Três perguntas: Bruna Magalhães fala sobre seu disco cantando Paralamas

entrevista de Marcelo Costa

Cantora, compositora e arquiteta paraense, Bruna Magalhães debutou com material autoral em 2017, mas em 2025 decidiu homenagear uma das bandas mais importantes do país, o Paralamas, dedicando um álbum inteirinho ao grupo de Herbert Vianna, Bi Ribeiro e João Barone. Ainda que seja da terra do tecnobrega, da guitarrada e do carimbó, Bruna trilha um caminho mais radiofônico em versões pop acústicas que tentam “alcançar tanto a geração que é fã dos Paralamas quanto a nova geração que curte MPB contemporânea”, confia a artista.

Aposta de Rick Bonadio e de sua Midas Music, dois nomes que causam calafrios em muita gente séria, Bruna Magalhães vem aproveitando o caminho aberto por seu produtor: em 2024, Bonadio a aproximou dos Titãs, com quem regravou a balada “Porque eu sei que é amor” para o projeto “Microfonado” (comandado, claro, por Bonadio – que, vale lembrar, gravou o pior disco dos Titãs). Dessa vez, o “midas” convoca Vitor Kley e Zeca Baleiro para feats com Bruna em, respectivamente, “Cuide Bem do Seu Amor” e “Lanterna dos Afogados”.

“Bruna Magalhães Canta Paralamas” não pretende ser um projeto difícil, tanto que repertório quanto arranjos optam por uma via segura, de barzinho, violão e percussão leve, mas algumas escolhas merecem destaque, como “Nada Por Mim”, canção que Herbert escreveu ao levar um pé na bunda de Paula Toller, do Kid Abelha, e a deu para Marina Lima gravar (depois, o próprio Kid Abelha regravaria a música – há uma versão poderosa de Herbert ao lado de Renato Russo), ou “Por Que Não Eu?”, outra do repertório do Kid Abelha (parceria de Herbert com Leoni e Paula).

Abaixo, Bruna fala sobre cantar Paralamas, gravar com grandes nomes e o trabalho com Rick Bonadio.

Por que Paralamas? Como se deu sua conexão com eles e o desejo de regravar o repertório da banda?
Os Paralamas sempre foram uma referência muito forte pra mim pela musicalidade, pela força rítmica e pela maneira como conseguem gerar tanta identificação do público com as letras e melodias. O repertório deles tem uma identidade que atravessa gerações, e isso sempre me chamou atenção como intérprete. Há um tempo já era um desejo meu fazer um álbum de releituras, falei sobre isso com o Rick Bonadio e o Sérgio Fouad numa reunião pra traçar os planos desse ano e eles adoraram a ideia. Percebemos que isso é um movimento que tem dado muito certo no cenário musical tendo muitos casos de sucesso como Silva canta Marisa, Ana Cañas canta Belchior e Mãe Ana canta JG. Quando surgiu a ideia de regravar essas canções, percebemos que havia espaço pra uma releitura mais acústica, com violões e percussões que dialogam com o que faço hoje. Não foi um movimento nostálgico, foi uma escolha artística. Quis experimentar essas músicas dentro de outra estética, com outra pulsação, e descobrir novos detalhes nelas cantando com o meu próprio timbre e identidade artística, buscando alcançar um novo público mais extenso, me firmar também como intérprete e homenagear um dos maiores compositores do Brasil, o Herbert Vianna.

Você lançou seu primeiro disco autoral em 2017. No ano passado gravou com Titãs (“Porque Eu Sei Que é Amor”) e agora surge acompanhada por Vitor Kley e Zeca Baleiro. Como é pra você estar ao lado desses artistas, colaborar com eles?
É sempre uma troca muito rica, um grande aprendizado pra mim, que ainda sou muito jovem, estar ao lado de gigantes da música brasileira que já estão há anos na estrada. Os Titãs têm uma força histórica enorme, e participar de uma gravação com eles é entender uma engrenagem musical que funciona com muita precisão.

Já o Vitor Kley tem uma energia vocal muito luminosa, que traz leveza e naturalidade pras músicas, dividir um som com ele foi muito fluido.

E o Zeca Baleiro tem uma das vozes mais singulares do Brasil. O timbre dele traz textura, personalidade, um mundo próprio. Ter essa voz entrando no meu projeto dá outra dimensão às músicas, porque ele transforma qualquer interpretação com a presença vocal dele.

Estar ao lado desses artistas é aprender outras maneiras de ocupar um espaço musical e entender novas possibilidades de diálogo entre vozes, ao mesmo tempo que me sinto mais perto do lugar que busco alcançar na música.

Você integra o cast da Midas Music e vem trabalhando com o Rick Bonadio há um bom tempo. Como tem sido essa experiência de trabalhar e ser orientada por ele?
Tem sido um processo de muito aperfeiçoamento. O Rick tem um olhar técnico muito apurado: ele sabe identificar rapidamente o que funciona numa interpretação e o que pode ser ajustado. Trabalhar com ele me ajudou a desenvolver minha precisão vocal, minha consciência de composições e a clareza do que quero entregar em cada faixa. A Midas também me oferece estrutura e um ambiente criativo que me incentiva a testar ideias, experimentar caminhos e buscar a melhor versão de cada música. É uma parceria que me fortalece artisticamente e que me impulsiona a buscar sempre mais qualidade e consistência no meu trabalho. Estou muito feliz e honrada em poder desenvolver minha carreira tendo o apoio do Rick e da gravadora, estamos traçando um caminho muito bonito e o mais importante: valorizando nossa música brasileira.

Selo Scream & Yell: Ouça também um tributo aos Paralamas do Sucesso

– Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne.

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