Boteco: Cinco países, cinco cervejas

por Marcelo Costa

Abrindo uma nova série de cervejas e países pela Alemanha. A primeira é a Karlsbräu Weizen Hell, da poderosa gigante alemã Karlsberg (chamada de Karlsbrau fora do território alemã para que não seja confundida com a dinamarquesa Carlsberg), cervejaria fundada em 1878 em Homburg, cidade próxima de Frankfurt. A Karlsbräu marca presença com sua Weizen Hell, de coloração dourada cristalina com creme branco de boa formação e média retenção. No nariz, as notas clássicas do estilo batem ponto com notas frutadas (derivadas da levedura) remetendo a banana, leve condimentação (semente de cravo) e trigo (pão e biscoito), além de um sutil tutti-frutti. Na boca, reforço do que o aroma adianta com banana no primeiro toque mais semente de cravo, banana, biscoito e tutti-frutti na sequencia. O amargor é baixo, 12 IBUs, e a textura leve. Dai pra frente, uma autêntica Weizen alemã, com todos os seus atributos marcando presença de maneira saborosa. No final, condimentado leve. No retrogosto, banana sutil, biscoito e cravo.

Da Alemanha para Itupeva, no interior de São Paulo, com a Martina Witbier, da linha popular da cervejaria Blondine. Seguindo o padrão tradicional do estilo, a Martina Witbier recebe adição de semente de coentro e de casca de laranja, exibindo uma coloração dourada, que remete a versão americana do estilo (Blue Moon) belga (Hoegaarden). O creme é branco de ótima formação e retenção. No nariz, as adições se destacam na paleta aromática com o condimentado da semente de coentro e o frutado da casca de laranja sugerindo refrescancia. Na base, notas de cereais e trigo. Na boca, um replay do que o aroma adiante, com condimentação e frutado chegando juntos no primeiro toque, e dominando o perfil subsequente, proporcionando leveza e refrescancia. O amargor é baixinho, como manda o estilo, 13 IBUs. Já a textura é leve, outra característica deste estilo refrescante. Dai pra frente, uma boa cerveja que honra o custo / beneficio, ainda que a benchmarking belga do estilo, também pratique preços sedutores no país. No final, condimentação leve e refrescancia. No retrogosto, casca de laranja e mais refrescancia.

Do interior de São Paulo para a Califórnia com mais uma cerveja da Firestone Walker, desta vez a Easy Jack, uma Session IPA cuja receita combina os lúpulos CTZ, Amarillo, Simcoe, Mosaic, Mandarina, Melon e Citra com os maltes Two Row, Cara Pils, Munich e Crystal Light mais trigo e aveia. De coloração dourada, cristalina, com creme branco de boa formação e média alta retenção, a Firestone Walker Easy Jack apresenta um aroma que combina notas cítricas (laranja em destaque) sobre uma base suave floral e herbal (grama cortada). Na boca, frutado cítrico (laranja) no primeiro toque abrindo com uma pegada mais assertiva (e mais sugestão de maracujá). Na sequencia, herbal suave e amargor marcante, 47 IBUs que mostram suas garras com leveza. A textura é leve. Dai pra frente, uma Session IPA exemplar, leve e saborosa para se beber de caminhão pipa (em dias quentes, claro). No final, amarguinho herbal bem leve. No retrogosto, grama suave, maracujá, laranja e refrescancia.

Atravessando o oceano de volta a Europa, diretamente para Bruges, na Bélgica, com a Blanche de Bruges / Brugs Tarwebier, lançada originalmente pela Brouwerij De Gouden Boom em 1984, cuja história da cervejaria remonta a 1455 até ser adquirida pela Palm Breweries em 2003, quando essa wheat beer (que recebe semente de coentro e casca de laranja curaçau na receita) passou a ser produzida pela Brouwerij De Halve Maan. De coloração dourada levemente âmbar com creme branco de boa formação e retenção, a Blanche de Bruges exibe um aroma característico de witbier, com cítrico, condimentado e doçura (do trigo) combinados numa bela paleta aromática. Na boca, cítrico suave no primeiro toque seguido por condimentação marcante e alta refrescancia. Não há amargor e a textura é leve. Dai pra frente, uma belgian wheat beer que honra o estilo local. No final, cítrico e condimentado. No retrogosto, refrescancia.

De Bruges para Ellon, na Escócia, com mais uma Brewdog a marcar presença por aqui, desta vez a O-G Hazy, uma New England IPA de coloração amarelo turva, juicy tal qual um suco, com creme branco espesso de boa formação e retenção. No nariz, frutas tropicais se destacam com abacaxi à frente, mas também manga. É possível perceber leve doçura e picância. Na boca, abacaxi discreto no primeiro toque abrindo para um conjunto frutado e tropical que combina manga e trigo, acrescentando doçura média e picância leve. Os 35 IBUs parecem 5 e a textura é suave, como o estilo pede. Dai pra frente, uma New England IPA para europeu que ainda está na fase das escolas clássicas cervejeiras beber (e enlouquecer), quase que uma versão resumida de apresentação do estilo para que não o conhece, pois já quem conhece sabe que NE vai muito além disso. No final, manga e leve picância. No retrogosto, doçura e refrescancia tropical.

Karlsbräu Weizen Hell¬
– Produto: Hefeweizen
– Nacionalidade: Alemanha
– Graduação alcoólica: 5.2%
– Nota: 3.22/5

Martina Wit
– Produto: Witbier
– Nacionalidade: Brasil
– Graduação alcoólica: 4.2%
– Nota: 3.24/5

Firestone Walker Easy Jack
– Produto: Session IPA
– Nacionalidade: EUA
– Graduação alcoólica: 4%
– Nota: 3.45/5

Blanche de Bruges
– Produto: Witbier
– Nacionalidade: Belgica
– Graduação alcoólica: 5%
– Nota: 3.40/5

Brewdog O-G Hazy
– Produto: New England IPA
– Nacionalidade: Escócia
– Graduação alcoólica: 7.2%
– Nota: 3.66/5

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