Disco do Ano: Mariana Tramontina


Discos do Ano #03
“…Like Clockwork”: Denso, pesado e quente
por Mariana Tramontina

Artista – Queens of the Stone Age
Álbum – “…Like Clockwork”
Lançamento – 03/06/2013
Selo – Matador Records

Dias atrás cheguei a um texto que me chamou a atenção pelo título: “Josh Homme e cia estão fazendo certo”. Estava assinado por uma mulher – e sempre me interesso por mulheres escrevendo sobre rock and roll, porque há muitos homens fazendo isso bem, mas a variedade feminina com esse papel ainda é escassa. Sorri com o título: a autora não está dizendo que apenas Josh Homme está certo. Ela não está apenas sendo seduzida por um símbolo sexual. Ela está dizendo que toda a banda e seus parceiros estão fazendo certo. A gente concorda nisso.

Imediatamente coloquei “…Like Clockwork” para tocar. Já havia perdido a conta de quantas vezes ouvi esse disco no último mês. Fiquei pensando em tudo o que o Queens of the Stone Age está fazendo certo – e dizer “a banda”, neste caso, inclui a colaboração do guitarrista/tecladista Dean Fertita e do baixista Michael Shumman no estúdio, pela primeira vez, e de nomes interessantes ao redor como Dave Grohl, Mark Lanegan, Elton John, Trent Reznor e Alex Turner.

Mais do que qualquer outro álbum do QOTSA, achei “…Like Clockwork” um disco de rock de adulto, sem rebeldia gratuita. É pesado e denso, tanto pela temática quanto pelo instrumental arrastado, mas não tem ruídos desconexos ou contrates rascantes (talvez “Smooth Sailing” seja a faixa com maior traço de psicodelia). Não que seja um problema, mas aqui as músicas se encaixam e formam um álbum redondinho que soa cool, elegante. E, mais do que nunca, quente. Altamente sexual, porque tem tensão e distensão na mesma proporção. Há um clima de cabaré envolvendo o universo de “…Like Clockwork” que faz com que Josh Homme cante ainda mais provocativo.

Por outro lado, há toda aquela história sofrida por trás, envolvendo a tal experiência de quase-morte de Josh Homme e as complicações depois da cirurgia no joelho. De fato, questões íntimas de solidão e medo estão implícitas (às vezes explícitas) no contexto do álbum. E “Kalopsia” talvez seja a faixa que mais identifique essa fase, com efeitos que simulam uma respiração difícil e um batimento cardíaco – e que também abrem margem para uma interpretação erótica.

Porque o que a autora daquele texto diz é que o Queens of the Stone Age é a única banda de rock que entende o sexo. Eu não diria que é a única, mas, bem, a autora é uma stripper. E eu acho que o grupo tem as melhores armas nas mãos (e não estou falando só do sex appeal de Josh Homme). Por isso “…Like Clockwork” não parece um álbum feito só para os barbudos. As mulheres também são bem recebidas. Não por questões feministas, mas pelo bom trato que um bom disco de rock é capaz de nos proporcionar.

– Mariana Tramontina (@maritramontina) é jornalista e Editora de Entretenimento no UOL

Semanalmente teremos um convidado no Scream & Yell escrevendo sobre o disco do ano

Especial Melhores de 2013:
– Disco do Ano #1: “Fade”, do Yo La Tengo, por Cristiano Castilho (aqui)
– Disco do Ano #2: “Random Access Memories”, do Daft Punk, por Rodrigo Levino (aqui)
– Disco do Ano #4: “Shaking the Habitual”, do The Knife, por Tiago Ferreira (aqui)
– Disco do Ano #5: “The Next Day”, de David Bowie, por Carol Nogueira (aqui)
– Disco do Ano #6: “Nocturama”, de Nick Cave & The Bad Seeds, por Gabriel Innocentini (aqui)
– Disco do Ano #7: “Dream River”, de Bill Callahan, por João Vitor Medeiros (aqui)
– Disco do Ano #8: “Foi No Mês Que Vem”, de Vitor Ramil, por Thiago Pereira (aqui)
– Disco do Ano #9: “Tooth & Nail”, de Billy Bragg, por Giancarlo Rufatto (aqui)
– Disco do Ano #10: “13″, do Black Sabbath, por Marcos Bragatto (aqui)
– Disco do Ano #11: “Estado de Nuvem”, de Bruno Souto, por José Flávio Júnior (aqui)

Leia também:
– “…Like Clockwork” abraça referências mais femininas e plurais, por Bruno Leonel (aqui)

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