texto de Danilo Souza
fotos de Marlon Alves e Francisco Schettini
Um ano após ter atingido a lotação máxima da concha acústica do Centro de Cultura Camillo de Jesus Lima, em Vitória da Conquista, o Point do Rock, festival independente de música da cidade seguiu apostando alto: mais de 2 mil pessoas estiveram presentes e curtiram os shows de Dead Fish, Project46 e Outra Conduta, entre outros.
No sábado, entre os destaques, a Headless Queen veio com um som mais pesado, voltado pro metal. Com repertório autoral, a banda segurou a energia de ponta a ponta em sua apresentação, tanto pela qualidade sonora dos membros, quanto pela voz, carisma (e por que não loucura, no bom sentido) de seu frontman, Pengas Unlegged. O grupo se mostra como um nome para ficar de olho na cena da cidade e da Bahia.

Já a Outra Conduta apresentou um repertório formado integralmente por canções autorais, que fazem parte do seu primeiro disco de estúdio, “De Doutor a Malokero”, lançado em 2025. Teve reggae, rock, hardcore, rap e até ragga, na participação de Supremo MC. Relembrando os tempos de Complexo Ragga, um coletivo que foi muito influente na região do sudoeste baiano na década passada, Supremo repaginou a canção “Sensimilla”, que dessa vez contou com as guitarras de Léo Araújo, a bateria de Alemão e o baixo de Fernando Coelho.

Headliner do sábado, o Dead Fish retornou à Vitória da Conquista após nove anos num show que teve um pouco de tudo: de novidades a grandes clássicos como “Você”, “Queda Livre”, “A Urgência”, “Venceremos”, “Afasia” e “Sangue nas Mãos” , entre tantas. Em um momento conturbado no contexto mundial (e que tem material suficiente para render temas para mais um disco dos caras), o vocalista Rodrigo Lima se conectou a um público engajado com a mensagem da banda. Teve boné do Movimento Sem Terra (MST) sendo entregue a ele, durante a canção que leva o mesmo nome, fã subindo no palco com uma bandeira de Cuba, e, claro, os já tradicionais moshs que não faltam nunca no show dos capixabas.
Não que fosse necessário algum incentivo para não ficar parado durante uma sequência de pancadas do setlist, mas Rodrigo achou um bom jeito, convenhamos: “quem ficar parado é amigo do Bolsonaro!”, disparou o frontman da banda, com o deboche de sempre. Ao mesmo tempo que haviam pessoas muito jovens e que nem mesmo ainda eram nascidas quando o grupo atingiu seu auge, no início dos anos 2000, também estavam lá fãs que viram toda a trajetória do Dead Fish, desde 1991, e que sabiam cantar tudo o que tocava.

No domingo, num dia dominado por tributos ao nu metal (com bandas covers locais dedicadas ao repertório de Deftones, Limp Bizkit, Slipknot e System Of A Down), a Signista seguiu segurando e aquecendo o público com material autoral e pegou uma casa praticamente cheia em sua apresentação. Com quatro álbuns de estúdio no currículo (o mais recente, “Voltando de Mercúrio”, é de 2025), a banda de Vitória da Conquista mostrou canções novas, como a pesada “Legions Of Hell”, que estará no vindouro novo trabalho dos baianos.
A responsabilidade de fechar o evento foi da paulistana Project46, banda que já passou por festivais como Rock in Rio e Monsters of Rock. No setlist, canções como “Erro +55”, “Rédeas”, “Pode Pá” e “Pânico”, numa mescla dos três álbuns de estúdio da banda: “Doa a Quem Doer”, de 2011, “Que Seja Feita a Nossa Vontade”, de 2014, e “TR3S”, lançado em 2017. Com um som feito para quem é apaixonado por metal, o grupo encontrou o público certo para fazer a sua “sessão de descarrego”, como apelidam carinhosamente suas apresentações, encerrando a edição deste ano do Point do Rock com muito bate-cabeça.

– Danilo Souza é estudante de jornalismo da UESB (Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia). Acompanhe seu trabalho em instagram.com/danilosouza.jornalismo/

