Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei

por Marcelo Costa

Por vários ângulos, “Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei” é obrigatório. Seja para o simples apaixonado por música brasileira, ou para interessados nas histórias da repressão militar, ou para jovens (e por que não, velhos) jornalistas e, sobretudo, para aqueles que acreditam na justiça na Terra, o documentário dirigido a seis mãos por Cláudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal surge como fonte inesgotável de discussões que, por fim, talvez não valorizem devidamente o mais interessado: Wilson Simonal.

A história toda começa em agosto de 1971. Na verdade, a história começa bem antes, em 1961, quando lançado por Carlos Imperial, Wilson Simonal coloca nas lojas o álbum “Teresinha”. Em 1964, após ser apadrinhado por Luiz Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli, o cantor já estava fazendo turnê pelas Américas do Sul e Central e no final da década era um dos poucos que rivalizava com o Rei Roberto Carlos. Seu auge aconteceu no final do IV Festival Internacional da Canção, em 1969, com Simonal regendo um coro de 20 (30, 40 ou 50 – depende de quem conta) mil pessoas no Maracanãzinho.

No auge da popularidade, o cantor se envolveu com um drama cujo principal perdedor foi ele mesmo. Segundo apresenta o documentário, Simonal pediu a dois policiais que dessem uma “prensa” em seu contador, que o estava processando após ser demitido pelo músico. A versão do cantor, porém, é que ele estava sendo roubado pelo contador, e a “prensa” era para que o contador assumisse o roubo. Segundo consta, os policiais a que Simonal teria pedido o serviço eram do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), e tudo foi feito seguindo o manual de tortura do órgão.

A história circulou o Rio de Janeiro, e caiu na boca da imprensa, principalmente na redação de O Pasquim, semanário de esquerda e oposição ao regime militar. Porém, o caso chegou todo desfigurado dando a entender que Wilson Simonal era um agente infiltrado do governo no cenário musical. Há uma versão – não esclarecida pelos documentaristas – de que o boato da ligação de Simonal com o DOPS partiu do então diretor da Central Globo de Comunicação, João Carlos Magaldi, que assim como outros atores e diretores da emissora, recebia serviços do mesmo contador de Simonal.

Em seguida, de um lado Simonal é acusado pelo Estado de espancamento, seqüestro e prisão de seu contador. Do outro, é acusado pela imprensa de esquerda como um informante do regime militar, a pior coisa que poderia acontecer a uma pessoa naquela época de guerrilha. Ou seja: o mundo todo estava contra o cantor. O Pasquim, principalmente na figura de Ziraldo e Jaguar, crucifica o cantor em tiras e cartuns. A carreira daquele que foi apontado por muitos como “o maior cantor do Brasil” estava aniquilada.

“Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei” é um ótimo documentário, que mesmo não cutucando o vespeiro da Rede Globo (será que saíram de lá mesmo os boatos?), se faz necessário não só para que o país abra os olhos (e ouvidos) para o grande artista que foi Wilson Simonal, mas também para que a sociedade atual perceba que muitas vezes aquilo que é noticiado ou não tem profundidade, ou não foi apurado corretamente ou está respondendo a interesses escusos do meio de comunicação que o divulga. Como diria Marshall Mcluhan, o meio é a mensagem.

Em certo momento da fita, Artur da Távola crava com sobriedade: “Vivemos em uma imprensa que toma o indício como sintoma, o sintoma como fato, o fato como julgamento, o julgamento como condenação e a condenação como linchamento”. O cartunista Jaguar (que assim como Ziraldo, recebeu uma indenização de mais de R$ 1 milhão e uma pensão mensal de R$ 4.375,88 referentes à indenização por perseguição política sofrida durante o regime militar brasileiro 1964-1985), por sua vez, não confirma em nenhum momento se apurou as acusações contra o cantor, e brinca: “Ele morreu de cirrose. Poderia ter sido eu”.

O trio de diretores não julga e nem absolve o cantor, embora deixe no ar que a “overdose de ostracismo” a que Simonal foi condenado pela opinião pública foi extramamente exagerada. Há a idéia de que, sim, ele errou, mas não por aquilo que muitos acreditaram, e acabou pagando um preço alto demais – que inclui o esquecimento da própria classe artística. A figura do contador poderia ser mais bem aproveitada na entrevista, e a opção por deixar apenas o áudio de sua esposa falando ao fundo é um dos poucos pontos contestáveis do longa, pois acaba valorizando uma passagem de sentimentalismo (pois mais verdadeira que ela venha a ser), que acaba tirando o foco do depoimento do marido.

Tirando tudo isso, se “Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei” fosse só a primeira meia-hora, que trata sobre o imenso sucesso do cantor, que acompanhou a seleção canarinho no México, em 1970 (e quase foi convocado – hehe) e estrelou dezenas de comerciais, já valeria a pena. Na verdade, se fosse só por recuperar o dueto com Sarah Vaughan transmitido pela TV Tupi em 1970 (que você pode assistir no youtube aqui, mas que se eu fosse você guardava para se emocionar no cinema) já seria de grande valia. Porém, o documentário vai além. Ele transcende a música, o jornalismo e a História e mostra que somos (eu, você, nossos vizinhos) responsáveis pelo país em que vivemos, e culpados por muitas das injustiças que acontecem nele. Como a que aconteceu com Wilson Simonal. Assista e reflita. Nem vem que não tem.

“Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei”, de Claudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal – Cotação: 4/5

26 thoughts on “Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei

  1. Diz Jânio de Freitas na Folha:

    “Vejo o anúncio de um filme, “Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei”, e parece que faltou uma palavra: “Simonal – Ninguém Sabe o Dedo-Duro que Dei””.

    Será que foi mesmo uma injustiça ou o cara era um alcaguete cagão?

    De qualquer forma, verei este filme.

  2. “Ninguém sabe o duro que dei” é um trecho da letra de “O Carango”, sucesso de Erasmo Carlos que também foi gravado por Simonal. A citação no título do filme é obviamente intencional na relação com todo o incidente, e a frase infeliz da coluna do Jânio de Freitas mostra que, ainda, se faz jornalismo sem profundidade.

  3. Bem… Jânio de Freitas é um dos mais experientes e respeitados jornalistas da FSP. Não acho que ele diria isso só para ser engraçadinho. Nem que tenha sido uma frase infeliz. Ele sabia o que estava escrevendo. E deve ter seus motivos (e até mais informações) para suspeitar das reais intenções de Simonal. Talvez falta de profundidade seja absolvê-lo tão afoitamente por um simples filme.

    Filme que, como você disse, deve ser visto e pensado. Seu veredicto, parece, foi dado. Uma opinião respeitável, sem dúvida.

  4. Fabrizzio, achismos nem brincadeira combinam com coisas sérias. Se Jânio de Freitas sabe o que está escrevendo, ele poderia ter aprofundado o assunto explicando os motivos que o levam a escrever tal coisa. Da forma que usou – um parágrafo curto no fim da coluna em tom de deboche – pareceu leviano e oportunista, escorregadas que até mesmo jornalistas experientes podem cometer. Seria muito interessante que ele ou algum outro jornalista se levantasse contra o filme usando fatos. Eu, que havia acabado de nascer quando a história toda aconteceu, estou mais interessado na verdade do que nas picuinhas. O filme mostra alguns lados da história, deixa outras em aberto (como a ligação do contador com a Rede Globo), e mesmo grandes jornalistas deveriam assistir, no mínimo como exercício de informação, antes de ridicularizar, que é o que Jânio de Freitas fez em sua coluna.

  5. Concordo contigo. Foi um comentário displicente, talvez até porque JF já tenha cansado de escrever ou falar sobre isso (palpite meu, não conheço nenhum texto dele a respeito).

    As coisas em aberto é que são o problema. Capitu traiu Bentinho? Apostaria uma boa grana que sim. Simonal entregava a artistada? Apostaria uma boa grana que ele foi bem aliciado para isso. E O Pasquim podia ser tendencioso, mas não arruinaria o cara por nada. O que a “causa” ganharia com essa mentira? Pode até ter sido algo pessoal, vai saber. Mas acho que não. “Ah, mas não há provas que o incriminem”. Bom, até onde eu sei, papel pega fogo fácil.

    Enfim… vai ser difícil, mas vou tentar assistir sem os dois pés atrás.

  6. “E O Pasquim podia ser tendencioso, mas não arruinaria o cara por nada.”

    Pq não? Isso quer dizer que o Pasquim não pode ter errado? Eles não apuraram os fatos, e crucificaram, o que em se tratando de jornalismo é um crime violento. E não estou afirmando que o Pasquim fez o que fez simplesmente para sacanear o Simonal. Fizeram pq no calor do momento era o que eles achavam que deveria ser feito, mas não foram atrás de checar as informações, de conseguir provas que pudessem realmente incriminar o cara. Simplesmente pegaram um boato e transformaram em verdade – por acaso. Ziraldo fala muito sobre isso no longa.

    E também não acredito nessa de “papel pega fogo fácil”. Não existem crimes perfeitos. Quando se está envolvendo pessoas (e no caso do DOPS, muitas pessoas), sempre vai existir alguém que estava passando por ali na hora, que viu uma coisa ou outra, que presenciou um fato ou outro. A favor e contra. Só é preciso achar essas pessoas e querer sujar a mão. Voltando ao documentário, os depoimentos do Ziraldo e do Jaguar (ambos do Pasquim), do Nelson Motta (foi um capítulo do ótimo Noites Tropicais que deu ao trio de diretores a idéia de remexer no caso) e do Raphael Viviani, o contador, são bem interessantes para visualizar o caso com outros olhos.

    O interessante mesmo seria se os tais soldados fossem achados. Iria ajudar muito a elucidar mais coisas obscuras neste caso. O fato é que não dá para isentar o Pasquim apenas por ser o Pasquim, pois estaremos incorrendo no mesmo erro que é julgar (isentando ou culpando) com base no histórico, e não no fato.

  7. De fato, muita gente boa inocenta Simonal. Reinaldo Azevedo é um deles. E muita gente boa ainda acha que ele é culpado. Jânio de Freitas parece ser um deles. Mais que leviano, achei o comentário de Jânio corajoso e sutil. As pessoas só põem o dedo nessa ferida para colocar remédio, não para apertar até sair pus. Talvez ele e outros não façam isso justamente por não terem provas. Ou talvez ele só tenha feito mesmo uma grande bobagem.

    As entrevistas com Ziraldo e Jaguar devem ser interessantes, mas não acredito muito na integridade deles. Nelson Motta, então, é capaz de ver o lado bom e positivo até de Charles Manson, se de alguma forma for conveniente a ele. Gostaria de ver Millôr falando sobre isso. Até onde sei, Millôr e Jânio trocam e trocaram muitas figurinhas.

  8. Caro Mac,

    Andei cavocando algumas coisas e, caso não conheça, talvez aprecie o que segue abaixo.
    É um texto assinado pelo então ombusdman da Folha, Mario Magalhães.

    Em tempos de samba de uma nota só, talvez a faísca da dúvida seja bem-vinda.

    Os assinantes, se preferirem ou tiverem algum interesse, podem ler no link:

    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ombudsma/om3003200803.htm


    A verdade de Wilson Simonal

    Boa notícia: quase oito anos depois da morte de Wilson Simonal, o grande cantor começa a ser resgatado do ostracismo. O documentário “Ninguém Sabe o Duro que Dei” é lançado no festival de cinema É Tudo Verdade.

    Ignoro como o filme narra a suspeita de que Simonal fosse informante da ditadura militar. Mas é possível identificar no jornalismo disposição para recontar o passado omitindo o mais relevante, os fatos.

    É incompreensão da natureza humana: a idéia de que todo artista de talento é marcado por gestos edificantes; ou se for um artista bacana, decerto será talentoso. A falácia temperou o esquecimento: se era dedo-duro, Simonal não merecia a posteridade. Ou, agora: se craque do suingue, não haveria de delatar.

    A verdade: em 1974, Simonal foi condenado por surra dada em um contador. No processo, levou como testemunha sua um detetive do Departamento de Ordem Política e Social do Estado da Guanabara. Ele assegurou que o cantor era informante do Dops.

    Outra testemunha de defesa, um oficial do 1º Exército, jurou que o réu colaborava com a unidade. O juiz sentenciou: Simonal era “colaborador das Forças Armadas e informante do Dops”. Em 1976, acórdão do Tribunal de Justiça do RJ reafirmou a condição de “colaborador do Dops”.

    Não foram inimigos que inventaram a parceria com o regime, exposta sem reservas pelos amigos de Simonal, que se dizia ameaçado por gente ligada “a ações subversivas”.

    Nesta semana, a Folha tropeçou ao noticiar o documentário: não lembrou as provas judiciais reveladas por ela própria em 2000 (transparência: o autor da antiga reportagem foi o hoje ombudsman).

    Pelo menos o jornal foi sóbrio. Recusou a campanha jornalística que amalgama a história ao perfilar Simonal, que era senhor dos seus atos, como vítima de maledicência. ”

    P.S.:

    Este link tem outro texto de Mário Magalhães, também interessante:

    http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk1712200422.htm

  9. Legal, Fabrizzio. Lembrando uma coisa: até o filme ser lançado, o samba de uma nota só era exatamente este lado exposto no texto do Mario, que é o mais “popular” sobre o caso nos anos 2000. Ou seja, todo mundo acusava, ninguém defendia. Agora, todo mundo defende, ninguém acusa. Nem tanto ao mar, nem tanto a Terra.

    Há um tópico na comunidade da Bizz comentando o flme e todo o desdobramento.

    http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=39814&tid=2590798322526931785&start=1

    Um trecho de citação do Ricardo Alexandre, que está escrevendo um livro sobre o Simonal:

    “Outro mérito do filme é sobre a maneira com que ele conta a história da tal confusão: reunindo o máximo de declarações, testemunhas, e acima de tudo, sem direcionar a opinião do espectador. Detalhe: nenhum dos três diretores é jornalista.

    Assistir às entrevistas de Ziraldo (autor do famigerado Cartum com o “dedo duro de Simonal” n’o Pasquim) e de Jaguar (que já disse coisas tipo “ouvimos falar, não checamos e não vou pedir desculpas pelo que fiz”), me deu uma baita, enorme vergonha do jornalismo cultural brasileiro. Principalmente por notar como ele não mudou em nada. Quando Artur da Távola aparece com sua famosa frase (“vivemos em uma imprensa que toma o indício como sintoma, o sintoma como fato, o fato como julgamento, o julgamento como condenação e a condenação como linchamento”), me deu vontade de me esconder embaixo da poltrona do cinema.

    Se a imprensa não tivesse feito nada para apurar a verdade (como não fizeram artistas e amigos de Simonal), já seria uma vergonha. Mas ela ainda espalhou os boatos como fatos. A tal ponto do ombudsman da Folha, Mario Magalhães, ainda hoje taxar como “a verdade” um monte de depoimentos contraditórios (só para assinantes do UOL) que juravam, depois do boato instaurado, que Simonal era mesmo informante do regime. Ou seja, o efeito virou causa.”

    Particularmente, para mim, assim como o comentário do Janio, fica pareendo que o Mario também não viu o documentário. Tudo o que está na reportagem de 2000 está no filme. Ou seja, volto ao ponto principal (para mim) que é o jornalismo sem profundidade. Mario tem por base a reportagem que fez em 2000. Será que o filme não apresenta mais coisas além do que ele apurou? E se apresenta, será que não vale ele – principalmente – ver e dar um veredicto?

  10. Legal.

    Seria ótimo mesmo se algumas vozes se levantassem. O problema é que a causa não é nobre. Não é agradável insistir na tese de que alguém foi um canalha. Ainda mais quando o possível canalha já está morto. O risco é o canalha ser você. Daí, a meu ver, a nota discreta de Jânio ou o silêncio dos demais.

    O que não precisa de provas é a calhordice de Ziraldo e Jaguar. É impressionante a que nível pode chegar a filha-da-putice de algumas pessoas.

  11. Caramba, essa frase do Artur da Távola “vivemos em uma imprensa que toma o indício como sintoma, o sintoma como fato, o fato como julgamento, o julgamento como condenação e a condenação como linchamento” deixa muito claro quem deu cabo da carreira do grande Simonal: o jornalismo irresponsável. Que, a meu ver, predomina em nossa imprensa.

    Marcelo, você já leu o texto “Confesso que errei”, do Aquiles Rique Reis? Vale muito a pena lê-lo, está aqui: http://www.simonal.com/blog/?p=105

  12. O contador não queria falar, aquele momento q eles chegam pra falar c/ ele de sopetão é aquil mesmo. Ele só topou falar qdo alegaram q era a única oportunidade em 34 anos dele contar o lado dele. A mulher não queria aparecer mas ficou dando pitaco no depoimento do marido. Depois chegou o filho do cara, que ficou bem bravo, altos bafos.

    Convido vcs a participarem na comunidade do Wilson Simonal no Orkut pois esse texto injusto do Mário Magalhães, assim como outros, é totalmente dissecado.

    O foda de boato é que por mais que seja provado que é mentira sempre vai ter alguém pra falar “ah mas onde tem fumaça há fogo”. É foda! Dá-lhe Escola Base de Jornalismo!

  13. Dando uma rápida lida nos comentários, vi que alguns citaram, com correção, Ziraldo e Jaguar como uns daqueles que dedicaram horas de “jornalismo” a demonizar Simonal sem qualquer prova de qualquer fato. Há de se lembrar também da figura escroque de Henfil. Este senhor racista travestido de jornalista vivia caricaturando Simonal através de seu pavoroso “Preto-que-ri”: uma charge – de mau gosto a começar pelo título – que insistia em mostrar Simonal como um negro alienado e dedo-duro a serviço da ditadura.

  14. Esse documentário sobre o Simonal é apenas o primeiro de uma série. Os próximos serão sobre o cabo Anselmo e depois sobre o grande estadista Emílio Garrastazu Médici. Outro ainda está em fase de discussão, mas, talvez até o final do ano também saia um sobre o delegado Sérgio Paranhos Fleury. O engraçado é que quem sempre defende o Simonal são as mesmas pessoas que bajulavam a ditadura e ainda acham que foi um dos melhores períodos de nossa história. Paulo Lopes, radialista e apresentador de TV, dedicou muito tempo o início dessa década tentando limpar a imagem do cantor.

  15. Fiquei tranquilo ao saber, atarvés do Fabrizzio, que o Reinaldo Azevedo inocenta o Simonal. Assim as coisas ficam ainda mais claras. O Reinaldo Azevedo é ferrenho defensor de Guantanamo, do governo Bush, da invasão do Iraque, além de der sinônimo do que há de mais reacionário na mídia brasileira. Portanto, tem muita logica ele defender também esse cantor.

  16. O DURO nessa historia toda é a reafirmação do patrulhismo ideológico que os pseudo intelectuais de esquerda praticavam covardemente. A incoerencia era o seu ponto forte. Defendiam as diretas já com a mesma intensidade que defendiam a ditadura cubana; se indignaram com as mortes e torturas nos quarteis brasileiros mas idolatravam Fidel Castro que não só torturava mas fuzilava no famoso “paredon’; criticavam os militares mas apoiavam Fidel Castro que se travestia de militar; críticos ferrenhos da burguesia, mas sempre levaram vida de burguês e hoje mais ainda, as custas de indenizações milionárias e pensões vitalicias às custas do povo brasileiro,do qual se dizem defensores. Se justificam dizendo que foram perseguidos. Perseguidos é a grande massa trabalhadora que dá DURO para sustentar essa mordomia.

  17. Paulo Lima, ou você deixa a máscara cair e defende com todas as letras a ditadura militar, ou então vá estudar um pouquinho antes de falar algo sobre Cuba. Onde você lê sobre a Ilha, na revista Veja, na Folha de São Paulo, ou você não sabe ler e apenas assiste a TV Globo. Eu particularmente tenho elogios e críticas a Cuba, e posso lhe garantir, mesmo não te conhecendo, que sou bem mais informado que você. Se souber ler, leia este link: [http://cartamaior.com.br/templates/colunaMostrar.cfm?coluna_id=4354]

    Hudson Luiz
    http://www.dissolvendo-no-ar.blogspot.com

  18. Realmente, acabar com a carreira (e indiretamente com a vida ) de alguém sem provas é péssimo… Uma real prova de irresponsabilidade da imprensa brasileira. Inclusive o Wilson Simonal assistia ao show do filho escondido para não “comprometer” a carreira dele.
    Quanto a Cuba, pergunta pro pessoal que tenta fugir de lá a nado o quão divertido é uma ditadura comunista

  19. É, basta tocar o dedo na ferida que os pseudos esquerdistas se manifestam com os mesmos rotulos de sempre: “defensores da ditadura”. Mas qual a diferença entre a ditadura militar e o regime cubano quando se trata do cerceamento da liberdade?, do direito de ir e vir? torturas?, assassinatos (ou fuzilamento no paredão)? . É tudo farinha do mesmo saco. A minha relação com Cuba começou na minha adolescencia, através de um amigo jornalista, bem mais velho do aque eu, INTELECTUAL COMUNISTA (maiuscula, de proposito). Amigo de Fidel Castro, esteve em Cuba logo após a revolução, o que o motivou a escrever um livro sobre aquele momento. Sobrou sómente um exemplar em seu poder, em castelhano, que eu tive o prazer de ler. Quanto conhecimento, quanta cultura, quanto respeito e entendimento das minhas posições, quando contrárias. O respeito era mutuo, sem patrulhas, sem rótulos. A partir dali aprendi a gostar e me interessar pela beleza do seu povo, por sua cultura e por sua história. Só não dá para debater com esquerdistas “da hora” que o conhecimento sobre Che Guevara não vai além de uma foto estampada em uma camiseta. Por isso vou ficando por aqui. Ah, só para encerrar: enterrar o Simonal valeu a pena,deu pra render uma bela de uma indenização e uma pensão vitalícia.

  20. Pro Luis Pavão
    Aqui no Brasil não temos nenhuma ditadura comunista, no entanto, sempre nos deparamos com notícias de brasileiros mortos ao tentar a travessia da fronteira entre México e EEUU. Eles estão fugindo do que??? Eu pessoalmente conheço um sem número de pessoas que emigraram do Brasil para os EEUU de forma ilegal. Poderia te dar muitos outros exemplos de emigração e imigração (inclusive dentro da Europa), a lhe garanto, a maioria não está diretamente relacionada a nenhuma ditadura comunista.
    Pro Paulo de Lima
    Como eu já escrevi antes, tenho ELOGIOS e CRÍTICAS à Cuba pós 1959. Todavia, simplesmente fazer uma analogia entre Cuba e a ditadura militar brasileira num espaço tão curto quanto essas linhas, não é outra coisa a senão transformar uma discussão complexa em simploriedade caipira. Caso queira debater o assunto, entre em contato comigo atráves do [www.dissolendo-no-ar.blogspot.com] e quem sabe, assim, possamos encontrar uma forma de dabatê-lo com mais tempo e espaço.

  21. Só pra volatar ao tema original de tanta discussão, Wilson Simonal. O texto que segue é do experiente jornalista Urariano Mota no site “Direto da Redação”

    http://www.diretodaredacao.com

    Com o filme “Simonal – Ninguém sabe o duro que dei”, começou a reabilitação de Wilson Simonal. Não se conclui outra coisa, quando se lêem os artigos publicados em todo o Brasil. Em todos os jornais, os críticos mais parecem uma orquestra afinada para uma só composição, para um só samba de uma nota só. Em toda a mídia se repetem as saudações ao documentário, à sua imparcialidade, etc. etc.

    Na Folha de São Paulo, no texto com o título épico “Simonal refaz saga do cantor”, entre outras coisas se escreve:

    “Aconteceu no final de 1971. Por suspeitar que estivesse sendo roubado, o cantor teria mandado bater no contador de sua empresa. Só que o homem vai parar no Dops (Departamento de Ordem Política e Social, hoje extinto), onde é torturado. Não demora até que os jornais liguem as pontas -não necessariamente cobertos de verdade- e publiquem a manchete: ‘O cantor Wilson Simonal é informante dos órgãos de segurança do Estado’…

    Mais que biografar a ascensão e queda meteóricas de um ídolo – e isso é feito de maneira empolgante-, o documentário reescreve a saga de Simonal para que, conhecendo finalmente sua história, o Brasil possa absolvê-lo de coisas que talvez ele nem sequer tenha feito”.

    Observem que:

    1. O cantor “teria mandado bater no contador”. Teria, em lugar de Mandou.

    2. “…o homem vai parar no Dops (Departamento de Ordem Política e Social, hoje extinto), onde é torturado”. Por acidente, ele foi parar no Dops.

    3. “…o documentário reescreve a saga de Simonal para que, conhecendo finalmente sua história, o Brasil possa absolvê-lo de coisas que talvez ele nem sequer tenha feito.” Absolvê-lo… Não demora, a família entrará com processo na Anistia.

    Por falar em Anistia, artigo no Jornal do Commercio, do Recife, é mais explícito:

    “A chance de anistia de Simonal – Filme conta história de cantor que morreu com fama de dedo-duro, mas foi mesmo uma vítima da intransigência “.

    No UAI, de Minas, a reabilitação continua:

    “Nos dias de hoje, a maioria das pessoas que conhecem o assunto acredita na tese de que Wilson Simonal foi derrubado por uma rede de boatos, somada a preconceitos raciais e sociais que levavam, em muitos grupos, a um estado de desconforto frente ao sucesso do cantor. Simonal pende nitidamente para este lado.”

    No JB, do Rio, o mesmo samba:

    “Com um design e produção impecáveis, o trio de diretores Cláudio Manuel, Micael Langer e Calvito Leal tenta também trazer à tona a perseguição que o cantor sofreu, após a suspeita de que ele estava a serviço do Dops, na época da ditadura. Recheado de entrevistas, o filme tem o mérito de ser, em grande parte, imparcial. Mas faltam depoimentos e nomes de artistas que efetivamente promoveram o boicote… Numa montagem esperta, o papel de bicho-papão ficou só com os jornalistas do Pasquim que participam do filme: Sérgio Cabral, Ziraldo e Jaguar. Este último, em destaque, é colocado pela edição nos momentos antagônicos, em contraponto a considerações positivas sobre o cantor. Seria alguma forma de revanche? O público é quem decide. ”

    Em O Globo, entre outras louvações, transcrevem-se as palavras de Nelson Motta, “Simonal virou um tabu, um leproso, um pária…” Mas o modo mais parcial vem do Guia da Semana, de São Paulo, em editorial(!):

    “No início da década de 70, Simonal percebeu que estava sendo roubado por seu contador. De pavio curto, o cantor contratou um grupo para dar uma surra no traidor. Porém, o episódio envolveu agentes do Dops, e o obscuro fato fez com que se espalhasse a notícia de que o músico era informante do regime militar. Sem provas contra ou a favor do artista, Simonal foi condenado ao ostracismo, morrendo como um desconhecido em 2000.”

    Parece ter desaparecido no espaço o texto de Mário Magalhães, quando era ombudsman na Folha de São Paulo, em 30 de março de 2008:

    “A verdade: em 1974, Simonal foi condenado por surra dada em um contador. No processo, levou como testemunha sua um detetive do Departamento de Ordem Política e Social do Estado da Guanabara. Ele assegurou que o cantor era informante do Dops. Outra testemunha de defesa, um oficial do 1o Exército, jurou que o réu colaborava com a unidade. O juiz sentenciou: Simonal era ‘colaborador das Forças Armadas e informante do Dops’. Em 1976, acórdão do Tribunal de Justiça do RJ reafirmou a condição de ‘colaborador do Dops’. Não foram inimigos que inventaram a parceria com o regime, exposta sem reservas pelos amigos de Simonal, que se dizia ameaçado por gente ligada ‘a ações subversivas’ “.

    Pelo andar da carruagem, não demora, vão fazer um documentário que absolva o cabo anselmo. Com a repercussão em uma só nota de toda a imprensa. Como agora, no filme desta semana: Simonal, a reabilitação.

  22. Parabéns, Hudson. Os fãs da ditadura querem a todo custo inventar “mártires” da Direita, e Simonal não foi mártir nenhum, só um artista talentoso de caráter duvidoso que se perdeu a si mesmo. Essa estória do “ninguém nunca provou que ele era dedo-duro” é farisaísmo do tipo de quem, como se diz no Evangelho, “engasga com um mosquito e deixa passar um camelo”. Prova incontestável de que o Simonal foi dedo duro não há, mas é incontestável que ele era torturador , coisa pela qual foi condenado em plena ditadura, e sua intimidade com a repressão é um indício bastante revelador do seu papel no showbusiness da época.

  23. O Sr. Jânio de Freitas se enquadra na profissão jornalistica segundo as palavras de Artur da Távola;

    “Vivemos em uma imprensa que toma o indício como sintoma, o sintoma como fato, o fato como julgamento, o julgamento como condenação e a condenação como linchamento”

    Ele já pode ter uma coluna na Caras, na Contigo…

    É como disse a Flávia

    É foda! Dá-lhe Escola Base de Jornalismo!

  24. Esse comentário que achei na internet, esclarece para mim todo esse imbroglio: “O cantor Wilson Simonal foi muito popular no Brasil na década de 1960, sendo comparado a Roberto Carlos como fenômeno de massas. Pouco antes de morrer em 2000, acuado com a pecha de delator da ditadura militar, falava em recompor seu prestígio acusando a esquerda de perseguição ideológica e dizendo ser vítima de racismo. Com o documentário – Ninguém Sabe o Duro Que Dei, em cartaz, o debate se o cantor era ou não serviçal dos milicos voltou à cena. Muitos jornalistas, jornais, revistas aproveitam o documentário para atacar a esquerda, falando em patrulhamento ideológico e que não haveria provas alguma de que a estrela teria vínculos com o regime de exceção. Paulo Vanzolini, poeta e zoólogo, autor de Ronda e daquele famoso refrão “levanta sacode a poeira e dá a volta por cima” disse que o moço não só era delator, mas tinha orgulho em ser. “Na frente de muitos amigos Simonal dizia que entregou muita gente boa”, diz o letrista, que arremata: “essa recuperação que estão fazendo do Simonal é falsa”. Ele era dedo-duro mesmo”.

    A Folha de São Paulo nesta semana trouxe uma vasta reportagem sobre o assunto que jogou por terra todos os esforços daqueles que pretendem recuperar a imagem de Simonal e desmoralizar a esquerda como suposta responsável pelo ocaso do intérprete negro.

    O problema de Simonal começa quando ele contrata um torturador do Dops para exigir de seu contador, Raphael Viviani, a confissão de desvio de recursos. Ao lado dos agentes da repressão o cantor seqüestra o funcionário em sua residência de onde é levado para as dependências do Dops. Lá, debaixo de choques elétricos, socos e pontapés, o funcionário assumiu o desfalque. Isso vai gerar depois uma ação judicial cujas páginas, para mim, encerram as dúvidas sobre a controvérsia em diversas passagens. Registre-se que apenas esse episódio já seria o suficiente para se colocar em xeque o caráter do artista.

    Em não poucas vezes o cantor vai ser referido no processo citado na reportagem, como “colaborador das autoridades na repressão à subversão”. Selecionei pequenas partes da matéria com alguns poucos trechos do processo para que você analise ao final do texto (se quiser, envio depois a matéria completa – bastante extensa), mas antes levantaria ainda dois aspectos. Qual a força que a esquerda tinha naquele período sombrio para encerrar a carreira de um cantor de prestígio?

    Ora, quase todos os meios de comunicação de massa eram controlados e/ou aliados dos militares (a quem Simonal apoiava) e os movimentos de resistência encontravam-se quase que asfixiados com as prisões, torturas, assassinatos e exílios. No Brasil e no mundo é comum cantores surgirem como fenômenos e desaparecerem do mesmo modo. Na época de Simonal outros também fizeram sucesso e não mantiveram o fôlego, como Vanderlei Cardoso, Jerry Adriani, Vanderleia e outros.

    Se o episódio das delações corroía o astro e o deixava magoado e triste, devia ser por um problema de consciência dele, talvez de arrependimento, mas nunca por uma campanha organizada de perseguição contra ele. Arrancar confissões sob tortura não deve provocar boas lembranças a patrocinadores desse tipo de bestialidade humana.

    O outro argumento, de racismo, para o ostracismo do apologista do golpe militar é outra balela. Daquele período tivemos também Jair Rodrigues e próprio Jorge Benjor que mantem suas carreiras até hoje, porém, sem o sucesso da fase inicial. Portanto, aqueles que se emocionaram com o documentário, é bom ter cautela. Lembrem-se ainda de que para sacudir a poeira e dar a volta por cima não é pra qualquer um, principalmente para quem delatou para o regime militar companheiros e companheiras que poderiam ser torturados e mortos pelos amigos do cantor. Simonal tentou. Não conseguiu.

    “Todos esses documentos integram o processo 3.5 40, instaurado em 1972 na 23ª Vara Criminal, concluído em 1976 e em cujas 655 folhas jamais houve divergência: dos amigos mais fiéis ao antagonista mais ressentido, todos estiveram de acordo que Simonal -e ele assentia- era informante do Dops”.

    “Às 15h de 24 de agosto de 1971, perto de nove horas antes da diligência contra Viviani, Simonal afirmou ter ido à rua da Relação “visto aqui cooperar com informações que levaram esta seção a desbaratar por diversas vezes movimentos subterrâneos… subversivos no meio artístico”. Ou seja, o primeiro a sustentar que Simonal era informante foi ele mesmo, e antes da ação da polícia. Na ocasião, o cantor lembrou que no golpe de Estado de 1964 esteve no Dops “oferecendo seus préstimos ao inspetor José Pereira de Vasconcellos” -outro denunciado por sevícias contra opositores..
    Na 13ª DP, o cantor depôs em 28 de agosto. Apresentou-se como “homem de direita” e relembrou ter dito no Dops (no dia 24) que conhecia, “como da área subversiva”, “uma irmã do senhor Carlito Maia” -era a produtora cultural Dulce Maia, “O declarante aqui comparece visto a confiança que deposita nos policiais aqui lotados e visto aqui cooperar com informações que levaram esta seção a desbaratar por diversas vezes movimentos subterrâneos… subversivos no meio artístico”; “Como sabe V. Sa., o cantor

    Wilson Simonal é elemento ligado não só ao Dops, como a outros órgãos de informação, sendo atualmente o elemento de ligação entre o governo, as autoridades e as Forças Armadas com o povo, participando de atos públicos e festividades, fazendo de seu verbo e prosa a comunicação que há tanto tempo faltava.”Mário Borges, chefe da Seção de Buscas Ostensivas do Dops; “O primeiro acusado, Wilson Simonal, era informante do Dops e diversas vezes forneceu indicações positivas sobre atividade de elementos subversivos (idem).”Conhece o primeiro acusado [Wilson Simonal] porque após a revolução de 64 o primeiro réu sempre colaborou com as Forças Armadas.”Expedito de Souza Pereira, tenente-coronel do Exército;

    “Simonal se diz, com todas as letras neste processo, um colaborador dos órgãos de informação, por se tratar de homem de direita. A sua defesa corroborou isso com cifras definitivas […]. Daquela época [“Revolução de 1964′] ao fato da denúncia se perfizeram 7 anos e meses de atividade policial auxiliar voluntária de Simonal; “”Que Wilson Simonal de Castro era colaborador das Forças Armadas e informante do Dops é fato confirmado […].”João de Deus Lacerda Menna Barreto, juiz da 23ª Vara Criminal, na sentença do processo 3.540/72; “”O primeiro apelante, Wilson Simonal de Castro, era colaborador das Forças Armadas e informante do Dops […].”Antônio Carlos Biscaia, promotor de Justiça, em contra-razões de recurso

    “Relatório interno do Departamento de Ordem Política e Social da Guanabara, com carimbo “confidencial”, resumiu em 30 de agosto de 1971 a relação com Wilson Simonal: “É elemento ligado não só ao Dops, como a outros órgãos de informação, sendo atualmente o elemento de ligação entre o governo, as autoridades e as Forças Armadas com o povo, participando de atos públicos e festividades, fazendo de seu verbo e prosa a comunicação que há tanto tempo faltava”.

    “Em agosto de 1982, ainda na ditadura, a Folha circulou com entrevista de Simonal em que ele afirmou: “Dizer que eu dedurei os cantores comunistas é meio calhorda. Eles próprios nunca negaram que eram comunistas. Chico Buarque, Caetano Veloso jamais disseram o inverso. E qualquer criança sabe o que eles são…”

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