A estréia do Charme Chulo

por Marcelo Costa

Para quem acompanha o Scream & Yell, o nome Charme Chulo não é nenhuma novidade. O quarteto curitibano surgiu em 2004 com um excelente EP caseiro, “Você Sabe Muito Bem Onde Eu Estou”, que destacava as deliciosas pérolas pop “Polaca Azeda” e “Piada Cruel”, ambas regravadas para este debute oficial, e outras quatro faixas. A diferença entre aquele disquinho caseiro e esse primeiro álbum oficial quase não existe. Eduardo Xuxu (da banda Pipodélica) manteve a simplicidade registrada no EP e isso é um ponto positivo.

“Charme Chulo”, o álbum, amplia a equação que resumia o som da banda, e que agora vai além da união de Smiths com viola caipira. Estes dois pilares mantém em pé o som do quarteto, mas há no álbum um choque interessante do jeito jeca de ser com o espião de corações solitários encontrado na figura do importante escritor curitibano Dalton Trevisan. O Charme Chulo trafega na linha tênue que separa um território do outro criando geniais retratos de um povo que perdeu a sua chance (e continua sendo enganado), de amores encontrados em botecos (cujas diferenças desaparecem em um colchão), e de pessoas que deixam a vida lhe levar (vida leva eu?).

“Mazzaropi Incriminado” abre o CD honrando o homenageado do título com uma batida de violão acelerada, um oportuno acordeon e uma letra que mostra as dúvidas de um brasileiro que quer ir embora, mas não quer fugir. A boa “A Caminho das Luzes Essa Noite” é totalmente anos 80 (e abandona os Smiths para se agarrar ao Cure). “Polaca Azeda” joga o som da viola caipira na cara do ouvinte, mas assim como no EP, quem brilha no arranjo é o baixo que segue a bateria acelerada. “Piada Cruel”, “Barretos” e “Apaixonante na Tristeza” são Smiths retirados da fonte; “Amor de Boteco” quase enfia os dois pés na música sertaneja, mas só molha o dedinho mindinho; “Não Deixe a Vida Te Levar” tem riff forte de guitarra e uma ótima letra.

Das 12 canções que compõe o álbum, mais da metade poderia frequentar o playlist das jabazadas rádios FM do País (e das AM também), o que mostra que o cenário independente está cada vez mais viável para a grande massa, sem perder a aura de inteligência e qualidade que o norteia. Lançado pelo selo paulistano Volume 1, “Charme Chulo”, o álbum, entra na lista de melhores lançamentos do ano no território nacional, e volta a jogar luz sobre a exuberante cena curitibana.

– Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne

7 thoughts on “A estréia do Charme Chulo

  1. Só uma ressalva. O EP não foi caseiro não. Eu tenho e foi gravado em estúdio, mixado e produzido.
    Desde o começo já prezavam pela qualidade. Era um EP com jeito de CD cheio. Só isso

  2. Só outra ressalva diretamente pro Mac:
    o meu não é CDR, tem encarte, foi prensado sim senhor, não em Manaus, mas foi. Caseiro pra mim, é qdo vc faz em casa, e eles não fizeram em casa. Gravado em multipista e mixado em estúdio.
    Eu sei pq tenho original e to lendo aqui a ficha técnica.

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