Discografia: Echo & The Bunnymen

por Marcelo Costa

Uma das principais bandas do levante pós-punk britânico do começo dos anos 80, o Echo and The Bunnymen lançou quatro álbuns excelentes entre 1980 e 1984 até desmontar-se como castelo de areia na praia devido a desentendimentos internos motivados por, entre outras coisas, o abuso do uso de drogas pesadas, o álcool, e o ego elevado de seu líder, o vocalista Ian McCulloch. Após 1987, ano do último registro da formação original daquele que é considerado o segundo grupo mais importante de Liverpool, o Echo and The Bunnymen seguiu uma carreira errática lançando discos que, mesmo quando não eram bons, traziam ao menos uma ou duas canções memoráveis.

A relação dos ingleses com um Brasil merece uma menção. No auge da crise da banda, o Echo  baixou no país para cinco shows extremamente elogiados em quatro capitais, que segundo Ian  lhe lembrou os melhores dias do grupo. Menos de um ano depois, no entanto, ele deixava a banda para uma carreira solo que não impressionou, e retornou ao Brasil em 1999 acompanhado apenas de Will e mais alguns pistoleiros de aluguel, para depois bater cartão em 2001 (quando discotecou em uma casa noturna, fez pockets em rádios e bebeu muita caipirinha), 2002 para um novo show dos Bunnymens, e solo em 2004, quando encantou gastando seu fio de voz para interpretar clássicos de Velvet Underground, Leonard Cohen, David Bowie e… Echo and The Bunnymen. Voltou com o Echo em 2010 e solo em 2012.

Abaixo a discografia comentada de uma das grandes bandas inglesas de todos os tempos.

“Crocodiles” (1980)

Como é natural de se esperar de uma banda formada no levante punk de 1977 na Inglaterra, o Echo & The Bunnymen estréia com um disco em que a crueza impera (devido a pouca habilidade dos músicos com os instrumentos) sem esconder suas principais influências: a psicodelia circa 1967 de Doors e do Pink Floyd de Syd Barret. A banda entrou em estúdio sem ter a mínima idéia de como lidar com o espaço e os menos de vinte shows que fizeram desde a estréia apenas sinalizavam o som que o grupo viria a perseguir nos álbuns seguintes. Por isso a distância da sonoridade do single “Rescue” (que Will Sargeant odiava devido ao fato da guitarra limpa soar como um banjo) de pedradas como “Crocodiles” ou das viagens psicodélicas de “Happy Death Man” e “Going Up”. “Stars Are Stars”, “Villers Terrace” e “All That Jazz” viraram hinos para os fãs da banda, que no entanto nunca se sentiu satisfeita com a produção. Uma versão remasterizada do álbum foi lançada em 2003 trazendo como bônus o poderoso single “Do It Clean”, a parceria com Julian Cope “Read It Books”, algumas versões alternativas e quatro registros ao vivo de 1981 (lançados oficialmente no EP “Shine So Hard”) que mostram a tremenda evolução da banda no palco.

Nota: 8,5

“Heaven Up Here” (1981)

Com mais respeito dentro da gravadora, mas nem tanto, os Bunnymen exigiram uma troca de produtores, insatisfeitos com a sonoridade do álbum de estréia. A Korova limou os cabeças, e deixou que o engenheiro de som do disco anterior, Hugh Jones, assumisse a tarefa junto com a banda, que atravessa seu melhor momento interno. Gravado no País de Gales, “Heaven Up Here” é muito mais bem acabado que a estréia, e mostra Ian McCulloch no auge de seu alcance vocal e o trio instrumental inspiradíssimo. A crueza é deixada de lado, mas o peso, o nervosismo dos arranjos e a paixão pela fase lisérgica do rock sessentista não. A excelente abertura com “Show of Strength”, quase emendada com a urgente “With a Hip”, embala o ouvinte que é conduzido por tempestades de psicodelia (“Over The Wall”, “Turquoise Days” e o mantra “All My Colours”, também conhecida como “Zimbo”) em dias nublados. As marcações quebradas de bateria de Pete de Freitas brilham acompanhadas pelas ótimas linhas de baixo de Les Pattinson e pelos riffs inspirados de Will Sargeant. A bonita “A Promise”, uma balada não balada (algo tão característico no Echo), foi o single do disco, eleito álbum do ano pela NME em 1981, além de melhor capa – com os Bunnymen em uma praia galesa que reflete a perfeição a sonoridade glacial do álbum. A edição remasterizada lançada em 2003 traz cinco faixas bônus.

Nota: 9,5

“Porcupine” (1983)

O clima de confiança que marcou as gravações de “Heaven Up Here” desapareceu completamente em “Porcupine”. Diversos fatores ajudaram a formar as primeiras rachaduras na formação da banda, entre eles o isolamento do baterista Pete de Freitas, fonte constante de piadas no grupo por ser o mais jovem e não ter nascido na Inglaterra, a entrada da cocaína no cotidiano do quarteto (principalmente Ian e Pete) e a pressão de entregar um novo álbum após um ano de turnê ininterrupta sem nenhum material novo composto. A banda já não se entendia em estúdio, e Ian Brodie, co-produtor do primeiro disco, foi chamado para tentar apaziguar os ânimos. “Porcupine” foi gravado sobre clima de discórdia e entregue a gravadora, que o recusou acusando-o de ser anticomercial. O violinista indiano L Shankar, sobrinho de Ravi, foi chamado após colocar cordas no single “Back of Love”, e acabou inserindo teclados em outro single, “The Cutter” (com introdução copiada de “Matthew And Son”, de Cat Stevens), que fez ainda mais sucesso, e em outras canções, como a belíssima faixa título – com seus seis minutos grandiosos. “Heads Will Roll” e “Ripness” seguem a linha melódica do álbum anterior enquanto “My White Devil” e “Clay” escancaram a paixão da banda pelo Doors. A edição remasterizada lançada em 2003 acrescenta sete faixas ao álbum incluindo o b-side “Fuel” e um remix do single extra álbum “Never Stop”.

Nota: 9,5

“Ocean Rain” (1984)

Apesar do sucesso dos singles anteriores e de “Porcupine”, que bateu no número 2 da parada britânica, a banda enfrentava sérios problemas de união. As gravações do então quarto disco começaram em Liverpool, e Ian ficou tão desanimado com o resultado que quase pulou fora do barco. Um ensaio do vocalista com Pete de Freitas mudou o cenário, e a banda pediu à gravadora para gravar o disco em Paris acompanhados de uma orquestra. “Nós os advertimos que este seria o maior álbum já feito, porque nós acreditávamos nisso”, diz o vocalista, que já havia feito sua mulher chorar ao tocar uma primeira versão do que viria a ser o single “The Killing Moon”: “Pensei que ela tinha odiado, mas ela disse que era a canção mais linda que eu havia escrito”, conta. O clima de gravação em Paris foi dos melhores e tanto Ian quanto Will creditam muito da inspiração do álbum à cidade.  A produção foi dividida entre a banda e os engenheiros Gil Norton (que quatro anos depois gravaria “Doolittle”, do Pixies) e Henri Lonstan.

São apenas nove canções que afastavam o grupo da crueza de seus primeiros álbuns. No clima soturno de “The Killing Moon”, o Echo construía um disco de rock clássico inspirado nas chansons de Jacques Brel e Scott Walker e na orquestração de “Forever Changes”, clássico do Love. Os arranjos de cordas em canções como “Silver”, “Seven Seas” e na faixa título fogem do óbvio, mas não intimidam os ouvintes. A simplicidade de “Crystal Days”, a psicodelia a la Jim Morrison de “Thorn Of Crows”, o clima sutil de “The Yo Yo Man” e o lirismo de “My Kingdom” impressionam. Isso tudo sem falar no poderoso hit “The Killing Moon”, outra balada não balada. “Ela é simples e bela e soa como nenhuma gravação que eu já tenha escutado”, avalia Ian, que define “Ocean Rain” da seguinte forma: “É o nosso Davi de Michelangelo”. A edição remasterizada lançada em 2003 traz oito faixas bônus, entre elas a ótima “Angels and Devils”, uma versão ao vivo em rádio de “All You Need Is Love”, dos Beatles, entre outras coisas. “Ocean Rain” também foi relançado em uma versão de luxo em 2008 que não conta com as faixas bônus da edição de 2003, mas traz um show inteirinho da banda no mítico Royal Albert Hall, em Londres, em 1983.

Nota: 10

“Echo and The Bunnymen” (1987)

O sucesso de “Ocean Rain” não cicatrizou as feridas da banda, que voltou a se desentender até que o baterista Pete de Freitas – afundado nas drogas – pedisse as contas em dezembro de 1985. A banda chegou a testar outros substitutos em shows e sessões de gravações com Gil Norton na produção em 1986, mas o resultado insatisfatório (muito por Ian McCulloch estar constantemente bêbado) não foi levado à frente. No ano seguinte, já com o produtor Laurie Latham (que havia produzido o single “Bring On The Dancing Horses”, em 1985) definido e com Pete de Freitas readmitido, começaram as gravações – conturbadas. Lançado em julho de 1987, “Echo and The Bunnymen” (também conhecido como “The Game”) mostra o quão a banda estava perdida no momento. Apesar de conter um dos grandes hits do quarteto, a ótima “Lips Like Sugar”, falta ao álbum a agressividade do início da carreira e a inspiração de “Ocean Rain” e sobram faixas menores que soam como rascunhos de New Order (“Lost and Found”) e B’52s (“All Your Mind”), entre outros. Dos bons momentos é possível citar a bonita “The Game”, a confessional “All My Life” e “Bedbugs and Ballyhoo”, que conta com Ray Manzarek, tecladista do Doors (ele também toca em “Blue Blue Ocean”). A edição remasterizada lançada em 2003 prejudicou o som do álbum colocando o som da bateria (principalmente bumbo) mais à frente, o que definitivamente deixou o disco datado (ao contrário dos quatro primeiros), e trouxe sete faixas bônus, entre elas um cover de “Soul Kitchen”, do Doors, com Stephen Morris, do New Order, na bateria.

Nota: 7

“Reverberation” (1990)

Após uma turnê desastrosa nos EUA e constantes desentendimentos, Ian McCulloch jogou a toalha para dedicar-se a carreira solo. Com Will Sargeant no comando, um novo vocalista (Noel Burke) foi chamado, mas nem chegou a cantar com o acompanhamento de Pete De Freitas, que morreu em um acidente de moto a caminho do primeiro ensaio da nova formação. Mesmo abalado, Sargeant não desistiu. Admitiu um novo baterista e um tecladista fixo para o novo Echo & The Bunnymen, e “Reverberation” chegou às lojas no final de 1990 amargando o pior resultado da banda na parada britânica até então. Não é um disco tão ruim se colocado ao lado de outros lançamentos daquele ano, mas perde feio para qualquer álbum dos Bunnymens com Ian McCulloch. A crítica massacrou e canções como “Senseless” (em que Noel tenta cantar como Ian) e a pálida “Thick Skinned World” até justificam o achincalhe, mas “Gone, Gone, Gone”, “Enlighten Me” e “Devilment” merecem uma segunda chance. Sem Ian, sem Pete e sem reconhecimento de crítica e público, Will e Les decidiram acabar com a banda em 1993.

Nota: 4

“Evergreen” (1997)

Após dois álbuns solo medianos, a carreira solo de Ian McCulloch não decolou, e o vocalista foi encontrar consolo no ombro do amigo Will Sargeant. Juntos, e influenciados pelo furação Nirvana, Ian e Will montaram o Electrafixion, uma usina de barulho que lançou seu único álbum, “Burned”, em 1995. Foi o primeiro passo para o retorno da banda no final de 1996, que ainda contou com a presença do baixista Les Pattinson e do novo baterista, Michael Lee (que depois se juntaria aos músicos Jimmy Page e Robert Plant). “Evergreen” abre um novo capítulo na história dos Bunnymen, em que o nervosismo juvenil dos primeiros álbuns é trocado pela calma e experiência da idade. É um grande disco que reluz a ouro em canções como “Don’t Let It Get You Down”, “I Want to Be There (When You Come)”, “Nothing Lasts Forever” (com a London Metropolitan Orchestra fazendo o arranjo de cordas e Liam Gallagher, do Oasis, num backing vocal inaudível) e na balada “Forgiven” e aponta um novo caminho para a banda, distante da (quase) perfeição dos quatro primeiros álbuns, mas ainda assim inspirador. Uma edição especial do álbum trazia um segundo CD com dez canções gravadas ao vivo no programa de rádio de John Peel, de 1979 até 1987.

Nota: 8

“What Are You Going to Do with Your Life?” (1999)

Com a mãe doente, e com a percepção de que Ian McCulloch queria fazer tudo do jeito dele, o baixista Les Pattinson decidiu se aposentar da banda. Ian e Will decidiram continuar com o grupo, mas o caminho musical proposto para o álbum pelo vocalista praticamente deixava o guitarrista de fora centrando foco em baladas inspiradas em Burt Bacharah e Frank Sinatra. Sargeant define as gravações como o pior momento de sua vida, mas o resultado final rendeu um álbum belíssimo. A London Metropolitan Orchestra volta a trabalhar com o grupo, e Ian ainda teve o acompanhamento dos Fun Lovin ‘Criminals nas bonitas “Get in the Car” e “When It All Blows Over”. “Hystory Chimes”, apenas com Ian ao piano, é outra em que o guitarrista é preterido, mas Will brilha na grande canção do álbum (e uma das grandes baladas escritas por McCulloch), “Rust”. A única que conta com Les no baixo é “Fool Like Us”, gravada em 1998 para a trilha do filme “Mero Acaso” (“Martha, Meet Frank, Daniel and Laurence”). A faixa título, de levada acústica, também é um dos grandes momentos do álbum, que soa como um disco solo de Ian McCulloch com Will Sargeant na retaguarda. Talvez por isso soe como se fosse seu melhor álbum solo.

Nota: 8

“Flowers” (2001)

Se Ian McCulloch ditava as regras do álbum anterior, “Flowers” (de sonoridade sessentista e totalmente psicodélica) é quase que um disco solo de Will Sargeant com a participação do vocalista, que pela primeira vez em estúdio apresenta sinais de voz deteriorada pelos excessos com álcool e drogas, algo que nos shows já vinha sendo flagrado desde a reunião da banda em 1997. Isso fica perceptível em faixas como “Supermellow Man”, “Burn For Me” e a faixa título, entre outras, resultado do foco mais roqueiro dado ao álbum, que a voz de Ian já não conseguia acompanhar. O trabalho de guitarras, no entanto, é belíssimo, e canções como “King of Kings”, “Make Me Shine” e “It’s Alright” honram o mito, mas “Flowers” é um álbum menor mesmo dentro do segundo capítulo da história da banda – por natureza inferior ao primeiro capítulo escrito nos cinco primeiros discos dos anos 80.

Nota: 6

“Siberia” (2005)

Após quatro anos de silêncio, Ian e Will retornaram de um exílio metafórico na Sibéria com seu melhor registro da segunda fase. “Flowers”, o disco anterior, soa como se o simples fato de lançar um álbum com a etiqueta Echo and The Bunnymen valesse mais do que o conteúdo. O fracasso comercial (e de crítica) do álbum mexeu com os brios da dupla, que só voltou ao estúdio quando tinha um número considerável de boas canções. Funcionou. O pungente primeiro single “Stormy Weather”, a comovente e grudenta “All Because Of You Days” e mesmo a hipnótica “Parthenon Drive” inspiram-se na primeira fase da banda, e convencem. O som buscado é o de “Heaven Up Here”, o álbum que definiu o som dos Bunnymen nos anos 80, glacial, nervoso e distante, e o grupo de canções formado por “Of a Life”, “In The Margins”, “Make Us Blind”, “Siberia” e principalmente “Scissors In The Sand” esclarecem essa opção. Por outro lado, “Everything Kills You”, “Sideways Eight” e “What If We Are” mostram a delicadeza do Echo pós-“Evergreen”. É o velho e o novo Echo and The Bunnymen se chocando em um grande álbum.

Nota: 8,5

“The Fountain” (2009)

“Se eu mudei ao longo do caminho, existe um preço que eu deva pagar?”, pergunta Ian McCulloch em uma das canções do 10º álbum dos Bunnymen com o vocalista à frente. O Echo não mudou, mas “The Fountain” parece um rascunho de seus melhores dias. Apesar dos riffs fortes de Will Sargeant, “The Fountain” soa exageradamente limpo. A voz de Ian está um caco, mas mantém o brilho. Porém, falta uma grande canção. A sessentista “Proxy” quebra o galho, mas um lado b de “Evergreen” coloca “The Fountain” no chinelo.

Nota: 5

“Meteorites” (2014)

O 12º álbum de estúdio dos Bunnymen é, assim como “What Are You Going to Do with Your Life?” (1999), um disco solo do vocalista com o parceiro Will Sargeant “apenas” acrescentando guitarras, e se não alcança a beleza e sinceridade do primeiro registro, ao menos aponta um horizonte digno, algo que o pálido “The Fountain”, de 2009, não cumpria. A boa nova pode ser percebida já no primeiro single do álbum, “Lovers On The Run”, com uma letra típica de Ian (“Meu destino é nunca perceber o que você deixou para mim”) sobre uma base melódica de teclados emulando cordas que remete diretamente aos tempos que não voltam mais de “Heaven Up Here”, e também em canções como a climática faixa título (que impressiona pelos tecladões gélidos, mas carece de um baterista de mão pesada) e “Constantinople” (o grande momento de Will Sargeant no álbum ao lado de “Market Town”, embora a canção perca força no refrão). A sensação geral é de que a produção de Youth (Killing Joke) peca ao juntar as peças deixando as canções frouxas (com a bateria em segundo plano), e números que, aparentemente, poderiam render mais, como “New Horizons” (com o fiapo de voz de Ian caindo perfeito na letra, embora o arranjo não esteja a altura) e “Is This A Breakdown” (“O que eu quero? O que eu preciso? O que você tem para fazer meus olhos sangrarem” canta Ian sobre uma base infantil, que não valoriza a boa letra) soam como uma demo esquecida dos melhores tempos da banda resultando num disco de altos e baixos.

Nota: 6,5

Álbuns ao vivo

Desde os primeiros registros liberados em lados b de singles ficou claro que o local em que o Echo and The Bunnymen mais gostava de estar era o palco. Vários bootlegs registram a primeira fase com destaque para o mítico “On Strike”, de 1986, que flagra a banda tocando versões de músicas de Bob Dylan, Velvet Underground, Television, Rolling Stones, Wilson Picket, Doors e Talking Heads, entre outros (algumas destas inclusas no EP “New Live and Rare”, de 1988). O primeiro registro oficial, “BBC Radio 1” (1988), foi lançado à revelia da banda e flagra o grupo ao vivo em Liverpool em show transmitido pela rádio. Em 2002, já na fase Ian sem voz, saiu o bom “Live in Liverpool”, cuja versão brasileira trazia duas canções não lançadas na versão inglesa (que por sua vez tem seis canções a mais que a edição nacional). Em 2006, quatro álbuns semi-piratas foram lançados de forma oficial pelo selo Instant Live registrando quatro shows seguidos nos Estados Unidos no ano anterior. Em 2006 também foi lançado o oficial “Me, I’m All Smiles”. A edição de luxo do álbum “Ocean Rain” apresenta a integra da segunda noite em que a banda se apresentou no Royal Albert Hall, e é o melhor registro oficial da banda no palco em sua fase áurea.

Coletâneas e Lados B

A primeira coletânea oficial da banda, “Songs to Learn & Sing”, foi lançada em 1985 e tinha o mérito de juntar singles inéditos em álbuns oficiais como “The Puppet”, “Do It Clean”, “Never Stop” e “Bring on The Dancing Horses”. Em 1993 saiu “The Cutter”, coletânea que trazia covers ao vivo de Stones (“Paint It Black”) e Beatles (“All You Need is Love”) e algumas (então) raridades. Outra coletânea, “Ballyhoo”, foi lançada em 1997, trazendo um repertório mais básico e a cover da banda para “People Are Strange”, do Doors, com Ray Manzarek nos teclados, feita especialmente para a trilha do filme “Os Garotos Perdidos” (“The Lost Boys”). Em 2005 foi lançada “Seven Seas”, sem nenhuma novidade, e em 2007 saiu “More Songs to Learn & Sing”, uma versão estendida da edição de 1985 que incluía faixas dos trabalhos dos anos 90 (mas suprimia “The Puppet”) e incluía ainda um DVD com clipes.

Ainda em 2007 também saíram “Killing Moon – Best Of”, coletânea dupla que praticamente compila tudo que há nas demais, e “B-sides & Live (2001–2005)”, coletânea de raridades colocada à venda apenas em MP3 (que inclui, entre outras coisas, uma versão acústica de “Nothing Lasts Forever” ao vivo em uma rádio brasileira e o cover de “Ticket To Ride”, dos Beatles). Em 2008 foi lançada a coletânea tripla “Works”, com 45 músicas que resumem bem a história da banda. Item de colecionador, o sensacional box quádruplo “The Crystal Days – 1979/1999” junta 72 canções, destas 21 b-sides raros e 17 canções nunca lançadas oficialmente (como as versões ao vivo de “Heroin”, do Velvet Underground, “It’s All Over Now, Baby Blue”, de Bob Dylan, e “She Cracked”, do Modern Lovers, além de uma versão em estúdio de “In The Midnight Hour”, de Wilson Picket, com Stephen Morris, do New Order, nas baquetas. Imperdível.

Extras

Ian McCulloch lançou três álbuns solo em sua carreira: o bom “Candleland” (1989), o fraco “Mysterio” (1992) e o também bom “Slideling” (2003), que contava com a participação de integrantes do Coldplay, além de gravar participações em tributos a Leonard Cohen (com as canções “There Is a War” e “Hey That’s No Way To Say Goodbye” – ele já havia gravado “Lover, Lover, Lover” em seu segundo disco solo), Elvis Presley (“Return To Sender”), David Bowie (“The Prettiest Star”) e John Lennon (“Jealous Guy”). Seus dois primeiros álbuns foram reunidos em um CD duplo em 2007 acrescentando 13 faixas bônus.

Will Sargeant lançou três discos com seu projeto Glide entre 1997 e 2004. Juntos, Ian McCulloch e Will Sargeant montaram o Electrafixion em 1994 e lançaram o excelente “Burned” no ano seguinte. Apesar de bastante elogiado pela crítica, o álbum não obteve sucesso comercial, e a dupla deixou o projeto barulhento de lado para dedicar-se a volta dos Bunnymen – mais calma e melódica. “Burned” foi relançado em edição especial em 2007 acrescentando ao álbum original mais 20 faixas entre b-sides, remixes e nove faixas ao vivo – incluindo uma versão de “Loose”, do Stooges.

Leia também:
– Marcelo Costa entrevista Ian McCulloch (aqui)
– “On Strike”, Echo & The Bunnymen, por Pepe Escobar (aqui)
– Ian McCulloch na Cabra Cega, por Marcelo Costa (aqui)
– Ian McCulloch ao vivo em SP, 2004, por Marcelo Costa (aqui)

Outras discografias comentadas:
– The Cure, por Samuel Martins (aqui)
– Leonard Cohen, por Julio Costello (aqui)
– Midnight Oil, por Leonardo Vinhas (aqui)
– Nick Cave, por Leonardo Vinhas (aqui)
– R.E.M., por Marcelo Costa (aqui)
– The Clash, por Marcelo Costa (aqui)

34 thoughts on “Discografia: Echo & The Bunnymen

  1. Belos textos! Estou ouvindo o disco ao vivo no Royal Albert Hall e cheguei a seguinte conclusão: o Echo & The Bunnymen é o Mickey Rourke do Rock ‘n Roll!

  2. Cara, O Porcupine é 10, rsss… Esse meio ponto foi injusto rssss… Foi o 1° disco deles que ouvi e me transformou em fã… The Cutter tá no podio das melhores canções dos anos 80
    Sou fã do Echo, eles não irão lançar nada novo? O Siberia é um grande disco que gastei de tanto ouvir Abraçosss

  3. Marcelo,
    parabens pela ótima analise da discográfia do Echo. Logicamente cada um tem suas preferências, mas no geral está bem legal. Se tivessem parado no Ocean ou até mesmo no “The Game” já estariam na história. Para mim, um dos grandes de todos os tempos…

    grande abraço

  4. Grandissíssima banda.

    Heaven Up Here e Porcupine são excelentes discos, sem dúvida, mas Ocean Rain é, de fato, a obra eterna dos Bunnymen.

    Agora… como dizia um ex-professor, “o óbvio deve sempre ser dito.”

    O Echo só tem duas ou três músicas dignas de serem consideradas “clássicos” do rock: The Killing Moon, Lips Like Sugar e outra que fica a critério; no meu, Bring On The Dancing Horses. Há outras que são maravilhosas e é só ouvir os discos para achá-las.
    Clássicas, contudo/porém/todavia, só vejo essas. O resto é saudosismo ou carinho de fã. Aliás, sou um deles.

    Aliás, Mac… talvez você possa me esclarecer isso: é verdade que Lips Like Sugar é dedicada ao Bono/U2? Lembro (remotamente) de ter ouvido o Tatola falando isso na 89, mas não tenho certeza alguma.

    P.S. Tenho um amigo, já cinquentão, que, afirma ele, cheirou muita farinha com o Ian McCulloch na noite daquele grande show de 87. Antes e depois do show. Consta que ele e um outro cara agilizaram a muamba, inclusive…

  5. “discografia comentada” era uma das melhores seções do antigo scream and yell, a do rem é provavelmente a minha matéria preferida da internet brasileira em todos os tempos. acho que dá um baita trabalho pra fazer (escrever talvez nem tanto, mas ouvir os álbuns novamente e pesquisar sobre eles), mas bem que uma banda por mês poderia aparecer por aqui, né mac? hehe… acione seus colaboradores, arrume um tempo pra fazer!

  6. Marcel, vou fazer o possível. Mês passado foi Cure, nesse Echo. Tem um Elvis Costelo prometido. Vamos ver.

    Fabrizzio, o óbvio só é óbvio para quem sabe distinguilo. Como já te disse: fãs não sabem. Lips Like Sugar é clássico pra quem ouve rádio rock no Brasil. E o Brasil não é o umbigo do mundo. Não ouvi essa história do Ian sobre o U2. Pode até ser, pois ele adorava achicalhar o Bono desde o começo dos anos 80, e isso acontece até na entrevista que ele me deu (e há, ali, uma porção de ironia tanto quanto de inveja por ele não ter tido culhão pra se vender – ou sobreviver, como queira – quanto o Bono, mas não desacretido em nada em se tratando de Ian. Duvido que ele lembre que avacalhou o Manics na minha frente). Tudo é possível.

  7. Marcelo, belíssima matéria, puts, foram justas as notas, se bem que considero o Flowers um ótimo álbum para aqueles dias, e a visita do Mr Ian por aqui, que foi demais, lembro que ele foi em alguns programas de rádio e tals, e zoando muito.

    hah, muito obrigado pela matéria e pelo riso de alegria.

  8. Boa materia, não conheco quase nada dos Bunnymen e é bom ter uma base.

    Discografia de bandas é sempre rende materias interessantes, o bom é falar das de bandas que ja acabaram. Gostaria muito de ver uma do Blur.

  9. Echo é a banda de minha vida. A que eu mais ouvi e possivelmente que mais escutarei ainda…
    Ótimo texto, Marcelo. Concordo com quase tudo, apenas daria um 10 para Porcupine, uma nota maior para Flowers e uma menor para What are you going to do with your life.
    E é bom saber que vem disco novo por aí! 🙂
    Saudações!

  10. Mac, muito obrigado! Achei bastante coerente a alfinetada do Ian no Manics! Embora tenha achado bacana o momento que Fidel vai cumprimentar a banda. Ele “lá em cima” o James “lá embaixo” (rs). Com o Nick pelo menos isso não aconteceu!

  11. Mac e a discografia do Echo, demorou mesmo. 🙂 Otima materia. Otima mesmo. Agora acho que o “Porcupine” merecia um 10 e o “Evergreen” pelo menos um 9. Quanto a “What Are You Going to Do with Your Life?” ja foi tema de inumeros debates internos nesta decada…Abs.

  12. Belo trabalho Mac!
    Só acrescentando que o Evergreen foi lançado em 3 versões : normal, uma australiana com 3 faixas Bônus e dupla que vc citou. E não custa lembrar do EP Avalanche lançado em 2000 com alguns clássicos da banda em nova roupagem e covers de Tim Hardin e Bob Dylan.
    E pra quem curte a banda não custa dar uma passada no blog http://www.burningmylips.blogspot com , la estão compiladas entrevistas traduzidas e outras coisinhas pra qeum é fã e também a comunidade no orkut esta recheada de bootlegs :
    http://www.orkut.com.br/Main#CommTopics.aspx?cmm=45119

  13. Confesso: tenho uma paixão por Echo que não sei de onde vem. “Ocean Rain” [o álbum] me faz ficar por horas, parada, ouvindo, sentindo cada acorde. “Ocean Rain” [a música] é algo que tomei emprestado e que nunca devolvi.

  14. Mac… Vc é F… mesmo!!!! Conheci o S&Y a não muito tempo e já sou Fã!!!! Mas voltando ao ECHO…
    Simplesmente os melhores dos melhores!!!! Quanta saudade da VOZ “MORRISONIANA” de Ian!!!! Pena que era novo d+ para estar no CANECÃO em 1987!!!! Já no Metropolitan em 1999, não perdoei!!!! Grande Show!!!! A dupla (Ian & Will) é tão boa que até quando erram (como na introdução de The Cutter naquela noite), as coisas viram OURO!!!!! Simplesmente OS MELHORES!!!! Que venha “THE FOUNTAIN” e muitas outras pérolas mais!!!! Sejamos justos…. põe mais 0,5 no HEAVEN UP HERE!!!! Um álbum literalmente CULT!!!!! abçs…

  15. PARABÉNS AS MATÉRIAS DO BLOG TODAS MATADORAS, MARCELO COSTA VALEU POR ESTA DO ECHO MARAVILHOSA , VI IAN MACCULLOCH AO VIVO AQUI EM BRASÍLIA MUITO BOM DEU PRA SACUIAR PARCIALMENTE A SEDE RSS

  16. Melhor banda de todos os tempos (de vez em quando eu acho que é o Wilco, mas são os bunnymen).

    E interessante ver o flowers e o the fountain serem criticados negativamente. Pra mim são dos melhores discos da banda.

  17. Sempre ouvi falar, mas nunca ouvi, por isso tô ouvindo agora o Echo de 1987 e mais
    concordo com as notas, até agora percebo uma crítica lúcida à banda.

    O site tá muito bom de se ler
    parabéns
    🙂

  18. Heaven Up Here é meu disco favorito deles, meu segundo disco de rock favorito de sempre (o primeiro lugar é do Sticky Fingers, Stones safra 71).

    Marcelo, vc não acha que no Meteorites houve uma tentativa de dialogar com o indie rock da última década? “Market Town”, por exemplo…não tem um quê de Arcade Fire ali? Pode ser viagem minha, claro, até pq o Echo oitentista deve ter influenciado o AF um bocado (vide eles tocando “The Cutter” num show recente). Fiquei com a impressão de que eram os mestres rejuvenescendo um pouco através dos discípulos, nesse último disco rs.

  19. É uma bem interessante, Rafael. Como algumas dessas bandas foram influenciadas pelo Echo, a aproximação é bem viável mesmo. Meu desapontamento com o disco é a frouxidão da produção, mas há boas canções ali (que talvez rendessem mais num disco do Arcade Fire).

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