Anton Newcombe (TBJM): “Não quero ser um prisioneiro de conceitos, só quero ser livre e fazer música”

entrevista de Guilherme Lage

Com 35 anos de carreira, o The Brian Jonestown Massacre continua uma banda tão fascinante quanto era quando deu as caras ao grande público em 1995. Até hoje há uma forte aura de inconformismo e desdém pelo “pertencimento”, seja ele a uma cena musical, estilos, ou até mesmo a convenções sociais na banda liderada por Anton Newcombe.

Naquela década, quando o grunge reinava supremo, o grupo trazia um certo frescor ao mesclar psicodelia, folk e blues em um tipo de música feito para soltar um delicioso e sinceríssimo “que porra é essa?” A experimentação seria talvez uma prova cabal do que diz o próprio Newcombe, que quando o assunto é música, o tempo não é necessariamente linear. Na hora de fazer um som, a coisa se torna mesmo é visceral.

E que visceralidade! Para quem já assistiu ao documentário “Dig!”, de Ondi Timoner, ou por acaso estava de passeio pela Austrália em 2023, sabe que essa energia precisa ir para algum lugar, então não é incomum ver os membros do The Brian Jonestown se jambrolhando na porrada em meio ao palco.

Atualmente a banda excursiona para promover o vigésimo disco “Your Future Is The Past” (2023). Para falar sobre sua paixão pela música, o multi-instrumentista e líder inconteste do grupo, Anton Newcombe conversou sobre o Scream & Yell. O cara é exatamente como se espera: um chapéu de cowboy cool, cobrindo um pouco os cabelos que já embranquecem, óculos escuros e uma jaqueta militar de cor verde.

Gente finíssima, Anton anda para lá e para cá para responder uma pergunta, se senta em uma poltrona, se levanta de novo para abrir uma cortina e mostrar a cidade da janela do hotel em que está hospedado. Tudo enquanto bebe o que parece ser suco de tomate ou algum energético ou goró em tom de vermelho que não estamos acostumados a ver no Brasil.

A banda termina a última etapa de uma turnê nos Estados Unidos e o músico, que mora em Berlim, deixa claro que somente os shows podem levá-lo novamente para a América do Norte, uma vez que não tem vínculos afetivos ou financeiros que o façam fincar os pés na terra de Trump. “Moro na Alemanha porque lá é oficialmente proibido ser nazista”, diz sobre a situação atual dos EUA.

Amante de música brasileira, Anton não vê a hora de subir ao palco: “Eu quero mesmo é comprar muitos discos! Da última vez que estive aí eu fiquei muito bêbado, vou me controlar agora”, tenta prometer. Confira o papo completo!

Eu estava ouvindo o “Your Future Is The Past” outro dia e mesmo que soe muito como algo que vocês naturalmente fariam, também soa como algo muito novo. Pode me contar como foi trabalhar no disco? Como foi chegar a esse resultado?
Bom, quando estava trabalhando nele nós tivemos toda a questão com a Covid e eu estava tentando ser positivo. As regras eram interessantes em Berlim, porque eles costumavam ser nazistas (antigamente) e tudo aquilo, e agora eles podem te falar alguma coisa só algumas vezes, te sugerir fortemente algo como “isso é o que uma pessoa boa faz” ou “isso é o que uma pessoa boa não faz” enquanto cultura, porque não podem mais ser um estado policial. Então aqui na Alemanha eles estavam dizendo meio que “nós sugerimos que as pessoas fiquem em casa”, sabe?

Mas tinha muita gente que saía e ia beber nos parques, organizando raves e tudo isso. As autoridades também diziam: “tudo bem, se você precisa trabalhar, vá trabalhar”. Bom, eu sou um produtor musical (risos), então tenho um estúdio e dizia aos meus amigos: “vamos fazer música, pode deixar que eu pago, e você vai poder sair de casa um pouquinho”.

Então acho que a coisa principal mesmo foi que eu tentei ser positivo. Eu estava fazendo as músicas para mim, pra meio que basicamente me ensinar a lembrar das coisas para não esquecê-las, sabe? Porque é tão fácil ficar triste e abalado em situações como aquela.

Não é segredo pra ninguém que não vivo mais aqui neste país (a entrevista foi concedida dos Estados Unidos). E foi uma coisa que fiquei pensando, porque se morasse aqui eu acho que ficaria bem mais puto. Porque via as pessoas aqui falando “foda-se tudo isso (de covid e quarentena), vamos pra rua!” E é muito louco, porque esse é um jeito de viver que as pessoas querem por aqui, sabe?

E isso é uma coisa que eu já previa que aconteceria quando morava aqui e então pensei: quer saber, tô fora! (risos), vou me mudar pra Alemanha, porque eu sabia que eles não podem ser nazistas por lá. Em qualquer outro lugar do mundo as pessoas ainda podem ser nazistas, mas não na Alemanha.

Mas ao mesmo tempo, não sou burro. Sei que nossos celulares nos vigiam, os computadores levam seu dinheiro embora e essa merda toda, mas eles não podem se vestir de nazistas, espancar pessoas e nem desfilar de tanques no meio da rua por lá.

Eu sabia disso e pensei: ah, eu vou pra lá, vou relaxar, porque é isso que eu quero. Eu quero ser uma pessoa boa, sabe? Então a música foi um jeito de me lembrar de não me perder, porque é tão fácil a gente se perder nesse mundo.

E esse é tipo o seu vigésimo disco, vocês lançam um álbum quase que todo ano. Sendo bem sincero: como você consegue? São 20 discos desde 95, às vezes, mais de um por ano. Como você se inspira para ser tão prolífico e sempre ter algo na manga desse jeito?
Sabe que não sei? Porque nem penso muito nisso. Nunca é meu objetivo dizer: “ok, vou compor um hit ou vou fazer isso”. Sempre tento fazer algo que capture a minha intenção, mas que não me torne um prisioneiro dela, sabe?

Não quero ser um prisioneiro de algum conceito, só quero ser livre e fazer música, porque eu amo música. Um bom exemplo disso é que o Mani, do Stone Roses, morreu recentemente, mas assim que fizeram aquela gravação em homenagem a ele, acabou ali, porque é boa demais.

Então é aquele tipo de coisa que você olha e pensa: está bom, o que vocês vão fazer daqui pra frente? Vocês ensinaram o cachorro a fazer um truque novo, e agora, qual o próximo passo?

Eu nunca quis ser esse tipo de artista, sabe? Eu sempre só quis fazer música!

E aproveitando a palavra “passado”, vocês estão abrindo os shows dessa parte da turnê com “Whoever You Are”, que é uma das primeiras músicas que você fez. O que isso significa pra você? Tem a ver com manter o passado e o presente da banda interligados? Mostrar esses trabalhos de eras distintas meio que conectados?
Essa é difícil de responder, porque não sei se olho para essa música como passado, mas a verdade sobre essas músicas antigas, todas elas, é que as gravações nunca são boas. O que eu sempre pensei em fazer é torná-las simples o suficiente para tocá-las ao vivo muito bem.

Basicamente, música de garagem é sobre conectar sua guitarra em um amplificador, sem pedais, sem nada, sem escolher como vai soar antes, nada! E daí para a frente o que conta é a música. E não importa onde nós vamos tocar, se é no Glastonbury ou em algum teatro. O que mais me fascina é você poder traduzir em música quem você realmente é, independente do lugar.

Por exemplo, seis das nossas primeiras músicas foram parar em algum disco, mas elas não estão “casadas” com um tempo ou lugar, sabe? Elas não soam estranhas para uma pessoa que vai ouvi-las agora. Não é como se alguém fosse ouvi-las e pensar: isso parece música dos anos 80 ou música dos anos 90, do jeito que a música de outras pessoas pode ser interpretada. Nossa música não é baseada nisso. E é isso que eu amo na nossa música, sabe? É só música e é boa.

Acho que é por isso que temos jovens nos nossos shows, que temos pessoas mais velhas nos nossos shows, é porque é música, sabe? Ao invés de simplesmente ser aquela experiência de “vamos lá ouvir essa banda dos anos 90”. Mas posso te contar uma coisa? Eu conheço algumas das formas mais simples de viagem no tempo, desde que eu tinha uns 6 anos. Quer que eu te conte como é?

Claro!
Se você pegar qualquer lugar, um pedaço de papel, uma parede, e você assina seu nome e coloca a data e pensa “daqui a 15 anos eu vou voltar aqui e tocar esse espaço”. Se você fizer isso e realmente voltar a aquele lugar e tocá-lo de novo, você instantaneamente viajou 15 anos no futuro, num estalar de dedos mesmo.

Eu fazia esse tipo de coisa quando tinha uns 6 anos de idade, pensava: se eu fizer isso agora e voltar quando eu tiver 18 anos, isso é viagem no tempo! Sabe? Aposto que você não sabia que era tão simples.

E com algumas coisas na sua vida você também pode fazer isso, não importa o que seja, porque se você visualizar as coisas, pode fazê-las desse jeito.

The Brian Jonestown Massacre / Foto de Marie Monteiro

Essa próxima pergunta é um pouco pessoal, porque eu vi que você e sua mãe tinham uma relação meio difícil. Mas pode me falar no que essa relação te inspirou como artista e até como pessoa mesmo? Ela te inspirou a compor?
Sim, e também devo a ela o início do meu amor pela música, porque ela também amava música. Então o motivo de eu ter o “Rubber Soul” e outras coisas dos Beatles, os discos do Simon & Garfunkel, é porque esses discos eram dela, sabe?

Mas o que a minha família e os meus amigos aqui nos Estados Unidos me inspiraram também tem a ver com outras coisas. Por exemplo, se você nunca quer voltar para o lugar de onde você veio, você tem que trabalhar pra caralho.

O Bob Dylan tem essa frase numa música (“She Belongs to Me”), que ele diz “she never stumbles, she’s got no place to fall” (“Ela nunca tropeça porque não tem onde cair”). Então é meio que isso pra mim: “sem mamãe e papai”, não tenho lugar pra ir, mas de jeito nenhum eu volto pro lugar de onde eu vim.

E isso é porque eu não gosto das pessoas de lá. Eles são uns nazistas filhos da puta no lugar de onde eu vim, sabe? Literalmente.

Outras pessoas ficam “ah, Newport Beach, perto do mar, isso é tão incrível, como foi crescer por lá?” E tudo que eu consigo dizer é: olha, não é pra mim, sabe? Não é meu estilo. Mas deixa pra lá (risos).

Vocês surgiram nos anos 90 e são extremamente diferentes da música normalmente associada à década. Como foi pra vocês naquele tempo? Era meio que “que se dane, a gente vai fazer a música que a gente ama, foda-se o que está bombando”?
Porra, exatamente! Tipo, as bandas de San Francisco eram meio que imitadoras do Red Hot Chili Peppers, e era tudo um lixo. Eu só queria fazer música que eu gostava.

Eu estava dando uma entrevista outro dia e estava explicando pro cara que não havia nenhuma banda fazendo o tipo de música que eu queria fazer, então eu comecei a ensinar os meus amigos a tocar música.

Era tipo: foda-se, vem pra minha casa por uns 15 minutos todos os dias e eu vou te ensinar a tocar guitarra. E olha que eu tinha aprendido a tocar só uns três meses antes. E eu dizia pra eles: eu prometo que se você praticar por 15 minutos por dia em duas semanas você vai ver algo acontecer, só confia em mim.

E o pior é que é verdade, sabe? Mesmo que você esteja tentando aprender a falar mandarim, português, seja lá o que for, se você praticar por 15 minutos ao dia, em um mês vai ver algum tipo de progresso e isso vai te motivar a melhorar, mas você tem que querer fazer as coisas.

E do nada muitas bandas estavam se mudando para nossa cidade para tentar ser o que nós fizemos acontecer, porque tivemos que mudar todo o ambiente em que estávamos inseridos. Isso porque eu sabia que não poderia fazer parte dos projetos de ninguém.

Houve episódios em que o que rolava era, por exemplo, os donos dos clubes falando: “Me desculpe, se você quer tocar aqui, tem que comprar mil ingressos e vender pros seus amigos”. Esse tipo de coisa, sabe? Essa merda toda.

Por causa do nome da nossa banda (uma junção do fundador e guitarrista dos Rolling Stones, Brian Jones, com o incidente de 1978 no assentamento “Jonestown” do líder de culto Jim Jones na Guiana, onde mais de 900 de seus seguidores morreram em um assassinato-suicídio em massa conhecido como Massacre de Jonestown) também sempre havia um problema ou outro, éramos banidos de tocar em todos os lugares, por causa do Templo do Povo (movimento iniciado por Jim Jones) e toda aquela merda. Todo mundo falava pra gente: “vão se foder, vocês nunca vão tocar em lugar nenhum nesta cidade”.

Então o que eu fazia era chegar aos donos de algum clube e inventar alguma mentira pra dar um show, tipo: “blá blá blá, o meu irmão vai se casar e a festa vai ser nesse salão de festas. Vocês ficam com o lucro do bar e talvez a gente toque alguma música por lá”.

Eu fazia isso e, de repente, tinha tanta gente vindo aos shows, que os donos dos bares: “olha, eles estão dando um lucro”.

Então eu inventava mesmo um evento, não era uma coisa que você fazia pra você mesmo, mesmo que você vá tocar uma vez por mês, você está criando uma festa. Então era algo do tipo: sua banda toca um fim de semana, no outro fim de semana é a vez da banda do seu amigo tocar. De repente você tem sempre um lugar pra tocar.

Então assim, mesmo que você comece a fazer pra ajudar a sua própria banda, acaba ajudando todo mundo. Pelo menos foi assim com a gente.

Você também está na banda francesa L’Épée (com Emanulle Seigner e The Limiñanas). Há algo previsto para essa banda também em um futuro próximo?
Sim, a Emanuelle, a vocalista, e eu, temos já umas cinco ou seis músicas, que são muito boas! O problema é que eu tenho estado tão ocupado que está levando muito tempo para mixá-las e tudo isso. É sempre uma coisa atrás da outra. Eu tive uns problemas de coração, e as pessoas ficam preocupadas, tipo: “você quer mesmo fazer turnê? Você quer continuar fazendo música?” E eu sempre fico surpreso com isso, e respondo: claro que quero! Mas tem sempre algo acontecendo na vida, sabe?

Aqui no Brasil vocês vão se apresentar ao lado de um artista e uma banda. O Odair José e a Ema Stoned. Você é familiarizado com algum deles? Odair José, especialmente, é conhecido como um dos maiores músicos do nosso país. Já ouviu algo dele?
Olha, é muito difícil dizer, porque eu saberia em um minuto se já escutei e te digo como: eu, o Joel e outras pessoas na banda, ouvimos muita, muita música brasileira, o que considero a era clássica. Toda a música dos anos 60, da época do exílio com a ditadura militar, quando os caras foram para a Inglaterra, até os anos 70, então se você me mandasse um link eu poderia te dizer em um minuto se já ouvi ou não, porque meu cérebro é igual a um queijo suíço.

Vai ser uma boa oportunidade de vê-los, caso ainda não tenha conferido.
Sim, com certeza vai, mas tem uma outra coisa. Vou te contar uma coisa: da última vez que estive no Brasil eu fui a algumas lojas e gastei, provavelmente, milhares de dólares em discos (risos). Os originais, os antigos, sabe? Tudo de música brasileira e todos nós amamos.

Somos superfãs de música, sem querer falar mal de ninguém, quando falo música, eu quero dizer música boa. Não quero insultar ninguém, não preciso fazer isso, mas não tenho tempo a perder com música ruim, sabe? Vou procurar conhecer, sem dúvida.

Você mora em Berlim, como foi essa mudança dos Estados Unidos pra uma cidade europeia? Mudanças de ambiente influenciam em arte de alguma forma, na sua opinião? Não necessariamente música, mas outras expressões artísticas para pessoas diferentes?
Bom, pra mim não foi assim, porque é mais o fato de que nada está acontecendo, tudo me deixa triste em relação à toda a merda que nós vemos acontecer, sabe? Eu não quero ver tanques pelas ruas. Por exemplo, nos Estados Unidos, se eles acham que têm que fazer o que estão fazendo, nós não concordamos com aquilo. O governo da Califórnia, eu não concordo com nada do que eles fazem.

Mas ao invés de eu ficar berrando contra isso, acho que estou mais no estágio de pensar: tarde demais! A hora de fazer algo foi há muito tempo, não é agora, sabe? Acho que você me entende. Por exemplo, não há nenhum voo acontecendo agora dos Estados Unidos para a Venezuela, o que você acha que isso significa? Estamos vivendo em tempos muito, muito sérios, sabe?

E há pessoas que acreditam que nada está acontecendo, chega a dar raiva
Nada disso é uma piada, sabe? Por exemplo, aquele cara daqui (Trump), estava todo nervosinho: “Se vocês não tirarem as acusações contra Bolsonaro, eu vou aumentar as tarifas para 500%”! Coisa de maluco mesmo!

Vai se foder, sabe? Tipo, em primeiro lugar: vai se foder! Em segundo: vai se foder de novo! Esse é o tipo de época que estamos vivendo! E muita gente quer tentar te convencer de que isso é bom, vão te dizer: “ah, eu não dou a mínima pra isso”. Porra, você vai sentir se tudo estiver 50% mais caro, sabe? Você vai se importar um pouco.

É por isso que me mudei pra Alemanha. Eu só quero mesmo é ficar sossegado. Eu não preciso mais ficar falando merda com as pessoas, eu sou velho. Eu só quero fazer minha música, curtir com meu filho.

Você pode me falar um pouco sobre como é seu dia realmente quando você está criando música, criando arte? O que é mito e o que é verdade por trás de um processo como esse?
A coisa mais interessante é que compor e gravar uma música não me toma muito tempo. Se eu começo a fazer uma ou duas músicas, eu provavelmente vou estar de volta em casa na hora do jantar, por volta de 18h, 19h. Não me toma tanto tempo mesmo, umas duas ou três horas, talvez um pouquinho mais.

Há dois jeitos diferentes. Tipo, uma vez que as coisas se encaixam eu vou compor 60 ou 70 músicas de uma vez. Então basicamente eu estou sempre compondo dois discos de uma vez, porque as músicas simplesmente vão aparecendo.

Mas eu também componho todo dia. Eu estou sempre escrevendo músicas, porque eu amo música e preciso tocar música. Eu acordo, vou ao estúdio por volta do meio dia, fico por algumas horas, porque eu toco todos os instrumentos. Toco um órgão Hammond por um tempinho, fico tocando música de igreja um tempinho, depois mudo para as guitarras.

E o meu estúdio está sempre montado como uma casa, então eu posso cozinhar, dormir um pouco, fazer o que quiser, relaxar. Então é meio que assim, eu faço umas 40, 50, 70 músicas, só tocando desse jeito. Aí eu penso: “foda-se, chega, é o suficiente”. Daí eu largo tudo e vou viver minha vida, sabe?

O motivo que faço isso é porque, quando chego em casa depois das turnês, eu vou gravar. Não tenho mais nenhuma música pronta, não sei nem se consigo mais compor, eu luto! Luto pelo que eu quero e tenho que lutar pra ganhar.

É o esforço! Isso é o que mantém tudo real, você deixa as coisas de lado por um tempo, depois se esforça e pensa: cara, se eu realmente quero fazer isso, então eu tenho que fazer!

Então nunca me foco em nenhum tipo de bobagem. Eu nunca estou preocupado em compor hits, nunca penso em: preciso ser de novo como eu era. É real ou não é, sabe?

Mas ao mesmo tempo, eu sou um lunático tão fodido que faço isso ao mesmo tempo com cinco projetos diferentes (risos). Converso com as pessoas e sempre falo: “tá, vou fazer um disco com você”. Mais uma vez: faço isso porque amo tocar música.

E espero que você esteja empolgado para o show na sexta-feira!
Bom, espero que todo mundo se divirta, nós vamos chegar cedo pra eu poder descansar um pouquinho. Isso até o momento de subir no palco, porque aí o pau vai quebrar e quero que todo mundo curta, sejam só vibrações boas.

Então pra mim, o que me resta é não beber muito, me concentrar, sabe? Me divertir, mas não me divertir demais (risos). Comer comida boa, relaxar, ir comprar discos, todas essas coisas, sabe?

E sabe, foi um prazer dar essa entrevista. Mal posso esperar pra chegar ao Brasil, vou aproveitar bastante. Porque da última vez eu fiquei tão bêbado,então dessa vez não posso fazer isso, tenho que estar muito mais presente (risos).

– Guilherme Lage (fb.com/lage.guilherme66) é jornalista e mora em Vila Velha, ES. Leia outras entrevistas dele! A foto que abre o texto é de Francis Dalacroix. 

One thought on “Anton Newcombe (TBJM): “Não quero ser um prisioneiro de conceitos, só quero ser livre e fazer música”

  1. Putz!!! baita entrevista li muito sobre a banda mas nunca me interessei achava muito superestimada, sei la´, mas depois dessa entrevista vou mergulhar na obra dos caras.

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