Três perguntas: Michel Nath

por Andye Iore

A notícia pareceu a salvação para os fãs de discos de vinil. Circulou em janeiro a notícia que seria aberta uma fábrica de discos em São Paulo, e reportagens na Noize, na Folha e no UOL ajudaram a aumentar a expectativa de bandas, artistas e colecionadores: a Vinil Brasil deve começar a produzir discos ainda nesse semestre num galpão na Barra Funda.

Das sete prensas (todas da antiga gravadora Continental, encontradas em um ferro velho e lentamente restauradas), três estão em fase final de revisão e reparos e logo começam os testes. O primeiro disco será o “Solarsoul”, projeto do musico e dono da fábrica, Michel Nath, que vai usar sua produção para testar os equipamentos.

A notícia é para ser comemorada. Só pelo fato de ter mais uma fábrica no Brasil já é algo muito positivo. A concorrência de mercado ajuda a ter preços mais justos, a melhorar o atendimento dos serviços, a diminuir o tempo de espera para receber o produto, entre outros aspectos.

A até então única fábrica de discos de vinil no Brasil, a carioca Polysom, é vista com desaprovação por parte de colecionadores e bandas de rock que fazem orçamento. No catálogo, um disco nacional pode passar de R$ 60 o custo – chegando a ser até mais caro que o custo de um disco importado!

Justamente por isso que a notícia da abertura de uma nova fábrica mexe tanto com o mercado e a cadeia, dos artistas aos clientes. O Projeto Zombilly, parceiro do Scream & Yell, bateu um papo rápido com o dono da Vinil Brasil, Michel Nath, que comentou um pouco mais sobre essa “muvuca” online sobre sua fábrica.

Você tem noção do impacto que a Vinil Brasil trará para o mercado nacional? Tem gente tratando a sua fabrica como a “salvação” dos colecionadores de vinil no Brasil. Como tem sido a reação e recepção para você?
Ótima! Tenho noção e quero estimular o desenvolvimento do mercado de disco em todas as frentes. Produção, distribuição e tornar o disco mais acessível a todos! Tem muita gente realmente feliz com a fábrica e o número tende a aumentar.

Por que você acha que os discos da Polysom são tão caros? Você já sabe se os seus serão mais baratos?
Porque tudo é caro no Brasil. Sobre os preços deles, não posso responder por eles, não sei como é a conta deles. Mas fazer disco não é uma coisa tão barata, principalmente no Brasil. O meu esforço é o de promover o comercio justo. Meu disco não vai ser barato ou caro. Vai ter o preço justo. Fecho a conta, coloco uma margem de lucro que julgo honesta e coerente. É isso.

Você acredita que o vinil é um mercado que vai se restabelecer novamente no Brasil? É um caminho sem volta?
Estou trabalhando para isso. Estimular a cena, gerar uma discografia e um legado cultural. Tornar o disco algo de qualidade sonora e mais acessível. Disco tem que parar de ser um hype pra quem tem grana e se tornar uma realidade para o apreciador de música. Sim, veio pra ficar. A gente teve uma produção gigantesca, de milhões de copias, depois tudo parou. Radicalismos extremos. O lance agora é normalizar a coisa.

– Andye Iore (@andyeiore) é jornalista em Maringá e Cianorte (PR), fã de Cramps desde 1986 quando ouviu “Surfin’ Dead” no filme “A Volta dos Mortos Vivos”. Apresenta o Cinema na Música na rádio Música FM de Cianorte (89,9 FM) e o Zombilly no Rádio na UEM FM (106,9) e na Alma Londrina (www.almalondrina.com.br) além de ser responsável pelo site Zombilly.

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