Entrevista: Ruben Scaramuzzino (Dias Nórdicos)

por Leonardo Vinhas

No dia 8 de dezembro, São Paulo recebe mais uma edição do Dias Nórdicos, um festival que surgiu na Espanha em 2010 e que desde 2014 passou a ocorrer também em alguns países latino-americanos, Brasil incluso. O festival é organizado por Ruben Scaramuzzino, editor-chefe da revista digital espanhola Zona de Obras, em parceria com diversos produtores de outros países, e este ano integra a programação da SIM São Paulo.

No Brasil, os workshops e as atividades de design sustentável, inovação e cultura nórdica ficam de fora da programação. A edição brasileira, que acontecerá no Centro Cultural Rio Verde, em São Paulo, contará com três atrações musicais: Julia Clara (Ilhas de Aland), Teitur (Ilhas Faroe) e Sandra Kolstad (Noruega), além dos brasileiros Inky. A entrada é gratuita, bastando baixar e imprimir o voucher do ingresso disponível no site do evento.

Ruben Scaramuzzino respondeu, por e-mail, às perguntas do Scream & Yell sobre a versão 2016 de seu festival. A íntegra da conversa segue abaixo.

A principal ideia do festival Dias Nórdicos é a integração entre os países da península europeia e os latino-americanos. Passadas já seis edições, qual é a avaliação que você faz do festival em termos mensuráveis?
Uma das premissas do Días Nórdicos é exatamente criar uma plataforma de intercâmbio musical e cultural entre os países nórdicos e os ibero-americanos. O festival é um marco dessa plataforma. É um projeto muito ambicioso, mais ainda por ter uma estrutura pequena. Felizmente, já se veem os resultados pouco a pouco. A primeira etapa consistiu em levar criadores nórdicos à Espanha, a segunda era poder somar a América Latina como destino e agora estamos com a terceira, que será levar artistas da América Latina e da Espanha aos países nórdicos. Acredito que é uma conquista para a integração de ambas as regiões o fato de termos criado este “circuito” que antes não existia. Além disso, falando de integração, faremos neste ano um laboratório na Argentina com músicos nórdicos e latinos, em coprodução com o Centro Cultural Recoleta: durante três dias os músicos nórdicos da turnê trabalharam junto com os argentinos Axel Krygier, Diosque, Marana Paraway e Lucio Mantel. O resultado desse experimento se verá no show de encerramento da temporada do Días Nórdicos na Argentina, no dia 4 de dezembro. A ideia é poder repetir isso em outros países e poder agregar atividades que potencializem o intercâmbio.

Você acaba de dizer que em 2017 o festival também terá sua edição nos países nórdicos. Como você imagina que será a recepção a esse novo momento?
É uma grande incógnita! Notamos certo interesse por lá, mas é verdade que nunca se fez algo similar naqueles países. Nunca houve uma grande turnê com artistas latinos e que escapam da “imagem” sonora que os europeus têm da música da América Latina. Será uma grande experiência, sem duvida, e esperamos que saia bem.

Você citou o intercâmbio ibero-americano, mas apenas a Espanha participa do circuito. Por que Portugal fica de fora?
Estamos em dívida com Portugal. Desde o começo queremos fazer uma edição ali, só que o “problema” é que somos uma estrutura muito pequena e precisamos encontrar um aliado por lá que nos permita colocar isso em andamento. E esperamos consegui-lo logo. Gostaríamos muito!

Quais são os critérios para escolher os artistas participantes? É importante que eles tenham premissas artísticas mais “universais”, ou o foco está em selecionar quem represente a essência da cultura nórdica?
A seleção de artistas é feita por nós junto com nossos colaboradores nórdicos. Em geral, tratam-se de propostas universais porque a maior parte da cena de lá é bastante internacional quanto às influências sonoras. Porém, se aparece algo com identidade [local] mais marcada, incluiríamos sem dúvida. O que sempre tentamos é que sejam nomes da cena atual dos diferentes países.

A curadoria musical traz Julia Clara, Teitur e Sandra Kolstad. O que você pode contar sobre eles que vá além do material de assessoria de imprensa? Qual é a sua visão pessoal da música deles?
Acredito que é um line-up bastante variado. Obviamente gostamos dos quatro artistas, ou não os teríamos programado. Teitur é grande na Dinamarca e em outros países do norte da Europa e faz um pop delicioso e muito fino. Liima (nota: que estará em todos os países sul-americanos, exceto o Brasil) me encanta e tem como respaldo o fato de que três de seus quatro integrantes também sejam parte de Efterklang, um dos grupos mais interessantes da cena dinamarquesa. Sandra é uma diva do pop electrónico e também uma pianista clássica virtuosa. Julia é a mais emergente de todos, e faz um pop rock com muita intenção e personalidade.

Reconheço que é uma pergunta meio sacana, mas no amplo universo de bandas brasileiras, o que os fez escolher a Inky como convidado local?
Queríamos contar com uma banda local para ajudar a captar a atenção do público, que fosse uma atração a mais no elenco. Nosso parceiro no Brasil (a produtora Difusa Fronteira) trabalha com a Inky e conseguiu que eles aceitassem participar. Por ter uma estrutura modesta e pequena, é muito importante para nós a colaboração de artistas que nos dão uma mão, como a Inky nesse caso. Aliás, aproveito o espaço aqui para agradecer a eles.

– Leonardo Vinhas (@leovinhas) assina a seção Conexão Latina (aqui) no Scream & Yell.

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