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por Bruno Capelas
Todo mês de janeiro e fevereiro, os cinemas são povoados pelos lançamentos indicados ao Oscar - e cada indicação pode se reverter em mais e mais salas disponíveis para aquele filme-com-sotaque-britânico ou o longa-independente-com-um-ator-famoso. É um sistema meio óbvio –as distribuidoras apostam no que tem algum valor reconhecido de crítica – mas que tem lá suas falhas, uma vez que um número razoável de películas passa batido pelas indicações da Academia. Em 2012, um dos maiores prejudicados desse modelo é “Drive” (que chega aos cinemas brasileiros no dia 02 de março, mas já aparece em pré-estreia nesta sexta, 24/02). Ausente das principais categorias da estatueta dourada (indicado apenas para Edição de Som), o filme do dinamarquês Nicolas Winding Refn pode perder pontos da sua atenção nessa temporada. Não deveria.
Inicialmente concebido como um blockbuster, “Drive” é um filme econômico (custou $15 milhões, uma bagatela em termos de filme de ação), mas que tem muito a oferecer: ele se destaca por seu roteiro bacana, boas cenas e por utilizar o laconismo e o silêncio como uma forma de expressão. A história é mais ou menos simples: o motorista sem nome (Ryan Gosling) divide seu tempo entre trabalhar como mecânico de carros, dublê de filmes de ação ou condutor de bandidos. Tudo vai bem – e ele até tem a promessa de se tornar um piloto de corridas – até o momento que ele conhece Irene (a fofa Carey Mulligan, de “Educação”) e seu filho, Benicio. Rola um clima entre os dois, mas antes que pinte qualquer coisa, Irene conta que o pai de Benicio, Standard, está na prisão – e quando ele volta, deve dinheiro a uma gangue barra-pesada. Para ajudar Standard, o motorista se mete numa teia de enrascadas – e ai que aparece a graça do filme.
O personagem de Gosling é um herói de conduta própria, uma figura muito comum no cinema de faroeste e, mais recentemente, nos filmes que Clint Eastwood dirigiu/atuou (em especial, “Gran Torino”). Anônimo, o motorista quer proteger a si e aos seus (mais aos seus que a si), e vai fazer isso de acordo com suas próprias regras, nem que para isso seja preciso derramar um bocado de sangue. Sangue, na verdade, é um dos detalhes mais bacanas de “Drive”, que não economiza na violência – é arrepiante a cena que uma das ajudantes de Standard, Blanche (Christina Hendricks, a ruiva-sedução de “Mad Men”) é assassinada. Outra coisa que aproxima “Drive” dos westerns são os diálogos curtos, mas que dizem muito – uma boa parte da beleza do filme está em perceber como o par principal interage entre si apenas com suas feições – e os silêncios que marcam os momentos de tensão.
As perseguições de carro também auxiliam o filme a se tornar marcante: antes mesmo dos créditos iniciais, uma alucinante abertura na qual o motorista é caçado pela polícia ao ser cúmplice de um roubo pode deixar o espectador grudado na cadeira durante quase dez minutos. Ainda vale destacar que o tom retrô da película, ressaltado principalmente pela trilha moderninha que emula os anos 80 com seu charme especial.

“Drive” também é o ponto mais alto de um ano bem bacana para o “the next big thing” de Hollywood, Ryan Gosling. Depois de ser eternizado como herói romântico de uma geração (em “Diário de uma Paixão”), ele se dedicou a alguns bons roteiros independentes, como “Half Nelson”, que lhe deu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator em 2007.
Nos últimos 12 meses, porém, ele viveu nas telas grandes momentos: foi o protagonista no doído romance “Namorados Para Sempre” (uma tradução horrível para “Blue Valentine”) e no também subestimado pelo Oscar “Tudo Pelo Poder”, drama político dirigido por George Clooney, com um elenco bem bacana (Evan Rachel Wood, Paul Giamatti, Philip Seymour Hoffman e Marisa Tomei, além do próprio Clooney) além de dar aulas de sedução para Steve Carell em “Amor à Toda Prova” (o que lhe rendeu indicação dupla ao Globo de Ouro).
Ryan Gosling, aliás, parece estar se tornando um daqueles atores que todo mundo adora amar: o público feminino, por seu imenso charme; os homens, por ser capaz de demonstrar “macheza” sem se assemelhar a um brutamonte; os críticos e os indies, por se dedicar com louvor a pequenos filmes de baixo orçamento (nos padrões hollywoodianos, é claro), fazendo os papeis que julga mais interessante.
“Drive”, entretanto, não se fez só com a boa participação do galã. É um filme muito bem editado, bem dirigido e bem atuado – além de Mulligan e Hendricks, vale ainda prestar atenção em Bryan Cranston, como Shannon, o chefe da oficina que o motorista trabalha, e Albert Brooks, no papel de um “amigo” de Shannon. Como descreveu a jornalista Ana Maria Bahiana, “Drive é uma experiência cinematográfica”. Por isso, caro leitor, tente reservar duas horas nas próximas semanas e não hesite em correr para uma sala de cinema e se deixar levar nessa jornada.
- Bruno Capelas (@nocapelas) é estudante de jornalismo e assina o blog Pergunte ao Pop.
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Fevereiro 23rd, 2012 at 8:04 am
Ótima resenha. Simples e direta, assim como é o filme. Também pode-se acrescentar que os fãs de Daft Punk vão adorar a trilha sonora. #fikdik
Fevereiro 23rd, 2012 at 8:20 am
Esse sem duvida nenhuma é o melhor filme do ano !
Fevereiro 27th, 2012 at 1:58 pm
Filmaço!
Março 6th, 2012 at 12:58 pm
Ótima avaliação e comentários ! Economia e precisão ! o filme ter sido marginalizado pelo “Oscar” é uma grande qualidade pois a pobreza ( apesar do belo Hugo C. )foi a máxima dos filmes deste ano; e foi esquecida a atuação do Gosling em “entre segredos e mentiras”, outro filme “B” em que ele atuou magistralmente;
Março 25th, 2012 at 11:18 pm
filme ruim, roteiro fraquissimo, trilha que nao combina com as cenas, um pouco meloso. bem broxante, literalmente, vc acha que vai ver cenas fantasticas de corrida, broxa; vc acha que vai ver um final surpreendente, broxada de novo - nada mais que o esperado, vc acha que o filme vai passar pra um outro nivel - nada, broxada. sinceramente, muito fraco. não entendi o alvoroço até agora….
Abril 3rd, 2012 at 10:55 am
Filme razoável, no máximo. Assista de bobeira, pra comer pipoca mesmo… Quem for esperando um filmaço como dizem os loucos aí em cima vai se arrepender.
Abril 4th, 2012 at 5:48 am
Fatos indiscutíveis sobre “Drive”:
- A estética “anos 80″ foi muito bem sacada e realizada.
- A trilha é ótima, muito bem escolhida e conduzida.
- O diretor é bom. O elenco é ótimo. O “astro” não poderia ser melhor.
***
Mas a “coisa” nunca aconteceu. Eis os novos fatos:
- “Drive” tinha tudo para ser um filme verdadeiramente marcante - não foi, é ou será.
- Mesmo que a hipótese acima não se confirmasse (como não se confirmou) o filme tinha tudo para se tornar, pelo menos, um cult movie - coisa que também nunca foi, não é e, pelo jeito, não será.
O que deu errado, então?…
Pois bem:
A Maria já resumiu bem na primeira linha de seu coment: o roteiro do filme é fraquíssimo…
Mas vou tentar ir um pouco além: o tal do Refn acreditou demais em sua direção (muito boa!) e na proposta artística do filme (muito interessante), e se esqueceu completamente de que estava dando forma a uma ideia banal. Para piorar, as tais cenas iniciais, aquelas “de carros e perseguições”, tão citadas, são revoltantemente frustrantes. Da mesma forma que é desapontadora a tão enunciada “violência explícita” que estaria presente na “segunda parte” do filme.
Bom…
Entre outras verdades, a Maria fecha assim seu texto: “não entendi o alvoroço até agora…”.
Nem eu, Maria. E olha que tentei!
*
Abril 24th, 2012 at 12:05 pm
Que cena é aquela após o assalto que ele vai atrás do cara que passou a perna nele!
Muito ruim o filme mesmo….
HAHAHAHAHA….LOL