Ryan Adams, Jon Spencer e Robert Plant

por Marcelo Costa

“Demoliton” – Ryan Adams (FNM)
O jovem bardo do altcountry está de volta. Após a estreia de despedaçar corações com “Heartbreaker” (ainda inédito no Brasil) e a sequência com o ultra elogiado “Gold”, Ryan Adams retorna com “Demolition”, álbum de out-takes, demos e canções gravadas na estrada, sem lá muito polimento/acabamento. No entanto, esse ‘descuido’ com a produção é do bem. O som que sai das caixas logo na matadora faixa de abertura, “Nuclear”, é de se perguntar por que tanta gente passa meses no estúdio procurando o som perfeito. A faixa combina levada rock and roll, inspiração no máximo e uma letra que ‘viaja’ com imagens de violetas em chamas após uma explosão nuclear. Na sequência, destacando uma gaitinha safada, a happy “Hallelujah” emociona. “Startint To Hurt” traz linha de baixo a frente enquanto “Gimme a Sign” alterna riffs carregados de distorção com levadas pop no refrão. O lado melancólico de Adams também se faz presente em “Demolition”. Só o titulo da balada “She Wants to Play Hearts” já diz muito. Ou então a balada final, “Jesus, Dont Touch My Baby”, mais que um pedido, uma ameaça. Enquanto o álbum novo não vem, “Demolition” surge para matar a sede por boa música.

Nota: 7

“Plastic Fang” – Jon Spencer Blues Explosion (Trama/Matador)
Rock and Roll. Abandonando os experimentos eletrônicos de “Acme”, o álbum anterior, Jon Spencer e sua Blues Explosion lançam um álbum roqueiramente cínico. Amparado na produção de Steve Jordan, baixista colaborador/produtor dos trabalhos solo de Keith Richards e de Tom Petty, “Plastic Fang” é Stones circa 71/72 com letras debochadas que sarreiam o estilo de vida roqueiro maldito. “My soul is lost/ I said I curse the day that I ever was born” canta Spencer em “She Said”. O auto-retrato sofredor aumenta em “Killer Wolf”: “I am the guilty one / ball and chain around my leg / I’m the cursed one / black cloud hanging over head / fell the heart down pumps back blood / all inside me”. Em “Down In The Beast” ele se imagina bebendo sozinho em um sábado à noite. Musicalmente, “Plastic Fang” é rock com duas guitarras poderosas alternando-se nos headphones com bateria e… baixo. Sim. Steve Jordan toca baixo e alguns eventuais teclados no álbum. Não lembra em quase nada a banda que gravou o caótico “Now I Got Worry”, isso apenas seis anos atrás, mas, mesmo assim, é rock dos bons, carregado de ironia, diversão e sarcasmo. A versão nacional ainda traz o atrativo de uma faixa bônus, “Do Ya Wanna Get It?”, com teclados à frente e excelentes guitarras.

Nota: 7

“Dreamland” – Robert Plant (Universal)
Naquele que pinta ser seu melhor álbum solo, Robert Plant (a voz do Led Zeppelin) praticamente lança um disco de covers. Das dez canções de “Dreamland”, apenas quatro tem assinatura de Plant e banda, sendo que uma dessas ainda enxerta trechos de Robert Johnson, John Lee Hoooker e Arthur Big Boy Crudup (a longa e linda balada bluezy “Win My Train Fare Home”). Para aqueles que gostam de brincar de comparar, Plant propõe delicadeza a “One More Cup Coffee”, de Bob Dylan, também coverizada pela banda mais Zeppelin da atualidade, o White Stripes. Na comparação direta, o duo se sai melhor, não desmerecendo em nada a versão cheia de detalhes de Mr. Plant. Já em “Song To The Siren”, de Tim Buckley, Plant arrasa. O álbum segue, meio blues, meio oriental, cheio de detalhes. As canções começam lentas e seguem em crescendos mortiferos, carregadas pela voz de Plant que já não é o que foi, mas continua mais bela do que 95% do showbizz mundial.

Nota: 8,5

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