The Weirdness, dos Stooges

por Marcelo Costa

Para aproveitar este “The Weirdness”, primeiro registro dos Stooges (como Stooges mesmo) em 33 anos, é preciso esquecer absolutamente do trio devastador de álbuns que Iggy Pop lançou ao lado dos irmãos Ron e Scott Asheton lá pelo começo dos anos 70 (a saber: “The Stooges” de 1969; “Funhouse” de 1970; e “Raw Power” de 1973). “The Weirdness”, que chegou às lojas brasileiras na semana passada, é outra coisa. É rock, é sacana, é barulhento, mas não têm nada daquilo que fez os Stooges ser o que são hoje.

Por quê? Porque, mesmo com Steve Albini assinando a produção, “The Weirdness” carece de tosqueira, adjetivo mais do que necessário para a violência demente de clássicos como “I Wanna Be Your Dog”, “T.V. Eye” e “Penetration”, só para ficar em três, uma de cada disco antigo. Ou seja, “The Weirdness” não honra a tradição (tradição?) dos Stooges, mas não deve – de forma alguma – ser deixado de lado por isso. Sei que é difícil, mas é preciso esquecer por alguns minutos “The Stooges”, “Funhouse” e “Raw Power”, e concentrar-se em “The Weirdness”.

“Trollin’” abre o álbum com guitarras violentas, que amaciam no refrão, enquanto um solozinho safado mastiga o fone direito. Iggy canta bem para sua garota uma letra qualquer nota que soa hilária de tão estúpida. É o velho Iguana de volta. Não espere evolução/revolução. “You Can’t Have Friends” poderia estar em um álbum do Nirvana. Em “She Took My Money”, uma das poucas em que a guitarra pula fora da melodia e bate na cara do ouvinte, Iggy reclama de uma mina que roubou sua grana. Divertido, mas sinal dos tempos: será que ela roubaria a grana daquele louco Iggy dos 70?

O disco inteiro é comandado por Iggy e os irmãos Asheton, com Mike Watt no baixo (a formação que veio ao Brasil, e fez o melhor show internacional daquele ano segundo o Prêmio S&Y 2005. Veja aqui). O quarteto ainda abriu o estúdio para Brendan Benson colocar harmonia vocal em “Free And Freaky” – que ousa juntar canhestramente Madonna e Dalai Lama numa mesma frase – e o sax de Steve Mackay em “Passing Cloud”. De resto, é barulho dos bons, como em “Idea of Fun”, a mais legal do álbum, e um dos rocks bacanas deste começo de ano, que garante no refrão: “Minha ideia de diversão é matar todo mundo”. “The Weirdness” fica devendo para 1969, mas é bastante ok para 2007.

6 thoughts on “The Weirdness, dos Stooges

  1. Crítica perfeita do novo dos Stooges, tive a mesma sensação, mas não soube verbalizar. Se fosse uma banda nova, seria um estouro, mas são os Stooges, e a comparação com o passado é cruel. Até comentei esta crítica no meu blog (farolblog.blog.uol.com.br). Por falar nisso, apareçam lá.

  2. Estava claro que o Stooges de 2007 não seria igual ao Stooges de 1970. Os tempos são outros, a cultura é outra e os músicos são outros (apesar dos membros da banda serem os mesmos). Ser um músico em 2007 é completamente diferente do que ser um músico em 1969, 1970 e principalmente no caso do Iggy Pop que passou por várias fazes em sua carreira, por mais que queira fazer um som à la the Stooges, nunca mais será igual. O importante é que o som seja bom, apesar das diferenças.

  3. Seria pedir demais que o novo do Stooges depois de tanto tempo alcançasse o mesmo poder que os albuns anteriores. Mas deixando isso de lado, o disco é bom e merece ser tocado bem alto.
    🙂

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