Ao vivo: Carne Doce e Alice Caymmi numa noite de vozes femininas na Autêntica (BH)

Texto e fotos por Alexandre Biciati

Carne Doce e Alice Caymmi fizeram uma noite de vozes femininas no sábado véspera de Dia das Mães na Autêntica em Belo Horizonte. E que vozes! Os shows foram intimistas, com direito a troca de contato entre o palco e a turma do gargarejo que interagiu e foi correspondida com simpatia por Salma Jô, vocalista do Carne Doce, e Alice Caymmi.

Se tem uma palavra que possa definir o show do Carne Doce é hipnótico. Dona de uma voz de muita personalidade, Salma Jô encantou pela performance. Acompanhada pela banda da qual faz parte o marido e guitarrista Macloys Aquino, Salma dançou e jogou o cabelo como se estivesse na pista curtindo o próprio som que fazem. Seus movimentos não são gratuitos e parecem estar em perfeita sincronia com as batidas do indie-pop da banda e as luzes de palco.

O show, que trouxe músicas dos dois trabalhos mais recentes, abriu com “Temporal”, faixa de “Interior” (2020) e, na sequência, uma das músicas mais antigas no repertório: “Cetapensano” de 2016, deixando evidente a identidade sônica que acompanha os discos da banda. A Carne Doce ainda apresentou na capital mineira a agitada “Latada”, single que será lançado oficialmente no dia 13 de maio.

Nos intervalos entre músicas, além de uma chuva de adjetivos elogiosos dirigidos à Salma, o público pedia “Eu Te Odeio” – que soa cômico ouvir ser gritado para o artista – e “Açaí”, ambas do disco “Princesa” lançado em 2016. O Carne Doce fechou o show da noite com a segunda delas e uma apoteose de distorções e luzes dançantes para euforia dos fãs.

Já Alice Caymmi foi ovacionada ao pisar no palco da Autêntica. E não era pra menos, ela usava um figurino exuberante, uma espécie de parangolê – obra de arte que se veste – porém branco, mesma cor usada pelos músicos da banda. Além de conferir movimento, a roupa interagia bem com a luz dando um tom criativo e coerente ao título do seu mais recente trabalho: “Imaculada” de 2021.

O show começou com “Louca” (2017) e desde o início Alice Caymmi esbanjava sorriso e uma sensação de gratidão no olhar. O público respondeu bem a “Serpente” e uma sequência de três músicas do disco “Rainha dos Raios” (2015). Alice Caymmi, afinadíssima, arrancou suspiros sustentando notas à maestria. O que viria em seguida foi totalmente inesperado. Provavelmente, o melhor preâmbulo que Alice já fez da romântica “A Estação” de 2018.

Convidada a subir no palco, Daianne Luara contou sua relação com a música e chamou a namorada Izabela Mesquita a quem fez um pedido mais que especial de casamento. A música que marca o relacionamento das fãs tocou enquanto os celulares da platéia viraram para a dupla. O show prosseguiu com canções do álbum “Imaculada”, mas Alice ainda cantou “Tudo Que For Leve” (2012), hit de carreira que figura no primeiro disco.

Assim como aconteceu no show do Carne Doce, Alice Caymmi aprovou as manifestações políticas puxadas pelo público em peso. A casa contou ainda com o DJ Luiz Valente, dono do selo VinylLand, que fez um set com muita propriedade nos intervalos tocando artistas adjacentes. Para todo o público, mas, especialmente para as mamães que entraram no Dia das Mães na Autêntica, sem dúvida, dois shows que enalteceram a alma feminina e funcionaram como um delicioso presente.

– Alexandre Biciati é fotógrafo: https://www.alexandrebiciati.com/

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