“R.E.M. Live”

Após mais de duas décadas de discos praticamente perfeitos (os anos 80 de “Murmur”, “Reckoning” e “Document” e os 90 de “Out of Time”, “Automatic For The People” e “New Adventures In Hi-Fi”), e uma decaída em 2004 com seu primeiro álbum abaixo dos padrões de qualidade impostos pela própria banda (“Around The Sun”), o R.E.M. quebra um silêncio de três anos e lança seu primeiro registro ao vivo oficial (descontando dezenas de gravações lançadas em lados b de singles).

“Live in Dublin” compila 22 músicas (em CD/DVD) de diversos momentos da carreira de uma das principais bandas em atividade no mundo, privilegiando o material composto nos anos 2000. A rigor, o R.E.M. já devia ter lançado um álbum ao vivo faz tempo, principalmente quando ainda tinha o baterista Bill Berry na formação original. Esse fato não desmerece em nada “Live in Dublin”, que honra a tradição de grandes shows do R.E.M. e só perde em comparação com um ou outro bootleg, como o que registra a antológica apresentação no Rock in Rio, em 2001, no Rio de Janeiro.

Os dois concertos realizados em fevereiro de 2005 na capital da República da Irlanda encerravam a perna européia da turnê do álbum “Around The Sun”, e o grosso do repertório (seis canções) é centrado em canções do disco, que felizmente cresceram muito ao vivo (com destaque para “Electron Blue”, apresentada por Michael Stipe como sua canção favorita do álbum, “Leaving New York” e “Final Straw”). Metade de “Live in Dublin” é de repertório pós anos 2000 como a forte “Bad Day” (da coletânea “The Best R.E.M – In Time”), a grandiosa “The Great Beyond” (da trilha do filme “Man On The Moon”) e a poderosa “Walk Unafraid”, do álbum “Up”.

O clássico “Automatic For The People” cedeu três canções para o show (“Man On the Moon”, “Everbody Hurts” e “Drive” em versões sublimes) enquanto o excelente “Monster” aparece com a barulhenta “I Took Your Name” (que abre o show) e “What’s the Frequency, Kenneth?”. O multiplatinado “Out Of Time” cedeu “Losing My Religion” enquanto o subestimado “New Adventures In Hi-Fi” comparece com “So Fast, So Numb”. Dos anos 80, apenas quatro faixas: “Cuyahoga”, “Orange Crush”, “The One I Love” e “(Don’t Go Back To) Rockville” (esta última cantada pelo baixista Mike Mills).

A impressão que fica é que faltaram muitos clássicos, não é mesmo? E realmente faltaram. Mas é isso que acontece quando uma banda tão perfeita quanto o R.E.M. grava um show após 27 anos de álbuns matadores. Não há como arranjar espaço para tudo, a não ser que o álbum seja triplo. Ou que a banda tivesse resgatado o show do Rock In Rio que, entre outros clássicos, contou com “Finest Worksong”, “Fall on Me”, “Stand”, “So Central Rain (I’m Sorry)”, “At My Most Beautiful” e “It’s The End Of The World As We Know It (And I Fell Fine)”. Apesar dos pesares, “Live in Dublin” é um álbum ao vivo acima da média de uma banda acima da média. A torcida é que o álbum resulte numa turnê mundial, que passe pelo Brasil. Se isso acontecer, de um jeito de ir: você estará correndo o risco de presenciar um dos melhores shows de rock do mundo.

“Live”, R.E.M. (Warner)
Preço em média (importado): R$ 70 (edição tripla CD duplo + DVD)
A Warner brasileira promete edição nacional para este mês


Trailer de “Live in Dublin”, do R.E.M.

8 thoughts on ““R.E.M. Live”

  1. Bom,

    Falar do R.E.M. é como chover no molhado. Todos os adjetivos e suas respectivas qualidades seriam um grão de areia se compararmos a história tratada desta magnífica banda.
    Confesso, que muitas vezes já discuti na escola e algumas vezes na faculdade, quem ousasse falar mal do R.E.M. perto de mim. Tamanha é a minha devoção e fanatismo pelo grupo (que só perde o trono pelo genial Neil Young). Mas que hoje, mais maduro e conhecedor de outras bandas, a discussão se tornou um pouco mais sadia. Graças ao Wilco, Radiohead, Pixies, Teenage Fanclub, Afghan Whigs/Twilight Singers, Manics, entre outras bandas clássicas.
    Enfim, este ao vivo é acima da média pois o R.E.M. é acima da média e o seu set list, idem. Como bem definiu o Marcelo.
    E neste aspecto, o set list se torna à mercê da quantidade/qualidade dos vários álbuns clássicos da banda e a atual turnê de promoção de “Around The Sun”.
    Também acho o show do Rock In Rio mais bacana do que esse, porém, a melhora significativa das músicas de “Around the Sun”, ao vivo, me fizeram esquecer do pequeno deslize musical do disco. Por isso só, este ao vivo se torna obrigatório aos fãs e aos amantes de música boa e inteligente.
    E que venha o disco de inéditas prometido pela banda no ano que vem. Saudamos a qualidade.

    PS. No campo da música, tbm, venho através deste dia 12/11/07, saudar felicidades e saúde eterna, a quem eu não conheço fisicamente, mas que continua alegrando e emocionando com suas canções, a minha vida. Parabéns, Sr. Neil Young!
    Gênio.

  2. Só não digo que o show do R.E.M. no Rock In Rio foi o melhor que vi na vida porque estive no primeiro show que os Rolling Stones fizeram no Brasil, durante a turnê Voodoo Lounge. Mas foi inesquecível ver o R.E.M. tocar músicas antigas que eu venero e que sequer imaginava que eles iriam apresentar, como “Fall On Me” e “So Central Rain”.

  3. Com certeza vou baixar esse show,mas acho dificil bater em qualidade o Perfect Square,cujo o audio do dvd eu ripei para mp3, repertorio espetacular…

  4. A melhor banda do mundo depois dos Beatles…:))
    Quando o REM veio pro Rock In Rio, paguei tudo pra sair aqui de Belem e ir ver o show…pra minha surpresa a excursão foi cancelada em cima da hora 🙁 O jeito foi assistir ao show no Multishow, com a certeza de que estava perdendo um dos maiores momentos da minha vida…
    Agora…vamos atras de comprar esse ao vivo…
    Abs MAC

  5. O fato deles terem se debruçado sobre o repertório dos dois últimos álbuns só demonstra que o R.E.M. é uma grande banda – que sabe o que faz e acredita nisso. O álbum é muito bom, produção impecável, fiquei imprecionado. O clima “ao vivo” não se resumiu a aplausos abrindo e fechando as músicas mas tbm na própria execução delas, os backing vocal…. Cara, fiquei imprecionado mesmo! Não se ouve muitos discos ao vivo assim.O meu único porém é em relação a Loosing my religion, pois acho que já ouvi execuções mais impolgantes.
    E Mac, acho que vc é um fã Emperdenido do R.E.M….HAUHAUAHAUH O álbum é muito bom sim tá!!!!!! abçs

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