Faixa a faixa: Satanique Samba Trio desconstrói lambada e guitarrada em “Cursed Brazilian Beats Vol. 1”

introdução por Diego Albuquerque
Faixa a faixa por Munha da 7

O quinteto brasiliense Satanique Samba Trio está de volta com “Cursed Brazilian Beats Vol. 1” (2025), o segundo registro da trilogia (claramente fora de ordem numérica) “Batidas Brasileiras Amaldiçoadas” – aberta em 2022 com “Cursed Brazilian Beats Vol. 2”, que unia pagode e goth rock. O novo lançamento – de seis faixas e quase 12 minutos de duração – ganhou edição em em vinil compacto e, também, em streaming, mais uma vez em parceria com o selo belga Rebel Up.

Como de costume, a banda segue a ideia de realizar experimentos sonoros em ritmos populares tipicamente brasileiros. Desta vez, a desconstrução acomete ritmos tradicionais do norte do país como lambada, guitarrada, marujada e carimbó. “Esse espaço estético já tinha sido brevemente explorado por nossa pesquisa, mas resolvemos aprofundar porque faz parte do nosso mapa de desconstrução”, afirma Munha da 7, contrabaixista, fundador e regente do grupo.

Retornando de uma turnê europeia em março que passou pela Bélgica, Holanda, Alemanha, Suíça e Dinamarca, Munha da 7, Lupa Marques, Jota Dale, Chico Oswald e DJ  Beep Dee oficializam seu 15º lançamento (sucessor de “So Bad'”, um disco “no máximo medíocre, nota 10 de 10”) , o primeiro de toda discografia da Satanique que traz uma música com letra (assinada e cantada por Negro Leo). Para entender um pouco mais essa doideira sonora, Munha comenta o disquinho  “Cursed Brazilian Beats Vol. 1” faixa a faixa. Ele foi sucinto, mas preciso.

01) “Lambaphomet” – Uma peça presa entre a lambada em 2/4 e a guitarrada tradicional. Altos efeitos e gracinhas.


02) Aracnotobias – Primeira música de todo o catálogo do Satanique Samba Trio com letra. Como o próprio nome diz, é sobre “Aracnotobias”, o deus do papo aranha. Participação especial de Negro Leo na voz e na pena.


03) “Sacrificial Lambada” – Erguida sobre elementos típicos da lambada dos anos 90, desconstruída sob as colunas da estrutura típica do free jazz: tema/solo/barulheira.


04) “Brazilian Modulok” – Apropriação rítmica da guitarrada, só que sem guitarras e com cavacos no lugar. Também é um jogral de tema e improviso com ponte em progressão aritmética inspirado em um vilão de terceiro escalão do antigo desenho animado da She-Ra.


05) “Azucrins” – Marujada apocalíptica.


06) “Tainted Tropicana” – Talvez a primeira lambada com clarone já registrada na história d humanidade? (não checamos)

– Diego Albuquerque é o criador do blog Hominis Canidae, um dos maiores repositórios de discos brasileiros da última década. O blog foi criado em 2009, no Recife, e divulga novos artistas e nomes indies da música brasileira, de norte a sul do país.

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