The Art of the LP, Morgan e Wardle

por Adriano Costa

Houve um tempo em que a música já começava a se vender pela capa do disco. Muitos álbuns já causavam impacto logo quando se avistava exposto em uma loja qualquer. Os tempos mudaram (é, eles sempre mudam) e isso (parece que) ficou para trás. Era uma época onde as publicações elegiam não somente a melhor música ou artista do ano que passou, mas também a melhor capa. Daí dá para entender a importância que isso alcançava.

É impossível ler o livro “The Art of the LP”, de Johnny Morgan e Ben Wardle, lançado em 2010 na gringa pela Sterling Publishing Co., e não tecer algum comentário saudosista ou nostálgico. Ainda sem edição nacional, o livro tem 400 páginas e mais de 350 discos compilados de 40 anos – entre o período de 1955 a 1995. Além de expor a capa, os autores traçam pequenas informações sobre ano, gravadora, fotografia e design.

“The Art of The LP – Classic Album Covers 1955 – 1995” é dividido em 10 tópicos: Rock & Roll, Sex, Art, Identity, Drugs, Ego, Real World, Escape, Politics e Death. Essa organização própria feita pelos autores pode até não ser entendida em sua totalidade, mas tem seus próprios méritos. Logo no início é apresentada a famosa capa de “Elvis Presley”, e 1956, cuja imagem foi extraída por William “Red” Robertson de um show na Flórida.

Aqui ainda estão reunidas obras clássicas como a que Robert Frank fez para “Exile On Main Street” (1972), dos Rolling Stones, ou a do “Nevermind” (1991), do Nirvana, elaborada em cima de foto de Kirk Weddle. Mas também estão diversas outras de artistas menos conhecidos e até mesmo obscuros que foram desencavadas durante o projeto. Existem também algumas coisas horríveis – como a de um álbum do Poison –, mas é só passar rapidamente a página.

Os parágrafos escritos sobre cada item destacam curiosidades e detalhes diversos como, por exemplo, quanto cobraram cada uma das modelos que posaram para a capa original de “Eletric Ladyland (1968), do Jimi Hendrix Experience (a foto foi vetada na reedição do disco), ou a descrição dos objetos de “Surfer Rosa” (1985), do Pixies, ou ainda como Tony Wilson, da Factory se empenhou para que a capa do álbum “Power, Corruption And Lies” (1983), do New Order, se parecesse com o trabalho do francês Henri Fantin.

Existem capas para todos os gostos e estilos musicais como as “irmãs” “Stick Fingers” (1971), dos Rolling Stones, e “Too Fast For Love” (1982) do Motlëy Crüe, além de coisas lindas como “Nancy” (1969), de Nancy Sinatra (obra de Andy Warwol), “Gently” da Liza Minelli (1995), e “Mingus Ah Um” (1959), de Charles Mingus e outras bem sacadas como a de “Radio” (1985), do LL Cool J, ou “Turn Back” (1980), do Toto (sim, isso mesmo, o Toto).

“The Art of The LP” não é para ser avaliado como um trabalho definitivo sobre o assunto, até porque vários artistas não se fazem presente, mas sim como um compêndio pessoal de dois autores aficionados por música. É para ver, rever e deixar ali em um lugar privilegiado da estante – ao lado de “Bossa Nova e Outras Bossas – A Arte e o Design das Capas dos LPs”, compêndio nacional de 700 capas organizado por Caetano Rodrigues e Charles Gavin. É peça obrigatória para qualquer um que goste de música e todos os aspectos que a circundam e transformam.

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– Adriano Mello Costa (siga @coisapop) assina o blog Coisa Pop

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