Três perguntas: Los Protones

por Leonardo Vinhas

O Peru é um destino celebrado para surfistas, sim, mas a essa altura do cenário pop você já deve saber que a maioria dos surf rockers não sabiam ficar em pé em uma prancha, tampouco os surfistas têm em Dick Dale um nome de referência. Ainda assim, é adequado que o país andino tenha uma cena pequena, mas bastante ativa, de bandas de surf music.

Los Protones é uma das mais dedicadas agremiações desse cenário. Fundada em 1997, a banda já lançou três álbuns de inéditas: a estreia homônima de 2009, “Hijas del Diablo”, de 2011; e “Maravilla”, de 2013. Ainda há as coletâneas “Recopilatorios” (2009 – 2015) e “20 Monstruos!” (2007 – 2015), com faixas dos três discos de estúdio, versões ao vivo e cinco números fresquinhos registrados neste ano. A sonoridade é revisionista, mas abre espaço para um tantinho de new wave e punk, como convém ao gênero.

Hoje a formação da banda é estabilizada com o guitarrista Gonzalo, o baterista Tito, o tecladista Jimi, o percussionista Gustavo e o baixista Andrés. Em muitas músicas o teclado é protagonista, trazendo uma ponte com os primórdios do rock instrumental brasileiro (vide Os Incríveis) e até com os timbres hoje cult do tecladista Lafayette. A percussão também aparece como diferencial em algumas canções, principalmente naquelas que remetem a estruturas do folclore e da música popular peruanos.

Estradeiros, Los Protones fizeram sua primeira turnê brasileira em novembro. “Além de ser muito divertido, viajar abre os olhos para as diferentes maneiras de fazer música”, adianta, por e-mail, o guitarrista Gonzalo. “Isso nos põe em contato com públicos que conhecem bem a música instrumental e a surf music e que por isso são exigentes e sabem apreciar as coisas bem-feitas”. O público paulista poderá comprovar – e também se fazer prova – dessa afirmação no fim de novembro. Por ora, é possível conhecer um pouco mais da música e do pensamento aberto da banda no breve papo e nas canções que se seguem.

Como trazer algo novo a um gênero musical notadamente nostálgico como a surf music?
É muito difícil fazer algo realmente novo, mas sempre se encontram novas maneiras de combinar as diferentes influências que formaram a surf e o instrumental dos 60. Nós, por exemplo, temos incorporado algo mais psicodélico às vezes, e é uma coisa do final dos anos 60, que é a época original da surf. Também já incorporamos algumas vezes alguns elementos de música peruana que podiam encaixar bem. Para nós não é tão difícil, já que não somos tão puristas assim.

A cena de bandas surf parece estar crescendo na América Latina, inclusive temos visto muitas bandas viajando a outros países. Já dá para dizer que é uma cena autossustentável?
Creio que estão crescendo as conexões entre pequenas cenas que antes andavam desconectadas. Nós viajamos ao México neste ano, e no ano passado um par de bandas chilenas foram ao Peru, por exemplo. Não acho que seja autossustentável economicamente, mas musicalmente sim. Cada vez mais se nota a personalidade própria do surf latino-americano. E outra: pode até ser que em lugares onde existem várias bandas surf elas só dividem palco entre elas, mas no Peru a cena é tão pequena que mesmo se quiséssemos agir assim seria impossível. Já dividimos shows com bandas punk rock, alternativas, indie e outras. Mas acho que a aproximação deve ser de ambos os lados, também.

Para quando é o próximo disco? Já dá para imaginar para onde le vai?
Começamos há pouco a compor algumas canções novas mas não há datas de gravação ainda. Nosso disco mais recente é quase novo, apareceu no selo grego Green Cookie Records em junho de 2015. Queremos que o próximo disco seja o mais sólido de todos e vamos ser muito exigentes com as novas faixas na composição e na gravação. Tudo vai ter que funcionar bem, e ser variado e divertido.

– Leonardo Vinhas (@leovinhas) assina a seção Conexão Latina (aqui) no Scream & Yell.

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