Zabomba e Ney Matogrosso no Rio

texto por Shirley Ribeiro
fotos por Angela Araujo

“Nós entramos no palco perdendo de 2 a 0”, refletia o guitarrista Paulo Passos, logo após o show. Praticamente desconhecidos para o público carioca, a Zabomba não sabia o que esperar da plateia que compareceu ao StudioRJ, na quinta-feira, 22 de dezembro. “Foi a primeira vez que tocamos para pessoas que não acompanham a nossa trajetória. E foi muito bom”, avaliou o vocalista Rapha Z.

A indiferença do público começou a mudar já nos primeiros acordes da canção “Deslizando Sobre Ondas de Tensão”. Era como se, de repente, as pessoas se dessem conta de que algo inusitado estava acontecendo naquele palco e era preciso prestar atenção. A música deixa claro que aquele grupo é de São Paulo e toca um rock com tons de hardcore. A letra é de quem ama e odeia tudo o que a grande metrópole representa.

Em seguida, a Zabomba apresenta a faixa título de seu terceiro disco “Vivendo de Truque”, que, ao contrário da música anterior, tem um aroma quase carioca. O percussionista Felipe Rosseno, que foi responsável pela aproximação entre a banda e o ídolo Ney Matogrosso, é o primeiro convidado da noite. “Ele levou um disco nosso para o Ney ouvir e ele simplesmente gostou. É uma loucura maravilhosa que isso tenha acontecido. Ele sempre foi uma referência para a gente como ícone da música e da arte no Brasil”, conta Rapha.

O placar entre banda e público já estava empatado, quando Ney Matogrosso sobe ao palco cantando “eu hoje acordei com medo, mas não chorei”, da linda “Poema”, de Cazuza. A plateia, emocionada, olha para o dono da voz melódica com um sorriso no rosto. Em seguida, a MPB de “Tanto Amar” (Chico Buarque) ganha uma roupagem rock´roll, as pessoas cantam e dançam. É a senha para a chegada de “Pronomes”, que o vocalista define como uma “gafieira zabombástica” e que vai ser gravada no próximo disco de Ney Matogrosso, junto com “Mente”, outra canção do Zabomba.

“Acho que conseguimos virar e ficou no 2 x 3”, diz o guitarrista complementando a metáfora futebolística. Mas o público parece não concordar com o placar apertado. Depois do show, no fumódromo mais bonito do Brasil com vista para a Arpoador e Ipanema, as pessoas se dizem completamente rendidas pela banda que acabaram de conhecer. “Não fazia ideia do talento da Zabomba, nunca tinha ouvido. Virei fã,” dizia um dos fumantes, resumindo o sentimento de vários outros.

Nos bastidores, Ney Matogrosso que encerrou a participação no palco cantando “Açucar Candy”, de Sueli Costa e Tite de Lemos, numa versão quase pornográfica, parecia muito feliz com o resultado. Conversando animadamente, ele contou o que o fez se aproximar da banda paulistana. “Tudo neles me instigou. É a energia do rock, com poesia. Lembra Barão, mas sem saudosismo ou nostalgia. Eu gosto mesmo é de inovar e me sentir ligado a bandas diferentes. Desse jeito, posso transitar por toda variedade musical. Meu único requisito é gostar. E eu gosto demais da Zabomba”.

– Shirley Ribeiro (siga @poptals) é jornalista e já escreveu sobre o show do Dead Fish (aqui)

9 thoughts on “Zabomba e Ney Matogrosso no Rio

  1. Parabéns pela matéria, gostaria de fazer duas observações: o nome da banda é Zabomba e a música do Chico Buarque que foi tocada no show é Tanto Amar. Grande abraço e obrigado por divulgarem as novidades!

  2. Vi o show e a banda é impressionante, além das canções deles baterem de primeira, os caras acompanharam o Ney Matogrosso com muita categoria. O Ney sabe o que faz, trouxe ao Rio uma
    verdadeira revelação que pode voar alto. Difícil descrever o som, tem que ouvir pra sentir, se tocar no rádio é só correr pro abraço!

  3. Eu tava viajando e meio sem conexão, só agora vi que o texto foi publicado. Primeiro, desculpem-me pelos erros, já corrigidos pelo Mac.
    Respondendo ao Marcelo, que não gostou da expressão “rock com tons de hardcore” esclareço que estava me referindo à sensação que a banda passou quando tocou, naquele show, a canção “Deslizando”. Ali, na beira da praia de Ipanema, me pareceu mesmo que havia algo hardcore no ar.
    No geral, acho que a forma como a banda se define “rock tropical cinzento” é muito adequada.
    E Aimee, eu acho que essa versão de Açucar Candy deveria ser gravada. Ainda não me saiu da cabeça, é linda!
    Pra terminar, valeu Mac!

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