Blog do Editor do Scream & Yell
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Category — Cinema

Minhas apostas para o Oscar

A cerimônia 2010 do Oscar não terá um grande vencedor. “Avatar” deve levar as categorias técnicas e se consagrar como Melhor Filme, mas, para mim, Kathryn Bigelow sairá nesta madrugada do Teatro Kodak como Melhor Diretora. Dai em diante va um Oscar para cada produção. Talvez “A Fita Branca” e “Guerra ao Terror” saiam com dois Oscar. Talvez, mas muito mais difícil, “Bastardos Inglórios” saia com dois também (ator coadjuvante garantido e, quem sabe, roteiro). No fim, será a noite de James Cameron (e Sandra Bullock)…

Melhor Filme
Vai ganhar: “Avatar”
Deveria ganhar: “Bastardos Inglórios”
Deu: “Guerra ao Terror”

Melhor Diretor
Vai ganhar: Kathryn Bigelow, “Guerra ao Terror”
Deveria ganhar: James Cameron, “Avatar”
Deu: Kathryn Bigelow, “Guerra ao Terror”

Melhor Ator
Vai ganhar: Jeff Bridges, “Coração Louco”
Deveria ganhar: Jeff Bridges, “Coração Louco”
Deu: Jeff Bridges, “Coração Louco”

Melhor Atriz
Vai ganhar: Sandra Bullock, “The Blind Side”
Deveria ganhar: Meryl Streep, “Julie and Julia”
Deu: Sandra Bullock, “The Blind Side”

Melhor ator coadjuvante
Vai ganhar: Christoph Waltz, “Bastardos Inglórios”
Deveria ganhar: Christoph Waltz, “Bastardos Inglórios”
Deu: Christoph Waltz, “Bastardos Inglórios”

Melhor atriz coadjuvante
Vai ganhar: Mo’nique, “Preciosa”
Deveria ganhar: Mo’nique, “Preciosa”
Deu: Mo’nique, “Preciosa”

Melhor animação
Vai ganhar: “Up – Altas Aventuras”
Deveria ganhar: “Up – Altas Aventuras”
Deu: “Up – Altas Aventuras”

Melhor roteiro original
Vai ganhar: “Guerra ao Terror”
Deveria ganhar: “Bastardos Inglórios”
Deu: “Guerra ao Terror”

Melhor roteiro adaptado
Vai ganhar: “Distrito 9″
Deveria ganhar: “Amor Sem Escalas”
Deu: “Preciosa”

Melhor filme estrangeiro
Vai ganhar: “A Fita Branca”, Alemanha
Deveria ganhar: “O Segredo de Seus Olhos”, Argentina
Deu: “O Segredo de Seus Olhos”, Argentina

Melhor direção de arte
Vai ganhar: “Avatar”
Deveria ganhar: “Avatar”
Deu: “Avatar”

Melhor fotografia
Vai ganhar: “A Fita Branca”
Deveria ganhar: “A Fita Branca”
Deu: “Avatar”

Março 7, 2010   1 Comment

Liev Schreiber, Stephen Frears e Mike Mills

“Uma Vida Iluminada”, Liev Schreiber

“Uma Vida Iluminada”, Liev Schreiber (2005)

Ainda não li o livro de Jonathan Safran Foer, mas acabei de terminar “Pergunte ao Pó”, do Fante, e ele é o próximo. A Lili leu, e pelo jeito curtiu bastante a adaptação (ela adorou o livro do Jonfen). O filme é excelente. Roteiro e fotografia espertos, frases ótimas e uma atuação impecável de Eugene Hutz, vocalista do Gogol Bordello, que rouba a atenção do espectador. Elijah Wood também está muito bem, e acho que resumo o filme em uma frase que Lili me falou ao tentar explicar o livro: tem partes cômicas, mas também é triste, muito triste. Tem umas três passagens ali no final que poderiam ser a tradução perfeita da palavra lirismo. Gostei tanto que vou rever qualquer dia. E ler o livro. Já.

“Ligações Perigosas”, Stephen Frears

“Ligações Perigosas”, Stephen Frears (1988)

Falando em rever filmes, aproveitei a inspiração de “Cheri”, o mais recente lançamento de Stephen Frears (e que traz Michelle Pfeiffer no elenco), e fui tirar a poeira do DVD de um dos meus filmes preferidos de todos os tempos. “Ligações Perigosas” me fascina desde a primeira vez que assisti. Há um cuidado nos mínimos detalhes da produção que são simplesmente arrebatadores. Do começo brilhante com John Malkovich e Glenn Close sendo arrumados pela criadagem até o final angustiante, “Ligações Perigosas” é um dos melhores filmes sobre vingança já feitos. Ganhou três Oscars (roteiro adaptado, figurino e arte), mas Michelle Pfeiffer merecia uma estatueta dourada. Ainda escrevo um textão sobre ele…

“Impulsividade”, Mike Mills

“Impulsividade”, Mike Mills (2005)

Esperava mais desse filme, mas não sei por qual motivo. Ok, sei. Confundi o diretor Mike Mills com Mike Figgis (“Despedida em Las Vegas”, “Por Uma Noite Apenas”) e, ao mesmo tempo, com o Mike Nichols (“Closer”, “A primeira noite de um homem”), quando devia ter pensando no baixista do R.E.M. A premissa de “Impulsividade” é interessante (jogando luz sobre a fase em que você começa a sair da infância para a adolescência), mas o resultado não comove. Prejudica ainda a atuação fanfarrona de Keanu Reeves (ele já teve alguma graaande atuação?). Lou Pucci, que interpreta o jovem que ainda não conseguiu deixar de chupar o dedo, se sai muito bem, mas o problema de “Impulsividade” é o roteiro extremamente previsível. Ahh, a trilha é assinada pelo pessoal do Polyphonic Spree e ainda traz coisas do Ellioth Smith. Ouça o CD…

Fevereiro 2, 2010   1 Comment

Jason Reitman, Guy Ritchie e Spike Jonze

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 “Amor sem Escalas”, Jason Reitman (2009)

O ponto de partida da história de “Up In The Air” (esqueça o título besta nacional) é excelente e perfeito para o atual momento (principalmente, o atual momento norte-americano): George Clooney é um dos empregados de uma empresa que é contratada para demitir funcionários de outras empresas, e faz o serviço com uma eficácia surpreendente. O desenrolar da história você já deve ter lido (ou visto no trailer). Clooney se envolve com duas mulheres (uma profissionalmente, a outra sexualmente) e a experiência o faz reavaliar sua vida. Jason Reitman é bom nisso, vide os ótimos “Obrigado por Fumar” e “Juno”, mas “Up In The Air” é o mais fraco dos três. Clooney está convincente e brilha em vários momentos, mas na segunda parte o roteiro derrapa para o melodrama cheio de boas intenções, o que não chega a incomodar totalmente, mas desperdiça uma excelente primeira hora de película. Azarão no Oscar.

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“Sherlock Holmes”, Guy Ritchie (2009)

Não tem jeito: Guy Ritchie dificilmente irá fazer algo tão brilhante quanto “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” (um sub-Tarantino que ousou ser melhor que a safra do próprio na época), e parece ter sido o primeiro a ter descoberto isso. A opção do cineasta foi dedicar sua carreira ao saudável cinema fast-food: o público até se diverte na sala escura, mas esquece do que viu alguns dias depois. Desculpe-me os detratores, mas é bom para a sanidade não viver todos os dias apenas de cinema iraniano. Guy Ritchie merece ser saudado por atualizar o personagem de Sherlock Holmes (apesar dele e seu fiel companheiro Watson viverem na Londres do começo do século passado), e acertou na loteria ao escalar a dupla Robert Downey Jr para o papel principal e Jude Law para o secundário, mas o roteiro (repleto de enigmas mirabolantes) parece mais uma adaptação de Dan Brown do que Conen Doyle.

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“Onde Vivem os Monstros”, Spike Jonze (2009)
Max é uma criança esperta típica: muita energia, necessidade de atenção e falta de amigos marcam seu cotidiano. A irmã, mais velha, já tem sua turma. A mãe, separada (provavelmente, o roteiro não esclarece) é atenciosa o tanto que consegue, mas está atolada de trabalho e tentando dar um jeito em sua vida sentimental. Após uma traquinagem, o garoto deixa a casa e sai correndo pelo bairro, chega ao rio, pega um barco e entra no mundo dos sonhos, de seus próprios sonhos, e encontra um grupo de monstros esquisitos (e carinhosos) que representam, cada um, suas próprias facetas. “Onde Vivem os Monstros”, de Spike Jonze, é uma fábula tristonha sobre a passagem da infância para a adolescência em um filme muito mais adulto que infantil. A trilha de Karen O (ex-namorada do cineasta) e a fotografia de Lance Acord são os pontos altos desta pequena e frágil epopéia de redescobrimento. Para lembrar a infância.

Janeiro 27, 2010   2 Comments

Coluna de Segunda: Golden Globes

Pré-Script: Vou tentar ser fiel a este espaço e escrever uma coluna toda segunda nos moldes da antiga Revolution, algo que é mais pessoal do que o Scream & Yell, por isso postada no blog, mas tem a ver com coisas de lá. Bem, as palavras falam por si… sempre.

James Cameron e os atores de “Avatar”

Foto: GoldenGlobes.Org

Eu completo 40 anos neste ano. É a primeira vez que escrevo isso, e olho isso frente a frente, e não dá nem um friozinho que seja no estômago. Fazer 40 anos com a mente sã e alma lívida ajuda e muito a manter o foco nas coisas que a gente acredita, acho eu. Porém, inevitável, fazer 40 anos (e aproveitar todo esse tempo) é, numa comparação rasteira, viver o dobro do que alguém de 20 já viveu. São 20 a mais para se ouvir discos, assistir a filmes, ler livros e enterrar amigos.

Porém, por mais que a gente se policie, o mundo (principalmente o cultural) é muito mais novo que nós – e a gente já viu e viveu um bocado. Jovens músicos começam a fazer barulho em alguma garagem, arranjam um contrato bacana, e viram ídolos. Você já viu isso. Do nada, topamos com algum filme sensacional de algum diretor que nem aprendeu a falar direito com jornalistas, mas conhece a linguagem cinematográfica e consegue emocionar com algumas idéias toscas na cabeça e uma câmera na mão.

A gente ainda consegue se emocionar (ok, falo por mim), mas ficamos mais emburrados com a apatia cultural. E, após escrever tudo isso, fica parecendo que o problema na verdade não é mundo, e sim somos nós, sou eu. A música internacional anda tropeçando feio já faz uns três anos (a nacional vive uma fase excelente, mas no underground). Artistas enganam o público com discos medianos, e fica tudo por isso mesmo.

Às vezes parece que estou desconectado do mundo. E percebi muito disso assistindo a entrega do Globo de Ouro 2010, talvez a pior edição da premiação em anos e anos, e claro que ela não é culpada sozinha: se o ano foi ruim é porque a safra cinematográfica é ruim, ou talvez seja mau-humor da minha parte, e não eu esteja valorizando os futuros clássicos do cinema. Será mesmo?

Na minha ótica desfocada, o Globo de Ouro 2010 premiou bilheterias, dando uma pista para futuras premiações: você quer um Golden Globe? Fature bastante que a gente dá. Os principais filmes e artistas premiados foram recordistas de bilheterias no ano que passou, e é sempre bom lembrar que os executivos estão pisando sobre ovos em tempos de internet, peer-to-peer e pirataria à vontade nas principais ruas do mundo.

O que mais estranha, no entanto, é que o Globo de Ouro é a premiação dos jornalistas estrangeiros nos Estados Unidos, e não dos executivos ou da Academia. A Academia valorizar “Avatar” é uma coisa, a imprensa, outra. “Avatar” e a vitória da técnica sobre a inspiração. Mas, por outro lado, é também a senha para a Indústria de que o mercado ainda está vivo, e de que cinemas Imax e/ou 3D seja uma saída, uma fuga do caos desenhado nos últimos quatro, cinco anos.

A rigor, cifrões deveriam impressionar economistas, banqueiros, investidores e produtores. Não que o lucro seja um problema, pelo contrário, ele é necessário, mas quando passamos a visar o lucro pelo lucro viramos objetos da própria moeda que criamos, reféns de nossa própria ignorância. Pouca importa se o filme realmente é bom. O que importa é quanto ele conseguiu arrecadar nas bilheterias. Se for assim, estamos a um passo do abismo.

O que se viu no Globo de Ouro foi uma premiação voltada ao mercado e não ao cinema. A Academia pode sujar as mãos à vontade agora. O Globo de Ouro sempre foi referencia para a Academia, afinal, jornalistas teoricamente assistem a todos os filmes, o que é difícil acreditar que atrizes – e mães – como Angelina Jolie e Julia Roberts (para citar dois exemplos) tenham tempo entre seus filmes e filhos para assistir a todos os concorrentes. Ou seja: o Globo de Ouro é um guia, uma colinha para os desavisados.

Tenho muito receio do que pode acontecer com o cinema daqui pra frente, se o que contar realmente for grandes bilheterias. Assim como “Nevermind”, do Nirvana, abriu um buraco no peito da Indústria, por onde entraram dezenas de novas bandas, “Pulp Fiction”, de Quentin Tarantino, fez o mesmo pelo cinema independente em uma época de grandes blockbusters. Mas isso foi há 16 anos, e os blockbusters voltaram fortes e poderosos para mostrar que o dinheiro realmente vale mais.

Talvez nos reste, como último recurso, esperar que algum moleque viciado em cinema apareça com algum filme brilhante feito em sua própria casa, e abra um novo caminho nesta selva de pedra, aço e dólares. Talvez. Ainda temos tempo para revoluções? Em “Sonhadores”, de Bertolucci, uma questão era proposta através de uma frase: “Toda petição é um poema, todo poema é uma petição”. Isso era 1968. Em 2004, data do filme, ou agora, poderíamos dizer: “Toda petição é uma folha de cheque, toda folha de cheque é uma petição”.

Mudou o mundo ou mudamos nós.

Ps1: Ainda não vi “Fita Branca”, mas quero muito ver.
Ps2: Robert Downey Jr. está ótimo em “Sherlock Holmes”, mas é sério que valia um Globo de Ouro?
Ps3: Gostei muito de “Se Beber, Não Case”, que uma pessoa esperta poderia ter traduzido como “Ressaca”. Talvez tivesse votado em “500 Dias com Ela”. Talvez.
Ps4: A estatueta de Melhor Ator Coadjuvante do Oscar já vai sair da fábrica com o nome de Christopher Waltz
Ps5: No Oscar não vai dar Meryl Streep, né. E nem Sandra Bullock. Vai?
Ps6: Estou curioso por “Nine”, mas é claro que vou me decepcionar.
Ps7: O filme a ser visto se chama “Guerra ao Terror”.

Janeiro 18, 2010   7 Comments

“O Quarto Verde”, “Zodiaco” e “Superbad”

Tai uma trinca de filmes que realmente não me comoveu. E olha que eu tinha boas expectativas para os três, mas…

“O Quarto Verde”, François Truffaut

“O Quarto Verde”, François Truffaut (1978)

Adaptação da obra “O Altar dos Mortos”, de Henry James, “O Quarto Verde” (“La Chambre Verte”) é um dos filmes mais densos da carreira de Truffaut. Ele mesmo vive o personagem principal, Julien Davenne, um redator de obituários de um jornaleco interiorano que, assim que sua esposa morre, cria um altar em casa para continuar a adorando. O altar pega fogo, e ele consegue uma capela em um cemitério, onde passa a louvar não só a esposa, mas também amigos e ídolos mortos.

A aparição de uma nova mulher, Nathalie Baye em início de carreira, chega a dar uma chacoalhada no coração de Julien, mas nada que os fantasmas – tão queridos por Julien – não consigam domar. “O Quarto Verde” é uma ode à morbidez, uma crítica exagerada àqueles que se esquecem dos seus. Não é surpresa que um tema tão nebuloso tenha fracassado nas bilheterias e feito com que o diretor revivesse Antoine Doinel no ano seguinte, fazendo as pazes com o público em “O Amor em Fuga”. Fique com Doinel (ou “Noite Americana”)

“Zodíaco“, David Fincher

“Zodíaco“, David Fincher (2007)

Eis um caso exemplar de uma carreira que começa bem (“Seven”, 1995), bate no topo da genialidade cinematográfica (“Clube da Luta”, 1999) e começa a cair (“O Quarto do Pânico”, 2001), cair mais (“Zodíaco”, 2007) até se espatifar no lodo da cópia barata (“O Curioso Caso de Benjamin Button”, 2008). David Fincher foi do chão ao céu, e do céu ao inferno em treze anos, e no meio do caminho fez “Zodíaco” (“Zodiac”), mas parece que as boas idéias foram todas usadas em “Seven” e “Clube da Luta”.

“Zodíaco” não inspira, não instiga, não causa empatia nem medo. Jake Gyllenhaal, Mark Ruffalo e Robert Downey Jr. (em uma atuação terrível) estão longe, muito longe de seus melhores papéis. Roteiro e edição tropeçam, cenas bestas surgem sem dizer a que vieram, e David Fincher enrola o espectador por 2h38 minutos para, ao final, não lhe entregar nada deixando no ar a sensação de tempo perdido. Mais um item para o tópico sobre como jogar uma bela carreira pela janela em Hollywood.

“Superbad”, Greg Mottola

“Superbad”, Greg Mottola (2007)

Judd Apatow e Seth Rogen fizeram um barulho danado nos anos 00 com as comédias “O Virgem de 40 Anos” (2005), “Ligeiramente Grávidos” (2007)  , “Superbad” (2007) e “Segurando as Pontas” (2008). Eles arrebataram um séquito fervoroso de fãs e fazem um estardalhaço nos Estados Unidos com seus filmes recheados de palavrões, drogas e momentos VA. Destes, só não assisti a “Ligeiramente Grávidos” ainda, mas os outros três não me convenceram. Sério.

Seus roteiros apresentam a história de forma impagável, o miolo funciona, mas o trecho final acomoda. E ai o virgem que foi sarreado a vida toda vira exemplo (a Igreja deve amar), os maconheiros do começo fazem campanha anti-drogas no final e, em “Superbad”, o cara que falava pra menina que vivia com a mão no pinto fica bundão, e vai passear no shopping de mãos dadas com ela. Apatow e Rogen posam de radicais, mas é só pose. Um filme pra rir até os 39 do segundo tempo.

Ps 1: Ahhh, a Nathalie Baye. Preciso ver mais algumas coisas com ela. E encontrar “Uma Relação Pornográfica” (esse aqui)
Ps 2: Sempre penso em rever “Seven”, mas quem diz que tenho coragem. Aquilo ali gela a espinha…
Ps 3. Ok, há muito de inocência em “Superbad” (afinal, eles tinham 13 anos quando escreveram o roteiro). E McLovin é o cara. Mesmo assim…

Leia também:
- “Clube da Luta”, um comentário (aqui) e um texto perdido (aqui)
- As aventuras de Antoine Doinel, por Marcelo Costa (aqui)

Janeiro 14, 2010   22 Comments

1h20, madrugada de segunda-feira

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O fim de semana rendeu. Houve de tudo um pouco. Muito sol, um pouco de chuva, caipirinha e coxinha e bife de tira do Veloso. Também teve plantão. E mesmo assim consegui escrever duas 500 Toques, um texto sobre “Avatar” (aqui) e ler o livro da Conrad inteirinho para entregar os originais de manhã (aliás, curti muito o livrinho. Assim que puder, libero mais infos). E assisti ao “Sherlock Holmes”, de Guy Ritchie (vou tentar escrever).

Andei ouvindo o novo do Vampire Weekend (eu tava achando mezzo, mas não paro de ouvir) e do Spoon (droga, não gostei tanto assim. E ouvi muito o “Rock and Roll”, do Erasmo, que tinha passado batido e fui atrás seguindo recomendação de alguns amigos de fé. Discaço! Mesmo. Ainda falo dele, mas você precisa ouvir “Olhar de Manga”, “A Guitarra é Uma Mulher” e “Encontro ás Escuras”.

Esqueci de contar: uma foto minha de Parati irá sair na próxima edição da revista da Tam. Aproveitando a empolgação comprei várias cervejas importadas - para escrever, para escrever. E falando em escrever, as novas edições da Billboard e da Rolling Stone estão nas bancas com muita coisa legal. A primeira traz resenhas minhas sobre os discos de Lady Gaga e de Lafayette e os Tremendões, mais o DVD do Killers. Na segunda digitei palavras sobre o disco ao vivo do R.E.M.

Aliás, a Rolling Stone traz nesta edição os melhores de 2009 por um seleto grupo de votantes. Abaixo, os votos que mandei para a revista:

MELHOR DISCO NACIONAL
01) “No Chão, Sem o Chão”, Romulo Fróes
02) “Certa Manhã Acordei De Sonhos Intranqüilos”, Otto
03) “Uhuuuu!”, Cidadão Instigado
04) “Caligrafia!”, Ludov
05) “Tudo Que Eu Sempre Sonhei”, Pullovers
06) “Sem Nostalgia”, Lucas Santtana
07) “A Vontade Superstar”, Bruno Morais
08) “Banda Gentileza”, Banda Gentileza
09) “Complete”, Móveis Coloniais de Acaju
10) “Atlântico Negro”, Wado

MELHOR DISCO INTERNACIONAL
01) “Them Crooked Vultures”, Them Crooked Vultures
02) “Tonight”, Franz Ferdinand
03) “Secret, Profane & Sugarcane”, Elvis Costello
04) “Broken”, Soulsavers
05) “Years of Refusal”, Morrissey
06) “Dark Nights of The Soul”, Sparkelehorse
07) “It’s a Blitz”, Yeah Yeah Yeahs
08) “A Woman a man Walked By”, Pj Harvey and John Parish
09) “My Old Familiar Friend”, Brendan Benson
10) “Backspacer”, Pearl Jam

MELHORES MÚSICAS NACIONAIS
01) “Tudo Que Eu Sempre Sonhei”, Pullovers
02) “Balada do Paulista”, Lulina
03) “6 minutos”, Otto
04) “Pavão Macaco”, Wado
05) “Para Fazer Sucesso”, Rômulo Froes
06) “Mormaço”, Paralamas do Sucesso
07) “O Tempo”, Moveis Coloniais de Acaju
08) “Cangote”, Céu
09) “Contando Estrelas”, Cidadão Instigado
10) “1/2 Amor”, Wonkavision

MELHORES MÚSICAS INTERNACIONAIS

01) “(If You’re Wondering If I Want You To) I Want You To” - Weezer
02) “I’m Throwing My Arms Around Paris”, Morrissey
03) “Beyond Here Lies Nothin’”, Bob Dylan
04) “Ulysses” – Franz Ferdinand
05) “Zero” – Yeah Yeah Yeahs
06) “Wilco, The Song”, Wilco
07) “Working on a Dream”, Bruce Springsteen
08) “I Cut Like a Buffalo”, Dead Weather
09) “Fuck You” – Lily Allen
10) “New Fang”, Them Crooked Vultures

Dos dez discos nacionais que votei, seis entraram no Top 25 da Rolling Stone. Dos meus dez discos internacionais, cravei cinco. Das músicas nacionais também cravei seis (como os discos nacionais) e a lista gringa de músicas foi minha pior média: quatro das dez que votei entraram. O Top Ten 2009 da Rolling Stone Brasil você vê aqui.

Acho que é isso. São 1h50 da madrugada. Acordo às 7h para mais uma semana de caos. Minha gastrite permanece me acompanhando, mas só consigo pensar que preciso terminar o “Pergunte ao Pó”, do John Fante, procurar um lugar baratinho para comprar a quinta temporada de Lost (e me preparar pra sexta, que está chegando) e guardar forças para o show do Del Rey, na sexta, com vários amigos presentes. 2010 começou a toda. Ufa.

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Janeiro 11, 2010   6 Comments

Hitchcock, Antonioni, Allen e Almodóvar

Atualizando a lista de últimos filmes vistos e revistos…

Janela Indiscreta

“Janela Indiscreta”, Alfred Hitchcock (1954)

Com a perna engessada, um fotógrafo é obrigado a ficar em casa e, para passar o tempo, observa a vida de seus vizinhos pela janela quando vê algo suspeito em um dos apartamentos. O argumento pode parecer tolo, mas esse Big Brother de suspense rendeu um filmaço recheado de frases antológicas e passagens clássicas, e lida de forma sensacional com a relação do próprio espectador com o cinema (e como ele se torna cúmplice dos personagens). James Stewart e Grace Kelly (looongo suspiro) estão brilhantes ancorados, ainda, por Thelma Ritter, a empregada com a frase certa na hora certa. Clássico.

A Noite

“A Noite”, Michelangelo Antonioni (1961)

Segundo filme da célebre “trilogia da incomunicabilidade”, formada ainda por “A Aventura” e “O Eclipse”, “A Noite (“La Notte”) é um retrato exemplar da falência do amor, uma obra-prima de angústia, tristeza velada e dor que ganha força em uma frase de Valentina (personagem de Monica Vicci) quase ao final do filme: “Vocês acabaram comigo esta noite”. Ela não está falando apenas por si, mas também por nós. Foi meu quarto Antonioni, e já pulou para o segundo lugar à frente de “As Amigas” e “Profissão Repórter”, que preciso rever, e só atrás de “Blow Up”.

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“Tiros na Broadway”, Woody Allen (1994)

“Tiros na Broadway” (“Bullets Over Broadway”) é um dos filmes mais perfeitos e bem acabados de Woody Allen, e olha que a concorrência é grande. Porém, são poucos os filmes do diretor em que o roteiro (assinado em conjunto por Allen e Douglas McGrath), a fotografia (magnífica de Carlo DiPalma) e a trilha funcionam de forma tão perfeita casadas, ainda, de forma brilhante com as atuações de John Cusack, Dianne Wiest (que levou o Oscar por sua atuação) e Chazz Palminteri. É daqueles para se ver, rever e ver de novo, e ainda ficar maravilhado com as piadas, com o ritmo, com o retrato que Woody Allen traça não só do teatro, mas também da vida.

Abraços Partidos

“Abraços Partidos”, Pedro Almodóvar (2009)
 
Na virada dos 90 para os 00, Almódovar fez três filmes grandiosos: “Carne Trêmula” (1997), “Tudo Sobre Minha Mãe” (1999) e, o melhor de todos, “Fale com Ela” (2002). “Má Educação“ (2004) e “Volver” (2006), seus filmes seguintes, não frustram completamente o espectador, mas vieram menores, imperfeitos. “Abraços Partidos” (“Los Abrazos Rotos”) fecha essa trilogia da falta de intensidade. Se quiser, Almódovar faz um filme desses pintando as unhas do pé. Há bons momentos (a maioria na primeira metade), mas parece que diretor e público se cansam após 40 minutos.

Ps. Penelope Cruz versão Audrey Hepburn é de fazer o coração parar…

Leia também:
- “Má Educação”, de Pedro Almodóvar, por Marcelo Costa (aqui)
- “As Amigas”, de Michelangelo Antonioni, por Marcelo Costa (aqui)
- Um Alan Parker e dois Woody Allen, por Marcelo Costa (aqui)
- Uma análise de “A Noite”, por Nuno Manna (aqui)

Janeiro 6, 2010   5 Comments

170 livros da Coleção Aplauso de graça na web

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Lançada pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo em 2004 para registrar a história do teatro, do cinema e da televisão no Brasil, com perfis, biografias, peças de teatro e roteiros de filme, a Coleção Aplauso chega à internet com mais de 170 títulos disponíveis para leitura gratuita online ou para download em pdf e txt.

No site você irá encontrar as biografias de artistas como Raul Cortez, Tônia Carrero, Mazzaropi, Carlos Reinchenbach, Fernando Meirelles, Gianfrancesco Guarnieri e muitos outros, roteiros como os de “Estômago”, “Salve Geral”, “O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias” e “O Bandido da Luz Vermelha” além de vários livros de dedicados a dramaturgos consagrados e a críticos de arte.

Vale destacar também volumes sobre Rogério Duprat, a TV Tupi, o Teatro Brasileiro de Comédia TBC), a Rede Manchete e a TV Excelsior. Baixe gratuitamente aqui:

http://aplauso.imprensaoficial.com.br

Dezembro 28, 2009   1 Comment

Os 10 melhores filmes que vi neste ano…

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Listinha para o amigo André, do Cinezen Cultural. Só valia filmes que estrearam no país em 2009, e só por isso “Whatever Works”, de Woody Allen, não está na quarta posição. Mas preciso pensar com mais calma. Foi lista rápida.

01) Katyn, Andrzej Wajda (resenha aqui)
02) Bastardos Inglórios, Quentin Tarantino (resenha aqui)
03) Gran Torino, Clint Eastwood (resenha aqui)
04) Se Beber, Não Case, Todd Phillips (comentário aqui)
05) 500 Dias Com Ela, Mark Webb (resenha aqui)
06) Se Nada Mais Der Certo, José Eduardo Belmont
07) A Todo Volume, Davis Guggenheim (resenha aqui)
08) Simplesmente Feliz, de Mike Leigh (resenha aqui)
09) Foi Apenas Um Sonho, de Sam Mendes (resenha aqui)
10) Apenas o Fim, Matheus Souza (resenha aqui)

Dezembro 15, 2009   8 Comments

Um Alan Parker e dois Woody Allen

Acalme: com “Um Assaltante Bem Trapalhão” e “Setembro” finalizo a minha participação na mostra “A Elegância de Woody Allen”, e dos 40 filmes do diretor só fica faltando “Maridos e Esposas” para eu riscar da listinha. Ele será exibido no próximo domingo exatamente no horário em que marquei um almoço especial com amigos em casa (conto mais detalhes depois, mas é um lance bem legal).

Consegui aproveitar 90% de “A Elegância de Woody Allen” focando nos filmes que eu nunca tinha visto. Queria por demais assistir novamente a “Tiros na Broadway”, “Memórias”, “Manhattan”, “Desconstruindo Harry” e “Annie Hall”, mas estou satisfeitíssimo com a chance de ter visto “Whatever Works”, “O Que Há, Tigresa?”, “Neblinas e Sombras”, “Um Misterioso Assassinato em Manhattan”. “Bananas” e “Simplesmente Alice”. Agora, “Um Assaltante Bem Trapalhão” e “Setembro”:

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“Um Assaltante Bem Trapalhão” (”Take The Money And Run”), Woody Allen (1969)

Primeiro filme “filme mesmo” de Woody Allen, “Um Assaltante Bem Trapalhão” é um amontoado de piadas que procuram deixar o espectador respirar entre risadas. O formato que segue o padrão de um documentário seria usado por Woody – de maneiras mais completas – em filmes posteriores. Aqui temos “retratada” a vida criminal de Virgil Starkwell, um assaltante que nunca se deu bem, isso desde seus primeiros roubos na infância. Em um dos melhores momentos do filme, Virgil planeja assaltar uma garota. O resultado: “Fiquei apaixonado por ela. Sei lá, após 15 minutos já queria casar com ela e após meia hora abandonei a idéia de roubar-lhe a bolsa”.

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“Setembro” (“September”), Woody Allen (1987)

Um dos filmes mais polêmicos do diretor, “Setembro” fracassou nos cinemas e não foi entendido em sua época, de forma até clara. Woody vinha de três comédias de muito sucesso (“A Rosa Púrpura do Cairo”, “Hannah” – indicado a sete Oscars, do qual levou três – e “A Era do Rádio”), e rompe o ciclo com um drama inspiradíssimo em Bergman. Quem foi ao cinema esperando piadas encontrou uma longa trama de desencontros dramáticos, e deve ter odiado. O que é uma pena. Carlo di Palma faz uma fotografia belíssima, Dianne Wiest merece dez suspiros e a história convence e não deixa vácuo como, por exemplo, em “Neblinas e Sombras”. Não é uma obra prima, mas está longe de ser um filme desprezível.

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“The Commitments – Loucos Pela Fama”, Alan Parker (1991)

Um dos filmes obrigatórios – talvez o número 1 – para todo mundo que deseja ter uma banda, “The Commitments” é uma pequena aula sobre tudo o que acontece nos bastidores de um grupo musical. Vi no cinema, e não lembro quantas outras vezes assisti a esse filme (acho até que chegou a passar em Sessão da Tarde), mas fiquei com vontade de revê-lo e sai atrás de um torrent bacana. Valeu a pena. “The Commitments” continua enxutinho como da primeira vez que o vi. Estão ali o vocalista que se acha o cara mais fodão do mundo por estar à frente da banda, o músico problema que quer seguir seus instintos e não o da banda, as mulheres gostosas que sempre causam problemas e muito mais. Em se tratando de cultura pop, “The Commitments” é obrigatório.

Leia também:
- Um François Truffaut e três Woody Allen (aqui)
- Dois Woody Allen e três Jason Bourne (aqui)
- As aventuras de Antoine Doinel, de Truffaut (aqui)
- François Truffaut, Kevin Smith e Michael Lehmann (aqui)
- “O Último Metrô”, “Zelig” e “Descontruindo Harry” (aqui)

Dezembro 10, 2009   8 Comments

Um François Truffaut e três Woody Allen

“O Que Há, Tigreza?”

“O Que Há, Tigresa?” (”What’s Up, Tiger Lily?”), Woody Allen (1966)

Primeiro filme com a assinatura de Woody Allen na direção (”O Que Há, Gatinha?”, do ano anterior, foi dirigido por Clive Donner e Richard Talmadge com roteiro de Allen) , “O Que Há, Tigresa?” é o avô de “Hermes e Renato Apresenta: Tela Class”. Woody Allen comprou os direitos de um filme japonês de espionagem, mudou a ordem do roteiro, inseriu novas cenas, e dublou tudo (com piadas) em inglês. A história gira em torno de um grande segredo milenar: a receita da melhor salada de ovo do mundo. Apesar de algumas tiradas indecentes e muito divertidas, “O Que Há, Tigresa?” funciona mais como análise de carreira. Imaginar que dez anos depois Woody Allen estaria escrevendo “Annie Hall” é das coisas que nos faz ter esperança no mundo.

“Neblinas e Sombras”

“Neblinas e Sombras” (”Shadows and Fog”), Woody Allen (1992)

Eis uma ótima comparação cinematográfica para aquele clichê da pessoa linda e burra. “Neblinas e Sombras” é um pastiche filmado em branco e preto que valoriza a fotografia belíssima de Carlo di Palma (fotografo de “Blow-Up”, de Antonioni, e  todos os Woody Allen entre “Hannah e Suas Irmãs” e “Desconstruindo Harry”) em detrimento do roteiro. Woody Allen encavala dezenas de citações literárias sem nenhum foco e desperdiça um elenco estelar que tem Mia Farrow, Jodie Foster, John Malkovich, Madonna, John Cusack, Kathy Bates e muitos outros. Tudo em “Neblinas e Sombras” parece ser secundário, mero pretexto para a construção de cenas que não servem ao cérebro, mas sim ao olhar. Belo por fora, “Neblinas e Sombras” é oco por dentro. Porém, tem uma piada matadora… hehe

“Um Misterioso Assassinato em Manhattan”

“Um Misterioso Assassinato em Manhattan” (”Manhattan Murder Mystery”), Woody Allen (1993)

Woody Allen vai ao encontro de Alfred Hitchcock neste filme que mistura suspense com comédia partindo de um começo realista (um casal que suspeita que o vizinho tenha matado sua esposa) até virar um pastiche de citações (com direito a sósias, sala de espelhos e humor negro). A história flui bem na primeira metade, quando as peças do tabuleiro são colocadas na mesa. O miolo é exemplar, abrindo lacunas sem deixar pistas para o espectador, porém o exagero do trecho final ameaça por o filme a perder, mas Allen consegue fechar a história a contento. Porém, fica a idéia de que o filme podia render mais. A química de Allen e Diane Keaton volta a render excelentes momentos. Além, Anjelica Huston faz uma participação deliciosa vivendo uma escritora “femme fatale”.  É – disparado – o melhor destes três, mas é segundo escalão na filmografia do diretor.

“Duas Inglesas e o Amor”

“As Duas Inglesas e o Amor” (”Les Deux Anglaises et le Continent”), François Truffaut (1971)

Um filme que exprime a essência de Truffaut: da mística do francês que precisa amar todas as mulheres (em uma passagem impagável, a mãe do jovem Claude fica enfurecida ao pensar que ele pode estar apaixonado apenas por uma das duas inglesas do título, quando ele deveria estar apaixonado pelas duas), nos desencontros românticos (são tantos em “Duas Inglesas e o Amor” que corações fracos podem não resistir), na paixão pela literatura (o filme é uma adaptação do livro “Les Deux Anglaises Et le Continent”., de Henri-Pierre Roche, também autor do romance “Julie at Jim”) e pela confusão que as mulheres podem fazer na vida de um homem. Em “Julie at Jim”, é uma mulher dividida entre dois homens. Aqui temos um homem dividido entre duas belas mulheres… inglesas. E irmãs. Sem enrolar: eu esqueceria a ruiva e me dedicaria à morena, mas Claude não vê as coisas de forma tão simples. Um Truffaut clássico em todos os seus ângulos.

Leia também:
- Dois Woody Allen e três Jason Bourne (aqui)
- As aventuras de Antoine Doinel, de Truffaut (aqui)
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- “O Último Metrô”, “Zelig” e “Descontruindo Harry” (aqui)

Dezembro 2, 2009   3 Comments

Dois Woody Allen e três Jason Bourne

Na verdade, foram três os Woody Allen (todos na Mostra do CCBB), mas quero falar com calma sobre “Whatever Works”. E aproveitei uma promoção na Compact Blue e peguei um box com os três Bourne por 30 pilas. Não tinha visto nenhum dele ainda, então…

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“A Identidade Bourne”, de Doug Liman (2002)
É o longa que deu origem à trilogia com tudo aquilo de impossível que pode acontecer em filme de ação hollywoodiano. Como Marcelo Forlani listou no Omelete (resenha completa aqui), “numa noite tempestuosa em alto-mar um tripulante de um barco pesqueiro consegue ver um corpo boiando. Após o resgate descobre-se que mesmo com dois tiros nas costas e o “banho forçado”, o cara está vivo. (…) comandante da embarcação é um italiano de uns 50 e tantos anos que fala inglês e tem a mão tão firme que consegue operar o nosso amigo mesmo com o barco balançando mais que a câmera de A Bruxa de Blair”. Ou seja, se você desligar o botão da realidade, “A Identidade Bourne” pode se transformar em um filme divertido. Segundo, Jason Bourne é imortal. “Me sinto tão pequena perto dele e seus 30 passaportes” (risos).

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“Supremacia Bourne”, de Paul Greengrass (2004)
A estréia fez um sucesso estrondoso, então nada mais Hollywood que investir em uma segunda história. Porém, desta vez, até que a trama toma mais corpo e aspectos psicológicos interessantes são inseridos na trama. Nada que vá fazer o filme ganhar mais do que uma nota 6 (a não ser que ele esteja sendo analisado como uma comédia, ai pode ir longe), mas há sobrevida. Curto e grosso: Jason Bourne, que perdeu a memória no primeiro longa, mas não nenhuma das mil e uma habilidades de combatente, está curtindo a vida numa ilha com sua gatinha, até que é descoberto e entramos novamente no ritmo acelerado de perseguições, lutas e tiroteios. Aqui o resultado convence mais, e ainda dá uma deixa para o terceiro longa.

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“Ultimato Bourne”, de Paul Greengrass (2007)
O mais bacana dos três. E o mais piegas. Nosso herói está escondido tocando a vida quando lê uma reportagem sobre ele no Guardian. E lá vamos nós em dezenas de cenas de ação entender tudo que aconteceu na vida de nosso amigo. Ao menos, o roteiro tenta tapar todos os buracos – poderia ter explorado mais a questão “Julia Stiles”, mas ok. De cara dá para cravar que cineastas realmente acham jornalistas idiotas, e que Jason Bourne não lembrar de suas conquistas amorosas é uma grande sacanagem. Aliás, no quesito conquistas, Jason Bourne perde de goleada de James Bond. Ok, não há como comparar Sean Connery no auge com Matt Damon, mas até que o baixinho surpreende com uma atuação bastante convincente. Juntos, os três filmes não são excelentes, mas também não são ruins. Se você tiver de bom humor ele pode até lhe tirar umas risadas…

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“Bananas”, de Woody Allen (1971)
Terceiro filme de Woody Allen, “Bananas” é, segundo o próprio cineasta, um amontoado de piadas sustentadas por um fiapo de roteiro. Woody esmerou-se no conteúdo cômico deste longa, que deve ser filme de cabeceira para o pessoal do Monty Python e os roteiristas da TV Pirata. A história começa em San Marcos, um “hipotético” país da América do Sul que está prestes a cair nas mãos dos militares. Há, pelo menos, dez piadas afiadíssimas no longa, como quando o personagem de Woody, prestes a enfrentar a solidão de casa, sai para comprar uma revista pornográfica. A câmera filma capa por capa das revistas pornôs, e entre elas a National Review. Ou quando um médico explica que para salvar alguém de uma mordida de cobra é preciso sugar o veneno. Minutos depois, uma mulher do acampamento passa correndo dizendo que foi picada nos seios… mas a melhor é a dos cigarros Novo Testamento. \o/

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“Simplesmente Alice”, de Woody Allen (1990)
Após ter feito um de seus melhores filmes, o denso “Crimes e Pecados” (1989), Woody partiu para uma comédia de costumes leve com Mia Farrow interpretando uma ricaça que gasta fortunas em bichos de pelúcia para seus filhos enquanto vive um casamento sem amor com o marido (William Hurt). Ela acaba se apaixonando por um saxofonista no mesmo momento em que começa a se consultar com um médico especializado em poções mágicas. “Alice” parte de uma premissa interessante, que se justifica no final, mas não causa empatia. A trama se arrasta, e o filme acaba sofrendo do mal que tenta combater: a superficialidade. Woody crava ao menos duas boas piadas na trama (a dos taxistas de Nova York você só vai entender assistindo ao filme), mas “Alice” está condenada a ficar no terceiro ou quarto escalão de obras do cineasta nova-iorquino.

Ps. Atualizando a minha lista de Woody Allen vistos aqui

Novembro 23, 2009   4 Comments

Programação do feriadão em São Paulo

SEXTA
- 17h
“Um Misterioso Assassinato em Manhattan”, Woody Allen no CCBB

- 23h
Discotecagem na Noite Alavanca, na Livraria da Esquina (aqui)

SÁBADO
- 16h
“Neblinas e Sombras”, Woody Allen no CCBB

- 21h
The Killers na Chacará do Jóquei

DOMINGO
- 14h
“Bananas”, Woody Allen no CCBB

- 22h
Sting na Chacará do Jóquei

Ps. Ainda devo tentar ver a exposição do Bresson em algum horário…

Novembro 19, 2009   2 Comments

Um fim de semana bastante agitado

Ok, ok, essa última semana foi um pequeno caos de coisas legais acontecendo, e a fuga da rotina fez com que o corpo clamasse por descanso (que só vai acontecer no domingo), que a alma sonhasse e que as atualizações no blog e no site dessem uma capengada, mas coisas bacanas vêm por ai.

Ainda tenho que preparar um texto sobre o passeio pela Chapada dos Guimarães (as fotos já estão no flickr – aqui) e outro sobre a palestra excelente do Paul D. Miller, o DJ Spooky, na quinta-feira em Belo Horizonte. O recital foi cansativo, mas a correria SP/BH e o champagne colaboraram.

Para esta sexta-feira tem cerveja com pessoas queridas à noite e Ludov no Studio SP na compania de vários amigos. A família S&Y bate cartão em peso no local com Adriano vindo de Belém e Murilo saindo de Curitiba mais a presença do chapa Tiago Agostini. Sábado de manhã gravo participação no programa de rádio Sonzera, da FAAP, e depois encontro o grande Marco Antônio Bart para cerveja e churrascos.

O sábado “termina” com um passeio no Playcenter na compania de Thurston Moore, Iggy Pop, Bobby GIllespie e dezenas de amigos. Para qualquer hora do (sábado ou) domingo tenho que gravar um depoimento para o projeto Quinta no Bloco, de Juiz de Fora, que me recebe no fim do mês para um bate papo sobre o cenário independente e intercambio musical.

E ainda tem repescagem da Mostra e estréia de “500 Dias com Ela” e “Alto Volume”. Um fim de semana agitado para uma semana agitadíssima…

Novembro 6, 2009   2 Comments

40 filmes de Woody Allen no CCBB

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Programação de São Paulo. A do Rio de Janeiro, que começa neste dia 04/11, você vê aqui:

18/11 (QUARTA-FEIRA)
19h . Tudo pode dar certo (Whatever Works) . 2009

19/11 (QUINTA-FEIRA)
14h30 . Tudo Pode Dar Certo (Whatever Works) . 2009
17h . Poucas e boas (Sweet and Lowdown) . 1999
19h . Manhattan . 1979

20/11 (SEXTA-FEIRA)
13h . Melinda e Melinda (Melinda and Melinda) . 2004
15h . O sonho de Cassandra (Cassandra’s Dream) . 2007
17h . Um misterioso assassinato em Manhattan (Manhattan Murder Mistery) . 1993
19h . Bananas . 1971

21/11 (SÁBADO)
13h30 . Dirigindo no escuro (Hollywood Ending) . 2002
16h . Neblinas e sombras (Shadows and Fog) . 1992
18h . Hannah e suas irmãs (Hannah and Her Sisters) . 1986
20h . Todos dizem eu te amo (Everyone Says I Love You) . 1996

22/11 (DOMINGO)
14h . Bananas . 1971
16h . Simplesmente Alice (Alice) . 1990
18h . Poucas e boas (Sweet and Lowdown) . 1999
20h . Dorminhoco (Sleeper) . 1973

25/11 (QUARTA-FEIRA)
13h . O escorpião de jade (The Curse of the Jade Scorpion) . 2001
15h . Um misterioso assassinato em Manhattan (Manhattan Murder Mistery) . 1993
17h . Sonhos eróticos de uma noite de verão (A Midsummer Night’s Sex Comedy) . 1982
19h . A última noite de Boris Grushenko (Love and Death) . 1974

26/11 (QUINTA-FEIRA)
13h . Scoop – O grande furo (Scoop) . 2006
15h . Dorminhoco (Sleeper) . 1973
17h . Todos dizem eu te amo (Everyone Says I Love You) . 1996
19h . A era do rádio (Radio Days) . 1987

27/11 (SEXTA-FEIRA)
13h . Igual a tudo na vida (Anything Else) . 2003
15h . Vicky Cristina Barcelona . 2008
17h . A outra (Another Woman). 1988
19h . Contos de Nova York (New York Stories) . 1989

28/11 (SÁBADO)
14h . Poderosa Afrodite (Mighty Aphrodite) . 1995
16h . O que há, tigresa? (What’s Up Tiger Lily) . 1966
18h . A rosa púrpura do Cairo (The Purple Rose of Cairo) . 1985
20h . Sonhos eróticos de uma noite de verão (A Midsummer Night’s Sex Comedy) . 1982

29/11 (DOMINGO)
14h . Neblinas e sombras (Shadows and Fog) . 1992
16h . Hannah e suas irmãs (Hannah and Her Sisters) . 1986
18h . Manhattan . 1979 . 96’ . 14 anos + Sounds From a Town I Love . 2001
20h . Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo* Mas tinha medo de perguntar (Everything You Always Wanted to Know About Sex* But Were Afraid to Ask) . 1972

02/12 (QUARTA-FEIRA)
13h . Celebridades (Celebrity) . 1998
15h . Maridos e esposas (Husbands and Wives) . 1992
17h . Desconstruindo Harry (Deconstructing Harry) . 1996

03/12 (QUINTA-FEIRA)
13h . Match Point – Ponto final (Match Point) . 2005
15h30 . Zelig . 1983
17h . A rosa púrpura do Cairo (The Purple Rose of Cairo) . 1985

04/12 (SEXTA-FEIRA)
13h . Tiros na Broadway (Bullets Over Broadway) . 1994
15h . Os trapaceiros (Small Time Crooks) . 2000
17h . Broadway Danny Rose . 1984

05/12 (SÁBADO)
14h . A última noite de Boris Grushenko (Love and Death) . 1974
16h . Um assaltante bem trabalhão (Take The Money and Run) . 1969
18h . Noivo neurótico, noiva nervosa (Annie Hall) . 1977
19h30 . *sessão seguida de debate

06/12 (DOMINGO)
14h . A era do rádio (Radio Days) . 1987
16h . Crimes e pecados (Crimes and Misdemeanors) . 1989
18h . Memórias (Stardust Memories) . 1980
20h . Interiores (Interiors) . 1978

09/12 (QUARTA-FEIRA)
13h . Simplesmente Alice (Alice) . 1990
15h . Setembro (September) . 1987
17h . Crimes e pecados (Crimes and Misdemeanors) . 1989
19h . Match Point – Ponto final (Match Point) . 2005

10/12 (QUINTA-FEIRA)
13h . A outra (Another Woman). 1988
15h . Interiores (Interiors) . 1978
17h . Memórias (Stardust Memories) . 1980
18h30 . * debate após a sessão

11/12 (SEXTA-FEIRA)
13h . O que há, tigresa? (What’s Up Tiger Lily) . 1966
15h . Tudo o que você sempre quis saber sobre sexo* Mas tinha medo de perguntar (Everything You Always Wanted to Know About Sex* But Were Afraid to Ask) . 1972
17h . Poderosa Afrodite (Mighty Aphrodite) . 1995
19h . Um assaltante bem trabalhão (Take The Money and Run) . 1969

12/12 (SÁBADO)
14h . Um misterioso assassinato em Manhattan (Manhattan Murder Mistery) . 1993
16h . Desconstruindo Harry (Deconstructing Harry) . 1996
18h . Tiros na Broadway (Bullets Over Broadway) . 1994
20h . Setembro (September) . 1987

13/12 (DOMINGO)
14h . Broadway Danny Rose . 1984
16h . Maridos e esposas (Husbands and Wives) . 1992
18h . Noivo neurótico, noiva nervosa (Annie Hall) . 1977
20h . Zelig . 1983

Novembro 3, 2009   6 Comments