Festival Casarão dá pontapé importante com edição em Manaus e ótimos shows de Rancore, Tucumanos e Sophia Chablau

texto e fotos de Marcelo Costa
fotos e vídeos d
e Bruno Capelas

Em 2000, em Porto Velho, no estado de Rondônia, uma festa em um antigo casarão do século 19, construído no auge da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, dava início à história de um dos festivais mais longevos da região. 25 anos depois, o Festival Casarão celebra o passado mirando o futuro: a edição 2025 do evento abraçou o quesito “circulação” promovendo shows em sete cidades, sendo que quatro delas – Boa Vista, Manaus, Porto Velho e Rio Branco – ostentam um enorme potencial de circuito, afinal uma coisa é levar um artista para um único show numa dessas cidades, outra é levá-lo para quatro shows em quatro cidades (uma lógica que, inclusive, vem movimentando o calendário de shows na América Latina nos últimos 15 anos).

Foto de Bruno Capelas

O Scream & Yell, que vem acompanhando o Festival Casarão desde 2010 (marcando presença ainda nas edições de 2012, 2013, 2014, 2022 e 2023), partiu em comitiva para observar os novos passos do festival, e enquanto Bruno Capelas marcou presença mais uma vez na cidade-sede do evento, Porto Velho, para acompanhar mais de 30 shows em três dias de junho, este editor partiu para Manaus, capital amazonense que receberia, também em três dias, grande parte das atrações que também marcaram presença em Porto Velho, com o line-up sendo preenchido ainda por interessantes atrações locais – muitas delas também circularam pelas outras “etapas” do festival, um ponto a ser destacado e aplaudido na edição 2025 do Casarão.

Foto de Bruno Capelas

Feito na raça (sem patrocínios, editais ou verba de marketing) e com divulgação econômica focada em redes sociais e “boca-a-boca”, a primeira edição do Festival Casarão Manaus, realizada no Almirante Hall, não chegou a lotar o bom espaço da casa (a noite que prometia ser a mais concorrida sofreu um revês com o cancelamento do show do Terno Rei no dia de sua apresentação devido a falha da companhia aérea em executar a conexão), mas mostrou uma boa perspectiva para edições futuras, tanto que o Festival Casarão Manaus está confirmado para 2026. A produção também mostrou jogo de cintura ao lidar com o cancelamento de sua atração mais aguardada: o show do Terno Rei foi remarcado para dezembro, e não só quem havia comprado ingresso permanece com ele válido, como pôde ainda ir ao festival no domingo com o ingresso válido para as duas datas.

Sophia Chablau & Uma Enorme Perda Tempo / Foto de Bruno Capelas

No palco, mais de 20 atrações se dividiram em três dias, e ainda que muitos dos nomes “de fora” trouxessem no currículo apresentações em festivais renomados e gigantes como Lollapalooza e Monsters of Rock, o “time da casa” estava muito bem representado por atrações que tinham canções na ponta da língua do público, demonstrando que a cena local está fazendo corretamente seus corres, dentro das limitações que tão bem conhecemos em todos os rincões do país. E ainda que Mombojó, responsável por um show que balançou as estruturas da edição em Porto Velho, não estivesse escalado para Manaus, a capital amazonense foi agraciada com o romantismo indie da Maglore, com a catarse simpática de Sophia Chabau & Uma Enorme Perda de Tempo e o pique acelerado das gurias do The Mönic, sem contar a sempre cativante presença de Daniel Groove.

DIA 1

Matheus Santaella / Foto de Marcelo Costa

Quem abriu os trabalhos foi o artista local Matheus Santaella, que parece querer seguir os passos de Vitor Kley (que o Scream & Yell viu dias antes abrindo para Richard Ashcroft em SP). Mostrando canções de seu EP “Todos os Futuros” (2024), Matheus (ao violão e acompanhado de guitarra e teclado) fez um show de pop suave, leve e sem perigo, que chamou a atenção realmente quando ele disse que tocaria o single “Só Agora” (2019), que já ultrapassou a marca de 1.600.000 plays no Spotify, a despeito de poucos presentes no festival a conhecerem – a título de comparação, “Delícia/Luxuria”, single do primeiro disco de Sophia Chablau, tem 1.400.000 plays no Spotify, e foi muito mais cantada que “Só Agora” (a bem da verdade, até as duas músicas inéditas que Sophia mostrou na noite, e que vão integrar o terceiro álbum de sua banda, foram mais cantadas)…

Duda Raposo / Foto de Marcelo Costa

Duda Raposo surgiu no palco 2 do festival. Ela vem enfileirando singles nas plataformas (são cerca de 20 lançamentos, entre registros solo e feats), e se o som em estúdio é mais próximo do pop radiofônico, ao vivo sua sonoridade ganha peso extra. Ou como ela mesmo confidenciou no palco: “A melhor parte do nosso show é que a gente deixa (as canções) mais roqueiras (ao vivo)”. De fato, suas canções ganharam corpo com a boa banda que a acompanha, valorizando seu vocal. Foi um show promissor (com canções cantadas pelo pequeno público presente) que, no entanto, acabou soterrado pelo peso e profissionalismo dos mineiros do Projeto Clandestino, que, tarimbados pela vida na estrada, colocaram o volume no talo entregando uma apresentação quadradinha de rock clássico básico (com direito até a cover de Mutantes): estava alto, audível (o som da gaita estava ótimo) e funcionou bem por meia hora.

Projeto Clandestino / Foto de Marcelo Costa

De volta ao palco 2, o duo Kanichi, do Tocantis, surgiu com uma proposta mais interessante: “A gente está ligado que vocês gostam do Tronxo, então sabemos que vocês gostam de suingue”, comentou o vocalista e guitarrista Felipe Kuroda, citando os heróis indies locais do momento, e ainda que a apresentação tenha soado hermética demais (mesmo com Felipe tentando quebrar o gelo: “A gente pegou cinco aeroportos pra estar aqui com vocês, então chega junto”), é possível vislumbrar muitas nuances bacanas no som da Kanichi. Permaneça de olho neles! No palco principal, uma instituição local, a Cabocrioulo, enfrentava um desafio: o humor do crítico, já que o técnico de som ficou “testando” o microfone da banda com “alô” durante quase toda a apresentação da Kanichi, um enorme sinal de desrespeito. Porém, quantos shows você se lembra de entrar desgostoso com a produção, e se derramar pela banda ao primeiro acorde? Infelizmente, não foi o caso aqui: apesar de tantos testes, o vocal de Milton Cabocrioulo soou ininteligível, e a banda parecia mais fazer exercícios instrumentais que tocar canções. Um fato: muita gente estava cantando junto. Quem sabe numa próxima vez…

Kanichi / Foto de Marcelo Costa

Na sequência, outra instituição local chamava a responsa pra si, pois quase 20 anos de história entravam em cena no Festival Casarão Manaus: a banda foi criada em 2006, e em 2014, Richard Cruz dava a letra no Scream & Yell: “Guitarras a lá Red Hot Chili Peppers, um vocalista carismático, grooves que exalam Jorge Ben e letras repletas de um regionalismo que em momento algum soa forçado. Essa é a Tucumanus, cujo nome junta uma popularíssima fruta da região (o tucumã) com o hábito manauara de chamar todo mundo de ‘mano’”. Toda a empolgação de Richard fazia sentido, e ainda faz. O vocal de Clóvis é perfeito, fazendo-se entender com facilidade para um público que, majoritariamente, conhecia todas as canções de cor. O guitarrista Denilson Novo acrescenta empolgação e inspiração, como em longo e imperdível happening declamado no meio do show. Cozinha e metais esbanjam suingue, e é impossível ficar parado ao som de canções como “Serpenteia” e “O Boto” (sobre incesto), ambas do disco de estreia, “Rumo a Via Láctea” (2014), assim como faixas aparentemente inéditas em registros de estúdio como “Tudo em Comprimidos” e “120 Ponta Negra”, entre outras, em um dos melhores shows de todo o fim de semana. Devia ser regra: se você visitar Manaus, vá ao Teatro Amazonas, coma tambaqui, nade com botos, veja o encontro das águas, beba uma cerveja no MBS e tente assistir a um show da Tucumanos (talvez seja a coisa mais real que você verá na cidade). Foda!

Tucumanus / Foto de Marcelo Costa

Line-ups de festival deveriam ser tratados como pequenas joias, tal qual um DJ Set ou uma fitinha cassete (hoje seria uma playlist?) feita de presente para alguém (há algo sobre isso em “Alta Fidelidade”, de Nick Hornby, não há?). Quando você atinge o ápice muito cedo (num festival, num DJ Set, numa playlist), as coisas ficam meio fora do lugar – depois que Jerry Lee Lewis incendeia seu piano, nem Chuck Berry ousaria entrar em cena, conta a lenda. Assim, após a catarse do show da Tucumanos, a primeira noite do Festival Casarão Manaus entrou meio em transe, e não que as gurias do The Mönic não tenham se esforçado, muito pelo contrário, o show foi alto, enérgico e repleto de interação entre a banda e a plateia, mas a sensação (no melhor show que o Scream & Yell presenciou da banda até o momento, e olha que as vimos abrindo para L7 e Garbage) é de que ainda falta uma música que as defina, aquele hit que assim que começa a tocar faz você pensar na banda. Elas seguem à procura, e “Sabotagem”, “Refém”, “Atear”, “Lobotomia”, “Marte” e “Kamikase” fizeram a festa da galera num show redondinho e celebrado pelo público.

The Mönic / Foto de Marcelo Costa

Na questão “joia ‘in progress’” que é um line-up, a presença da psicodelia regional do Casa de Caba como penúltima banda da noite soou ainda mais deslocada. O som, bastante recomendado por amigos locais, tem muito potencial, mas encaixada entre o pique jovem do The Mönic e o romantismo agridoce da Maglore, pareceu perder sentido – ainda assim, procure “Fogo Aflora”, o álbum ao vivo deles lançado em 2020, vale a pena. Encerrando a maratona, a Maglore fez mais uma apresentação bonita, mas que carece de material novo, ou mesmo um momento diferente, pois se Manaus já viu essa apresentação duas vezes, o que dirá os fãs sudestinos. Ok, é realmente injusto reclamar de um set que tem “A Vida é Uma Aventura”, “Amor de Verão”, “Outra Vez”, “Me Deixa Legal”, “Motor”, “Maio, 1968” (a lista segue), e da postura da banda ao vivo, sempre dedicada e impecável. Mas talvez seja mesmo essa fé nos caras que nos faz pedir: queremos novidades, queremos novidades, queremos novidade… Feliz, o público de Manaus cantou tudo e voltou rouco pra casa.

Maglore / Foto de Marcelo Costa

DIA 2

O cansaço da maratona do dia anterior aliado a um safari amazônico, um pirarucu assado e algumas cervejas locais (Rio Negro, Louvada e Batuta representando bem nos estilos clássicos) cobrou seu quinhão no segundo dia, e a equipe Scream & Yell só chegou ao Almirante Hall quando o quinteto Bodo Valorizado, de Roraima, estava próximo de encerrar seu bom set de MPBC (música popular brasileira caribenha) no palco 2. Na sequencia, no palco principal, e com Clovis Rodrigues (também da Tucumanos) no vocal, o quarteto Platinados defendeu seu “rock caboclão” diante de uma plateia que ainda chegava ao festival. A história da banda remonta ao final dos anos 90, quando o grupo gravou os EPs “Acudecavalo” (1999) e “Belle Époque Noise” (2003). Após um hiato, o grupo retomou as atividades em 2014 lançando mais um EP, “Pobre Star”, em 2018. No Festival Casarão, o quarteto reiterou sua verve roqueira em uma boa apresentação que merecia um público maior.

Platinados / Foto de Bruno Capelas

De volta ao palco 2 para presenciar a Banana Bipolar numa apresentação intensamente roqueira: desafinada, desajeitada, desencontrada e extremamente farrista. Pouca coisa se salva em um show em que fica difícil entender o que está realmente acontecendo, mas a diversão do quinteto goiano se sobressai, como quando a vocalista canta “cigarro não dá barato / a gente fuma porque quer morrer” tragando um bastonete nicotinoso. Doloroso, mas passou rápido. Naquele papo (chato) de pensar line-up, nada mais surreal que emendar a porralouquice inconsequente do Banana Bipolar com o charme romântico de Daniel Groove, sempre incandescente. Movido a corticoide (muitos músicos que rodaram pelo Circuito Casarão sofreram ao sair de menos de 15 graus em São Paulo para os 35 graus abafadíssimos de Manaus), o cearense repetiu em Manaus o que vem fazendo desde sempre em seus shows: conquistar plateias. O cara é mestre. Ou mágico. Na capital amazonense, tendo o trio O Tronxo como banda de apoio, Daniel Groove arrebatou novos adeptos para seu fã clube, seja cantando canções próprias como “Sedã Azul” e a bela “Jardim Suspenso”, ou sacando um cover improvável, como “Você Vai Se Arrepender”, de Bartô Galeno. Top 5 do fim de semana. Fácil.

Daniel Groove / Foto de Bruno Capelas

Se entre os nomes novos, Marcela Bonfim foi um dos destaques em Porto Velho, em Manaus quem mostrou muita personalidade foi Elisa Maia. A curiosidade que une as duas cantoras é o fato de que ambas tem trabalhos engatilhados com a Natura Musical, mostrando que o projeto está com antenas ligadas para a cena do Norte. Amparada por guitarra e bateria, Elisa Maia fez um show dançante e alegre para mostrar a “música negra da Amazônia”. Fique de ouvidos atentos com ela. No palco principal, e após muitas aventuras na edição de Porto Velho do Casarão, o quarteto paulista Sophia Chablau & Uma Enorme Perda Tempo provou, mais uma vez, porque é uma das coisas mais legais da nova cena musical nacional. Não só: boa parte do público da noite estava no festival para vê-los, o que deixou a apresentação ainda mais quente. Se Daniel Groove precisou conquistar a plateia, algo que ele faz sem muito esforço, Sophia Chablau já entra em cena com o público em suas mãos, e, inteligente, não desperdiça a chance: hits indies como “Minha Mãe é Perfeita”, “As Coisas Que Não Te Ensinam na Faculdade de Filosofia”, “Quem Vai Apagar a Luz”, “Delícia/Luxuria” e “Segredo” foram cantadas em coro por um público que também já conhecia as inéditas “Eu Não Bebo” e “Cinema Brasileiro”, registros que devem aparecer no vindouro terceiro disco da banda, em outro dos grandes shows do fim de semana.

Elisa Maia / Foto de Bruno Capelas

Iniciando os procedimentos de desembarque da segunda noite do Festival Casarão Manaus, a atração local Doral mostrou um pop classudo que não tem a mínima vergonha de soar comercial, algo que em alguns momentos remete a Placa Luminosa e, em outros, lembra (novamente) Vitor Kley. É um som com méritos: o vocalista Filipe Shimizu canta muito bem, e o instrumental é redondinho no melhor estilo Roupa Nova (uma banda assumidamente pop de músicos talentosos). Não é o tipo de som que a gente vá defender aqui no Scream & Yell, mas é o som que pode tocar tanto em uma novela global quanto em um lual de beira de praia: se você for em um, e ouvir, lembra de nós, porque nós nunca iremos, o que dá a senha não só para a Doral como também da Jovem Dionísio, escalada para fechar a segunda noite do festival: são bandas voltadas para um público diferente do que a gente dialoga (ou pretende dialogar) aqui no site (e o fato de um dos textos mais lidos do site em 2025 ser sobre o show do Simply Red no Allianz é uma deliciosa contradição de tudo isso escrito acima, mas quem tem certeza sobre tudo na vida é um grande otário, a gente segue em frente tateando no escuro)… Dito tudo isso, valeu Jovem Dionísio e partiu dia 3.

DIA 3

Os Últimos / Foto de Marcelo Costa

As aventuras amazonenses do Scream & Yell voltaram a bater ponto no último dia do festival (atire o primeiro tucumã apenas quem escalou os quase 300 degraus para ver o pôr do sol no mirante do MUSA, o Museu da Amazônia, encravado em um pedaço da floresta e, por isso, longe pra caralho do centro), o que acabou nos custando a apresentação de Beatriz Procópio, que abria o terceiro dia do festival, e quase que também a d’Os Últimos, que a gente vem acompanhando no Festival Casarão desde 2013. A correria, no entanto, valeu a pena por confirmar que o quarteto de Ariquemes, RO, vive, talvez, o seu melhor momento musical, após circular bastante pela cena local defendendo o rock rondoniense. Se lá atrás, se destacava a cozinha formada pela baterista de mão cheia Laura Brandhuber e pelo baixista Rogério Madeira, agora Tom Rodrigues (voz e guitarra) e Thiago Maziero (guitarra) chegam em pé de igualdade, resultando num som mais encorpado e melhor resolvido (inclusive nas letras), e um show bem mais redondo e interessante. Ponto pra eles.

Mateus Fazeno Rock / Foto de Bruno Capelas

Em se tratando de Norte, estava estranho encarar o festival sem se deparar com nenhuma atração com influência declarada de reggae, mas Johnny Jack Mesclado estava ali para não deixar essa página passar em branco. Reggae no Norte do país é uma missão e os caras a cumprem com orgulho. O septeto fez todo mundo levantar o pézinho do chão, um de cada vez, mas poderia deixar as baladinhas arrastadas de lado e se concentrar no groovão. No palco 2, um assumidamente contente Mateus Fazeno Rock declarava seu amor ao público amazonense. Se o show em Porto Velho foi feito a base de corticoide e muita vontade, em Manaus, fisicamente mais inteiro, Mateus mostrou porque é outro dos nomes mais interessantes da nova música brasileira. Acompanhado de Muriel, arrepiante nos backing vocals, e DJ Viúva Negra no som, Mateus desfilou petardos como “Madrugada”, “Legal Legal”, “Pode ser Easy”, “Missa Negra”, “Jesus Ñ Voltará” e “Melô de Aparecida” num show em que público e artistas terminaram felizes. Precisa mais?

Rancore / Foto de Bruno Capelas

De verdade, não precisava, mas tinha… Rancore. Elevados ao posto de headliner do último dia com o cancelamento do show da Terno Rei, o grupo paulista fez um daqueles shows em que desavidados não conseguem entender porra nenhuma do que está sendo gritado no microfone pelo vocalista Teco Martins, mas que o grupo de fãs presente trazia tatuado na memória, disposto a entregar a alma por uma sequência surreal de mosh e pogo. Foi bonito de ver. Numa apresentação digna, o Rancore mandou grande parte do público para casa suado e estasiado. Para quem ficou, a despedida do Casarão Manaus 2025 tinha uma última atração local que merece atenção: o quarteto Não Existe Saudade em Inglês abriu seu set com seu ótimo single mais recente, “É Foda”, que teve fãs cantando junto e tudo mais. O show foi redondinho credenciando a banda – que fez turnê por Sul e Sudeste neste ano – como outro dos nomes a se prestar atenção da cena manaura.

Não Existe Saudade em Inglês / Foto de Bruno Capelas

Como primeira edição de fato (o Casarão já havia realizado noites de shows em Manaus, mas nunca um festival completo), o Festival Casarão Manaus mostrou muito potencial para o futuro. Ainda há detalhes importantes a serem acertados – divulgação é item obrigatório assim como identidade visual: não basta escolher um local bacana para shows, é preciso “vesti-lo” com a cara do festival, transformá-lo em um ambiente Casarão –, mas o primordial funcionou a contento no Almirante Hall: houve poucos atrasos em relação a programação divulgada e o som esteve ok em praticamente todos os shows. A curadoria também precisa entender o tamanho do festival: nove shows por noite é uma maratona que muita gente não encara (mesmo com o segundo palco funcionando como escape enquanto o primeiro é preparado para a próxima banda). O saldo final, no entanto, é positivo, principalmente se olharmos o Circuito Casarão como um todo, pensando que é possível, sim, circular um artista por mais de uma capital da região, mostrando que uma ideia muito interessante está brotando no festival. Fica a torcida para que ela dê frutos. A cena local, em primeiro plano, e nacional, num plano maior, só tem a ganhar com o Circuito Casarão.

– Bruno Capelas (@noacapelas) é jornalista. Apresenta o Programa de Indie e escreve a newsletter Meus Discos, Meus Drinks e Nada Mais. Colabora com o Scream & Yell desde 2010.
– Marcelo Costa (@screamyell) é editor do Scream & Yell e assina a Calmantes com Champagne.

One thought on “Festival Casarão dá pontapé importante com edição em Manaus e ótimos shows de Rancore, Tucumanos e Sophia Chablau

  1. Uma lista de nomes a pesquisar e quem sabe unir-se a outras pastas musicais aqui em casa. Boa pedida pelo jeito.

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