Na máquina do tempo com o Rush

Texto por Thiago Pereira

Atenção: esse é um texto elogioso. Mais do que isso, é um texto que esbarra naquilo que os americanos chamam de “bromance”, espécie de declaração carinhosa entre amigos.

Rush é música de nerd, música de chato, música de gente que gosta de música tocada por músicos, música de veado que acha que é roqueiro. Daria para encher um “Hemispheres” inteiro só com descrições pouco elogiosas (e que pouco dizem, é verdade) sobre o trio canadense mais vilipendiado do mundo. Ditas por todo o tipo de gente: dos “respeitáveis” jornalistas pautados pelos ingleses de plantão a qualquer moleque que aos 15 anos, adora reproduzir todos os malvados clichês da crítica rocker, jurando amor eterno ao “Nevermind The Bullocks” dos Pistols e deixando os hormônios fluírem ao compasso dos doces preconceitos adolescentes.

Afinal, se o Canadá nos deu Neil Young e Joni Mitchell, porque alguém iria se preocupar com os malabarismos fisiculturistas da bateria de “Tom Sawyer”? Por que diabos alguém não deveria sorrir contente e vingado quando Stephen Malkmus cantava “what about the voice of Geddy Lee, how did he get so high, I wonder if he speaks like an ordinary guy”? Para o inferno com aquele papo de melhor trio de músicos já reunidos! Pra porra com os tempos cabulosos conduzidos por Neil Peart!

Fato é que na vida exigimos alguns Judas de plantão, para descarregar energias ruins. Sacos de pancadas mesmo. Para alguém que se dispõe a trabalhar com algo tão abrangente e escorregadio quanto música (e mais do que isso: gostando muito de música, e na medida do possível querendo respeitar o gosto próprio e o gosto dos outros) é hábito pouco salutar criar Judas demais. Muitas vezes são escolhas puramente aleatórias, exercícios de sadismos gratuitos: a ignorância como vizinha da maldade. O Rush, para todas as gerações pós furacão punk, sempre foi exemplo do que não gostar, mesmo tendo no currículo apenas orelhadas carregadas de preguiça em alguns poucos álbuns do grupo.

O que eu estava fazendo então naquele estádio, no último dia 08 passando frio, cercado pela maior multidão de fãs usando óculos de grau (existe um coeficiente nerd pra isso?) que já vi em toda minha vida? Assim como o trio no palco, eu estava ali celebrando a força do tempo. A força que quebra idéias pré-concebidas. Que nos joga no desconhecido. Ch-ch-changes. Que nos tornam pessoas melhores, enfim.


Não descobri isso sozinho, descobri com um chapa, Terence. Afinal, quando um cara lista entre seus favoritos Radiohead, Jeff Buckley e Rush, alguma merda deu errado. O fato de esse chapa ser seu chefe também ajuda um pouquinho. Durante algum tempo, ouvia com certa estranheza frases soltas em reuniões de pautas como “no programa desta semana vamos tocar “The Trees”, do Rush, copia esse clipe lá para mim…”, “Ah, o Rush está lançando um disco ao vivo, vamos aproveitar e colocar “Anthem” daquele DVD raro que eu tenho…”, “Coloca no You Tube aí, “YYZ” do show do Rush no Rio, neguim cantando música instrumental “.

Simpatia simbiótica entre a pessoa e a banda ao passar dos anos. O braço torcido veio com o espetacular documentário lançado este ano (“Beyond The Lighted Stage”, imperdível) e esperado com devoção religiosa por parte da nossa redação – eu incluso, pois é. Até que a fatídica frase chegou este ano: “Confirmaram as datas do Rush. Já vou comprar ingressos para você, ok? Até como requalificação técnica, hehe”. Hehe, o cacete. Anos de piadinhas elaboradas sobre a beleza impressionante do Geddy Lee ou a masturbação teórica percurssiva de Neil Peart estavam sendo jogadas fora naquele momento. Como eu iria me retratar no Bar da Eterna Juventude Rebelde, aquele que quase sempre ridiculamente é o último a fechar?

Mas a bem da verdade é que quando os caras entraram tocando “The Spirit Of Radio” para o povaréu embasbacado, já deu para sentir algo além da curiosidade pura e simples. Era emoção genuína que surgia ao cantar palavras que nunca pensei que iria cantar, tipo “Obtrusive”. Afinal “Permanent Waves”, o disco da virada de carreira rushiana já estava bem cotado no som do carro nos últimos meses, atropelando estranhamente outras coisas. O vocabulário já passara fazia tempo do verbete único “McGayver”.

E, o amigo Terence, esse eterno fã de música, zilhões de horas-shows de rock nas costas… Já ás seis da tarde apressava a comitiva para sairmos logo para o show, como um adolescente ansioso que todos somos frente a uma oportunidade de assistir a banda que sonorizou nossa existência. Agora se juntava como um igual naquele bando de homens, crianças e, porra, até mulheres, prestando respeito a essa instituição única (goste-se ou não) chamada Rush. Felicidade alheia é um troço bacana de se admirar.

Senti-me confortável desde o início do show. Comovido com a beleza melódica de “Time Stand Still”.  Curtindo o peso de “Stick It Out”. Se divertindo com a reação dos fãs no começo do riff quebrado de “Freewill” (“A “Paranoid Android” do Rush”, informou o chefe). Analisando com atenção às músicas mais recentes que não conhecia. Até chegar “Subdivisions”. Essa é a música que me fez ignorar a banda por tantos anos. Aquele som de teclado no começo, rapidamente catalogado pela memória como brega oitentista, a voz esquisita do Geddy Lee, a melodia completamente esquisita. “Subdivisions” soava como o equivalente sonoro daquelas malditas equações matemáticas que torturavam na época escolar, e que me faziam perguntar: “Para que serve isso?”.


Ainda tenho alergia a números misturados com letras e sinais matemáticos. Mas entendi a serventia de “Subdivisions”.

“Espalhados nos confins da cidade
Em ordem geométrica
Uma fronteira isolada
Entre as luzes brilhantes
E o distante e obscuro desconhecido

Crescendo, tudo parece tão parcial
Opiniões todas arranjadas
O futuro pré-decidido
Isolado e subdividido
Na zona de produção em massa

Em lugar algum estão os sonhadores
Ou os excluídos tão solitários

Subdivisões –
Nas salas do colegial
Nos shoppings
Ajuste-se ou fique de fora
Subdivisões –
Nos porões dos bares
Nas traseiras dos carros
Seja bacana ou fique de fora
Qualquer fuga pode amenizar
A verdade pouco atraente
Mas os subúrbios não possuem charme para aliviar
Os sonhos inquietos da juventude

Atraídos como mariposas nos amontoamos na cidade
A eterna e velha atração
Em busca de ação
Acesos como vaga-lumes
Apenas para sentir a noite pulsante

Alguns irão vender seus sonhos por pequenos desejos
Ou perderão a competição para ratos
Serão pegos em armadilhas
E começarão a sonhar com algum lugar
Para relaxar seu vôo inquieto

Algum lugar fora da memória
De ruas iluminadas em noites quietas…”

(com a ajuda da tradução livre do Terra, ok?)


“Subdivisions” é sobre não ser bacana. É sobre ser nerd, geek, um merdinha de um subúrbio qualquer de primeiro mundo. Inadaptação social, status, todas essas porras. Hoje é cool vestir esses adjetivos? É uma categoria aceitável? Rende programas de TV? Em 82 não era, meu chapa. É o hino máximo antropologicamente (rá!) falando do que é o Rush, a redenção completa dos fãs da banda e da própria banda, desvestindo os inevitáveis excessos do hard rock setentista (longas suítes… quimonos… solos gigantescos… você sabe…) e encarando os novos tempos. E reforçando que as mãos de Neil Peart não servem apenas para reinventar a história de um instrumento, como também para tecer letras mais interessantes que qualquer obra-prima literária cometida pelo Pavement.

É até possível imaginar que algum fã queira usar esse parágrafo anterior como uma forma de vingança, mas é fácil acreditar que 90% das 40 mil pessoas presentes no show nunca ouviram falar de “Crooked Rain, Crooked Rain”. O público do Rush não é cool. É real. Estamos falando de décadas de pedrada na cabeça e bullying musical. Gente que faz parte de uma certa subdivisão…

Mas se bem que… hoje é cool gostar de Rush? É permitido vibrar com a história de três amigos que, três décadas depois, até hoje parecem estar tirando um som sem maiores pretensões? O som “deles” e dos fãs? Preciso esconder o sorriso ao assistir aos pequenos filmes que eles passavam entre os blocos de músicas? Mesmo isto sendo uma das coisas mais engraçadas, despretensiosas e simples idéias que já vi num palco (só para usar adjetivos contrários aos que são sempre aplicados à banda)? E quando eles tocaram na íntegra o amado “Moving Pictures”, disco-fetiche da maior parte dos fãs? É preciso encontrar defeitos? E quando eles BOTARAM PARA FODER ao vivo em um dos temas instrumentais mais complexos da história do rock, “La Villa Strangiato”, como se fossem integrantes do Rage Against The Machine (que, aliás, estavam na mesa de som acompanhando o show, hora em que o menino de 15 anos voltou e se sentiu meio esquisito)?

Ah, o tempo, esse puto traíra. Daria para fechar a conta do boteco com Platão, com Pink Floyd, com Proust, com Móveis Coloniais de Acaju, Caetano Veloso com Robert Zemeckis, com a putaquipariu. Naquela noite fria no Morumbi fechei com o amigo Terence e com aquela multidão toda que estava lá. Eles? Eles estavam fechados com Neil Peart, sujeito que já levou umas boas pancadas dele – o tempo – e certa feita escreveu “tempo fique parado/ eu não estou olhando para trás/ mas agora eu quero olhar ao meu redor”. Será possível ter quinze anos de novo e rever alguns conceitos do passado?

Na máquina do tempo com o Rush
Por Terence Machado

Certo de que não veria nunca o Rush se apresentando em solo brasileiro, embarquei com dois amigos para assistir a dois shows da banda canadense, nos Estados Unidos, em 1996, na turnê “Test For Echo”. O primeiro, que eu mal poderia imaginar ser o abre alas de uma pequena série, foi em Tampa, na Flórida. O ingresso era na décima terceira fila, no que seria a nossa pista, mas com lugar marcado. Eu vinha de um casamento de um amigo a mais de 300km de distância de BH, onde embarquei no dia seguinte rumo à São Paulo, depois Miami, com direito a uma paradinha rotineira do vôo da Lloyd boliviana, em Santa Cruz de La Sierra. De Miami a Tampa, mais de cinco horas na estrada, e ainda a espera pelos ingressos comprados por um comparsa americano e ele atrasou. Com isso, fomos direto para o local do show. Não dava mais para ir ao hotel, primeiro. Já dá pra imaginar como era o nosso estado físico pra enfrentar o tão sonhado show do Rush.

Ice Palace, 09 de dezembro de 1996 – Tampa, FL
Com as batidas de guitarra e bateria de “Dreamline” do álbum “Roll The Bones” e efeitos de raio laser, no campo visual, o show começou com pontualidade britânica, coisa ainda rara no Brasil, naquela época. E para nossa total surpresa o som não estava lá essas maravilhas, contradizendo tudo o que eu já havia escutado sobre as apresentações do Rush. Sei lá por qual motivo, quando compramos o ingresso, o show seria realizado em Orlando e, depois, anunciaram que haviam mudado o local para Tampa. E era um ginásio recém construído para partidas de hóquei no gelo! Não por acaso o show foi meio frio, mesmo para um fã na décima terceira fila. A acústica não ajudava, pois o lugar era todo de vidro e concreto. Taí uma idéia para otimizarem o aproveitamento do Chevrolet Hall, em Belo Horizonte, Credicard Hall, em São Paulo, e tantos outros “halls”(e não estou falando do drops), com suas acústicas sofríveis. Para o primeiro encontro com uma das minhas bandas favoritas foi pouco.

The Omni, 11 de dezembro de 1996 – Atlanta, GA
Dia seguinte, pé na estrada para cruzarmos a Flórida em direção a Atlanta, no estado da Georgia, onde assistiríamos ao segundo show. Essa viagem de carro, escutando as classic rock radios americanas já valeram. Não tocava nada abaixo de AC/DC, com Bon Scott, na escala rock. Isso, e ainda o tapete em forma de asfalto e bons sons entre amigos a caminho de um segundo show do Rush. Do que eu poderia reclamar? Em Atlanta, já no dia do show, entramos no The Omni, que abrigou, entre outras coisas, a final do basquete nas olimpíadas daquele mesmo ano. Só descobrimos de fato qual eram os nossos assentos, já dentro do lugar, no que bateu um desânimo momentâneo. Eram cadeiras frontais à lateral do palco, ou seja, veríamos a banda tocar de lado! Mas ao contrário da experiência em Tampa, os primeiros acordes entregaram o quanto o som estaria perfeito durante toda a apresentação. O extra foi a oportunidade de acompanhar a performance de Neil Peart por um ângulo privilegiado.

Estádio do Morumbi, 22 de novembro de 2002
Com o pedido de credenciamento aceito pela assessoria do show, resolvi ir mais cedo com um amigo (um dos dois que me acompanharam na gringa) buscar a credencial. No que entramos no estádio, alguém veio com a informação de que o Rush passaria o som nos próximos minutos. Descemos rumo ao gramado (pista) do Morumbi, fomos à primeira fila de cadeiras da ala vip e ficamos lá sentados. Não é que Lee, Lifeson e Peart entraram em cena e começaram a passar o som “pra nós dois”, mais alguns integrantes do Sepultura e outros gatos pingados, no estádio? Não sei se foi sorte de fã, mas quando acabou a passagem de som, dei a volta no palco, não fui barrado por uma viva alma e, quando percebi, estava andando lado a lado com Neil Peart. Não é preciso dizer que não consegui esboçar qualquer tipo de plano ou pensamento, na tentativa de comunicação com ele, certo? Mas foi o suficiente pra ter certeza de que o mestre é mesmo de carne e osso.

Mais tarde, showtime, Morumbi lotado, uma imagem que está tatuada no meu cérebro, não tive dúvidas de que aquele seria o maior público da banda, em todos os tempos, a menos que o show do Maracanã levasse ainda mais gente. Não levou! Uma noite e tanto, é disparado minha melhor experiência ao vivo diante do power trio, seguida de perto pelo show de Atlanta, em 1996.

Maracanã, 23 de Novembro de 2002

Meu quarto show do Rush, e eu estava, finalmente, relaxado. Mas, sabendo que aquela apresentação ganharia registro em DVD, tinha tudo pra ser outra aventura e tanto. E pra sorte do Rush, levando em conta essa gravação, o show do Rio superou o de São Paulo em um quesito: o público. Sem cadeiras ou área vip, fãs muito mais ortodoxos do que eu se espremeram, pularam e cantaram todas as músicas, inclusive, a instrumental “YYZ”. O som do DVD deixa a desejar, mas as imagens contaram muito bem o que aconteceu naquele dia. Inesquecível.

Morumbi, 08 de outubro de 2010
Sabia que, se a banda não acabasse, voltaria ao Brasil, ao menos, como forma de agradecer a recepção ultra calorosa e ímpar, na ocasião da primeira visita. Desta vez, não fui como jornalista, mas fã que é fã compra ingresso e não se deixa abater. Lá estava, no mesmo Morumbi que me proporcionara um momento sui generis, com dois amigos e colegas de trabalho, na pista comum. E outro, que me acompanhou nos quatro shows anteriores também estava lá, mas na arquibancada, com o filho de oito anos – tempo que separou o primeiro show no Brasil deste retorno. E foi decepcionante ver no que se transformou essa elitização babaca do acesso aos shows, com as tais pistas vip, premium e camarotes da vida. Se elas existissem, mas não tirassem dos fãs a chance de ver seus ídolos de perto, seria algo aceitável. Mas afastar os fãs que não podem ou querem pagar preços geralmente salgados pelos ingressos, lá para o meio de campo, levando em conta a divisão que fizeram no Morumbi, é total bola fora. Certo é que mesmo estando na turma do gargarejo da pista comum, Geddy Lee, Neil Peart e Alex Lifeson ficaram distantes. Assim como o som, que prejudicado por um incansável vento, deixava as músicas ora mais baixas ora mais altas. O estádio estava com pouco mais de meia lotação, considerando a histórica platéia de oito anos antes. 38 mil pagantes, foi o que divulgaram. Indo direto ao ponto, os vídeos projetados antes, durante e após o show, já valeriam o ingresso. Eu só não teria colocado na edição as músicas que a banda tocaria em seguida, mesmo com a brincadeira e o sarro todo proposto pelas historietas de alguns dos vídeos, com os integrantes do Rush, ou melhor, a banda fictícia Rash. A primeira parte da apresentação teve seus momentos, mas nada que chegasse perto da esperadíssima parte dois, com a íntegra do incomparável “Moving Pictures” sendo tocado ao vivo e na ordem original. “The Camera Eye” nunca foi das minhas prediletas, nem do álbum, mas ao vivo realmente chapou. “Witch Hunt” também merece lugar de destaque e acabou superando “Vital Signs”, que fechou a antológica sequência. E, se depois disso, o fã pôde conferir ainda parte do “2112”, “La Villa Strangiato” e “Working Man”, é só pra ter 101% de certeza que o Rush é das melhores bandas do planeta. “Working Man”, perdeu bastante, sem o clássico riff, na introdução, substituído por uma levada reggae. Mas em compensação, num livre improviso, durante o solo, a trinca de azes comprovou o que o guitarrista Alex Lifeson vem dizendo ultimamente: “estamos tocando como nunca”. Pontos fracos do show: a sequência com “Workin’ Them Angels”, “Leave That Thing Alone”, “Faithless” e a nova “BU2B”, que tinham possibilidades múltiplas de músicas melhores para substituí-las, não que essas sejam ou que a execução das mesmas tenham sido ruins…

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Thiago Pereira e Terence Machado integram o Alto Falante, site, programa de rádio e de TV

10 thoughts on “Na máquina do tempo com o Rush

  1. Mas, há que se pontuar, mesmo aos que faziam-se a massa da pista que não premium, a sonorização pecou como nunca. Percebia-se nitidamente que a equipe ali não se preparou nem um pouco para os fenômenos sonoros (que nem são tão obscuros assim) nas paredes do Morumbi.

    Antes de montar tudo, façam suas continhas. E antes de montar tudo, façam testes. Montem tudo e testem de novo. Gastem tempo, mas, por favor, não matem o prazer de todo um público distante da parede sonora (que era pequena, muito, muito pequena). Não deixem que o áudio fique oscilando pelo estádio a ponto de ouvirmos graves e segundos depois os agudos e depois nada e depois começar tudo de novo.

    Não que peçamos um trabalho feito aquela coisa monstruosa que foi o Roger Waters ano atrás… Mas façam a lição de casa. Ou não vendam arquibancadas.

  2. os indies que me perdoem mas tem que comer muito feijão para ter uma the trees, closer to the heart e xanadu em seu repertório. rush é foda. assim como jethro tull, yes, genesis com peter gabriel, king crimson e outros mamutes estratosônicos.

  3. O Rush é uma banda que quase nunca lembro, quando vou na direção de minha discoteca ou mp3teca. O moleque, quando está descobrindo o mundo da música, principalmente entre 13 e 15 anos, é muito influenciado pelos escritos em jornais e revistas. E eu sim, também fui. Principalmente pelos jornalistas das antigas revistas SomTrês e Bizz. Confesso, acreditava piamente no que ali estava escrito. Era como se a verdade do mundo musical tivesse sua moradia e era ali, naquelas páginas.
    Talvez o meu desinteresse pelo trabalho do Rush tenha nascido ali, nos anos 80. Fui escutar Jesus and Mary Chain. Não me arrependo de ir pelo caminho do punk e descobrir várias bandas reverberarem nos meus sentidos e sentimentos. Arrependo-me de me entregar há alguns textos e descobrir ser tolo em relações a várias bandas, pelo fato do que foi escrito não ter sido experimentado. O “jornalista” não passou pela experiência, não foi ao show, não escutou o disco e mesmo assim, vomitou críticas negativas só para fazer tipo.
    A função da arte é fazer nos sentirmos vivos e com isso questionar nossas informações, nossos caminhos, nosso mundo. Como pontuou muito bem, Thiago Pereira nas críticas sobre a banda ao passar dos anos e Terence Machado sobre como é servido o alimento para os famintos pela arte nas diferentes localidades de shows de uma banda.
    O Rush é uma banda agraciada pelos músicos que têm. Músicas como Red Barchetta, Time Stand Still e The Analog Kid me faz ter lembranças boas. Geddy Lee é um baixista/ tecladista com excelência nas execuções, assim como Lifeson. Da época das revistas dos anos 80 ficou isto – continuo detestando solos de bateria, mesmo os do Neil Peart. Sei que Peart é um “puta baterista” e sabe colocar variações de bateria e viradas nos lugares certos na maioria das músicas – falo maioria, pois se dissesse em todas, era o mesmo afirmar que o presidente Lula foi absoluto em todo o governo – mas solos de bateria significam, pra mim, muito ego pra pouca constelação.

  4. Pensei que só eu tinha “sentido” essas oscilações no volume do som. Mas nem isso, nem os problemas de saúde que me detonam a coluna e dificultam minha locomoção atualmente me impediram de apreciar o show con entusiasmo de fã. Até porque, com condições adversas (som ruim, público menor que o esperado, etc), o Rush fez um showzaço!
    Simplesmente sensacional o primeiro texto. Ao autor, parabéns e obrigado!
    Terence: cada um tem as suas preferidas. Adoraria ter ouvido “The Pass” ou “Between Sun and Moon”, entre outras, mas essa sequência da qual você não gostou… bem, por mim, só elas já teriam valido o show. Mas aí é só minha preferência.

  5. Claro, Leo. Foi só uma sequência de músicas… menos importantes? Isso, na minha opinião, claro, levando em conta tantas outras só do Counterparts. Sim, Between Sun And Moon, poderia ter sido uma delas. The Pass é outra que gostaria muito de ter visto ao vivo, naquele show. E as oscilações de som foram bastante incômodas mesmo. De resto, até o “Rash” foi demais!

  6. fora o vento e outras condições adversas, na minha opinião o que salvou o show (moving pictures fora) foi a sequencia final do primeiro set: freewill, marathon e subdivisions… choradeira geek pride!

    e digo ao thiago que algo deu muito errado comigo também, pois radiohead, jeff buckley e rush estão no meu top 5 há anos!

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