por Wagner Xavier
Formada no início dos anos 70, a banda alemã NEU! (pronuncia-se Nói), na verdade uma dupla, (dupla eletrônica experimental – qualquer semelhança com o Ministry seria mera coincidência?), era formada pelos multi-instrumentistas Klaus Dinger e Michael Rother.
O NEU!, teve um curta discografia, lançando apenas três álbuns, todos editados pelo selo Brain. Seu primeiro disco, sensacional, foi lançado em dezembro 1971, quase totalmente eletrônico e basicamente instrumental (exceção feita a última faixa – se é que podemos considerá-la como uma faixa vocal…), e é um álbum delicioso de se ouvir do começo ao fim.
Denso e surpreendente, “NEU!” soa moderno, pesado, dançante e mesmo hoje podemos perceber sua exuberante execução. Seu estilo pode dificultar sua classificação, pois possui características progressivas, porém lembrando bandas de rock industrial ou espacial.
Podemos imaginar o impacto na época do seu lançamento (talvez eles estivessem alguns anos a frente de seu tempo). Este disco, composto de seis ótimas faixas, possui um total de aproximadamente 45 minutos.
Inicia-se com a eletrônica “Hallogallo” (10’07), cuja batida eletrônica é super-agradável, uma bateria brilhante, guitarras e teclados espalhados pela música de forma simplesmente genial. A faixa seguinte é “Sounderagebot” (4’50), experimental ao extremo, mas sem ser chata e fechando o lado 1, a bela “Weissensee” (6’42), com passagens progressivas de grande inspiração (lembra Pink Floyd nos seus melhorias dias de …para deixar o leitor curioso, “UMMAGUMMA”).
O lado 2 começa novamente bastante instrumental. A primeira faixa é “Im Gluck” (6.52) que tem um som meio estranho (parece algo como água borbulhando em algum lugar – realmente um pouco esquisita). A sequência porém é muito boa, com a ótima eletrônica “Negativland” (9’46), faixa onde os sons do teclado falam mais alto junto a uma bateria que preenche todos os espaços vagos – um show de rock eletrônico.
Finalizando o disco, temos talvez a “música deprê mais estranha de todos os tempos” – para deixar o Radiohead com inveja do vocal (ou sussurros ?) – “Lieber Honig” (7’15) é o grand finale do álbum.
Apesar de possuir uma voz (ininteligível para qualquer pessoa – possivelmente nem mesmo um alemão entende aqueles sussurros), a música é extremamente lenta, triste e estranha (difícil classificar algo tão diferente do pop/rock que nos acostumamos a ouvir). Mas é um digno final de um grande disco.
Apesar de gravar dois outros álbuns seguintes (“NEU! 2” e “NEU! 75”), o NEU! (que significa Novo!, em alemão) não conseguiu alcançar o estrelato, lembrando que seus integrantes também participaram do também estreante e mundialmente famoso Kraftwerk (este sim dono de quase toda a fama do rock eletrônico alemão – com méritos também)
Após 1976 e com a entrada de novos integrantes (Thomas Dinger e Hans Lampe) o NEU! gravaria mais três álbuns com o nome de La Dusseldorf, mas também não conseguiriam grande êxito.
No início dos anos 80 a dupla reformou a banda, onde o resultado desta reunião foi o lançamento, somente em 1996, do álbum “NEU! 4”, encerrando suas atividades definitivamente.
Apesar de não estarem entre os grandes sucessos da história do rock (mas serem melhores do que muitos que fizeram menos), o NEU! é daquelas bandas que vale a pena ouvir, principalmente quando citado esse seu disco de estreia.
Para os curiosos em conhecer, “NEU!” vendo constantemente relançado em vinil (corroborando sua fama e qualidade) em edições muito bonitas, (algumas como vinil todo branco), caprichadas e de ótima prensagem. Vale a pena ir atrás.
Wagner Xavier assina a coluna Rock Raro no Scream & Yell e é autor do livro “Rock Raro, o Maravilhoso e Desconhecido Mundo do Rock”. Saiba mais aqui.
