Discografia comentada: Bruce Springsteen

por Marcelo Costa

A edição norte-americana da revista Rolling Stone que chegou às bancas no dia 15 de agosto de 2013 estampava Bruce Springsteen na capa, de camisa encharcada em suor e próximo ao seu público, com a seguinte manchete: “Os melhores shows ao vivo da atualidade”. Na lista de 50 shows elencados pela equipe da revista Rolling Stone, Bruce Springsteen aparece em primeiro lugar: “Bruce sempre exerceu níveis quase sobre-humanos de energia em seus shows, mas sua atual turnê, ‘Wrecking Ball’, é uma das mais emocionantes”, justifica o texto.

Corte para 1978, quando o jornalista Tony Parsons assistiu a Bruce Springsteen em Nova York: “Cru, alegre, inspirador… o dicionário de superlativos pode ser revirado. Springsteen parece bom demais para ser verdade. Você fica procurando o engodo, o defeito, o descaramento. Procura, procura e continua procurando até finalmente aceitar que não existe um senão. Ele é o cara. Este não é simplesmente o melhor show que já vi na vida, é muito mais do que isso. É como ver a sua vida inteira passar por você e, ao invés de morrer, você está dançando”.

Trinta e cinco anos separam as duas turnês, e parece que, desde sempre, Bruce Springsteen vem fazendo os melhores shows do mundo. Ano a ano. A sua entrega é absurda. A sua banda é espetacular. O seu pique, assustador, ainda mais para um senhor de 63 anos de idade (ele completa 64 em setembro) que passa mais de três horas por show no palco, correndo de um lado para o outro, cantando, tocando guitarra e seguindo geralmente um pequeno set list guia que deixa propositalmente muitos buracos que irão ser preenchidos por pedidos dos fãs.

A discografia oficial de Bruce Springsteen soma 17 álbuns de estúdio numa carreira que começou em 1973 com elogio da crítica e fracasso de vendas para, depois, somar 10 álbuns no topo da Billboard (incluindo uma coletânea, “Greatest Hits”, de 1995, e um disco quíntuplo ao vivo, “Live/1975–85”). Conheça abaixo cada um dos discos de Bruce com notas divididas pelo “Júri The Boss”, formado pelo editor do Scream & Yell, Marcelo Costa, e pelos convidados Rodrigo James e Leandro Saueia, conhecedores da obra do Chefão. Bora pegar a estrada.

Greetings from Asbury Park, NJ – 1973
A estreia oficial de Bruce Springsteen, apesar de elogiada pela crítica, passou batida pelo público. Enquanto “Greetings from Asbury Park, NJ” vendeu 25 mil cópias em 1973, “Houses of The Holy”, do Led Zeppelin, teve 11 milhões de exemplares vendidos no mesmo ano. John Hammond, que descobriu Bob Dylan, queria transformar Springsteen no novo ídolo folk, e tentou convence-lo a gravar um álbum inteiramente acústico, mas Bruce e seu então manager Mike Appel decidiram alugar um estúdio vagabundo e registrar eles mesmos as canções (o que, de certa forma, explica o som embolado do álbum) evitando a má influência da gravadora. Após apresentar o material (e Hammond salientar sua preferência) ficou decidido que “Greetings from Asbury Park, NJ” seria dividido em dois sets de cinco canções: um com a E Street Band (super-banda que acompanha Bruce até hoje) e outro voz e violão – este segundo set acabou reduzido à intensa “Mary Queen of Arkansas” (uma das grandes canções do álbum é sobre uma personagem que poderia frequentar a letra de “Walk on The Wild Side”, de Lou Reed). Sob pressão do chefão da gravadora, que não via nenhum single entre o material gravado, Bruce deixou três canções de lado e gravou duas novas, “Blinded by the Light”, com uma guitarrinha reggae até a entrada da E Street Band consolidando uma sonoridade que Bruce elevaria a perfeição em discos posteriores, e a grande e arrepiante balada soul “Spirit in the Night”. Destacam-se ainda a rebelde “Growin’ Up” e “It’s Hard to Be a Saint in the City”, as duas gravadas por David Bowie (a primeira nas sessões do álbum “Pin Ups”, de 1973, e a segunda lançada em 1975), em um repertório de boas canções, e produção desleixada.

Nota: 7
LS – 7
MC –7
RJ – 7,5

The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle – 1973
Gravado no mesmo estúdio de segunda categoria em que boa parte de “Greetings from Asbury Park, NJ” foi registrado, “The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle” mostra uma sensível evolução tanto na produção, que consegue separar melhor os instrumentos, como no entrosamento da E Street Band em estúdio, com longos improvisos e uma sonoridade soul (intensamente influenciada por Van Morrison) que soa uma sequencia de “Spirit in the Night”, uma das últimas faixas gravadas para o disco anterior. Nessa época, Bruce Springsteen já era conhecido por fazer shows bombásticos, e, embora o disco tenha sido novamente aclamado pela crítica, os elogios não se converteram em sucesso. Ainda assim, é em “The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle” que o saxofonista Clarence Clemmons e o tecladista David L. Sancious colocam as manguinhas de fora, criando uma massa sonora impactante para as belas canções do álbum – são apenas sete faixas, três delas acima dos 7 minutos, e uma com quase 10 de duração. “The E Street Shuffle” abre o álbum suingando enquanto Bruce posa de cronista das ruas nova-iorquinas observando Little Angel comandar todos os garotos da redondeza como se os hipnotizasse. “4th of July, Asbury Park (Sandy)” é uma balada épica e romântica que se transformou em um hino para os fãs ao lado da intensa “Rosalita (Come Out Tonight)”, ambas possivelmente escritas para a namorada de Springsteen na época, Diane Lozito. Bruce arrebenta no solo do blues soul “Kitty’s Back” enquanto “Wild Billy’s Circus Story” é a porção Dylan do disco. Outro clássico inconteste: “Incident on 57th Street”.

Nota: 7,5
LS – 7,5
MC –7,5
RJ – 7,5

Born To Run – 1975
Em 1973, Bruce havia lançado dois álbuns (um em janeiro, outro em setembro), e só obtivera elogios da crítica. O fracasso comercial dos dois discos fez com que Bruce decidisse dedicar um tempo maior àquele que seria seu terceiro álbum. A longa espera (14 meses – seis deles gastos apenas na lapidação da faixa título) fez com que seu produtor até então, Mike Appel, abandonasse o barco. Para o lugar, Jon Landau, jornalista da Rolling Stone, foi chamado, e levou Bruce para um estúdio melhor, o Record Plant. Se seus dois primeiros álbuns são exemplos de um artista caminhando no deserto em busca de sua musicalidade – com influências devotas e explicitas de Bob Dylan, Van Morrison e The Band –, “Born To Run” é Bruce alcançando a Terra Prometida. Sob uma base de gaita e piano, “Thunder Road” abre o álbum com o interlocutor observando sua Mary dançando uma canção de Roy Orbison, e a convida para fugir com ele: “Está é uma cidade cheia de perdedores e eu estou pulando fora daqui para vencer”, diz a letra de uma das melhores canções de abertura de um álbum na história. O single “Tenth Avenue Freeze-Out”, a explosão de “Night” e a grandiosidade dos arranjos de “Backstreets” e “She’s the One” são exemplos práticos do avanço de Bruce em relação aos álbuns anteriores (principalmente na produção), mas é com “Born To Run”, a poderosa faixa título (ainda produzida por Mike Appel no mesmo estúdio tosco dos dois primeiros álbuns), que ele alcança seu melhor resultado como cronista de uma juventude perdida em meio ao sonho americano. Ouro puro. Outro clássico inconteste: “Jungleland”.

Nota: 10
LS – 10
MC –10
RJ – 10

Darkness On The Edge Of Town – 1978
Após o sucesso de “Born To Run”, Bruce estava pronto para entrar em estúdio em 1976 e gravar o novo álbum, mas desentendimentos com Mike Appel o fizeram afastar o empresário e efetivar Jon Landau. Não satisfeito, o ex-empresário, que detinha os direitos das canções de Bruce até então, entrou com um mandado judicial o proibindo de trabalhar com Landau e, inclusive, de entrar em estúdio. Bruce respondeu juridicamente alegando fraude, abuso de confiança e influência indevida de Mike Appel. O processo se arrastou por três anos em que Bruce frequentou mais tribunais que palcos. Esse período desgastante fez Bruce amadurecer na marra, e “Darkness on the Edge of Town” é o retrato desta fase. Bruce compôs mais de 70 canções no período de abstinência, e gravou 52 nas sessões de “Darkness on the Edge of Town”, selecionando 10 para o álbum (outras 22 foram lançadas em 2010 no duplo “The Promisse”). “Darkness é sobre pessoas se recusando a abrir mão de sua humanidade”, explicou Bruce ao jornalista Tony Parsons. Denso, melancólico e menos comercial (as palavras “Trevas” e “Escuridão” aparecem em seis das 10 faixas) que “Born To Run”, “Darkness” abre com o hino “Badlands”, e Bruce joga as cartas na mesa: “Estou com minha cabeça explodindo, Esmagando minhas tripas, cara / Estou preso num fogo cruzado que não entendo / Mas tem uma coisa que tenho certeza, garota / Eu não tô nem aí para os que ficam em cima do muro”. “Promise Land” (irmã de “Badlands”) é outra com Bruce olhando nos olhos do inimigo e dizendo que irá seguir em frente. Na balada melancólica “Something in the Night”, ele reflete que é melhor seguir como nasceu, sem nada, pois “assim que você consegue alguma coisa, alguém aparece para tentar tirar de você” enquanto na bela “Racing in the Street”, o interlocutor pede para sua garota esquecer os sonhos partidos ao menos por uma noite. “Factory” foca nos homens cansados (e “com morte nos olhos”) após um dia de trabalho e em “Streets of Fire” ele conta que só tem conversado com pessoas estranhas. Uma das canções mais emblemáticas do álbum, “Prove It All Night” abre com Bruce dizendo que está trabalhando duro e fazendo o possível para continuar com as mãos limpas. O Bruce que o mundo viria a admirar nasce em “Darkness on the Edge of Town”. Dolorido e obrigatório.

Nota: 9,5
LS – 9
MC –10
RJ – 10

The River – 1980
As cicatrizes ganhas durante o período conturbado de “Darkness on the Edge of Town” mudariam Bruce para sempre. O olhar adolescente da primeira fase daria lugar a uma consciência social que exibe suas garras em “The River”, e se expandirá em discos seguintes (como “Born In The USA”, “The Rising” e “Wrecking Ball”). A ideia inicial era lançar um disco simples, que tinha o nome provisório de “The Ties That Bind” e contava com algumas das (dezenas de) canções que ficaram de fora do álbum anterior. Porém, conforme Bruce foi trabalhando em estúdio e os Estados Unidos entravam em uma séria recessão (que abalou o mercado de construção, colocando centenas de milhares de trabalhadores na rua), o álbum tomava um novo rumo. O cerne do álbum duplo (com 20 músicas) que chegou às lojas em outubro de 1980 é a faixa título, que conta a trajetória (tão comum) de um rapaz (desempregado) que engravidou a namorada Mary e teve que se casar aos 19 anos. “The River”, o disco, combina o lado explosivo de “Born To Run” com a veia reflexiva de “Darkness”. O chefão critica as pessoas que escolhem viver na solidão (“The Ties That Bind”, “Two Hearts” e “Out in the Street”), emociona ao narrar a partida de um filho da casa do pai que nunca o entendeu (“Independece Day”), filosofa sobre sonho e realidade (na dolorida e belíssima “Point Black”) e se choca ao presenciar um acidente na estrada (“Wreck on the Highway”). Certa noite encontrou Joey Ramone, que o pediu uma canção para sua banda. Ele então compôs “Hungry Heart” na madrugada, mas seguindo orientação de seu produtor, decidiu guardar a canção (ele já havia “dado” “Because The Night” para Patti Smith, “Fire” para o Pointer Sisters, e “Blinded by the Light”, para o Manfred Mann’s Earth Band – as três entraram no Top 20 da Billboard, posição que Bruce ainda não tinha alcançado sozinho). Em outubro de 1980, “Hungry Heart” chegou ao número 5 do ranking da Billboard, tornando-se o primeiro grande sucesso de Bruce, e até hoje um dos grandes momentos de shows do cantor. “The River” foi o primeiro álbum de Bruce a aparecer no topo da Billboard (outros 9 vão repetir o feito daqui em diante).

Nota: 8,5
LS – 8
MC – 9
RJ – 8,5

Nebraska – 1982
Após a recessão do governo Jimmy Carter, os Estados Unidos viviam um momento de expectativa com Ronald Reagan e seu ousado plano econômico. O país que Bruce via em suas andanças de turnê, no entanto, era bem diferente, e “Nebraska” é um retrato perfeito do período. Bruce gravou o álbum todo sozinho em um pequeno estúdio portátil de quatro canais (que se transformaria em objeto de culto para a cena lo-fi posteriormente), tocando guitarra, violão, gaita, bandolim, pandeiro e órgão. As (até então) demos foram levadas para a banda em estúdio, que preparou os arranjos e gravou as novas canções. Porém, comparando as versões acústicas com as elétricas, Bruce optou por lançar a versão lo-fi que ele havia gravado em sua própria casa. A opção valoriza um grupo de letras cujos personagens, criminosos e pessoas desesperadas, compõe um retrato brutal dos Estados Unidos. Na faixa título, que abre o álbum, Bruce relembra a história real do casal Charles Starkweather (17 anos) e Caril Ann Fugate (14), responsável por 11 assassinatos entre 1957 e 1958: “Eu e ela saímos para um passeio / e 10 pessoas inocentes morreram”, diz a letra. Em “Atlantic City”, um casal planeja fugir de mafiosos. Em “Johnny 99”, um trabalhador é despedido, toma um porre e acaba matando um homem. A condenação do júri: 99 anos de prisão. “State Trooper”, por sua vez, é sobre suicídio. Não espere alegria. Não há. Apesar de não repetir o êxito comercial dos discos anteriores, “Nebraska” tornou-se objeto de culto tanto de fãs quanto de músicos – Johnny Cash gravou duas canções do álbum no ano seguinte, e um tributo ao disco foi lançado pela SubPop em 2000 reunindo Aimee Mann, Los Lobos, Ben Harper, Son Volt e outros.

Nota: 9
LS – 7,5
MC – 10
RJ – 9,5

Born in the USA – 1984
Álbum que apresentou Springsteen ao mundo (pouco antes de “We Are the World”), “Born In The USA” já estava praticamente gravado desde 1982, mas só chegou às lojas em 1984. Se “Nebraska” era marcado por uma visão aterradora dos Estados Unidos, “Born in the USA” exala otimismo (encharcado de cinismo) em relação ao país de Reagan. A influência do tecnopop vigente na época contribuiu na sonoridade pop rock do disco sem prejudicar a pegada encorpada da E Street Band, e 15 milhões de norte-americanos foram às lojas atrás do álbum. O cinismo afiado da faixa-título, que questiona o tratamento do governo para com os veteranos do Vietnã, passou batido por muitos, que, focados no refrão, tomaram a canção como um elogio à vida norte-americana (enquanto a letra, crava: “Sob a sombra da penitenciaria / Ou perto das chamas de gás da refinaria / Estou há 10 anos sem rumo / Nada para fazer, nenhum lugar para ir: Nasci nos Estados Unidos”, provoca Bruce). Estes também não entenderam “Glory Days”, com sua batida rancheira e letra que elogia o passado em confrontação ao presente infeliz. A poderosa “Downbound Train” narra o fim de um romance após a perda do emprego enquanto “No Surrender” dá o recado: “Aprendemos mais com uma canção de três minutos do que jamais aprenderemos na escola”. Recordista até hoje na carreira de Bruce, “Born In The USA” cravou nada menos que sete singles no Top 10 da Billboard, sendo que “Dancing in the Dark”, com Courteney Cox sendo puxada para o palco no clipe, foi a que chegou mais longe, alcançando o número 2. A capa, icônica, é uma foto de Annie Leibovitz. Clássico.

Nota: 9
LS – 8,5
MC – 9
RJ – 9

Tunnel of Love – 1987
Após a festa do sucesso de “Born In The USA” veio a ressaca com “Tunnel of Love”. No quesito musical, a E Street Band é desfeita (eles só irão se reunir para gravar um disco no século seguinte) e Bruce assume o controle do álbum usando bateria eletrônica e sintetizadores (com um ou outro membro da banda trabalhando separadamente em algumas das faixas). No quesito pessoal, o casamento de Bruce com a atriz Julianne Phillips, oficializado em maio de 1985, estava indo pro buraco pouco menos de dois anos depois, e “Tunnel of Love” é praticamente um acerto de contas com o matrimônio, uma tentativa de salvar um casamento com um disco. Logo na faixa de abertura, “Ain’t Got You”, Bruce diz que tem toda sorte de dinheiro e ouro, títulos bancários, caviar, mas não o amor de sua garota. Em “Tougher Than the Rest”, o interlocutor promete: “Talvez seus outros namorados / não tenham passado no teste / se você estiver preparada para o amor / serei mais forte que eles”. A faixa título explica, com simplicidade tocante, o amor: “Deveria ser fácil, deveria ser simples / Homem encontra uma mulher e eles se apaixonam / Mas a casa é assombrada e o passeio fica difícil”. A grande canção do álbum é “Brilliant Disguise”, balada acelerada de partir o coração: “Agora você interpreta a mulher apaixonada / E eu, o homem fiel / Nós ficamos de pé no altar / A cigana jurou que nosso futuro estava ok / Mas então vêm os pequenos momentos / Bem, talvez a cigana tenha mentido”. Poucos meses depois do álbum lançado (número 1 nos EUA), Julianne Phillips pediu o divórcio. Vão se os anéis, ficam as canções de um disco confessional e bonito.

Nota: 7
LS – 7
MC – 7
RJ – 7,5

Human Touch / Lucky Town – 1992
Cinco anos após “Tunnel of Love” e seis meses após o Guns n’ Roses lançar dois álbuns ao mesmo tempo (“Use Your Illusion I” e “Use Your Illusion II”), Bruce Springsteen retorna ao cenário pop também com dois álbuns simultâneos lançados no mesmo dia e com a arte da capa parecida. Ele havia se mudado para Los Angeles e usou músicos de estúdio nas gravações dos dois álbuns. “Human Touch”, o primeiro, traz três melodias do pianista Roy Bittan, que Bruce gostou e decidiu colocar letra, uma recriação de uma canção de Sonny Boy Williamson (“Cross My Heart”) e um número tradicional (“Boy Pony”). O Chefão soa confiante e as canções são alegres, pra cima. A temática das letras resvala em temas caros ao compositor (trabalho, carros, felicidade), mas o resultado é um belo grupo de canções que não faz frente ao repertório pré “Born in the USA”. Após uma pausa nas gravações de “Human Touch”, Bruce retornou ao estúdio em 1991 para gravar mais uma canção para o álbum, “Living Proof”, e acabou gravando 10. Nascia o irmão gêmeo, “Lucky Town”, um disco mais despojado e direto. Em “Better Days” ele diz que está voltando pra casa enquanto a pungente “Book of Dreams” traz o noivo admirando a noiva no dia do casamento. A sensação, como em boa parte dos álbuns duplos, é que o repertório teria muito mais força se Bruce tivesse se concentrado em metade das 24 canções, mas o real valor da dobradinha “Human Touch” / “Lucky Town” é manter o compositor na ativa.

Nota: 6
LS – 5,5
MC – 6
RJ – 6

The Ghost of Tom Joad – 1995
Como seria “Nebraska” se fosse gravado em um estúdio de verdade? “The Ghost of Tom Joad” é a resposta. Se por um lado, a segunda incursão de Bruce Springsteen pelo folk tradicional quebrou uma sequencia de oito discos Top 5 da Billboard (alcançou “apenas” a 11ª posição em vendas), por outro marca a retomada de qualidade após três discos medianos (para o padrão Bruce). Tom Joad é o protagonista do livro (adaptado para o cinema) “As Vinhas da Ira”, de John Steinbeck, e, assim como em “Nebraska”, os temas são sombrios focando personagens desesperados tentando sobreviver na América. Não é nada fácil. Na faixa título, que abre o álbum, a letra avisa que “famílias dormem nos seus carros / sem casa, sem trabalho, sem paz, sem descanso”. Tanto “Youngstown” quanto “Galveston Bay” revisitam a temática do abandono dos veteranos de guerra na canção “Born in the USA”, mas de forma séria (“Enviamos nossos filhos para a Coréia e o Vietnã / E agora nós nos perguntamos pelo que eles estão morrendo”, diz a letra da primeira) enquanto “Across the Border” e “Sinaloa Cowboys” foca nos mexicanos que tentam atravessar a fronteira em busca de uma vida melhor nos Estados Unidos (“Eu construirei uma casa para você / No topo de uma colina coberta de grama / Em algum lugar do outro lado da fronteira”, diz a sonhadora “Across the Border”). “The New Timer” guarda parentesco com a canção “Nebraska” enquanto “My Best Was Never Good Enough”, a faixa de encerramento, caçoa de ditados populares (e de “Forrest Gump”) num disco que merece ser redescoberto.

Nota: 7
LS – 6
MC – 8
RJ – 7

The Rising – 2002
Semanas após o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001, Bruce Springsteen (que havia completado 50 anos em 1999) já tinha composto 11 das 13 canções de “The Rising”, álbum que quebrava um silêncio de sete anos sem material original e reunia a E Street Band 18 anos depois dos dias gloriosos em que Bruce dançava no escuro nos anos 80. Não à toa, “The Rising” é um irmão distante de “Born In The USA”. Nas letras, o assunto são os atentados, e Bruce passa longe do populismo sem sentido e do patriotismo pomposo ao contar histórias simples de pessoas simples. “Lonesome Day” abre o disco contando a história de um bombeiro em um dia solitário. “Into The Fire” tem levada folk, voz rasgada e letra comovente: “Que sua força nos de força / Que a sua fé nos de fé / Que a sua esperança nos de esperança / Que seu amor nos de amor”. Já a tocante “Waitin’On A Sunny Day”, maior hit de Bruce nos últimos 20 anos, clona “Glory Days”, provavelmente intencionalmente. Se a segunda debochava da época Reagan relembrando outros dias gloriosos, “Waitin’On A Sunny Day” sugere a inocência de quem apenas espera por um dia ensolarado. “The Nothing Man” (de clima semelhante a “Secret Garden”) visualiza uma cidade inalterada após o atentado e arrepia no refrão enquanto “Countin’ On A Miracle” traz guitarras mais pesadas destacando a produção cuidadosa de Brendan O’Brien (Pearl Jam, Stone Temple Pilots, Korn) que parece ter sido escolhido visando atualizar o som “Bruce” para a molecada. Foge do clima Springsteen básico a estranha “Worlds Apart”, com longa introdução world music até se definir num rockão de estádio. Para fechar o álbum, uma grande canção: “My City of Ruins”. “The Rising” colocou Bruce novamente no topo da Billboard e selou seu retorno ao cenário pop.

Nota: 9
LS – 9,5
MC – 9
RJ – 8

Devils & Dust – 2005
Décimo terceiro álbum da carreira de Bruce, e terceiro de pegada acústica, “Devils & Dust” é praticamente uma limpeza no baú do compositor. A maioria das canções foi composta em quartos de hotel em 1997, ao final da turnê de “The Ghost Of Tom Joad”. A mais antiga, “All The Way Home”, data de 1991. Já a faixa-título foi escrita em 2003, após o início da guerra do Iraque, e traz o ponto de vista de um jovem soldado buscando um sentido para tudo aquilo: “Estou com o dedo no gatilho / mas não sei em quem confiar”. “Reno” narra o episódio em que um rapaz se encontra com uma prostituta – e as referências sexuais fizeram o disco ganhar uma tarja de conteúdo para adultos, mais comum em álbuns de rap. “Silver Palomino” e “Long Time Comin’” são bonitas odes à juventude (e a segunda à esperança também). A sonoridade não chega a ser esquálida como as de “Nebraska” e “The Ghost Of Tom Joad”. O folk está lá, com melodias simples, o violão, uma gaitinha esperta e o piano habitual. A influência de seus velhos gurus, Woody Guthrie, Hank Williams e Dylan, também – o último vem a mente na balada “Jesus Was An Only Son”, que remete a “If You See Her, Say Hello”. Springsteen, porém, fortalece o som com órgãos, cordas discretas em segundo plano e até com uma cítara (em “Reno”). Arrisca um namoro tímido com seu lado rocker em “All The Way Home” e “Long Time Comin’”, flerte que dissipa um pouco a aridez do álbum, mas não é um voo elétrico tão alto quanto os dos discos com a E Street.

Nota: 7
LS – 6,5
MC – 7,5
RJ – 7

We Shall Overcome The Seeger Sessions – 2006
Primeiro álbum da carreira de Springsteen inteiramente composto por versões, “We Shall Overcome The Seeger Sessions” começou a nascer em 1997, quando o Chefão foi convidado para participar de um álbum tributo a Pete Seeger, um dos maiores nomes da canção de protesto nos Estados Unidos. Ao pesquisar o repertório de Seeger, Bruce ficou encantado e começou a divertir-se tocando em casa as velhas canções de protesto do mestre. Em 2006, por intermédio de Soozie Tyrell, violonista da E Street Band, Bruce começou a ensaiar um set list de canções de Pete Seeger com um grupo desconhecido de músicos, e o resultado se mostrou tão positivo que Bruce decidiu registrar como um álbum. O clima das sessões de Pete Seeger remete a uma jam ao vivo em estúdio, e mais parece uma reunião de amigos que se junta para cantar umas canções tradicionais em uma autentica festa country/folk (politizada). “Old Dan Tucker”, canção tradicional registrada em 1843, abre o álbum com a voz forte de Bruce sobre uma base deliciosa de banjo. A arrepiante “O Mary Don’t You Weep” é um spiritual datado de 1915, e que muitos críticos definem como uma canção de esperança e resistência escrava. Uma segunda edição do álbum acrescentava cinco novas canções às 13 editadas anteriormente, destacando a empolgante valsa irlandesa “American Land”. Faça uma festa em casa e deixe esse disco tocando. Diversão garantida.

Nota: 8
LS – 7,5
MC – 8,5
RJ – 7,5

Magic – 2007
Brendan O’Brien volta a assinar a produção em um álbum que soa como uma continuação melódica de “The Rising” (que, por sua vez, era quase um “Born In The USA” 2), sem soar diretamente tão político quanto seus álbuns gêmeos (embora soe mais sombrio). “Radio Nowhere” abre o disco de forma acelerada e empolgante. O som das guitarras é sujo, mas cristalino, e serve para dar corpo a uma canção que clama por outras do mesmo quilate: “Eu quero mil guitarras / Eu quero baterias martelando / Eu quero um milhão de vozes diferentes“. Mais duas canções seguem por este mesmo caminho: “You’ll Be Comin’ Down” (com piano a frente das guitarras que fazem um riff circular por trás) e “Last to Die”, com cordas na introdução abrindo caminho para uma porrada musical que tem a guerra como tema (“Quem será o último a morrer por um erro”, diz a letra). A romântica “I’ll Work for Your Love” traz boas guitarras, vocação pop rock de estádio, mas fica no grupo das canções menores do álbum. “Livin In The Future” se sai melhor: é dançante e destaca o reconhecível sax de Clarence Clemons. “Girls in Their Summer Clothes” é uma balada ensolarada enquanto “Gypsy Biker” começa com violão e gaita para virar um rockão portentoso lá pelo meio. “Long Walk Home” segue a linha de “Gypsy Biker” (com percussão no lugar da gaita) e também inspira. As duas canções falam sobre voltar pra casa depois da guerra. Para o final, o único folk “folk mesmo” de todo o repertório, “Terrys Song”, dedicada ao amigo Terry Magovern, morto naquele ano, e que versa sobre maravilhas do mundo (as Pirâmides do Egito, a Capela Sistina, a Mona Lisa, o amigo falecido) e conclui que o amor é maior do que a morte. “Magic” (outro álbum nº 1) soa como um álbum em que Bruce tenta esconder a melancolia sobre uma produção encorpada, e é um bom disco, ainda que menos impactante que os demais dos anos 00.

Nota: 7
LS – 7
MC – 7
RJ – 6,5

Working On a Dream – 2009
Mais esperançoso e menos sombrio que o disco anterior, “Working On a Dream” traz outra vez Brendan O’Brien na produção, e é a prova que o chefão chegou num ponto da carreira em que – assim como Elvis Costello e Neil Young – tudo que toca vira ouro. Porém, este décimo-sexto disco é o menor em tempos de álbuns ótimos como “The Rising” (2002), “Devils & Dust” (2005) e “The Seeger Sessions” (2006). Não é que “Working On a Dream” seja um disco ruim: o nível que é alto. “Outlaw Pete” (que poderia ter metade do tempo) abre o álbum de forma épica enquanto “What Love Can Do” é, provocava Bruce, “o amor nos tempos de George W. Bush”: “Querida, eu não posso parar a chuva / Ou transformar esse céu escuro em azul / Bem, deixe-me mostrar-lhe o que o amor pode fazer”. A alegre “This Life”, a esperançosa faixa título e “The Wrestler”, tema do filme “O Lutador” (2008), de Darren Aronofsky, valem seu sorriso, mas no computo geral, “Working On a Dream” sinaliza cansaço – ou mesmo falta de assunto. Se esse era o problema, uma crise financeira mundial (e que abalou severamente os Estados Unidos) colocaria a carreira de Bruce nos eixos novamente.

Nota: 7
LS – 7
MC – 6,5
RJ – 8

Wrecking Ball – 2012
Bruce inspira-se nos eventos da crise financeira para lançar seu melhor disco desde “The Rising”. “We Take Care of Our Own”, o primeiro single, é uma “Born In The USA” acelerada em que o cantor acusa o governo de não ajudar as pessoas (uma crítica feroz ao “american way of life”, que proclamou o capitalismo com uma religião que não perdoa os fracos). Bruce toca guitarra, banjo, piano, teclado, percussão e bateria eletrônica enquanto uma seção de cordas (de oito violinos, três violas e dois violoncelos) faz a melodia grudar na memória (e ecoar em estádios). Um coral soul surge em “Easy Money” para levar aos céus o personagem, que, como um pirata pronto para saquear, “está indo para a cidade em busca de dinheiro fácil”. Em “Shackled and Drawn” (da frase “Liberdade é uma camisa suja”), Bruce se entrega ao soul (que ecoa em todo o álbum) e cita “Street Fight Man”, clássico dos Stones. A melancólica “Jack of All Trades” traz Tom Morello na guitarra solo, uma seção de sopros extremamente lírica e uma letra que diz que os banqueiros fazem o que sempre fizeram (engordar), e ameaça: “Se eu tivesse uma arma, eu iria atrás dos bastardo”. Na emblemática marcha celta “Death to My Hometown”, ele diz: “Nenhuma bomba caiu do céu. Foram os ladrões gananciosos que trouxeram a morte para a minha cidade natal”. A baladaça “This Depression” traz novamente Tom Morello, agora na guitarra climática, enquanto a faixa título e “Land of Hope and Dreams” trazem o velho parceiro Clarence Clemons (morto em 2011) no sax. “You’ve Got It” e “Rocky Ground” surpreendem pela simplicidade do arranjo (a primeira ainda destaca uma letra bonita), e ratificam a aura soul que permeia todas as canções do álbum (e se estendem de forma surpreendente nos shows da turnê). A sensação é de que Bruce não desperdiça um segundo de sulco em “Wrecking Ball”, um álbum crítico que retrata o lado podre das pessoas em arranjos suntuosos.

Nota: 8,5
LS – 7,5
MC – 9
RJ – 8,5

“High Hopes” (2014)
Num um primeiro momento, a opção de Bruce em vasculhar o baú e regravar uma série de canções abandonadas de seu repertório soou um desperdício após o acerto de “The Rising”, mas por mais que não tenha a unidade de um álbum e soe uma coletânea de raridades, “High Hopes”, 11º do chefão a pousar na primeira posição da Billboard, é grandioso, e merece a mesma atenção dada a qualquer outro grande disco de Bruce. A faixa título, escrita em 1987 por Tim Scott McConnell, já havia sido lançada no EP “Blood Brothers”, de 1995, mas a nova versão a coloca no bolso com metaleira, violão e guitarra (de Tom Morello, que participa de outras seis faixas do disco) muito mais vibrantes. A ótima “Harry’s Place” ficou de fora de “The Rising” (2001, felizmente, pois não combinava com o álbum) enquanto a história intensa de “American Skin (41 Shots)” (2001 – já foi contada aqui) ganhou mais força com a nova versão. “Just Like Fire Would” foi lançada em 1987 pelo grupo australiano The Saints, e Bruce espertamente manteve o clima oitentista (que, no seu caso, remete ao álbum “Born in The USA”) num dos melhores registros do disco. Das “canções perdidas”, a empolgante “Frankie Fell in Love”, sobra de “Magic” (2007), em que Shakespeare diz a Einsten que a felicidade começa com um beijo, se destaca, mas quem ultrapassar a introdução orquestral exagerada de “Hunter of Invisible Game” encontrará uma grande canção. Já no quesito covers, a versão de “Dream Baby Dream”, do Suicide, que já encerrou vários shows de Bruce, é a típica canção que pode salvar um dia, uma vida, encerrando um grande álbum.

Nota: 8
LS – 8
MC – 8
RJ – 7,5

Álbuns ao vivo
Se estamos falando de Bruce, estamos falando de apresentações ao vivo incendiárias de mais de três horas de duração. Oficialmente, cinco álbuns ao vivo foram lançados até hoje (no quesito bootlegs, a lista é interminável). O primeiro deles é o box quíntuplo em vinil (em CD, triplo) “Live/1975–85”, lançado em 1986 com 40 canções retiradas de diversos shows. “Live/1975–85” estreou em primeiro lugar na Billboard no dia de seu lançamento – os fãs compravam o box na porta do caminhão de entrega, antes mesmo do volume ser descarregado para a loja. É até hoje o segundo disco ao vivo mais vendido na história do mercado norte-americano (o primeiro é “Double Live”, de Garth Brooks) e traz, pela primeira vez, canções de Bruce famosas nas vozes de outros artistas – como “Because The Night” e “Fire”.

Em 1993 saiu “In Concert/MTV Plugged”, que deveria ser um álbum acústico para a MTv, mas não contente com os ensaios, Bruce optou por um registro elétrico da turnê “Human Touch” / “Lucky Town” (o repertório apresenta oito canções da dobradinha de discos, mas também traz clássicos como “Thunder Road”, “Atlantic City” e “Darkness on the Edge of Town” além da inédita “Red-Headed Woman”). “Live In New York City” é a trilha sonora de um documentário feito para a HBO em 2001, e que registra 20 canções da turnê de reunião de Bruce com a E Street Band em 1999/2000 (inclusa tardiamente, “Born to Run” não está listada na capa do CD, mas aparece no álbum).

“Hammersmith Odeon London ’75” engordou a reedição comemorativa do álbum “Born To Run” em 2005, mas em versão DVD. O registro duplo em CD ganhou as lojas em 2006 destacando 16 canções de um show de Bruce Springsteen em Londres em 1975. O CD duplo “Live in Dublin”, lançado em 2007, registra um show do projeto The Sessions Band na capital da Irlanda, em novembro de 2006 cujo repertório de 23 canções focava no álbum “We Shall Overcome The Seeger Sessions” (abrindo espaço para canções de Bruce como “Blinded By the Light”, “Atlantic City” e “Growin’ Up”). Apesar de ter sido lançado apenas em DVD duplo, “London Calling: Live in Hyde Park 2010” é um dos melhores registros de Bruce Springsteen ao lado da E Street Band.

Raridades
“Tracks”, box quádruplo lançado em 1998 (e recém-relançado em 2013) compila 66 registros raros da carreira de Bruce Springsteen, e é um dos quindins dos fãs mais ardorosos. Logo na abertura do primeiro CD são encontradas as quatro canções que Bruce Springsteen tocou para John Hammond quando foi fazer seu primeiro teste na gravadora em maio de 1972: “Mary Queen of Arkansas”, “It’s Hard to Be a Saint in the City”, “Growin’ Up”, “Does This Bus Stop At 82nd Street?”, todas cruas, voz e violão. O box ainda traz b-sides e outtakes das sessões de “The Wild, the Innocent & the E Street Shuffle” até “The Ghost of Tom Joad”, incluindo uma versão demo de “Born in the USA” e uma ao vivo de “Bishop Danced” no Max Kansas City, 1973.

A coletânea “The Promisse: The Lost Sessions” foi lançada em 2010 (tanto separada em versão dupla como no box acima), mas fãs já conheciam boa parte das 22 preciosidades compiladas neste CD duplo (e outras que não entraram) desde o começo dos anos 80 em versões bootleg, o que de forma alguma diminui o valor do lançamento das sobras das sessões de “Darkness on The Edge of Town”. “The Promise” resgata do limbo números sensacionais como a romântica “Someday (We’ll Be Together)”, a contagiante “Ain’t Good Enough For You”, o rockão de arena “Wrong Side Of The Street”, o bluesão “It’s A Shame” e a baladaça “Because The Night”, parceria certeira com Patti Smith, aqui com a letra versão Bruce, e mais 16 canções que só ganharam em beleza no fundo do baú.

Coletâneas
Oficialmente são cinco coletâneas lançadas até hoje, e dentro elas duas se destacam: a primeira é “Greatest Hits”, que além de 13 grandes sucessos do repertório de Bruce, acrescenta cinco faixas extras, três delas gravadas especialmente para a coletânea e só presentes aqui: “Secret Garden”, “Blood Brothers” e “This Hard Land”. Já a edição especial tripla “The Essential Bruce Springsteen”, lançada em 2003, foca no filé de cada álbum de Bruce entre “Greetings from Asbury Park, NJ” e “The Rising”, resumido em 30 canções, e é uma ótima apresentação do repertório do Chefão para neófitos. Para os fãs de velha data, um terceiro CD com 12 raridades faz de “The Essential Bruce Springsteen” uma pepita de ouro ao reunir canções de trilhas sonoras e uma versão para “Viva Las Vegas”, do repertório de Elvis Presley, para um tributo da New Musical Express.

– Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne
– Agradecimentos a Rodrigo James (@rodrigojames), que integra a Banda Alto Falante e viu Bruce Springsteen em Madri, no ano passado (relato aqui), um show de 3h48. E também a Leandro Saueia () pela colaboração nas notas.

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– “Wrecking Ball”, retrato do lado podre das pessoas em arranjos suntuosos (aqui)
– A passagem da turnê “Wrecking Ball” em Trieste, na Itália, por Marcelo Costa (aqui)
– Bruce Springsteen: bom humor e inteligência, por Marcelo Costa (aqui)
– “Working on a Dream”, Bruce: não é um disco ruim, o nível é que é alto (aqui)
– “Magic” fica abaixo de outros álbuns roqueiros de Bruce Springsteen (aqui)
– Fé em Bruce Springsteen, por Carlos Eduardo Lima (aqui)
– “The Promise” resgata do limbo canções sensacionais, por Marcelo Costa (aqui)
– Três horas de Bruce Springsteen ao vivo em Roma, por Marcelo Costa (aqui)
– Bruce Springsteen é um habitante do planeta assim como você e eu, por CEL (aqui)
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– Como Steinbeck, Springsteen concentra sua mira no coração dos Estados Unidos (aqui)
– “We Shall Overcome” é um disco de folk demasiado certinho, por Jorge Mourinha (aqui)

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– Discografia comentada: Morrissey, por Marcelo Costa (aqui)
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– Discografia comentada: Paul McCartney, por Wilson Farina (aqui)
– Discografia comentada: Elvis Costello, por Marco Antonio Bart (aqui)
– Discografia comentada: Echo and The Bunnymen, por Marcelo Costa (aqui)
– Discografia comentada: The Cure, por Samuel Martins (aqui)
– Discografia comentada: Leonard Cohen, por Julio Costello (aqui)
– Discografia comentada: Midnight Oil, por Leonardo Vinhas (aqui)
– Discografia comentada: Nick Cave, por Leonardo Vinhas (aqui)
– Discografia comentada: The Clash, por Marcelo Costa (aqui)

18 thoughts on “Discografia comentada: Bruce Springsteen

  1. Não tem como não gostar de Springsteen. E esta discografia comentada veio muito a calhar, quando estou voltando a ouvir tudo que ele fez., Muito obrigado! 😀

  2. Também no aquecimento. Eu só tinha o The Rising e aquele box com cinco vinis ao vivo ( 1975-1985). Hoje peguei três ( Wrecking Ball, Working on a Dream e Born in the USA)

  3. No geral, faz um bom apanhado e análise da sua profícua carreira. Teria algumas ressalvas para uns poucos álbuns como o “The River” e o “Born in the USA”, um tanto rigorosos na avaliação dos mesmos.

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