Um Olhar Sobre a Escuridão: Paulo Rui fala sobre o novo disco do Redemptus

entrevista por Luiz Mazetto

Na estrada desde 2014, os portugueses do Redemptus já tinham mostrado a que vieram em seus dois primeiros álbuns, “We All Die the Same” e “Every Red Heart Fades to Black”, lançados em 2015 e 2017, respectivamente. Mas é com o recém-lançado “blackhearted” (Raging Planet, Gruesome, Regulator, Ring Leader) que o trio de sludge/post-metal baseado no Porto atinge o seu ápice – até o momento, pelo menos.

No novo álbum, o som denso e arrastado, marcante nos primeiros trabalhos da banda, ganha contornos mais melódicos, refletidos especialmente nas linhas vocais e de guitarra. Mas isso não quer dizer que o Redemptus soe menos pesado ou cru aqui, já que as influências tanto do sludge/doom metal quanto do punk/hardcore continuam bastante presentes. É apenas que a banda agora conta com (ainda) mais elementos para levar o ouvinte em viagens para novos territórios sonoros angustiantes.

Na entrevista abaixo, o baixista/vocalista Paulo Rui, que também está à frente da banda de grindcore Besta, fala sobre “blackhearted”, como foi gravar o álbum durante a pandemia, a volta recente aos palcos lusitanos, relembra as turnês brasileiras com o Besta, comenta sobre as diferenças entre escrever em inglês e português, e aponta os discos que mudaram a sua vida, entre muitas outras coisas. Leia abaixo!

Vocês acabam de lançar o terceiro disco da Redemptus, “blackhearted”, que traz a banda ainda no território de antes, uma mistura de sludge/ doom/ post-metal com algumas pitadas de punk/ hardcore, mas com um som que é ao mesmo tempo (ainda) mais cru e melódico, fazendo o ouvinte entrar em verdadeiros túneis de angústia instigados pelos sons. Concorda com isso? E como vê esse novo álbum em relação aos trabalhos anteriores da banda?
Podemos dizer que sim. Será sempre difícil para nós “definir” um estilo musical, pois essa ideia de soar de uma certa forma não é algo em que pensamos, até mesmo porque somos três pessoas/músicos, com gostos, influências e experiências musicais muito diferentes e variadas, mas essas influências/gêneros musicais que falas estão lá (no disco) e não as escondemos, mas também não as seguimos propositadamente. Este é com certeza o disco mais cru que fizemos e a melodia está bem presente sim, mas mesmo podendo dizer que é o mais “melódico” (dos nossos discos) não é com certeza menos “pesado” que os antecessores. Vemos este disco como uma continuação do que vinha sendo feito, uma evolução natural de um quarto registo de estúdio, onde a maturidade e cumplicidade entre nós próprios nos leva a arriscar e explorar mais de forma despreocupada!

Como falei na outra pergunta, o disco me soa mais melódico e mais cru que os discos anteriores, com a banda talvez se expondo e arriscando mais. Como se deu essa guinada? Foi algo de forma natural, tem relação a direta com a entrada do Pedro Simões na guitarra, que faz sua estreia oficial no novo álbum?
Sinceramente, foi muito natural e orgânico mesmo. Embora o “blackhearted” tenha sido a estreia desta formação em estúdio, o fato de o Pedro já fazer parte da banda desde 2018, já com mais de 50 shows feitos desde então, levou a que para nós tenha sido uma “curva” natural…mas claro que não há forma de negar que a entrada dele na guitarra não tenha tido influência, isso é um fator incontornável. Não que isso tenha mudado a identidade da banda, ou o que a banda representa para nós, exemplo disso é a forma como criamos em conjunto como sempre, tal como os temas abordados, a forma pessoal, aberta e direta que os expomos, mas mudou sem dúvida dinâmicas, trouxe novas influências, mas mais importante trouxe a personalidade do Pedro desde o primeiro momento, que era exatamente o que pretendíamos … Então naturalmente somamos o que o Miguel nos deu com o que Simões nos trouxe de novo e isso fez-nos a todos crescer. Quanto ao fato de que talvez a banda tenha arriscado mais, isso também aconteceu um pouco, principalmente nas gravações da voz, pois foi a primeira vez que entramos em estúdio sem qualquer estrutura definida ou sequer pensada em termos de métricas ou timbre de voz… aliás nem sequer os textos estavam delineados para esta ou aquela faixa especificamente… mas penso que foi um risco que compensou pois fez com que tudo fosse mais espontâneo e quase “visceral” em termos de entrega e isso fez com que o álbum se tornasse mais coeso em termos de mensagem pelo fato de o texto não ter sido dissecado música a música, mas sim usado de forma livre por todas as músicas – um exemplo disso é que você vai ouvir várias vezes ao longo de todo o álbum algumas expressões repetidas.

Esses aspectos que mencionei, de o disco ter um som mais melódico e cru, são ainda mais exacerbados pela ótima produção do álbum, que traz muito peso, mas sem perder a clareza para os momentos melódicos. Tinham essa preocupação desde o início da produção do disco, como um direcionamento já claro do que buscavam? E como foi o processo de gravação e tudo mais em meio a pandemia?
A única “preocupação” que tínhamos era, de forma muito mais assumida que nos discos anteriores, criar e captar algo muito genuíno, orgânico e natural, em que, mesmo sendo um disco de estúdio e claro que tiramos partido do que é uma gravação em estúdio, se percebesse a mão humana, que se sentisse que foram pessoas que tocaram os instrumentos e não máquinas virtuosas perfeitas… desde o pressionar das cordas, às respirações da voz, dos bpms aos samples, não queríamos algo demasiado polido, mas sim algo verdadeiro, onde todos pudéssemos dar mais de nós, onde pudéssemos ter liberdade para ser espontâneos, sem pensar demasiado em estruturas ou estilos musicais ou o que quer que fosse. Nunca tivemos uma direção a seguir que não fosse apenas abrir o peito e dar o melhor de nós para fazer algo muito pessoal, sem ambição ou receio de o que pudesse surgir dessa espontaneidade e desse desapego a qualquer ideia pré-definida. Isso também se tornou possível e “mais fácil” exatamente pela produção do disco ter sido uma vez mais feita em parceria com o Dani Caos Armado, que para além de ser o nosso técnico de som em shows, é também quem gravou todos os nossos discos participando como músico convidado, por vezes a tocar guitarra, como a fazer backing vocals. Então, naturalmente, gravar e produzir com alguém que conhece a banda tão bem quanto nós próprios, essa cumplicidade e conhecimento mútuo das qualidades e limitações de cada um, sem dúvida acrescenta muito à evolução, à construção e à confiança de como estar em estúdio. Também os convidados super talentosos que aceitaram o nosso convite para participar em algumas canções, como o Vasco Reis que criou a intro inicial do álbum, como o Miguel (antigo guitarrista) a tocar guitarra numa das canções foi algo muito importante para nós e sem dúvida acrescenta talento e sentimento ao disco. Em relação ao processo de gravação que realmente aconteceu durante a pandemia, trouxe pontos negativos claro… fez com que tivéssemos de interromper as sessões quando ainda faltava captar um pouco do baixo e toda a voz, fazendo com que todo o processo tanto de gravação como de lançamento demorasse mais que o esperado. Mas olhando agora para trás, isso talvez possa ter resultado como um catalisador de emoções… talvez essa privação de tudo e todos tenha tido o efeito de “rolha”, que foi segurando o acumular de frustrações, que depois se refletiu de forma muito crua e quase sem filtros na vocalização da mensagem. Mas fora isso, a pandemia “não” influenciou a escrita ou a criação do disco!

Recentemente, vocês fizeram um show de lançamento do disco no Porto. Como foi essa volta aos palcos após tanto tempo, o contato com o público e tudo mais? Portugal como um todo está bastante avançado em termos de vacinação e de reabertura em direção ao que conhecíamos como uma vida normal anteriormente.
Confesso que foi meio surreal, mas foi incrível. É difícil conseguir palavras para retratar qualquer sentimento ou emoção, mais ainda quando se trata de fazer aquilo que mais gostamos, que é partilhar a nossa música da forma mais genuína e verdadeira possível. Ter a oportunidade de finalmente após cerca de um ano e dez meses, voltar a estar em cima do palco, cara a cara, olhos nos olhos e sentir as pessoas ao nosso redor para finalmente poder tirar de dentro do peito e mostrar aquilo que é o “blackhearted”, foi e é meio que indescritível, mas inesquecível! O show foi feito ainda com restrições, desde limites de pessoas, lugares sentados, distanciamentos e tudo mais, mas estamos muito contentes por estarmos a caminhar para uma “normalidade”, mas mesmo com este avanço, mesmo com a alta percentagem de vacinação em Portugal, que nos permite já esta reabertura de espaços, o bom senso e a responsabilidade continuam a ser algo a não esquecer.

Os nomes dos discos e das músicas do Redemptus, assim como as letras da banda, parecem revolver em torno de alguns temas em comum, como dor e tristeza, basicamente alguns dos dilemas mais profundos com que a humanidade precisa lidar, mas sempre muito bem escritas. De onde vem a inspiração para as suas letras – tem algum escritor/poeta, português ou de outro local, que o inspire neste sentido? E a pandemia foi uma inspiração para esse disco novo ou as músicas já estavam todas prontas antes?
Agradeço desde já as palavras elogiosas de tua parte. Sim, definitivamente os temas abordados são transversais a toda a discografia da banda. Redemptus sempre foi o ter o coração à flor da pele, o expressar de emoções e sentimentos sem medos, o verbalizar e expor as nossas fragilidades humanas abertamente, o assumir a dualidade positivo/negativo que todos temos dentro de nós, o partilhar, o ser nós próprios, o romper com a “preocupação” da imagem que outros possam ter sobre ti, sem nos sentir diminuídos por abrir o peito e desabafar. Tal como referes, são realmente muitos desses dilemas da humanidade que queremos expor abertamente de forma a que deixem de ser tratados com estigmas, de ser olhados como defeitos ou fraquezas, tal como a saúde mental, desde a depressão ao suicido, do stress à ansiedade, da dor à tristeza, do luto à saudade… esses e outros temas pelos quais a sociedade mostra por vezes empatia, mas que não o assume ou expõe de forma aberta, pois a ideia de que mostrar vulnerabilidade é ser menos, é ser fraco ou motivo de vergonha, ainda faz levantar barreiras… mas no fundo sabemos que ninguém é de ferro e se há algo que mesmo sendo tão pessoal não nos é singular, é realmente esse tumulto interior que inevitavelmente iremos lidar em algum período da nossa vida… É um olhar sobre a escuridão, mas não é a escuridão o que define a escrita, mas sim o aceitar que ela faz parte e que daí podemos tirar algo mais, que podemos ajudar-nos a nós próprios e aos outros, partilhar, amar, ouvir, falar, ser… esse é o sentido da mensagem das nossas letras. A inspiração vem de tudo literalmente… vem das pessoas à nossa volta, vem desde aqueles pensamentos que vagueiam a mente quando apagas a luz para dormir, às conversas que tens no teu dia a dia, vem da música que ouves, em que mesmo sendo um músico completamente diferente, a identificação pela sua mensagem pode estar lá e acabas por retirar algo daí, tal como nos filmes e/ou documentários em que uma expressão desperta uma ideia e dessa expressão constróis tu mesmo um novo rumo, também entrevistas sempre trazem mil ideias, tal como livros onde uma pequena passagem vira um apontamento que dá origem a algo completamente diferente… isso acontece frequentemente mesmo… não há como não ser inspirado e influenciado por tudo, pois é impossível desligar o nosso subconsciente e isso leva-te sempre por um caminho de identificação, mesmo sendo algo tão pessoal. E não, a pandemia não influenciou a escrita, mesmo não tendo nada definido quando gravamos a voz em termos de letras, as ideias já existiam antes pois escrevo de forma contínua ao longo do tempo, não é uma escrita programada ou já estruturada para uma música específica ou algo assim… mas com certeza influenciou a verbalização dela.

Além disso, as capas dos trabalhos da banda também costumam ter o preto, a escuridão como tom principal, de forma a refletir a tensão sonora e lírica da banda. Qual a importância da parte visual para vocês? E pode nos contar um pouco mais sobre a capa do disco mais recente, de onde é aquela foto da garota num misto do que parece ser de grito/choro?
A parte visual é como um reflexo da música sem dúvida, desde as capas dos discos às camisetas, é muitas vezes quase como que o “cartão de visita” para quem encontra a banda pela primeira vez, pode ser esse o “click” de identificação com a banda… quem nunca foi na loja de discos e acabou por comprar um disco de uma banda que nem conhece apenas pela capa ou pelo título das faixas, ou quem nunca foi pesquisar uma banda depois de ver alguém num show, com uma peita com um print incrível, né? Então não tem como não ser algo importante e algo que tentamos que faça a maior ligação ao nosso som e ao que representa a banda e a sua mensagem. A foto na capa do novo disco é uma foto tirada pela Marta Paiva, companheira do Pedro Simões e não foi tirada propositadamente para ser o artwork do disco. Aliás essa foto faz parte de uma coleção com vários anos já, mas acabou por ser a imagem perfeita para o que queríamos representar… foi uma feliz descoberta, que acontece depois de uma conversa em que eu estou a descrever a minha ideia ao Pedro e ao Marcos, para ter a opinião deles e imediatamente o Pedro diz que talvez tenha a ideia ideal para a capa e assim que ele nos mostrou a imagem, soubemos que não precisávamos discutir mais sobre qual imagem iria representar o “blackhearted”.

Paulo, você já esteve no Brasil por duas vezes com uma outra banda, o Besta, em 2015 e 2018. Quais as suas lembranças dessas viagens? Teve alguma coisa que te chamou mais a atenção durante essas viagens?
Sem brincadeira, lembro-me de basicamente tudo! Mesmo a sério! Se escrevesse um diário hoje sobre qualquer uma dessas passagens por aí, tenho a certeza de que poucos seriam os dias os quais não teria uma recordação para mencionar, fosse de uma viagem louca de mais de 15 horas, fosse de pessoas incríveis que conhecemos, fosse de tanta gente que repetiu shows em 2015 e que voltaram em 2018, a comida incrível, lembro de praticamente todas as casas de shows, muitas bandas descobertas que até hoje sigo o trabalho e sou fã, mas o que guardo realmente são as amizades que criamos e que duram até hoje e o carinho que continuamos a receber mesmo estando tão longe e tanto tempo sem voltar aí. Ficará sempre marcado em mim/nós, basta falar que essa ligação proporcionou, para além dessas duas turnês, 2 splits, um álbum ao vivo, um EP, entrevistas incríveis, inúmeros registos que ficam para sempre na nossa história. É difícil listar o que chamou mais a atenção, mas o fato de encontrar tanta gente com a mesma linha de pensamento, tal como ver uma vontade gigante para fazer muito com pouco. Claro que não preciso dizer que pessoas e situações boas e más existem em toda a parte e que, claro, experiências menos boas aconteceram, mas não são suficientes nem suficientemente marcantes para ofuscar o que daí trouxe.

Falando nisso, o Besta e o Redemptus, suas duas principais bandas, são bastante diferentes: enquanto o Besta toca um grindcore ultrarrápido e com letras em português, sua língua natal, o Redemptus, faz um som muito mais lento e com as letras em inglês. Além disso, no Besta você é o vocalista principal, enquanto que no  Redemptus precisa dividir suas atenções com o baixo no palco. Como essas diferenças de estilo, idioma e de participação influenciam na sua relação e no seu processo criativo com as duas bandas?
Não penso muito nisso… mas pensando objetivamente só faz sentido para mim por isso mesmo, por serem duas bandas completamente diferentes em todos, literalmente todos os sentidos, desde som a escrita, a dinâmicas, a influências, etc etc… tudo é mesmo diferente, mas não deixo de ser eu, não existe uma persona numa ou noutra banda, apenas são partes diferentes do meu ser, são temas e mensagens de vertentes opostas mas que não deixam de ser pessoais, que não deixam de ser parte da mesma pessoas. Apenas em Redemptus exponho uma parte mais emocional, enquanto que em Besta uma parte mais social ou se quisermos mais política, mas ambas se tocam na abordagem a temas de consciência social, em questionar as nossas verdades e as verdades do que nos rodeia… por isso mesmo faz sentido para mim poder abordar diferentes temas de diferentes formas. A forma de escrever é muito semelhante no que diz respeito a ser uma escrita contínua de vários apontamentos e ideias que se transformam mais tarde em algo mais conciso. Não tenho preferência em idioma, embora tenha noção de que a escrita em inglês traz uma “musicalidade” e uma maior facilidade em usar as palavras de forma mais “poética” ou elaborada, enquanto que o português é mais “rígido” e não tão fácil de “brincar” com terminações, mas ambos tem as suas vantagens e dificuldades – ainda que, sem dúvida, o inglês traga uma certa versatilidade à composição de frases até pela fonética e sotaque que podemos usar sem perder o sentido das palavras. Em relação às diferenças em cima do palco, é totalmente diferente, enquanto na Besta a liberdade que o micro(fone) me dá para ser expansivo e usar todo o palco e por vezes mais do que só o palco, é o oposto a Redemptus onde o baixo limita o meu espaço, mas a entrega não é diferente, só a dinâmica é que difere, Redemptus tenho o baixo como o suporte à voz o que traz um desdobramento diferente do que é a explosão da voz em Besta.

Sempre gosto de perguntar essa. Me diga por favor três discos que mudaram a sua vida e por que eles fizeram isso.
É impossível responder objetivamente a essa questão… talvez tenham sido várias bandas em fases específicas da vida que tenham criado essa mudança e não um álbum específico. Por exemplo, logo na infância, e com certeza o que define muito a minha preferência e influência musical acontece às mãos do meu pai, que me apresenta bandas como Pink Floyd, Black Sabbath, Iron Maiden, Motorhead, The Doors ou os “big 4” por exemplo, daí talvez o “A Momentary Lapse of Reason” (Pink Floyd) possa ser o escolhido como mais marcante nessa altura, pois é a primeira memória de ouvir discos com o meu pai. Depois a adolescência é marcada pela descoberta simultânea de bandas como Obituary, Napalm Death, Gorefest, Entombed, Sepultura ou Morbid Angel, um pouco também pelo meu pai e pelo meu tio… aqui é bem difícil retirar um mais marcante do que outro, mas escolho o “Erase” (1994), do Gorefest, apenas por ter sido o primeiro disco que eu mesmo comprei, pois todas as outras carregaram maior influência e continuam a fazer parte das audições diárias. Outro período que foi sem dúvida uma virada e nova identificação, que perdura até hoje, foi os inícios dos anos 2000, com a descoberta de Converge, Cave in, Dillinger Escape Plan, Burnt By the Sun, Mastodon ou Botch. Aqui talvez seja o período de maior mudança, mas por acaso é o mais fácil de escolher o disco que se destaca… o “Jane Doe” (2001), do Converge, é realmente um disco que muda a minha vida e me traz uma identificação e um reforço ao que eu começava a fazer musicalmente em termos de timbre de voz e também forma de escrever. Muitos outros podiam aqui estar e não mencionar discos de Cursed, Zozobra, Old man Gloom, Neurosis, Isis, Deftones, A perfect circle, Every Time I Die, Rage Against the Machine, Unsane, Discharge, Terrorizer, Bad brains, Biafra ou mesmo Billie Holiday ou Zeca Afonso… e tantos outros, uffff deixa-me um aperto na barriga, mas feliz por ter sido exposto a tanta coisa diferente e ciente de que amanhã poderão ser outras (desculpa ter feito batota ahahah).

Essas são as últimas perguntas. Você toca e já tocou em diversas bandas. Por isso, gostaria de saber do que tem mais orgulho em sua carreira?
Orgulho não é uma palavra que tenha como hábito usar, mas sim, nestes quase 20 anos de correria, o fato de ter tocado em várias bandas (objectivamente “apenas” quatro foram projetos sérios e firmados, Eak, Redemptus, Besta e Verdun), de estar sempre rodeado de pessoas super talentosas, que me ajudaram a crescer como músico e pessoa, é algo que me deixa muito contente e agradecido. Com isso tive a oportunidade de tocar pelo mundo fora em dezenas de países… Desde o Brasil até à Rússia, de tocar em alguns dos grandes festivais como o Hellfest, o Resurrection Fest ou Amplifest e tantos outros, conhecer tanta gente diferente, criar amizades e pontes que ficarão para sempre, tocar e privar com muitos dos meus músicos favoritos, ter feito parte da criação de uns 25 registros de estúdio lançados, desde álbuns a splits ou participações como músico convidado, claro que é motivo de satisfação e realização… mas sem dúvida o melhor de tudo isso a conexão, a interação e a identificação com outras pessoas através da música que nós próprios criamos, não há como não sentir o peito cheio com isso.

E quais os planos do Redemptus para o futuro? Novas gravações, turnês? Obrigado pela entrevista!
Com certeza o futuro passa por continuar a partilhar a nossa música o mais possível, voltar a fazer turnê por toda a Europa, a vontade de finalmente atravessar o Atlântico e fazer turnê pelo Brasil é algo que temos como objetivo desde 2016/2017 e queremos muito concretizar, novas gravações estão sempre na “to do list” da banda, mas num futuro próximo aquilo que queremos é estar em cima do palco o mais possível, chegar ao maior número de pessoas possível e partilhar. Obrigado nós pela entrevista meu caro, sempre um prazer e espero que seja possível nos vermos em pessoa muito em breve.

–  Luiz Mazetto é autor dos livros “Nós Somos a Tempestade – Conversas Sobre o Metal Alternativo dos EUA” e “Nós Somos a Tempestade, Vol 2 – Conversas Sobre o Metal Alternativo pelo Mundo”, ambos pela Edições Ideal. Também colabora coma a Vice Brasil, o CVLT Nation e a Loud!

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