamando dos preços altíssimos dos ingressos e levantando a possibilidade de enquadrar a empresa nas leis anti-truste americanas por monopólio da venda dos bilhetes. Também presenciei uma acomodação do Pearl Jam em termos de criatividade e relevância. Suspeito que tenha a ver com a tragédia do Festival dinamarquês de Roskilde, em 2000/01, quando pessoas morreram pisoteadas enquanto a banda se apresentava, na época, divulgando seu sexto disco de estúdio e último realmente interessante, “Binaural”. Stone Gossard diz em “PJ 20” que eles nunca mais foram os mesmos depois daquilo e que nunca seriam capazes de superar essa tragédia.

O documentário me fez pensar em mim mesmo à medida que as imagens da banda avançavam pela cronologia dos anos. Relembrei das audições, da maneira como costumávamos nos informar sobre música antes da internet (como disse Jeff Ament, o baixista da banda, sobre ler revistas de música numa cidade no meio do nada: “nós estudávamos essas coisas!”) e em como era prazeroso comprar um disco, trazê-lo pra casa, fechar a porta do quarto e devorá-lo. Claro, também dá saudade de quanto tínhamos mais tempo livre e menos responsabilidade em nossas mãos para podermos fazer isso. Cameron Crowe, o mesmo diretor de “Singles” e tantos outros filmes pop rock, como “Jerry Maguire” e “Quase Famosos”, conduz “PJ 20” com olhos de fã e admirador da banda, e é, provavelmente, um caso de jornalista que não age como jornalista, ao contar a história dos caras. Nem poderia. Nem posso.

O show de 6 de novembro de 2011, não foi melhor ou pior que a apresentação de 4 de dezembro de 2005. Foi diferente. Como minha relação com a banda é emocional, me permito analisar algumas coisas sob este ponto de vista. Minha vida é muito melhor hoje que há seis anos, em todos os aspectos. Ver o show ao lado da minha família, apresentar para minha esposa algumas das músicas que conheci há vinte anos, poder dar a ela a chance de me ver nessa época. É como um túnel iluminado do tempo. Ver as pessoas se abraçando e bradando as músicas é como perceber que o rock acompanha a vida de muita gente, por mais clichê ou mesmo preconceituoso que isso possa parecer.

Eu venho de um tempo em que a gente só ouvia rock até um determinado ponto. Não havia o sambinha indie, a MPB indie, o jazz indie. A gente ouvia rock, trilhas de novela, discos da mãe e do pai, rádio FM. Nada de webradios e streamings por aí. E mais: o que pode parecer uma idade média em termos de pluralidade hoje nem era notado por nós na época. O rock era suficiente. O soul e o funk eram ainda coadjuvantes e a MPB era a chamada quarta força do campeonato, no meu caso, dada a influência dos discos de Caetano, Gil, Milton, Gal, Chico e Bethânia, além de Roberto Carlos, trazidos por minha mãe e meus avós. Desse jeito, eu venho de um tempo não plural em termos de música, muito obrigado.

E o show? Foi praticamente perfeito. O quarteto fantástico de “Ten” foi todo executado, a saber, “Jeremy”, “Even Flow”, “Black” e “Alive”, com a presença luxuosa de “Why Go”. Poucas vezes a banda revisita todas essas canções em um mesmo show. Teve “Daughter”, “Nothingman”, “Given To Fly”, “Corduroy”, “Faithfull”, “State Of Love And Trust”, “Do The Evolution”, a raríssima “Immortality” e covers maravilhosas, como “Rockin’ In The Free World” (Neil Young), “I Believe In Miracles” (Ramones) e um souvenir para a vida: a primeira execução em show de “Mother”, cover do Pink Floyd safra “The Wall” (só apresentada anteriormente no programa de Jimmy Fallon). Eu comentava antes do show que seria maravilhoso ouvir “Sittin’ On The Docks Of The Bay” (Otis Redding) ou “Harvest Moon” (Neil Young), covers já mostradas pela banda ao longo dos tempos, mas ver minha esposa – fã de carteirinha do Floyd – se esgoelando, fazendo air guitar e abraçando seu filho e dizendo: “essa letra é muito verdadeira, meu menino” não tem preço e não pode ser entendido como uma mera reportagem, no sentido estrito do termo.

Dane-se se o som estava embolado para quem via de arquibancada. Dane-se se as pessoas deixam pra chegar ao lugar do show atrasadas, dane-se se o vento teima em trazer todas as fumaças de cigarro em cima de você: ver um show do Pearl Jam, no meu caso, é abrir uma janela para outro tempo, não melhor, mas bom de olhar e revisitar. Ao que parece, a banda sente o mesmo e não demonstra qualquer sinal de enfado ou cansaço diante do seu repertório. Parecem olhar pra eles mesmos, da mesma forma que eu e, certamente, um monte de gente. O melhor show que eu poderia querer ver nesse ano, o primeiro sem minha mãe por perto para me perguntar: “e então, meu filho? Foi bom?”. Valeu, Pearl Jam.

Pearl Jam ao vivo no Estadio do Paraná Clube, Curitiba, 09/11/11
por Teca D’Alessio

Muita gente ainda chegava ao estádio Durival de Britto, com capacidade para 27 mil pessoas, quando o grupo de punk rock X, da Califórnia, começou sua apresentação. A banda de abertura foi escolhida por Eddie Vedder, vocalista do Pearl Jam, que contou em um dos shows em São Paulo que, ainda adolescente, falsificou seu documento de identidade para poder vê-los ao vivo. O vínculo se confirmou quando ele subiu ao palco para cantar a última música, para surpresa e delírio do público presente.

Com um céu sem nuvens e a lua cheia, após um dia de muito sol e calor, a noite não poderia estar melhor para a segunda apresentação do Pearl Jam na cidade, após seis anos. Às 21h20, o momento tão esperado chega: a banda entra no palco com a curta e bombástica “Go”, do segundo álbum, “Vs” (1993), a mesma que abriu o show do dia 04 de novembro, em São Paulo. O público, que não chegou a lotar o estádio, mas não economizou na animação, foi à loucura. A segunda surpresa da noite veio em seguida, com “Arms Aloft”, música da banda Mescaleros, que Joe Strummer liderou após a saída do The Clash. Uma curiosidade: essa música foi tocada por eles ao vivo apenas nove vezes.

Com muitos goles de vinho direto da garrafa, Eddie Vedder mostrou-se, como sempre, carismático. Vestindo uma camisa de flanela – que não nega sua origem “grunge”- por cima de uma camiseta preta do filme “Rocky”, ele arrisca o português: “E aí, galera? Hoje foi um dia lindo e esta noite vai ser mais incrível ainda. Nós vamos cuidar bem de vocês”. Ninguém duvidou.

Uma sequência de músicas é cantada em coro pelos fãs. “Animal” (“Vs”, 1993), “Olé” (que será lançada no próximo álbum em 2012), e “Why GO” (“Ten”, 1991) são tocadas sem interrupção, mostrando que a banda, apesar dos 20 anos de estrada, ainda tem energia de sobra. Em “Even Flow” (“Ten”, 1991), o excelente guitarrista Mike McCready toca com categoria com seu instrumento apoiado na parte de trás do pescoço, sem errar ou faltar nenhuma nota. A variação do set list, uma das principais características do grupo, é marcada também nesse show. “Red Mosquito”, “Off He Goes” (“No Code”, 1996), “Footsteps” e “In Hiding” (“Yeld”, 1998), foram algumas das músicas tocadas pela primeira vez no Brasil.

O segundo bis começa com a clássica “Better Man” (“Vitalogy”, 1994), que Eddie encaixa com a incidental “Save it for Later”, da banda de ska inglesa The Beat. Em “Alive”, Eddie Vedder desce do palco e vai de encontro ao público. Já é quase meia-noite quando “Baba O’Riley”, do The Who é tocada. Para finalizar, a mesma que encerrou o segundo show de São Paulo e o do Rio, “Yellow Ledbetter”. Foram 32 músicas e mais de duas horas e meia de uma apresentação que agrada tanto a pessoas que conhecem apenas os hits quanto os seus fieis seguidores, que não são poucos.

E podem me incluir nessa lista: Logo depois da segunda apresentação em São Paulo, chegando em casa, vi onde seria o próximo show ainda com ingressos à venda: Curitiba. Sem grana e em busca de trabalho (ou “between jobs”, termo em inglês que dá uma impressão bem mais favorável à situação), fui pesquisar minhas milhas e as passagens disponíveis. Tudo estava de acordo com o que eu precisava. E a volta? Teria que ser de ônibus, logo após o show. Mas qual a distância do estádio até a rodoviária? Era um do lado do outro. A essa altura, o ingresso era apenas um detalhe…

Pearl Jam ao vivo no Estádio Zequinha Barbosa, Porto Alegre, 11/11/11
por Murilo Basso

Hoje acho no mínimo engraçado o fato de minha relação com a música ter começado efetivamente em um show do Pearl Jam. Eu tinha 15 anos, morava no interior (do interior) do Paraná e meus pais se dispuseram a me levar, sem maiores problemas. Ainda tenho as imagens do caminho pela fila até entrada para o show bem vivas. Meu pai olhou e disse: “Vai. Nos encontramos aqui quando acabar”.

Seis anos depois, quando anunciaram que a turnê “PJ 20” passaria pelo Brasil, prometi a mim mesmo me esforçar para assistir o maior número possível de apresentações. O saldo final foram duas apresentações em São Paulo, uma na mesma Curitiba de seis anos atrás e outra em Porto Alegre. Ou ainda, quatro noites em que saí chorando feito uma criança. E embora a segunda noite em São Paulo tenha sido inesquecível, e a passagem por Curitiba tenha trazido consigo uma carga emocional muito intensa – além de “In Hiding” e “Footsteps” –, foi na capital gaúcha que a ficha caiu, talvez pela certeza de que aquele seria o último show ou pelo fato de que ali percebi como uso a música para lembrar para onde quero ir. É romântico e adolescente, mas, por favor, respeite meu romantismo adolescente.

Como já é característico ao Pearl Jam, o início foi extremamente enérgico, com “Why Go”, “Do The Evolution”, “Severed Hand”, “Corduroy” e “Got Some”. Na sexta música, “Low Light” (que só foi executada no último show da turnê), é que o público encontrou tempo para respirar. Também se torna nítido que poucas bandas são tão capazes em transitar pelos mais distintos climas durante uma apresentação: para o Pearl Jam é perfeitamente possível mesclar os acordes mais pesados com momentos de maior serenidade sem perder sua identidade. E se “Small Town” e “Given To Fly”, com o público da pista acompanhando em ondas conforme a canção cresce até seu refrão inconfundível, dão continuidade ao momento mais introspectivo “Even Flow” – presente em todos os shows da turnê – traz a tona o Peal Jam de 20 anos atrás.

A primeira parte ainda contou com uma versão de “Wishlist” em um arranjo muito mais intenso que o original e, claro, com versões estendidas, de “Rats”, “1/2 Full”, quando Vedder usou um espelho para refletir o jogo de luzes na platéia, e de “State of Love and Trust” e “Black”, fechando com o coro dos 20 mil presentes de forma gradual ao arranjo, até a explosão coletiva no início do solo. Uma daqueles momentos tão fortes e marcantes que você sente vontade de ver novamente. E de novo. E mais uma vez. Só pelo prazer de poder ter a chance de pegar algo que lhe tenha escapado.

Vedder, um daqueles senhores desgraçados que tem plena noção de sua capacidade e a certeza de que o público está em suas mãos, retorna ao palco e diz, em português: “Hoje é 11/11, aniversário da minha mulher, Jill. Ela está em Seattle e eu estou aqui com saudades. Será que vocês poderiam cantar parabéns para ela?”, para segundos depois ser acompanhado em uníssono e emendar a folk “Just Breathe”, uma das belas canções de “Backspacer”, último registro de estúdio do grupo. O que só reforça a sensação de que é impossível para uma banda com o Pearl Jam fazer um show ruim com seu repertório. Prova disso é que “Light Year” é dedicada, claro, ao amigo Joey Ramone e a já tradicional homenagem ao grupo marca presença com “I Believe In Miracles”.

Como se dissesse “não queremos ir embora”, eles retornam mais uma vez, com “Last Kiss” – canção que, aceitem, só fez sucesso no Brasil e, além de Porto Alegre, só apareceu na segunda apresentação na capital paulista – e “Better Man”, que se não é a maior canção do Pearl Jam, pode ser facilmente considerada uma das mais significativas. E se ao longo da turnê, Vedder aproveitou para citar “I Wanna be Your Boyfriend”, em Porto Alegre – assim como em Curitiba – a escolhida foi “Save It For Later”. “Crazy Mary”, da cantora country Victoria Williams, prepara o palco para que Jeff Ament e Matt Cameron construam a sustentação necessária para Gossard e McCready destruírem qualquer sinal de sanidade que restou com a sequência “Jeremy” e “Alive”. E é aqui que você percebe estar diante de uma banda tão coesa, que se torna difícil não se prender a um detalhe da bateria de Cameron, sem ter a sensação de que está perdendo alguma “brincadeira” de McCready com sua guitarra.

Nesse instante, Vedder já havia chamado um garoto e mais dois acompanhantes ao palco. “Estava apertado e queríamos deixar ele mais confortável”. As luzes já começavam a serem acesas para a versão de “Rockin’ in the Free World”, seguida por “Indifference” e “Yellow Ledbetter” – e não, não vou chamá-la de “lado B”. E embora o refrão diga “I don’t wanna stay”, saímos justamente com a sensação contrária. Sem exageros desnecessários e focando em suas canções o Pearl Jam provou que um ótimo show se faz com guitarras, baixo, bateria e, claro, boas doses de talento e carisma.

– Todas as fotos por Karen Loria, fotógrafa oficial do Pearl Jam. Você pode ver mais registros dos shows no Brasil no http://www.flickr.com/photos/pearljamofficial

Leonardo Vinhas assina a seção Conexão Latina (aqui) e já escreveu centenas de textos para o site entre eles uma discografia comentada de Nick Cave (aqui) e um review do show do Bad Religion em SP (aqui)
– Eduardo Martinez é jornalista, assina o blog A Ilha dos Mendigos e já escreveu para o site sobre Superguidis (aqui), Holger (aqui) e a simpatia debochada de Mike Ness (aqui)
Carlos Eduardo Lima assina a coluna Sob o Céu (aqui) e também já escreveu centenas de textos entre eles um review do “4”, do Los Hermanos (aqui) e um texto sobre o Byrds (aqui)
Teca D’Alessio é jornalista e já escreveu para o Scream & Yell sobre o show do Police em Londres (aqui)
Murilo Basso é jornalista e colabora com o Scream & Yell, o Urbanaque, o Alto-Falante e a Rolling Stone. Já entrevistou Wander Wildner (aqui) e escreveu sobre “Apenas o Fim” (aqui)

Leia também:
– “Backspacer”, Pearl Jam: salve a volta de Brendan O’Brien, por Marcelo Costa (aqui)
– “Pearl Jam”, Pearl Jam: um disco cheio de altos e baixos, por Helder Souza (aqui)
– “Riot Act”, Pearl Jam: a causa empobreceu a essência, por Gisele Fleury (aqui)
– “Ukelele Songs”, Eddie Vedder parece mais focado que nunca, por Márcio Padrão (aqui)
– “Into the Wild”: Eddie Vedder merece a sua atenção, por Marcelo Costa (aqui)
– “Into The Wild”, o filme, valoriza as relações humanas, por Marcelo Costa (aqui)
– Melhores de 2005: Pearl Jam, quarto melhor show. Veja a lista completa (aqui)

34 thoughts on “Pearl Jam: Brasil Tour 2011

  1. Perfeito!!! Que bom q alguém conseguiu traduzir o q é um show do PJ!!!
    Rock é isso mesmo, bateria, baixo, guitarra, voz e amor pela música!!!!!
    Quando escutamos sentimos essa alegria imensa de estarmos vivos!!!

  2. O texto do CEL é realmente emocionante!

    No show de SP o Eddie Vedder também homenageou os Ramones cantando a introdução de “I Wanna Be Your Boyfriend”, não?

    Eu acho admirável o Pearl Jam mudar seu setlist a cada show, sem contar na quantidade de músicas que eles tocam por noite, vale cada real gasto! Espero que não demorem mais seis anos para voltarem! Abs!

  3. Fui no show de POA, já tinha ido no de 2005 aqui no sul tbem, e foi incrível. Mas ler o relato do CEL foi bacana, principalmente na hora que ele compara a vida dele em 2005, na epoca da primeira turne por aqui, e agora. Rolou algo parecido comigo enquanto curtia o show. Coisas que só uma banda como o PJ pode fazer!

  4. Pessoal, obrigado pelas gentilezas. É só um texto sincero e derramado.

    Eu me lembro que em 2005 eles emendavam “I Wanna Be Your Boyfriend” no final de “Better Man”, Adriano.

  5. Resenhas precisas, visões distintas mas ponto em comum: PJ 4ever -rs; o show do Rio foi excepcional e não esqueçamos de” indifference”, quase fechando o show e da ajuda do público ao Eddie, que esqueceu as 3 primeiras estrofes da música- sensacional!!!

  6. Queria eu passar por todos os shows do Brasil como alguns fizeram! Só uma pequena correção, vi outras pessoas também se enganarem com isso: Murilo, no show de POA o lance com o espelho aconteceu no fim de 1/2 Full, na frase “Who’s gonna save the world?”, acho que numa poesia que queria dizer que qualquer um daquele público imenso tinha que fazer a sua parte pra isso.. valeu 😉

  7. Fui no show de S.Paulo, no dia 04, nao acreditava naquilo tudo, muito além do que esperava…maravilhoso, perfeito…ouvir todas aquelas musicas que tanto amo, naquela voz perfeita e poderosa, naqueles instrumentos tocados com perfeita competencia, tudo ali, ao vivo, na minha frente, foi um sonho…quero mais e mais….era isso que eu pensava qdo cada musica acabava…Só me resta ama-los cada vez mais!

  8. O CEL descreveu como muitos dos fãs se sentiram, revivi minha adolescência durante o show foi incrível, cada música desperta uma parte da nossa história, o show do Rio foi emocionante e histórico!

  9. “Desse jeito eu venho de um tempo não plural em termos de música, muito obrigado.”
    Vc não acha melhor hoje, Cel?!
    Acho MUITO melhor – sob todos os aspectos – a mesma pessoa gostar de Jorge Ben e Black Sabbath.

    PS: Respeito a postura/integridade do Pearl Jam, mas nunca curti o som.

  10. SENSACIONAL o texto!!!!

    “Essa singularidade de cada show é o que motivou alguns fãs a freqüentar todas as apresentações da banda em território brasileiro.”

    Pra mim só faltou o show do Porto Alegre por motivos de $$$ mesmo….. mas fui nos outros 4, e é bem isso mesmo….

    A musica q eu mais queria ouvir, desde 2005 (qdo só fui nos 2 de SP) era Dissident, e fui presenteado no último show q acompanhei deles, em Curitiba, roteiro perfeito!!!

    E o Eddie ainda ficou com minha camiseta do Brasil no show do SP

    SURREAL!!!!

    na próxima turnê espero estar rico e acompanha-los pela América do Sul inteira rsrs

  11. Zé Henrique, quando me referi ao rock como sendo primordial em minha formação de ouvinte, depois jornalista, quero dizer que ele preencheu totalmente minha necessidade de encontrar uma música que me representasse. Eu olho pra trás e penso que era melhor assim na época. Hoje, em termos de liberdade de escolha e/ou conhecimento, claro que é legal poder ouvir e se inteirar sobre mil gêneros musicais. O importante é que essa música te represente. Por mais que a gente ouça Deep Purple e Ney Matogrosso, sempre existirá algo que vai nos falar mais ao coração. Comigo foi o rock e, nessa época, o PJ.

  12. Simplesmente incrível.
    Fui ao show de Porto Alegre.
    Lendo seus textos, fiquei feliz e arrepiado, relembrando cada momento inesquecível do show.
    Incríveo ver Pearl Jam.
    Parabens pelos textos…

  13. Ahh tá, Cel, entendi seu ponto de vista e por um lado até concordo.
    Mas discordo quando vc diz que “sempre” algo falará mais forte ao coração.
    Gosto tanto dos Stones quanto do Paulinho da Viola, suprem coisas diferentes.
    Além do mais, música é estado de espírito – inclusive tem o poder de mudá-lo.

    PS: Sempre afiado na pena, hein man!?

    Abraço

  14. Emocionante poder fazer a leitura destes textos que parecem mais relato aflorados. Eu fui no pacaembu em 2005 e no morumbi ( segunda apresentação em ambos) e não ha como explicar com exatidão o que se sente ao ouvir e ver Pearl Jam. Parabéns aos autores, vocês conseguiram relatar de maneira genuína quase tudo que se passa quando o PJ invade seus tipanos e viaja rumo ao seu coração. Realmente os textos são imagens com formas, cores e calor. Muito obrigado.

  15. Gostei muito dos textos. Parabéns a todos que escreveram e estiveram presentes nos shows. Pude me proporcionar a afortunada oportunidade acompanhar os 5 brasileiros. Minha estatura permitiu facilmente acompanhar todas as movimentações no palco. Sabia até qual música seria tocada com base no detalhe de uma cor ou adesivo num instrumento. A qualidade do som pode ser questionável, mas nada como ouvir o coro da galera, ou sua própria voz numa ou oura raridade para compensar. Faltou um destaque para a sequencia da demo gravada pelo Eddie em Curitiba, além das raridades tocadas que não ficam atrás dos demais shows. Foram momentos excepcionais e no fim das contas, você quer é mais, e mais, e mais… mais vida! E vida longa aos homi! Abraços do mineiro, Fernando Pires.

  16. Carlos Eduardo, você me fez chorar cara………….Parabéns pelo seu texto…….Ele é lindo porquê é a sua realidade, não é nada inventado e isso o torna tão marcante……Chorei quando você se lembrou e homenageou sua Mãe……..Cara parabéns……..Sensacional…..

  17. Ótimo texto mesmo, mas só uma coisinha, tem outra banda que também decide o setlist na hora do show, o Radiohead… Parabéns pelo texto…. Maravilhoso

  18. O melhor show que eu poderia querer ver nesse ano, o primeiro sem minha mãe por perto para me perguntar: “e então, meu filho? Foi bom?”. Valeu, Pearl Jam.

    Mesma coisa aqui.

    Sem Palavras.

  19. Fui em 3 dos 5 shows e reler as resenhas da segunda noite em SP e do show de POA foi como me transportar de volta há um mês atrás e viver todas aquelas maravilhosas emoções de novo.

    Pena que justamente a resenha do show em Curitiba, minha cidade, ficou horrível. Fraca demais, Teca, sorry…

  20. Gostei muito dos textos. Só não sei de onde o autor Murilo Basso tirou que “Last Kiss” só fez sucesso no Brasil. Prova do sucesso mundial dela, independentemente da qualidade, é ter sido disponibilizada para fazer parte do disco beneficente – “No Boundaries: A Benefit for the Kosovar Refugees”. Ela se tornou o carro chefe desse disco e alcançou o segundo lugar na “Billboard Hot 100″… além de se destacar em outras listas.

    Não vejo nenhum problema em tecer considerações pessoas sobre músicas e fatos. Mas não ignore os números e a história.

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