Entrevista: Belvy K (The Catatonics) fala sobre o relançamento do clássico perdido do hardcore “Hunted Down”

entrevista por Luiz Mazetto

Surgida alguns anos depois da explosão punk da segunda metade dos anos 1970, a cena hardcore dos Estados Unidos no início dos anos 1980 foi um período muito fértil em termos de ideias e músicas. Mas, para além de grandes nomes que se tornaram conhecidos do público, como Dead Kennedys, Bad Brains, Minor Threat, Adolescents e Black Flag, há uma infinidade de outras bandas igualmente interessantes que lançaram apenas EPs e demos que estavam fora dos grandes centros e/ou nunca tiveram uma distribuição ampla e, consequentemente, não chegaram a um público maior.

Relançado no último dia 23 de abril como parte do Record Store Day, o EP “Hunted Down” (1984), do The Catatonics, é um ótimo exemplo dessas verdadeiras joias perdidas do hardcore norte-americano. Com apenas 5 músicas em pouco menos de 10 minutos, o registro urgente mostra o então jovem quarteto de Syracuse, Nova York, praticando um som poderoso, com um pé no hardcore e outro no metal, a exemplo de outras bandas essenciais de crossover da época como Corrosion of Conformity e DRI.

A nova e necessária versão desse clássico perdido do hardcore dos EUA chega em uma edição luxuosa pela Southern Lord (aumentando o tracking list de 5 para 18 canções), que em 2021 também relançou o material de outra joia pouco conhecida do hardcore norte-americano, o Neon Christ. O relançamento de “Hunted Down” traz todas as músicas do EP original mais o single “Descending in E” e as demos gravadas pelo Catatonics no início de sua curta carreira.

Na entrevista abaixo, o gente-finíssima baterista Belvy K fala sobre como o relançamento tomou vida, relembra sobre a frustração de viver em meio a um ambiente conversador em Syracuse no início dos anos 1980, revela que toca bateria desde que era muito criança por incentivo dos pais, conta como foi tocar em outras bandas essenciais do punk/hardocre, como UK Subs e 7 Seconds, e diz quais os discos que mudaram a sua vida.

Gostaria de começar perguntando sobre como o relançamento to “Hunted Down” (1984) acabou acontecendo. Você já conhecia o Greg Anderson, da Southern Lord?
É engraçado, porque ele (Greg) entrou em contato com um amigo meu chamado Mike Gitter, que costumava fazer um fanzine de hardcore em Boston chamado “xXx” e atualmente trabalha para a Century Media. E o Greg perguntou se havia um site ou página no Facebook do Catatonics e o Mike mostrou para ele a nossa página no Facebook, mantida por mim e pelo meu amigo Bobcat. Porque eu e o Bobcat estávamos tentando transformar esse projeto (relançamento) em realidade há pelo menos 10 anos, mas nunca conseguíamos fazer dar certo. E o Greg apenas nos enviou uma mensagem privada no Facebook em julho do ano passado (2021). Tudo acaba retornando, porque no fim das contas eu já tinha conhecido o Greg há muito tempo, quando fiz minha primeira turnê com o 7 Seconds e nós tocamos em Seattle. Na verdade, nós dois meio que lembramos desse encontro, algo como “Ahh, é verdade”. E agora ele tem essa gravadora foda e é incrível. Ele era um grande fã, lembro desse show em Seattle e ele (Greg) nem queria falar sobre o 7 Seconds, foi algo como (nessa hora, Belvy faz uma voz empolgada) “Cara, aquele disco 7 polegadas do Catatonics é incrível pra cacete!” e ele ficou falando sobre isso. E naquela época nós só tínhamos feito 500 cópias do álbum e imaginávamos que ninguém tivesse escutado ou se importasse. Quando conheci esse cara em Seattle, do outro lado do país, que tinha curtido muito o disco, foi algo “Uau, isso é incrível”. Então avance quase 40 anos e agora temos o disco sendo relançado para o Record Store Day, o que é incrível (risos).

Então você já tinha basicamente todo o material reunido, as demos e as masters originais do EP?
Nós tínhamos as masters para o EP de 7 polegadas e então encontramos fitas de áudio de bobina (reel to reel) com gravações das demos. Encontramos também a gravação da “Descending in E”, que foi lançada (em 1985) na segunda compilação da Flipside Magazine, que era algo importante naquela época (Nota: O vol 2 da compilação trazia outras bandas importantes da cena punk/hardcore dos EUA, como Germs, Agent Orange, Naked Raygun e Misfit). Essa música foi gravada na mesma sessão do “Hunted Down”. Todo o resto são demos e algumas coisas ao vivo.

Na versão digital promo que recebi do disco, reparei que a tracklist do EP está diferente, já que a abertura não é mais com “Never Again”, mas com o single ‘Descending in E”. Será assim em todas as versões? E como tomaram essa decisão?
Você diz a razão pela qual colocamos a “Descending in E” na abertura? Ahh, apenas achei que seria legal colocar algo que provavelmente ninguém tinha escutado antes. E pessoalmente eu também costumo achar que é a melhor coisa que já fizemos – sempre fico em dúvida entre “Hunted Down” e “Descending in E”. Mas, de qualquer forma, apenas pensei que seria uma maneira divertida de abrir o disco, com a intro da música com as garotas gritando pelos Catatonics.

Como você disse, o EP foi lançado em 1984, há quase 40 anos. Então queria saber como foi para você revisitar esse material tanto tempo depois? E vocês estiveram presentes fisicamente durante o processo de remasterização do disco?
Não. O Greg enviou para o pessoal que ele sempre usa para coisas da Southern Lord fazer essa parte. Basicamente fizemos tudo de forma remota, tudo isso foi durante a pandemia de Covid-19. O Greg enviava arquivos de áudio para mim e para o Bobcat, e então nos perguntava “O que acham disso?” e então respondíamos algo como “Ahh, vamos tentar deixar maior ou mais pesado, vamos diminuir um pouco o agudo aqui”, coisas assim. Mas foi um processo bastante fácil, no geral.

Foto de Raw Leakage / Sub-Culture Archives

No press release, vocês mencionam que quando a banda começou, em Syracuse, na região central de Nova York, basicamente não havia uma cena hardcore na cidade. Como eram as coisas naquela época?
É, não havia punks, não havia hardcore, não havia nada (risos). Nasci e fui criado na cidade de Nova York, mas meus pais se mudaram para essa região do estado quando nós éramos crianças. Para uma criança que tinha crescido no Lower East Side, em Nova York, foi algo realmente muito diferente. Era bastante conservador e reacionário. Qualquer pessoa que parecesse estranha ou fã de punk/hardcore, acabava entrando em brigas o tempo todo, era mandado da escola para casa. Mas acho que parte do… não sei se o som do Catatonics era de Nova York. Acho que muita daquela raiva vinha do fato de estarmos em um lugar isolado, que não era cosmopolita ou algo do tipo. Muita da energia presente nesse disco – e no Catatonics – era um produto do nosso ambiente. Talvez não fôssemos tão irritados e bravos se fôssemos de Nova York e tivesse um monte de outras bandas hardcore e todo mundo estivesse fazendo isso. Nós não tínhamos ninguém (risos). Basicamente éramos apenas nós, então tivemos de criar uma cena. Éramos jovens, então criamos uma cena e encorajamos outros jovens a montar bandas. E, quando você menos espera, estamos agendando shows de bandas nacionais na cidade, liberados para todas as idades (all ages), e então tudo meio que explodiu a partir daí.

Legal! Isso era algo que estava na minha lista mesmo, de saber sobre o papel de Syracuse no som da banda. Por isso, queria saber se vocês em algum momento chegaram a pensar em mudar para Nova York, como outras bandas da época fizeram, como Bad Brains e Dead Boys, por exemplo?
Nós começamos o Catatonics quando tínhamos uns 14 anos e era bem longe da nossa casa (risos). Mas eu pensei nisso! É uma viagem de mais ou menos cinco horas, de carro ou ônibus. Então algumas vezes eu pegava o ônibus para passar o final de semana ou algo assim. Mas você não conseguiria fazer nós quatro, ainda estudantes do ensino médio, largar tudo de repente para mudar para Nova York (risos).

Belvy K – Foto de Raw Leakage / Sub-Culture Archives

E qual foi o seu primeiro contato com a cena punk/hardcore naquela época? Você já vivia em Syracuse quando isso aconteceu ou foi antes, quando ainda estava em Nova York?
Acho que foi provavelmente em Syracuse, porque em Nova York obviamente foram as primeiras bandas punk, como os Ramones. Não acho que a primeira…estou tentando pensar… A primeira coisa de hardcore que ouvi na vida provavelmente foi o single “Pay to Cum”, do Bad Brains, que foi algo que mudou tudo completamente para mim. Porque acho que o primeiro show que eu assisti provavelmente foram os Ramones, quando eu tinha 11 ou 12 anos de idade, e foi algo que me impressionou muito. Então quando escutei o Bad Brains foi apenas como “Puta que pariu! Eu não sabia que a música podia ser tão pesada, tão rápida, tão incrível”. E apenas mergulhei nisso a partir daí.

E quando você viu os Ramones, ainda vivia em Nova York?
Sim! Não consigo lembrar, mas acho que os meus pais ou a minha avó me levaram ao show.

E houve algum disco ou show específico que te fez querer tocar bateria?
Eu sempre toquei bateria. Os meus pais me deram a minha primeira bateria quando eu devia ter uns 5 ou 6 anos de idade, era tipo uma pequena bateria para crianças (risos). Comecei a levar um pouco mais a sério quando comecei a curtir as primeiras bandas de punk, como Clash, Pistols e Stiff Little Fingers. Apenas ficava tocando junto com esses discos por horas, horas e horas com os fones de ouvido. Então podia tocar o “Give’Em Enough Rope” (1978), do Clash, por inteiro, ou “Eat to the Beat” (1979), do Blondie, inteiro. E então apenas pensei “Porra, eu realmente posso fazer isso” e segui em frente.

Foto de Raw Leakage / Sub-Culture Archives

Você mencionou que durante os anos em que o Catatonics existiu, vocês conseguiram levar muitas bandas conhecidas para tocarem em Syracuse. Como isso aconteceu? Vocês já conheciam algumas dessas bandas ou era algo mais numa pegada “tentativa e erro” de enviar correspondências para elas e tentar a sorte?
Naquela época, antes da Internet, as pessoas costumavam realmente trocar muitas cartas – e você fazia amigos por correspondência (“pen pals”). Para fazer shows e turnês, você pegava cartões telefônicos roubados. E assim eu podia falar com os caras do Youth Brigade, em Los Angeles, ou com o 7 Seconds, em Reno – ou com pessoas ao redor do país. E também penso que a Maximum Rocknroll, o fanzine, foi realmente um meio que conectava todas as cenas underground “faça você mesmo” (DYI) nos Estados Unidos. Porque eles faziam, por exemplo, um “scene report” (reportagem especial sobre uma cena) sobre Columbus, Ohio, ou sobre Seattle. E eles fizeram um sobre Syracuse, que tinha o nosso endereço e talvez mais informações de contato, não me lembro. Mas definitivamente tinha o meu endereço. A partir disso, as pessoas entravam em contato, algo como “Ei, aqui é o Barry, do Necros, nós vamos estar em turnê em setembro. Vocês têm algo por aí?”. E tudo meio que explodiu a partir daí.” Então avance para… nós provavelmente começamos a fazer shows em 1982, 1983, mas em 1984 tinha realmente estourado. Era tipo um lugar para vir entre Nova York e Toronto para quem estivesse em turnê, ou algo assim.

Com o tempo, o “Hunted Down”, do Catatonics, tornou-se um álbum cult e muito influente para muita gente. E, mesmo sendo possível escutar influências de outras bandas daquela época, o disco tem algo muito único, talvez como consequência do que você mencionou, o fato de vocês estarem meio isolados – e também terem muita raiva por estarem naquele lugar. Por que acha que o som da banda, e especialmente desse disco, ainda soa tão atemporal, tão fresco, até hoje?
É, é incrível ouvir as pessoas dizerem isso. Quando você está fazendo isso, gravando uma música, ensaiando, fazendo shows, você está obviamente tentando ser a melhor banda que puder, tocar de forma precisa e ter boas músicas. Mas é meio surpreendente ver quantas pessoas realmente o encaram como um disco influente – e uma banda influente. Trabalho em uma empresa chamada Brooklyn Bazaar e… como iria descrever? É tipo uma combinação de empresa com casa noturna com casa de shows para locação. Então, por um ano tivemos uma casa noturna chamada Brooklyn Night Bazaar. E por volta de 2016, talvez 2015, não me lembro ao certo, o Fucked Up tocou e eles tinham acabado de ser escolhidos como “Banda do Ano” pela Spin ou algo assim. E eu estava conversando com o Jonah (Falco), o baterista deles, e ele falou “Ahh, você era o cara que tocava no 7 Seconds e no UK Subs. Você tocou em outras bandas?”. Então falei “Ahh é, toquei em uma banda mais ao norte do estado de Nova York, mas você provavelmente nunca ouviu falar”. E ele respondeu “Ahh, é. Que banda?”. Aí falei “Ah, era uma banda chamada The Catatonics”. Então ele começa a cantarolar o riff de abertura da “Never Again” (risos). Apenas fiquei tipo “Que porra é essa?” (risos). Achei que alguém estava pregando uma peça em mim, porque ficava pensando “Como é possível?”. Então no fim das contas há diversas pessoas, que eram colecionadores de vinil, que tinham o disco.

Foto de Raw Leakage / Sub-Culture Archives

E você e os outros integrantes da banda mantiveram contato ao longo dos anos e também para organizar esse relançamento?
Na verdade, não. Como eu disse, a pessoa que me acompanhou durante todo esse projeto é o meu amigo Bobcat – na época, ele tocava numa banda chamada SFB, Shit for Brains (risos). Ele vive no Brooklyn, então sempre mantivemos contato e sempre falamos sobre fazer isso, mas acabou nunca dando certo. Tinha uma gravadora de Nova York que ia fazer o lançamento, mas acabaram voltando atrás. Então ficávamos meio que esperando que alguém iria aparecer, mas não estávamos realmente contando com isso. Então o Greg (Anderson) apareceu e foi incrível. Desde então, tenho falado e mantido contato com o Joe, guitarrista da banda, e também com o Jeff, o baixista. Mas ninguém consegue encontrar o Farmer, o outro guitarrista. Ele não está nas redes sociais, ninguém sabe o telefone dele, estamos tentando encontrá-lo (risos). Farmer, se você estiver lendo isso, por favor mande uma mensagem para as nossas páginas nas redes sociais (risos). Mas ainda não sabemos onde ele está, ele é o único elo perdido. Mas o resto de nós tem estado em contato desde que isso começou a realmente virar algo real.

E havia alguma banda na época com quem vocês eram mais próximos ou que consideravam como espíritos irmãos, por exemplo?
Acho que quase todo mundo com quem você tocasse, fosse da Costa Leste, da Costa Oeste, ou do Meio Oeste, você meio que já virava um “espírito irmão” imediatamente, porque honestamente – a não ser que você fosse de Los Angeles – todos estávamos fazendo esses shows minúsculos, pequenos, “faça você mesmo”, e todos éramos dessas cenas “faça você mesmo”. Então você meio que sabia que também eram jovens assim como você e que tinham passado pelas mesmas coisas. Mas não havia muitas bandas de hardcore (em Syracuse) até alguns anos depois – como eu disse, tinha o SFB, do Bobcat, tinha o Still Born, e muitas bandas que nunca gravaram nada, como o Second Trust. Mas muitas bandas da época apenas gravaram fitas cassete. Até onde eu sei, nós fomos a única banda que chegou a lançar algo naquela primeira cena. Então se você avançar uns 10 anos, talvez mais, Syracuse teve uma grande cena de hardcore straight edge, liderada por bandas como Earth Crisis, mas isso aconteceu muitos anos depois da nossa época.

Foto de Raw Leakage / Sub-Culture Archives

Você mencionou há pouco que o Bad Brains mudou a sua vida. Por isso, queria te pedir para dizer três discos que mudaram a sua vida e por que eles fizeram isso.
Eu diria que esse primeiro single do Bad Brains, “Pay to Cum” (1979), foi algo incrível, que realmente… E tenho certeza que não foi só comigo, se você falar com qualquer pessoa da primeira e segunda gerações do hardcore dos EUA, todos eles vão te dizer a mesma coisa: os caras do Rancid, do Green Day, que quando éramos todos jovens e ouvimos o Bad Brains pela primeira vez, foi algo como “Que porra é essa?”, algo que mudou tudo com certeza. Também incluiria o meu disco favorito de todos os tempos da minha banda favorita de todos os tempos, que é o The Clash e o segundo disco deles, “Give’Em Enough Rope” (1978), que é a minha Bíblia Sagrada dos discos de punk. Acho que é um álbum do Clash criminosamente subestimado, nunca é apontado como o melhor ou entre os melhores discos deles. Eu o escolheria em vez do “London Calling” (1979) a qualquer momento. E então um terceiro… Preciso fazer justiça com a minha madrinha Debbie Harry e citar o “Eat to the Beat” (1979), do Blondie. As baterias do Clem (Burke, baterista da banda) nesse disco são incríveis pra caralho. Eu costumava passar horas e horas e horas aprendendo esse disco. É realmente divertido de tocar, com diversas viradas e tudo mais. Acho que esses três formam uma boa lista, eles descrevem como eu acabei onde estou (risos).

Essa é a última pergunta. Além do Catatonics, você também tocou com muitas outras grandes bandas, como 7 Seconds, UK Subs e D Generation. Por isso, queria saber do que você tem mais orgulho na sua carreira.
Ah! Essa é uma pergunta divertida. Há partes diferentes e cada uma dessas coisas foi legal. Os discos com o UK Subs, gravei um full e um EP com eles. Na época, o Alvin, baixista da banda, também estava tocando nas turnês do Iggy Pop e eles tiveram uma semana de folga. O Andy McCoy, do Hanoi Rocks, era o guitarrista nessa turnê (do Iggy Pop – e que também faz uma participação no disco full que Belvy gravou, “Killing Time”, de 1988), e na época eu era muito fã do Hanoi Rocks – e também era muito fã do UK Subs quando era jovem, eles eram certamente uma das minhas bandas favoritas de punk da Inglaterra. Então isso foi algo muito legal de fazer. A banda que tive depois do D Generation, Libertine, não ficou tão conhecida quanto as outras bandas, mas fizemos muitas turnês pelo mundo. Nós chegamos a abrir para o Motley Crue, o que foi muito estranho (risos). Com o 7 Seconds, a turnê do “Walk Together, Rock Together” (1985) da qual participei foi filmada por uma equipe para um filme, o que é algo muito, muito legal, e espero que isso seja lançado algum dia. Porque as gravações mostram a gente gravando com o Ian MacKaye no Inner Ear (estúdio lendário onde foram gravados alguns dos principais discos de bandas como Minor Threat, Bad Brains e The Teen Idles), em Washington DC. Então essas imagens são realmente sensacionais, tenho muito orgulho disso. Sair para fazer shows razoavelmente pequenos em uma cidade pequena para voar pelo país e então tocar com o 7 Seconds, que na época provavelmente estavam no auge da sua popularidade. Acho que o primeiro show que fiz com eles foi em Los Angeles, ou em Long Beach, e o lineup tinha Circle Jerks, Descendents, 7 Seconds, MIA, e tinha milhares de pessoas. Naquela época, era muito entrar na minha cabeça que o hardcore podia ser tão grande. São desses momentos que me lembro. E agora com esse relançamento do Catatonics, muitas memórias vem à tona de ótimos momentos. Você só é adolescente uma vez, certo (risos)? Você pensa sobre muitas pessoas, bandas e cenas que não pensava há séculos. É meio que uma viagem ter isso tudo voltando.

–  Luiz Mazetto é autor dos livros “Nós Somos a Tempestade – Conversas Sobre o Metal Alternativo dos EUA” e “Nós Somos a Tempestade, Vol 2 – Conversas Sobre o Metal Alternativo pelo Mundo”, ambos pela Edições Ideal. Também colabora coma a Vice Brasil, o CVLT Nation e a Loud!

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