Entrevista: Luê

por Marcos Paulino

Com sólida formação em música clássica, a paraense Luê, de 24 anos, cresceu equilibrando seu lado erudito com a veia popular tão pulsante em sua família, recheada de músicos, como seu pai, o cantor e compositor Júnior Soares.

O resultado está no seu disco de estreia, “A Fim de Onda”, recém-lançado com patrocínio do Programa Natura Musical, que bebe da fonte dos ritmos típicos de seu Estado, sem perder de vista a pegada pop.

No álbum, Luê mostra que sua família não estava errada quando insistiu para que ela vencesse a timidez e, além de tocar, também soltasse a voz. Não bastasse o talento como instrumentista e cantora, a belenense também incursiona pela composição. Uma delas, inclusive, ganhou a parceria de Arnaldo Antunes. Sobre este momento de sua carreira, Luê conversou com o Plug, parceiro do Scream & Yell:

Você tem formação em violino clássico, e hoje passeia por um estilo de música bem popular. Como foi essa transição?
Comecei meus estudos na música clássica com 9 anos, mas cresci com a informação da música popular brasileira, muito por influência do meu pai, que é de uma banda chamada Arraial do Pavulagem. Essa banda tem como foco o trabalho de pesquisar a música, o ritmo, a tradição toda que circula pelo Pará. Isso acabou influenciando no meu trabalho, mas não teve uma transição específica. Já estava dentro de mim, então foi um processo natural.

Em algum momento desse seu aprendizado, você percebeu que também tinha o dom de cantar. Como isso aconteceu?
Tinha a vontade de cantar, mas não assumia, tinha vergonha, era tímida. Menina besta, né? (risos). Minha família tem a tradição de se reunir pra tocar, e numa dessas reuniões, peguei o microfone e cantei. Percebi que houve uma reação instantânea das pessoas que estavam na casa, o que foi, pra mim, um sinal positivo.

E seu lado compositora, te acompanha desde sempre ou também apareceu de repente?
Foi mais recente, surgiu paralelamente ao disco. Eu já estava produzindo o disco quando veio essa vontade de compor. Não tinha esse hábito antes.

O Arnaldo Antunes colaborou no seu disco com a letra da faixa que dá nome ao álbum. Como se deu essa participação?
Essa é uma história interessante. Essa música surgiu durante uma viagem de avião, quando eu estava acompanhada do Betão Aguiar, que produziu o disco. Veio na minha cabeça esse mote, “tô a fim de onda com você”, e a melodia também. O Betão adorou a ideia e gravou no celular, do jeito que deu. Quando chegamos a São Paulo, terminamos a melodia, mas faltava a letra. Então o Betão resolveu convidar o Arnaldo pra assinar a música com a gente. Eles tocam juntos há anos, mas eu não sabia se ele iria topar. Ele topou na hora, fomos a casa dele e terminamos a letra. Foi muito divertido.

Por ser do Pará, você sente dificuldade em fazer seu trabalho emplacar especialmente no sul do país?
Essa dificuldade já foi maior. Ainda existe preconceito, mas já foi bem pior. As pessoas só levavam a sério o que era produzido no eixo Rio-São Paulo. O Brasil é muito mais que isso. Estão começando a abrir o coração pra essa música que vem de outros lugares. Sinto uma curiosidade muito grande das pessoas em relação ao que é produzido no Pará, e isso é ótimo.

Você, que é jovem, acredita que sua música tem espaço pra crescer junto ao público de sua faixa etária?
Acho que sim. Na verdade, nada é muito garantido. Quero colher os frutos com muito trabalho, com muito esforço. Estou aberta às possibilidades que podem acontecer.

Como está a sua agenda?
Tá bem atribulada. Vou fazer quatro shows que fazem parte do patrocínio da Natura, em Belém, Rio, São Paulo e Salvador. O disco foi feito com muito cuidado, e minha ideia é circular bastante com ele. Quero ver como funciona no palco.

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Marcos Paulino é jornalista e editor do caderno Plug, do jornal Gazeta de Limeira.

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