entrevista de Marcelo Costa
Salvador Sobral é um artista português que ganhou fama por ter vencido o Festival Eurovision 2017 com a canção “Amar Pelos Dois”, marcando a primeira vez que Portugal ganhou o concurso (se você acompanhou o guia definitivo que fizemos do Eurovision 2025 já tem ideia da grandiosidade e alcance do evento). Sílvia Pérez Cruz é uma artista catalã que desde pequena se dedica aos estudos musicais, e aos 18 mudou-se para Barcelona para continuar sua formação na Escola Superior de Música da Catalunha (ESMUC), onde se licenciou em canto jazz (Salvador também estudou jazz na capital catalã). Em uma confessa admiração mútua, os dois decidiram lançar um álbum juntos, e assim nasceu “Silvia & Salvador” (2025), um disco iminentemente acústico e repleto de colaborações (de nomes como Jorge Drexler, Dora Morelenbaum e Lau Noah, entre outros).
“É um disco honesto e verdadeiro”, revela Salvador Sobral em entrevista ao Scream & Yell. “E não há nada mais verdadeiro e honesto do que gravar todos na mesma sala, ao mesmo tempo, e abraçar os erros, abraçar o risco e o momento, e que seja um disco do momento”, explica o músico português.
A conversa começou com Salvador relembrando suas passagens pelo Brasil como músico e, também, turista, condição cada vez mais criticada na sociedade moderna, opinião da qual ele compartilha: “Sinto que a condição de turista incomoda a população do lugar. Estou acompanhando a massificação do turismo no meu país (Portugal) e também na cidade onde vivo, Barcelona, e isso tem tantos problemas associados”, conta.
Ele relembra também como se encantou por Silvia (em um registro de “Em moro – Mov.4: El Peso”, que ele gravou para o disco dela, ele chega às lágrimas tamanha emoção), fala das colaborações com Dora e Jorge Drexler, elogia Lula por não se curvar à Trump e Netanyahu e diz que “querer a libertação da Palestina é uma questão humanitária empática”. Ainda pontua, sem nenhum fundamento científico, mas com convicção, que a música nasceu no nosso país: “A música não para de surpreender e de se reinventar no Brasil”, define. Papo bom.
E aí, caro Salvador, tudo bem?
Está tudo, (afinal) vou voltar para o vosso país (sorrisos).
Terceira vez?
Exatamente, terceira vez. Como profissional da música, né?
Antes você já tinha vindo para cá como turista?
Exatamente, essa condição que detesto hoje em dia, a condição do turista. Hoje sinto que se eu não for para trabalhar, se eu não for para cantar em um lugar, eu não visitei realmente esse lugar. É curioso…
Você está fazendo muitos shows mundo afora agora, certo?
Estou viajando muito e trabalhando muito. E agora, até por razões políticas, não gosto de viajar e de estar na condição de turista porque sinto que isso incomoda a população do lugar. Estou acompanhando a massificação do turismo no meu país (Portugal) e também na cidade onde eu vivo, Barcelona, e isso tem tantos problemas associados que eu… (desisti de ser turista). No outro dia eu estava conversando com a minha irmã (a também cantora Luísa Sobral) sobre isso, de já não querer fazer turismo. Se é para viajar, então é para fazer música e para sentir que tenho um objetivo legítimo na minha viagem. Mas isso são problemas de burguês, não é?
No Brasil a gente tem um meme que explica isso: “classe média sofre” (risos)
Exato, mas eu acho bom fazer… (turismo interno em seu próprio país). Agora mesmo estamos nos Pirineus. A gente vem de carro, está mais fresco, porque em Barcelona o calor está impossível. Acho interessante este turismo para dinamizar também a economia local…
Exato, é perfeito. A gente fala muito disso no Brasil também, pois há muita gente que sonha em ir para Nova York, Londres ou mesmo Lisboa, mas não conhece o Brasil. O pessoal olha para fora, mas não valoriza tanto o que tem dentro de seu próprio país. Mas vamos falar sobre você e Silvia! Como se deu o encontro entre vocês? E que horas vocês pensaram: “Acho que tem uma química aqui e isso aqui pode render um disco”?
Passamos por várias fases… A primeira foi o meu primeiro encontro com ela e com a voz dela, na verdade, que foi quando eu ainda estava estudando jazz em Barcelona. Fui a um show do António Zambujo em Barcelona, e eu pensava que era um show só dele, mas quando cheguei lá percebi que ele só ia fazer o show de abertura para a Silvia, que eu não sabia quem era. Fui ver o show dele e quando acabou e ela entrou, eu tive uma espécie de epifania musical, algo como que eu tinha enfim encontrado aquilo que eu sempre queria fazer e sempre procurava. Um pouco como o Caetano. Considero ela e Caetano pilares de influência musical. Porque ela tinha tanta liberdade na interpretação, a maneira como ela abraçava o risco e a improvisação, e uma honestidade brutal na forma de cantar. Fiquei muito impactado por essa primeira experiência e comecei a seguir a carreira dela muito de perto.
Salta para uns anos depois, quando eu já estava em Lisboa outra vez, e ela veio fazer show na cidade. Ela entrou num bar onde eu estava cantando, um bar de jazz que se chama Hot Clube (o mais antigo clube de jazz de Portugal). E eu estava estudando jazz, então estava muito naquela do jazz. E ela gostou de me ouvir cantar e então também começou a seguir o meu trabalho. Eu dei-lhe um disco nesse dia e disse: “Olha, este é o meu primeiro disco (‘Excuse Me’).” Tinha saído em 2016. “Esse disco está muito influenciado por ti, embora tu não saibas.” E então assim a gente começou a seguir um ao outro as carreiras respectivas. E ela convidou-me para cantar. Foi curioso porque foi ela a primeira a convidar-me para cantar num disco dela. Acho que nunca me atreveria a convidá-la, porque tinha demasiada admiração por ela. E então ela convidou-me a interpretar uma canção no último disco dela (“Em moro – Mov.4: El Peso”, do álbum “Toda La Vida, Un Dia”, de 2023) e eu depois fiz uma canção em homenagem a ela e à voz dela e à inspiração que ela me trouxe, que se chama “De La Mano a Tu Voz” (2023), que eu já cantei no Brasil. E depois fomos convidados para cantar nos Prêmios Goya, que é tipo um Globo de Ouro espanhol. E lá aconteceu alguma coisa mística que quando terminou, pensamos: “Ok, não podemos ignorar esta conexão musical que existe. Vamos fazer alguma coisa.” E então surgiu esta ideia do disco, composto por amigos, e a turnê (conjunta)…
“Silvia & Salvador” é um disco bem direto, íntimo, despido, na contramão do que a gente vê na indústria hoje, repleta de superproduções. Como vocês pensaram o álbum? Como vocês imaginaram que ele deveria soar?
Olha, surgiu com bastante naturalidade, mas acho que era esta a filosofia também em conversa com o produtor, Juan R. Berbin. Ele dizia: “O que eu gosto mais nas vossas vozes, na vossa forma de interpretar é a verdade, a honestidade. E isso é o que eu quero transportar para o disco.” É um disco honesto e verdadeiro. E não há nada mais verdadeiro e honesto do que gravar todos na mesma sala, ao mesmo tempo, e abraçar os erros, abraçar o risco e o momento, e que seja um disco do momento. E se tu reparar, todos os instrumentos são acústicos, ou seja, se a eletricidade falhar a gente pode continuar a cantar. Essa foi a filosofia desse disco. Mas, atenção, eu não tenho nada contra os discos superproduzidos. Adoro tudo o que é produzido e talvez o meu próximo disco pode vir a ser um disco de funk brasileiro produzido. Não sei. Mas neste caso (do “Silvia & Salvador”), essa foi a filosofia. A filosofia da verdade e da honestidade musical.
Aproveitando que você falou que é um disco acústico, vocês vêm com banda completa para o Brasil? Darío Barroso (violão), Marta Roma (violoncelo) e Sebastià Gris (bandolim e baixo) vêm com vocês?
Sim, felizmente teremos a banda toda. O que não trazemos é o palco, a gente tem uma cenografia grande, mas isso é difícil de transportar transatlanticamente. Mas vamos com o coro dos músicos, o que é ótimo porque vamos estar muito bem acompanhados.
E vocês já tem uma sequência de shows, uma química de palco…
Sim, já. E é curioso que os shows vão ganhando (força), vamos descobrindo coisas. “Ah, esta canção é interessante! E se tu fizeres o solo aqui ou se houver uma improvisação coletiva noutra parte”… Adoro a forma como os shows vão mudando à medida que vão passando e como a música vai mutando. É muito interessante para mim isso e para a Silvia também.
O álbum tem canções de diversos amigos, colaboradores, parceiros. Gostaria que você me falasse de duas em particular. A primeira é a parceria com a Dora Morelembaum, que é uma artista brasileira…
(Essa música, “Minhas Marcas” é da) Dora e do Guilherme Lírio, que escreveu a canção com ela.
A melodia é deles e a letra é de vocês, correto?
Exatamente. Ela mandou a canção, disse “olha, eu e o Guilherme fizemos esta canção”… Foi muito rápido, ela demorou uma semana para mandar a canção. Os brasileiros, especialmente os cariocas, têm uma forma muito poética de viver a vida. Então ela me mandou a canção e disse: “Aqui está a canção, mas infelizmente a letra não veio junto”. Eu gostei da forma como ela fraseou isso, “a letra não veio junto”, como se fosse uma inspiração divina que lhe veio, mas a letra não chegou no correio. Adorei como ela pôs isso. E então a gente propôs-se a escrever metade-metade. Eu escrevendo a parte que canto e Silvia a escrever a dela. Cada um canta a parte que escreve… tipo Lennon o McCartney… com as devidas distâncias humildes. E o curioso é que nós dois usamos as mesmas palavras “minhas marcas” nas duas letras. Foi uma coincidência. E então essa música teve que se chamar “Minhas Marcas” porque era uma coincidência demasiado grande para ignorar.
Gostaria que você falasse também sobre “El corazón por delante”, a música do Jorge Drexler…
Deixe-me pensar quem escreveu (a ele)… acho que fui eu quem escreveu primeiro. Colaborei com ele em meu último disco, “Timbre” (2023), numa canção que se chama “al llegar”, que ele cantou comigo. Ele está sempre a me dizer que gosta muito da minha voz e é difícil acreditar quando alguém assim, uma pessoa que tu admiras tanto, gosta da tua música. Parece que perdes um pouco de respeito por ele (risos). Sabes? Isso é curioso. Quando tens um ídolo assim de tantos anos e ele diz que gosta do que você faz, você diz que, se calhar, já não o respeita tanto assim por gostar do que você faz. Não sou o primeiro a dizer isto, mas é muito verdade.
Nota: Provavelmente uma referência à clássica frase do comediante Groucho Marx que dizia “Não quero fazer parte de nenhum clube que me aceite como sócio”
Sei que Jorge Drexler é muito fã da Sílvia também, eles já colaboraram muitas vezes. E então mandei uma mensagem perguntando “não tens por aí uma canção na gaveta ou uma canção que tu pudesses fazer para mim e para a Sílvia?” E ele mandou esta e outra curiosamente em inglês. E ele disse: “Tenho essa que não sei se quero que ela se chame ‘El corazón por delante’ ou ‘El corazón ao volante’. Acho que ela poderia ficar bonita a duas vozes”. Então a gente gravou e mandou e ele disse: “Estou muito arrependido de ter mandado esta canção! Quero esta canção para mim agora” (risos). E então sempre que a gente se vê, e no outro dia cantamos juntos num show, ele voltou a dizer: “Tenho que recuperar esta canção, ela é demasiado bonita, Não sei porque vos dei essa canção”.
Bom, vocês têm seis shows agendados no Brasil em cinco cidades. Vocês conhecem Brasília?
Não, eu acho que Silvia cantou uma vez lá. No outro dia perguntei e eu sei que ela não cantou no Recife. Mas tenho a sensação que ela cantou em Brasília (nota: Silvia cantou com Hamilton de Holanda em Brasília no Clube do Choro, local que também já recebeu Paul McCartney em um show surpresa). Não conheço, mas estou muito curioso.
Talvez seja uma das grandes obras do Oscar Niemeyer, um lugar muito bacana para conhecer nessa coisa de turismo que a gente já abriu falando. E ainda falando de Brasil, em alguns shows com a Silvia, na hora que vocês cantam a canção da Dora, você tem falado que “o Brasil é o berço da música”. Queria que você falasse um pouco sobre isso.
Olha, é uma convicção minha, sem nenhum fundamento científico, mas eu acho que a música nasceu no Brasil, porque parece que desde sempre eu sinto a música brasileira como algo superior, não só do ponto de vista intelectual, que o é, mas como é que eles conseguem transformar essa complexidade musical em leveza, sabe? Isso para mim é a música brasileira: complexidade misturada com simples leveza. Ninguém diria que há 700 acordes em “Desafinado”. Desde a tradição até à nova música que se faz agora em todos os estados, estou-me lembrando de Juliana Linhares, de Zé Ibarra, da Dora e do Tim (Bernardes). Enfim, a música não para de surpreender e de se reinventar no Brasil. Se houvesse tanto petróleo como há talento musical, o Brasil seria muito rico.
Recentemente, Pedro Brunhosa esteve aqui no Brasil para uma série de shows e assim como vocês têm feito em seus shows, ele fez questão de falar sobre o genocídio em Gaza, de dizer “olha, eu tenho sangue judeu e tenho vergonha do que está acontecendo lá”. Foi uma declaração muito forte. O disco de vocês se encerra com uma canção, quase que uma oração pela Palestina, e eu queria que você falasse também como vocês estão sentindo esse momento trágico que estamos vivendo?
É curioso porque eu não faço ideia de como o povo brasileiro vive isso (o genocídio em Gaza). Sei que o povo brasileiro tem os seus próprios problemas,e houve uma vez, na turnê do meu último disco, em que eu sempre cantava uma canção palestiniana em todos os shows onde eu ia no mundo. Encontrei uma canção linda do (poeta e escritor) Mahmoud Darwish, palestiniano, também para reivindicar a libertação e a descolonização de Israel. E uma vez fomos à Lituânia e eu cantei esta canção e não recebi nenhum tipo de feedback das pessoas. E o promotor dizia: “Aqui eles não pensam na Palestina, estão mais preocupados com o que está acontecendo pertinho deles na Ucrânia e com medo que haja uma possível invasão (ao seu país)”. Então é sempre curioso perceber qual é a sensação das pessoas consoante ao país. Mas a verdade é que isto já é uma causa que não tem nada a ver com convicções políticas, nem com guerras entre povos e Estados. Isto já é uma questão humanitária empática! Qualquer pessoa empática vai querer a libertação da Palestina, um lugar aonde crianças estão morrendo de fome. A União Europeia continua sem fazer nenhuma sanção a Israel, mas já vi várias intervenções do Lula, e ele não é como a União Europeia, ele não se deixa torcer nem pelo Trump, nem pelo Netanyahu. Isto é o que eu tenho visto. Posso não estar informado, mas sinto que Lula é bastante reivindicativo nesse aspecto de Gaza. Menos covarde do que o nosso governo, isso com certeza. Corrija-me se eu estiver errado, mas é o que eu tenho visto…
Tens total razão. Ele está sendo bem combativo. Faz questão de verbalizar com todas as palavras a revolta dele (e nossa). E como foi gravar essa música, “Tempus Fugit (Plor per Palestina)”? Qual foi o sentimento dela?
Esta canção é do Marco Mezquida e foi ele quem propôs fazer uma canção para a Palestina. Ele dizia que tinha vontade de fazer uma composição para sacar toda a emoção que ele sentia com o que ele via diariamente nos noticiários. Nós achamos a ideia ótima porque estamos obviamente de acordo com as convicções dele. E então temos encerrado o show com essa canção. Foi curioso gravá-la porque não sabíamos bem se havíamos de fazê-la à capela. Tentamos gravá-la na rua com celular. Depois tentamos uma versão instrumental – que eu acho que está presente só no vinil. E depois acabamos cantando ela dentro do piano, sabes, com a caixa aberta. Ele tocando e nós cantando ao mesmo tempo. Foi um momento bastante emotivo. É sempre difícil perceber a reprodução destas coisas. Eu às vezes, nos shows, penso: “Estou aqui a falar para as pessoas e as pessoas estão todas de acordo comigo. Não sinto que isto vai mudar nada”. Sabes, “preaching to the choir”, como dizem os gringos. Mas acho que se a gente conseguir mudar ou consciencializar uma pessoa no público inteiro já é um passo, não é?
Raul Seixas dizia exatamente isso! Bem, por uma série de questões, o Brasil é um país muito fechado em sua própria música. Não é costume dos brasileiros ouvir nem as canções dos países vizinhos, como a Argentina, grandes astros argentinos não têm um grande público aqui. A mesma coisa acontece com Portugal. Nós entrevistamos muitos artistas portugueses no site, dia desses estávamos conversando com o Linda Martini…
Uau, partilhamos o mesmo técnico de som, o João Tereso, que está com eles desde o começo! Temos essa conexão.
Que interessante! Seguindo: costumo dizer que enquanto vocês já conhecem Tim Bernardes, a Dora, o Zé Ibarra, a Juliana Linhares, o grande público brasileiro ainda está parado em Roberto Leal. Ou seja, a gente está muito atrasado. Então gostaria que você recomendasse para o público brasileiro alguns artistas, tanto portugueses quanto espanhóis, já que você está vivendo na Catalunha, para que nossos leitores prestem atenção nesses nomes.
É verdade o que tu dizes, mas eu não acho necessariamente mal. Não sei. O Brasil tem muuuuita música boa. E Portugal é muito pequenino. Muito pequenino aos olhos dos brasileiros. Lembro-me da primeira vez que fui para o Brasil com o peso e a responsabilidade do colonizador. E percebi que muita gente nem pensa nessa questão porque Portugal é quase insignificante aos olhos de muitos brasileiros. Não vi tanta amargura, sabes? O brasileiro está muito… assentado no progresso. Não sei se é por causa do lema de vocês, mas nunca notei tanto progressismo, tanta igualdade racial, a questão das cotas (em Portugal quanto há no Brasil). O Brasil está muito à frente nas questões do feminismo e dos direitos LGBT.
Mas, para recomendar coisas, recomendaria daqui (da Espanha) a Rita Payés, a Lucia Fumero, o Pol Batlle, Vernat… E de Portugal, recomendaria Capitão Fausto, que fazem uma música moderna, que parece um pouco os modernos brasileiros. O jazz português também está muito bem, de verdade. Tem bom jazz em Portugal. A minha irmã, obviamente, Luísa Sobral, sempre tenho que recomendá-la. Também Lau Noah, que tem uma canção no nosso disco “Silvia & Salvador”. O B Fachada… Sabes quem é o B Fachada?
Sim, B Fachada é incrível.
Eu recomendarei sempre o B Fachada.
Tenho cinco discos dele aqui em casa!
Ah, então tu acompanhas. Não sei se o brasileiro acha estranha a pronúncia de Portugal. É curiosa essa relação. Não é uma relação neocolonialista como tem os sul-americanos com os espanhóis. É muito diferente. Ainda não consegui entender bem. Vocês têm também piada, não é? Piada sobre português. Eles também têm piada sobre espanhol. Aí é igual. Mas é diferente. Eu sinto que tem menos peso, não sei, para os brasileiros…
Para encerrar, você tem uma canção favorita no disco? Uma que você se emociona quando vai cantar?
Tenho. Chama-se “Este Presente”. E é uma canção que começou a crescer à medida que a gente começou a tocá-la ao vivo. Ela começou a ganhar outras vidas quando a gente a toca ao vivo. Há muita coisa que acontece, muita improvisação. Então esta é aquela canção que eu estou sempre à espera que aconteça no show. Tipo, “quando é que chega esta?” Ainda por cima, ela aparece depois do momento que a gente faz (solo). Eu fico e faço uma. A Sílvia vem e faz uma ou duas. E depois a gente volta todos para o palco e faz “Este Presente”. É uma libertação. Uma coisa muito visceral. Adoro!
Adoro ouvir esta dupla!
Claro que também gosto de o ouvir com a irmã.
E sozinho!
Não param de me surpreender.
São vozes de anjos.
Muita sorte para tod@s!
Estarei no Coliseu dos Recreios