Uma música por dia: She Lives on a Mountain

DIA 14: “Uma música para tocar no seu casamento”
Esta é uma semana muito especial para mim e @lili_callegari, pois, exatos 20 anos atrás, nos beijamos pela primeira vez. <3
A gente já estava se paquerando fazia um tempo, eu estava apaixonadamente ansioso e com o coração assustado. Às vésperas de uma viagem para cobrir um festival em Maceió, ficamos juntos. Eu perdi o voo, tive que comprar outra passagem e passei quatro ou cinco dias longe dela após termos ficado juntos. Quando voltei para São Paulo, não nos desgrudamos mais, e lá se vão 20 anos.
Eu já tinha gravado uma mixtape pra ela pouco antes (com Echo, Pulp, Wilco, Delgados, Nick Cave e outros), mas Gorky’s Zygotic Mynci (que compõe com Manics e Super Furry Animals a santíssima trindade do rock galês) tinha ficado de fora.
Nessa época, eu ouvia bastante o disco “Spanish Dance Troupe”, que essa banda galesa havia lançado em 1999, especialmente a lírica “She Lives on a Mountain”, que é uma das músicas que sempre me conectam com a Lili, pois ela sempre será a minha “adorável menina que quer viver na montanha”.
Para um casamento, não seria a versão do disco, que é maravilhosa, mas sim um quarteto de cordas tocando ela… arrepia só de imaginar.
Te amo, Lili <3
Foi incrível viver esses 20 anos ao seu lado. Bora pra mais 20 então! 🙂
“She Lives on a Mountain”, Gorky’s Zygotic Mynci
do álbum “Spanish Dance Troupe”, 1999
She lives on a mountain
Her house only one around
And I’d seen her once or twice
When she came into town
And it was soon that I started dreaming
How my friends would laugh at me
Saying no hermit girl like she
Could fall in love with me
So I looked to the river
And I looked to the sea
I looked in my own mirror
But no traces I could see
So beautiful to see
Before the night is through
Could I fall in love with you?
And she lives on a mountain
Her house only one around
She lives on a mountain
Her face is all around
With storm clouds up above
Still no rain from above
abril 23, 2026 Encha o copo
Uma música por dia: Simple Twist of Fate

DIA 13: “Uma música dos anos 70”
Bob Dylan lançou “Simple Twist of Fate”, uma canção sobre um relacionamento fadado ao fracasso, no clássico álbum “Blood on The Tracks“, de 1975, e desde então vem revisando continuamente a letra em suas apresentações ao vivo ao longo das décadas (inclusive em suas apresentações mais recentes em 2024, quase 50 anos depois).
“Muitas pessoas me dizem que gostam desse álbum e é difícil para mim me relacionar com isso. Como vocês podem gostar desse tipo de dor?”, disse Dylan certa vez. Quando acompanhou o pai em uma das sessões, o garotinho Jakob Dylan sentiu que o álbum era “meus pais conversando”.
Jeff Tweedy, do Wilco, gravou uma versão reverente dessa canção para a trilha sonora do filme “I’m Not There” (2007).
“Simple Twist of Fate”, Bob Dylan
do álbum “Blood on The Tracks” (1975)
They sat together in the park
As the evening sky grew dark
She looked at him and he felt a spark
Tingle to his bones
‘Twas then he felt alone
And wished that he’d gone straight
And watched out for a simple twist of fate
They walked along by the old canal
A little confused, I remember well
And stopped into a strange hotel
With a neon burnin’ bright
He felt the heat of the night
Hit him like a freight train
Moving with a simple twist of fate
A saxophone someplace far-off played
As she was walkin’ on by the arcade
As the light bust through a beat-up shade
Where he was waking up
She dropped a coin into the cup
Of a blind man at the gate
And forgot about a simple twist of fate
He woke up, the room was bare
He didn’t see her anywhere
He told himself he didn’t care
Pushed the window open wide
Felt an emptiness inside
To which he just could not relate
Brought on by a simple twist of fate
He hears the ticking of the clocks
And walks along with a parrot that talks
Hunts her down by the waterfront docks
Where the sailors all come in
Maybe she’ll pick him out again
How long must he wait?
One more time, for a simple twist of fate
People tell me it’s a sin
To know and feel too much within
I still believe she was my twin
But I lost the ring
She was born in spring
But I was born too late
Blame it on a simple twist of fate
abril 22, 2026 Encha o copo
Uma música por dia: Michelle

DIA 12: “Uma música da sua pré-adolescência”
Tudo começa com Beatles. Eles foram o meu disco número 1, uma coletânea em vinil chamada “Ballads” que tinha nada mais nada menos do que 10 canções de cada lado.
Suspeito que essas baladas – “For No One”, “You’ve Got To Hide Your Love Away”, “She’s Leaving Home”, “All My Loving”, “Nowhere Man” – tenham moldado o meu gosto musical futuro.
E de todas as canções daquele disco, a minha favorita era… “Michelle”, uma canção do Paul que saiu no disco “Rubber Soul”, de 1965, mas que eu só conheci nessa coletânea caprichada.
Ps. Ganhou o Grammy de Canção do Ano em 1967!
“Michelle”, The Beatles
do álbum “Beatles Ballads” (1980)
Release date: 03 December 1965
Michelle, ma belle,
These are words that go together well,
My Michelle.
Michelle ma belle,
Sont les mots qui vont tres bien ensemble
Tres bien ensemble.
I love you, I love you, I love you,
That’s all I want to say,
Until I find a way,
I will say the only words I know that you’ll understand.
Michelle ma belle,
Sont les mots qui vont tres bien ensemble
Tres bien ensemble.
I need to, I need to, I need to,
I need to make you see,
Oh, what you mean to me.
Until I do I’m hoping you will know what I mean.
I love you.
I want you, I want you, I want you,
I think you know by now,
I’ll get to you somehow.
Until I do I’m telling you, so you’ll understand.
Michelle ma belle,
Sont les mots qui vont tres bien ensemble
Tres bien ensemble.
And I will say the only words
I know that you’ll understand
My Michelle.
abril 21, 2026 Encha o copo
Uma música por dia: Desintoxicação

DIA 11: “Uma música que você nunca vai enjoar”
O Último Número é uma banda de Belo Horizonte que debutou em 1986 pelo selo independente Cambio Negro com o belíssimo álbum “Strip-Tease da Alma”, que unia a poesia e o grande vocal de Gato Jair com os bons riffs de guitarra do garoto João Daniel Ulhoa, que deixaria a banda no ano seguinte para se dedicar ao grupo Sexo Explícito (e, depois, ao Pato Fu).
Reformado como um quinteto, o Último Número conseguiu superar a ótima estreia com um segundo álbum poderoso, “Filme”, de 1988. A sonoridade é mais cheia, redonda e complexa. O vocal de Gato Jair brilha na maravilhosa faixa de abertura, “Desintoxicação”, na revisão de “Ars Longa Vita Brevis II” (presente no primeiro álbum), na climática faixa título e na ótima versão de “Come Together”, dos Beatles.
“Filme” é o meu disco favorito deles. Comprei na Baratos Afins, na Galeria do Rock, em 9 de junho de 1991 e ele é o vinil número 212 da minha coleção (eu costumava, no século passado, numerar, datar e assinar meus vinis, afinal eles iriam ficar comigo a vida inteira mesmo). Desde que comprei virou disco de cabeceira, daqueles que a gente volta a eles sempre sem pensar ou planejar, simplesmente porque os ama..
Pra mim, a grande canção desse grande álbum é “Desintoxicação”, a música que abre o disco. Foi uma surpresa tão boa ouvi-la pela primeira vez naquele distante 1991. De todas as faixas do álbum (e do Último Número), essa é a minha favorita, a canção que sempre volta e que, suspeito, eu nunca tenha passado um ano sequer sem ouvi-la desde aquele 1991. Taí, uma canção que eu nunca vou enjoar.
Essa escolha é uma homenagem ao poeta, vocalista e letrista Gato Jair, que nos deixou essa semana. #RIP
“Desintoxicação”, Último Número
do álbum “Filme”, 1988
Há sempre algo que eu perco quando falo
Lua luminosa, jatos d’água e algum álcool
Há sempre algo que eu ganho quando falho
Sombras de sons, luz em arco e algum ar
Eu hoje falo fatos, vejo música
Sou feliz por respirar
Observo mais imagens
Qual é a que existe?
Qual é a mais triste?
Tudo é leve esta manhã
O pesadelo vivo não existe mais
O verdadeiro inferno ficou para trás
abril 20, 2026 Encha o copo
Uma música por dia: Dizem

DIA 10: “Uma música que te deixa triste ou, adaptando, Uma música que te acompanha na tristeza”
Como comentei no “dia 9”, música sempre me faz feliz. Principalmente as… tristes. 🙂
Não consigo pensar em uma música que me traga tristeza, mas elas, muitas vezes, andam de mãos dadas comigo em dias cinzas, como se cuidassem de mim. Ou seja, música não me deixa triste, a vida tá aí pra isso, mas serve de trilha sonora para esses momentos… difíceis.
Dai pode ir de “L’Avventura” da Legião a “Broken Heart” do Spiritualized, de “Forgiven” do Echo and The Bunnymen a “Lost Cause” do Beck, de “So Broken” da Bjork a “…Said Sadly” do Smashing Pumpkins”, de “Canción Para Mi Muerte” do Sui Generis a “Atmosphere” do Joy Division – e são tantas. Pra você ter uma ideia, tenho uma pasta no HD de DJ Set só com baladas “matadoras”, e já usei muitas delas em discotecagens lounge…
Pra esse dia ficarei com “Dizem”, da banda curitibana OAEOZ num feat com Edith de Camargo. Uma belíssima companhia nesses dias densos…
“Dizem”, OAEOZ feat Edith de Camargo.
do álbum “Às Vezes Céu”, 2005
Alguns dizem que tenho talento
Prá melancolia
Qualquer tipo de fobia
Que tenho pena de mim
E que por isso gosto de me arrastar por aí
Por debaixo da dor
Implorando por afeto
Dizem também
Que mantenho uma certa distância
Que dura mais ou menos dois copos
Mas que depois me solto
E sou capaz de ir pra casa mais próxima
Com quem quer que seja
Em busca de um pouco mais…
…e de aconchego
Eu sei que sou um destes
Qualquer um
Que pelo menos te agrade
E agrave tua dor
É que começo a me sentir
Meio só pela madrugada
As ruas vazias
E as pessoas por trás dos vidros
Em volta das mesas
Colocando seus corações em tudo
E eu não tenho muita certeza
Mas continuo tentando passar
Cada dia mais rápido
Amaldiçoando e pedindo desculpas
Por todo mal estar causado
abril 19, 2026 Encha o copo
Uma música por dia: Lucy

DIA 9: “Uma música que te deixa feliz”
Música sempre me faz feliz. Principalmente as… tristes. 🙂
Em qualquer lugar que eu esteja e começar a tocar “Rust”, do Echo and The Bunnymen, por exemplo, eu começarei a sorrir.
Mas, ok, vamos pensar em canções “felizes”. Indo por esse lado, pensei primeiramente em “Maquiável Para Crianças”, uma pérola do repertório do grupo paulistano Meia Duzia de 3 ou 4. Também pensei em outra historinha com começo, meio e fim que sempre coloca um sorriso no meu rosto: “Pois Foi”, do Deolinda, a saga de uma garota menosprezada por um babaca que, no final, a encontra acompanhada de outro num café.
Poderia ser “Lazy Line Painter Jane” do Belle & Sebastian, “Soul Love” do Bowie, “Let’s Call The Whole Thing Off” com Ella e Louis, “The Man Who?” de Josh Rouse & Paz Suay, “Romeu had Juliette” de Lou Reed, “Un Río” de Edu Schmidt, “You and Me Song” do Wannadies e tantas outras. Mas hoje vou escolher “Lucy”, do Divine Comedy, porque ela explica tudo isso de uma maneira prática.
“Lucy”, Divine Comedy
do álbum “Liberation”, 1993
I travelled among unknown men
In lands beyond the sea;
Nor, England did I know till then
What love I bore to thee
‘Tis past, that melancholy dream!
Nor will I quit thy shore
A second time; for I still seem
To love thee more and more
Among thy mountains did I feel
The joy of my desire;
And she I cherished turned her wheel
Beside an English fire
Thy mornings showed, thy nights concealed
The bowers where Lucy played;
And thine too is the last green field
That Lucy’s eyes surveyed
She dwelt among the untrodden ways
Beside the springs of Dove
A Maid whom there were none to praise
And very few to love:
A violet by a mossy stone
Half hidden from the eye
-Fair as a star, when only one
Is shining in the sky
She lived unknown, and few could know
When Lucy ceased to be;
But she is in her grave and, oh
The difference to me
A slumber did my spirit seal;
I had no human fears;
She seemed a thing that could not feel
The touch of earthly years
No motion has she now, no force;
She neither hears nor sees;
Rolled around in earth’s diurnal course
With rocks, and stones, and trees
abril 18, 2026 Encha o copo
Uma música por dia: Beer

DIA 8: “Uma música sobre álcool e drogas”
Jay Bennett foi guitarrista do Wilco e participou dos álbuns “Being There” (1996), “Mermaid Avenue” (1998) e “Summerteeth” (1999), tendo sido demitido da banda durante as gravações do clássico “Yankee Hotel Foxtrot”, quarto álbum do grupo.
Para muitos (eu incluso), “Yankee Hotel Foxtrot” seria um disco completamente diferente se ele não estivesse ali, atazando Jeff Tweedy, tentando tirá-lo da zona de conforto.
Bennett morreu aos 45 anos, em 2009, por uma dosagem acidental de medicamento, e sua história é contada no documentário “Where Are You, Jay Bennett?” (2021) :
Em 2010, a ONG The Jay Bennett Foundation lançou o álbum póstumo “Kicking at the Perfumed Air”, com uma série de gravações inéditas do compositor, incluindo “Beer”, que também integra a trilha sonora do documentário.
“Beer”, Jay Bennett
That first beer, that second beer
The third beer is the best
I love beer more than the rest
That fourth beer, that fifth beer
That sixth beer still tastes fine
Bring me more beer
You can keep the wine
You say I drink too much
You say I think too much
You say I laugh too much
When things are really serious
You say I live too hard
You say I’ve gone too far
I think I’ll crash my car
Then, I’ll become a star
Overnight
That seventh beer, that eighth beer
The ninth goes either way
Just one more beer
And I’ll decide if I will go or stay
There’s eleven, then twelve
And thirteen does no good
Oh, I’ll have fourteen
Though you don’t think I should
abril 17, 2026 Encha o copo
Uma música por dia: Interstate 5

DIA 7: “Uma música para dirigir”
Poderia (deveria?) ser Neil Young (sempre a primeira opção), pensei em Kraftwerk, mas, como não dirijo, melhor correr…
“Interstate 5”, Wedding Present
do álbum “Take Fountain” (2005)
I should just get out of here
and start driving south on Interstate 5
But I need to stay near,
in case you suddenly remember that I’m alive
But I have this nagging fear
that sex was all you needed
I’ve tried to persevere,
I guess I’ve not succeeded
And is it sexist to say
That I thought just boys were meant to behave in this way?
And though you seemed quite sincere
Will you even recognise my face this time next year?
Well I’ll remember how your eyes
sparkled in the moonlight
You can surely sympathise,
I just wanted more than one night
And yes there was one particular glance
that made me afraid
That you were just seeing me as a chance
of getting laid
abril 16, 2026 Encha o copo
Uma música por dia: Please Mr. Postman

DIA 6: “Uma música que deve te faz dançar”
Todas.
Bem, gosto dos indie rock barulhentos para pista, mas vez em quando (quando estou discotecando), faço um break ali no meio do set que começa com “Do You Remember Rock ‘n’ Roll Radio?”, dos Ramones, emenda com a versão do Manics para “Can’t Take My Eyes Off Of You” culminando com “Be My Baby”, das Ronettes. Dai, pra voltar ao set indie, “Please Mr. Postman” na versão da Backbeat Band (que, você sabe, era Dave Grohl na bateria, Mike Mills no baixo, Thurston Moore e Don Fleming nas guitarras, e Greg Dulli e Dave Pirner cantando as covers de início de carreira dos Beatles). Foda!
abril 15, 2026 Encha o copo
Uma música por dia: Nunca Diga

DIA 5: “Uma música que deve ser tocada alta”
Todas.
Ok, a primeira que me veio a memória foi “Low Life”, do PIL. Depois pensei em “Miles Iz Ded”, do Afghan Whigs. E também em “Digital”, do Joy Division.
Acho que o vocal gritado une as três, e o bom da música alta é você também poder cantar alto (melhor lugar: uma pista de inferninho. Não a toa, eu adoro discotecar porque posso ouvir as músicas que amo no volume máximo).
Outras que poderiam entrar:
– “Man on The Moon”, Sugar
– “Black”, Jesus and Mary Chain
– “Nunca Diga”, Pato Fu (a minha música particular de verificar a equalização das caixas de som em casa)…
Vou escolher a do Pato Fu porque assim posso usar, também, o vídeo que fiz do Festival Magnéticos, no Sesc Pompeia, em 2017. Tive o prazer de fazer a curadoria desse festival, juntar Graforréia e Pato Fu na mesma noite (por isso John faz a brincadeira no começo do áudio do vídeo) em um dos locais de shows mais icônicos da capital paulista e pedir essa música. Que fim de semana incrível, aliás. Saudades.
“Nunca Diga” (1995)
de: Graforréia Xilarmônica
com: Pato Fu (1998/2017)
Querido, nunca diga que eu tenho mau gosto
E saiba que o belo da vida ainda está pra nascer
Querido, por favor, olhe bem em meu rosto
E Tente enxergar o que os outros não conseguem ver
Fui lhe mostrar um disco que eu comprei
De um cantor que eu sempre gostei
Mas você não me deu atenção
Oh não, não, não, não
Voltarei pra casa pelo mesmo caminho
Escutarei o meu disco sozinha
Dentro do meu quarto na escuridão
Querido, nunca diga que eu tenho mau gosto
Saiba que o belo da vida ainda está pra nascer
Fui lhe mostrar um disco que eu comprei
De um cantor que eu sempre gostei
Mas você não me deu atenção
Oh não, não, não (não!)
Voltarei pra casa pelo mesmo caminho
Escutarei o meu disco sozinha
Dentro do meu quarto na escuridão
Querido, por favor, olhe bem em meu rosto
Tente enxergar o que os outros não conseguem ver
Tente enxergar o que os outros não conseguem ver
abril 14, 2026 Encha o copo

