Blog do Editor: Recortes de dias (quase) bestas #3

por Mac

Duas e meia da manhã. Insônia. Torcicolo derivado de um mau jeito nos dois travesseiros que sustentaram a preguiça deste domingo: mais de duas horas na cama no começo da tarde assistindo “Mitos Culinários” e, depois, “Comidas Exóticas”, dois programas da TLC.

Acho que nunca comentei, mas adoro a programação da TLC. Dia desses, pensando em economizar na conta da NET, tentei fazer algumas especulações de possibilidades de novos planos, mas o plano mais interessante ($) não tinha a TLC. Não mudamos.

Falando em mudanças, estamos bastante indecisos sobre sair ou não do apartamento em que estamos morando. O contrato vence semana que vem, o dono quer aumentar 25% e nós não estamos muito a fim de pagar 25% a mais (na verdade, nem 10%).

O aumento, segundo ele, é devido a valorização da área. Hummm. Ao mesmo tempo nunca vi tanto apartamento vazio para alugar nessa região da Cerqueira Cesar. Estamos procurando e preciso falar esta semana com o dono para fecharmos uma solução: ou fica, ou sai. Mudar é um pequeno trauma.

Essa foi uma semana intensa de filmes. Depois de assistir a “Amor”, do Michael Haneke, duas vezes na semana passada (e ter ficado em depressão – maldito austríaco), essa semana foi a vez de conferir “Django Livre”, “A Viagem” e “O Mestre”.

“O Mestre” foi o primeiro, e assisti numa cabine da distribuidora, sala pequena, mas com ótimo som. O filme é tão bom que sai transtornado da sessão. Paul Thomas Anderson é foda. Revi o filme em tela grande neste domingo, e só melhorou o impacto.

Não sei se conseguirei traduzir a grandeza do filme em palavras. Gosto dos textos que escrevi sobre “Magnólia” e “Sangue Negro”, mas estão fervilhando um milhão de coisas na cabeça após as sessões de “O Mestre” que… sei lá… dúvidas. Insegurança.

Escrevi do “Django Livre” no próprio sábado, e o texto, apesar de não sair perfeito, já é melhor que os textos sobre “Amor” e “Life of Pi”. Escrever é puro exercício. Quanto mais se escreve, mais as palavras e as ideias conversam. Se a gente para, as ideias enferrujam. E voltar é sempre complicado.

No sábado assisti a “Cloud Atlas”, que não sei se conseguirei escrever também. Provável que venha um textinho curtinho. Há uma centena de defeitos e muita pieguice nessa parceria dos Wachowski com Tom Tykwer, mas… adorei o filme.

Gosto muito das críticas ao consumismo, à manipulação de ideias, do pensar livre, que, sabemos, nunca é um pensar livre: será possível ser livre numa vida em sociedade? Vivem dizendo que somos, mas cada vez mais é consumo. Somos livres para consumir. A vida, quase sempre, é uma farsa.

Já estou com vontade de rever “Cloud Atlas” para anotar as coisas legais que gostei, e isso é assustador. O filme fracassou, mas vai virar cult. Parafraseando uma das últimas falas do filme, se alguém assistir, uma pessoa que seja, está bom. Eles fizeram valer a pena e passaram a mensagem. Gosto disso.

No sábado, ainda, assisti a mais um grande show de Jair Naves, desta vez no conforto do teatro do Sesc Belenzinho. Mais um show emocionante, desta vez pela presença da mãe do Jair, a qual recebeu como dedicatória a belíssima “Maria Lucia, Santa Cecília e Eu”.

Fiz vários vídeos do show e as imagens e som ficaram ótimas, mas está difícil subir no youtube. Consegui upar um até agora (esse aqui), e assim que os demais forem ao ar, faço um post com os três vídeos aqui. Um dos grandes discos do ano passado numa daquelas noites especialíssimas.

Travei no livro do Bolaño. Enquanto isso, “O Lado Bom da Vida”, de Matthew Quick (que inspirou o filme que concorre ao Oscar), me namora aqui na mesa. Vi o trailer do filme hoje, e lembrei-me que me esqueci de escrever de “Jogos Vorazes”, que adorei. Paciência.

Estou precisando controlar melhor o tempo, otimiza-lo, para fazer as coisas renderem. Muita ideia surgindo, muita coisa pra fazer e, quando vejo, já são três da manhã, e eu fiz menos do que deveria. Com isso não consigo ser paciente, e o nervoso castiga o estomago.

Datas para a próxima viagem já estão acertadas. Será Estados Unidos, e estou no aguardo de alguma promoção amigável. Praticamente desisti do Primavera Sound em Barcelona, mas estou me concentrando na edição de Porto. Só vai rolar se pintar passagem barata.

Fiquei mal-acostumado com o ano passado, em que comprei uma passagem por mil reais, ida e volta São Paulo/Barcelona, via Santiago. Bela promoção da Lan, que apesar de cansativa valeu o investimento. Torcendo pra rolar algo próximo a isso, afinal, economia é a palavra de ordem por aqui.

A pilha de CDs para serem ouvidos está diminuindo consideravelmente. Hoje ouvi o disco de estreia do Fábrica de Animais, um álbum com letras bem rock and roll e o vocal da Fernanda D’Umbra, cheirando a cigarro, bebida e Janis Joplin. Ao vivo deve render ainda mais.

Ouvi também “Novo Pratico Coração”, da No Stopa (tem uma versão muito boa de “Strangelove”, do Depeche – estará na próxima mixtape), o bom disco do Cassino Supernova, banda de Brasília que conheci num grande show em Porto Velho (guardei uma música, “Torta Alemã) e o do Killer on The Dancefloor (“Gringo Oba Oba” é muito boa).

Também passaram pelo meu som os discos de Les Pop, Me & The Plant, Maia Vidal e Peixoto & Maxado, e estou separando para ouvir nesta semana Lenzi Brothers, Leela e o disco solo do Dudu Tsuda. E, claro, os discos portugueses que o Pedro Salgado me mandou.

Foi uma troca. Ele pediu “O Som e a Fúria de Tim Maia”, que eu mandei junto com o livro do Erasmo e mais alguns CDs. Espero que chegue. Ele me mandou, e já chegou, quatro CDs: um do B Fachada e mais Linda Martini, Diabo na Cruz e Deolinda. Sorriso na testa.

Pedro queria me mandar um livro, “Caravana Doors”, que inclusive está na lista dele de livros de 2012 no Melhores do Ano do Scream & Yell (que entrará no ar entre essa segunda e a terça – dependendo da ajuda dos deuses… e da melhora do meu torcicolo), mas pedi CDs. A fila de livros está imeeensa aqui. E eu queria mesmo alguns CDs de novas bandas portuguesas.

A semana promete. Estou me sentindo meio vazio, com saudade de algo que nem eu mesmo sei o que é. Ou pode ser fome. Ou pode ser medo. Ou pode ser tanta coisa. A dor no peito, que apareceu em dezembro de 2011, voltou, mas tenho quase certeza absoluta que é culpa do PTA. Do capitulo “filmes que mexem com a gente”. Vamos acompanhar…

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