Três perguntas: Matheus Teixeira, um jovem artista para prestar atenção

entrevista por Renan Guerra

Nascido e criado no subúrbio do Rio de Janeiro, Matheus Teixeira cresceu numa família que tem como hábito fazer longas rodas de voz e violão, com muita MPB. Das cantorias livres em família, o artista passou aos estudos profissionais de canto, até começar a cantar em bares, eventos e rodas de samba pela capital carioca. Esse processo de profissionalização ganha nosso patamar em 2021, com o lançamento dos singles “Só pra me convencer” e “Amor Requentado”.

Fã de Maria Bethânia e Roberta Sá, Matheus conseguiu reunir um time de peso do universo da MPB, tendo em seu entorno Marcos Suzano e Thiago da Serrinha nas percussões, André Vasconcellos no baixo, Pedro Franco no violão, e Luis Barcelos no bandolim. As canções já lançadas têm produção musical de André Vasconcellos e Fabricio Matos, responsáveis pela reunião desse time de alto nível.

De voz bela, Matheus Teixeira canta os amores e a liberdade dos encontros a partir de sua perspectiva de homem negro e gay, colocando no papel todo o afeto e as trocas que nos são universais e que precisam ser entoadas. Aos poucos, o cantor e compositor tem revelado as faixas que irão compor seu primeiro EP, que deve chegar ao público no meio do ano.

Para o Scream & Yell, Matheus respondeu três perguntas em que fala sobre suas composições, seus encontros musicais e sua ansiedade pelos shows ao vivo. Confira abaixo:

Você já falou sobre o quanto se espera que você, um artista jovem, negro e gay, deveria fazer canções de cunho político; e como você enxerga que falar de amor e afetividades numa sociedade tão racista e homofóbica é altamente político. Nesse sentido, queria entender como funciona o seu processo de olhar para essas afetividades e transformar isso tudo em canções?
Eu realmente penso assim. Acho que falar de amor é sempre importante. Mas quando é falado por alguns grupos da sociedade, a quem muitas vezes é negada a possibilidade do afeto, pode ser ainda mais forte e importante. Eu sou um cara romântico, adoro assistir a histórias de amor, e adoro viver histórias de amor. Esse é um assunto que me interessa, que mexe comigo, então quando eu comecei a compor, há uns 4 anos, logo vieram ideias de canções com essa temática. Eu costumo partir de histórias minhas, coisas que eu já vivi e senti, mas geralmente acabam entrando também outras histórias, seja de amigos ou algumas que eu imagino. Uso tudo que eu achar que vai ficar bonito naquela música, sempre com muita atenção às palavras.

Nesse trabalho você vem acompanhado de artistas de grande importância no universo da MPB, como Marcos Suzano, Thiago da Serrinha, André Vasconcellos, Pedro Franco e Luis Barcelos. Como foi esse encontro e essa troca com artistas tão importantes? Bateu algum frio na barriga?
Pois é, isso foi incrível! Eu tive o privilégio de fazer esse trabalho com produtores muito relevantes na música brasileira, o André Vasconcellos e o Fabrício Matos. A primeira vez que eu fui no estúdio, dei de cara com um Grammy que o Fabrício tem, e rolou um super impacto rs. E aí como eles têm essa relevância, eles conhecem muita gente boa. A partir do momento que a gente definiu o caminho de sonoridade das músicas, eles chamaram todos esses músicos incríveis. Fiquei bastante nervoso sim. Quando eles contavam histórias que eles viveram com os gigantes da MPB, todos super ídolos meus, nossa… era tenso. Mas acima do nervosismo, eu tava MUITO feliz, e tentei aproveitar ao máximo!

Você já teve banda de forró, já gravou canções para o YouTube e canta no Bloco Butano na Bureta, como todas essas experiências te formataram para a chegada desse EP? Além disso, em meio ao isolamento social, você está ansioso para poder cantar suas canções novas ao vivo para o público?
Eu tinha bastante vergonha da exposição que é cantar em público. E acho que pra coisa ser bonita, você tem que se abrir, né. Então essas outras experiências serviram pra eu exercitar isso um pouco. E sinto que eu ainda tenho muito a evoluir nesse sentido. Além disso, cantar numa banda, e num bloco de carnaval, sempre traz uma troca de experiências. Eu ouço música brasileira desde sempre, mas não conheço tudo. Então, pude ampliar meu repertório, conhecer outros artistas, isso vale muito. Quanto a cantar minhas músicas ao vivo, é tudo o que eu mais quero. Ver alguém que conhece uma música que eu escrevi, cantando junto, tenho certeza que vai ser um passo super importante. Mas tá muito claro que não tem como isso acontecer agora. Vou fazendo o que é possível, tem música pra sair ainda, e vou segurando a ansiedade até que chegue um momento seguro pra viver essa nova etapa.

– Renan Guerra é jornalista e escreve para o Scream & Yell desde 2014. Também colabora com o Monkeybuzz.

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